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Linguística Básica - Trilha de Aprendizagem TODAS

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sensível e que mais evidencia as mudanças em um idioma. Em virtude disso, os 
pesquisadores neogramáticos pesquisaram mais os aspectos sonoros do que os sintáticos, 
morfológicos etc. 
 
Acerca disso, Melo e Pimentel ( 2018, p. 500) afirmam que diferentemente dos estudos anteriores 
que buscavam chegar a uma língua comum, gênese das demais línguas, chamada de indo-europeia, 
os estudos neogramáticos buscavam dar ênfase nas línguas vivas e à investigação que ocasionam as 
mudanças. Fazendo correspondências sistemáticas entre as línguas para seus estudos. 
 
Essa mudança de perspectiva trouxe uma visão distinta em relação aos comparativistas-históricos, 
conforme Faraco (2005, p. 141) atesta: 
 
A linguística anterior, como ninguém pode negar, aproximava-se de seu objeto de investigação , as 
línguas indo-europeias, sem ter previamente construído uma ideia clara de como a linguagem humana 
realmente vive e se desenvolve, que fatores operando em conjunto causam a progressão e a mudança 
da substância da fala. 
 
Um dos principais marcos dos neogramáticos é a publicação do livro “As investigações morfológicas” 
(Morphologischen Untersuchungen), de Hermann Osthoff e Karl Brugmann, em 1879. 
 
Além de Osthoff e Brugmann, existiram outros pesquisadores neogramáticos de destaque, como 
Theodor Wilhelm Braune, Hermann Paul, Berthold Delbrück e Karl Verner. 
 
Então, após um longo período referente aos estudos sobre a linguagem, os neogramáticos foram o 
último elemento que pavimentou a estrada que levou à Linguística a se tornar a ciência que estuda a 
linguagem, principalmente, através de Ferdinand de Saussure. 
 
Saussure e o Estruturalismo 
 
A linguística somente passou a ser uma ciência a partir de Ferdinand de Saussure, o qual recebeu a 
alcunha de pai da linguística moderna. Nascido em meados do séc. XIX em Genebra na Suíça, 
Saussure estudou física e química, mas também tinha uma formação humanística considerável, a qual 
o levou a se dedicar a diversas línguas, como o grego, latim e o sânscrito. Inclusive, o seu doutorado 
defendido na Universidade de Leipzig na Alemanha estava relacionado com o genitivo sânscrito. 
 
Já no início do século XX, o mestre genebrino passou a dar aula de filologia na Universidade de 
Genebra. Em 1907, começou a ministrar temas sobre o que ele chamou de linguística geral, sendo 
que elas renderam ao pesquisador dois discípulos: Charles Bally e Albert Sechehauge. 
 
Infelizmente, de maneira precoce, Saussure morre aos 56 anos. Contudo, a partir das anotações de 
seus dois discípulos referentes às aulas de seu antigo professor, esses publicam a obra póstuma 
denominada “Curso de Linguística Geral” (Cours de Linguistique Générale). 
Desta forma, um dos importantes desdobramentos que a publicação do Curso trouxe foi de oficializar 
a linguística como ciência da linguagem, essencialmente, por meio da definição de dois elementos: o 
objeto de estudo e um método de pesquisa relacionado ao primeiro. 
 
Na visão de Saussure, o objeto de estudo do linguista é a língua (langue), uma parte essencial da 
linguagem pela qual os seres humanos interagem uns com os outros. Portanto, é papel do linguista, 
segundo o mestre genebrino, de entender e descrever os [...] elementos coesos, inter-relacionados, 
que funcionam a partir de um conjunto de regras, [que constituem] uma organização, um sistema, 
uma estrutura (COSTA, 2012, p. 114). 
 
Por causa disso, a primeira teoria da linguística enquanto ciência foi denominada Estruturalismo. 
 
Assim, com a delimitação da língua como objeto de estudo, Saussure também (2012) definiu uma 
série de pressupostos teórico-metodológicos voltados à análise desse sistema - mais adiante, vamos 
nos aprofundar acerca disso. 
 
Nesse viés, é interessante destacar outras diferenças que a linguística a partir de Saussuere passou a 
ter em relação aos estudos da linguagem anteriores a ele. Inicialmente, os estudos pré-Saussure 
estavam vinculados e subjulgados diretamente a outras áreas do saber, como a Filosofia, a Filologia, 
a História etc. Por causa disso, os estudos sobre a linguagem não possuíam um objeto e um aporte 
teórico-metodológico próprio, estando, assim, em função de objetivos e de maneiras distintas de se 
pesquisar o que se pretendia. 
 
Em relação às diferenças entre os estudos sobre a linguagem e a linguística moderna, podemos 
apontar alguns exemplos disso. 
 
Durante a Grécia Antiga até a Era Moderna, período no qual as gramáticas eram muito estudadas, a 
meta era sistematizar as regras que regem uma língua e definir uma melhor forma de se falar/escrever 
tal idioma, diferentemente da proposta de Saussure que era analisar, compreender e descrever como 
o sistema de uma língua se comporta. 
 
Já no que diz respeito ao Comparativismo-Histórico, esse grupo tinha uma natureza filológica e 
privilegiavam a evolução históricas das línguas. Já a linguística do mestre genebrino propunha estudar 
a língua enquanto sistema, descartando esse olhar temporal. 
 
Principais teorias linguísticas 
Um dos principais motivos deste tópico estar no plural e não no singular se deve ao termo de Borges 
Neto (2004): a pluralidade teórica linguística. Segundo o autor, a linguagem é tão complexa e 
multifacetada, que uma teoria não dá conta de abarcar todos os fenômenos linguísticos. 
 
Essa característica, porém, não faz a linguística uma área do conhecimento inferior, ou deficitária. Na 
verdade, segundo Cabral (2014, p. 88), “[...] isso é importante na medida em que dá ao pesquisador 
a liberdade de escolher seu objeto teórico – e favorece, também, o desenvolvimento da área”. 
 
Pode-se afirmar que essa pluralidade começou depois da publicação do Curso de Linguística Geral. 
Ou seja, após o estabelecimento da linguística enquanto ciência, Segundo Wilson (2012), dois grandes 
polos de pesquisas linguísticas surgiram a partir da obra: O polo formalista e o funcionalista. 
 
O polo formalista deu ênfase à língua enquanto sistema, perpetuando e aprofundando os estudos 
saussurianos, como é o caso do Gerativismo. Já o polo funcionalista privilegiou a língua em uso, 
quando ela é aplicada em situações reais de comunicação. Alguns exemplos disso são a 
Sociolinguística, a Linguística Textual e a Pragmática. 
 
Logo, considerando essa fala inicial, vamos discutir neste tópico as principais teorias linguísticas em 
voga não só no Brasil, mas também no mundo, apontando suas características básicas e pesquisadores 
de destaque. 
 
Gerativismo 
 
O Gerativismo é o ramo da linguística a qual objetiva explicar a maneira pela qual o ser humano, a 
partir de um conjunto de regras internalizadas em sua mente, consegue criar inúmeras sentenças e 
enunciados. 
 
Ele surgiu, a fim de contestar o Estruturalismo saussureano, o Distribucionalismo de Bloomfield e do 
Behaviorismo de Skinner. 
 
Logo, se você encontrar temas, como competência e desempenho linguístico, gramática gerativa, 
Dispositivo de Aquisição de Linguagem, princípios e parâmetros, esses fazem parte do interesse do 
Gerativismo. 
 
O cerne dessa teoria linguística está intrinsecamente associada ao seu fundador: Noam Chomsky. Em 
1957, quando lecionava no MIT nos EUA, Chomsky publicou o livro “Estruturas Sintáticas” 
(Syntactic Structures). 
 
Para Chomsky (1972), todos os seres humanos falam e entendem uma língua, pois existe um 
dispositivo inato presente em nossa mente, a faculdade da linguagem. Assim, todos nós temos 
internalizados em nossos cérebros um conjunto de regras e de normas as quais utilizamos para 
construir e gerar infinitas frases e sentenças. Por isso que é denominado Gerativismo. 
 
Esse posicionamento de que a linguagem humana possui um caráter natural, na visão gerativista, pode 
parecer inconsistente, porém, conforme Kenedy (2010, p. 129) nos mostra, 
 
[...] excluindo-se os casos patológicos graves, todos os indivíduos humanos, de todas as raças , em 
qualquer