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Linguística Básica - Trilha de Aprendizagem TODAS

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nosso interlocutor ou interlocutores (BAGNO, 2009, p. 129) 
 
Em função disso, é totalmente inadequado empregar uma variante linguística que não é considerada 
padrão em situações cotidianas nas quais é exigida a variante linguística padrão. 
 
Portanto, os falantes devem adotar uma postura de adaptação e que busque aceitação do outro, ou 
ainda, nas palavras de Bechara (1986, p. 14), os falantes devem ser “[...] poliglotas dentro de sua 
própria língua”. 
 
Em outras palavras, os falantes da língua portuguesa falada no Brasil devem ter a capacidade de 
interagir com as diferentes variantes linguísticas presentes no nosso idioma, sempre de maneira 
adaptável e, sobretudo, harmoniosa e respeitosa. 
 
 
A escola e as variantes linguísticas brasileiras 
 
Conforme vimos, a questão do preconceito linguístico não só é presente, como também produz 
comportamentos e atitudes depreciativas e até hostis, principalmente, em relação à comunidades de 
fala marginalizadas e sem prestígio social. 
 
Assim, embora possa ocorrer em diversos âmbitos e setores da sociedade, dentre elas, a brasileira, é 
na educação básica que esse tipo de comportamento se reverbera mais. Na visão de Scherre (2008, 
p.88-89), as escolas, infelizmente, contribuem para o perpetuamento de termos, como “língua e 
inteligência/ burrice, competência/ incompetência, beleza/ feiúra; sucesso/ insucesso”, agravando 
ainda mais esse problema. 
 
De igual forma, Franco ( p. 1) concorda com Scherre (2008), ao afirmar que 
 
[...] a escola assume um papel segregador, pois desconsidera uma das características universais das 
línguas naturais: a variação linguística. Com isso, também adota uma postura de exclusão, à medida 
que controla a produção do discurso e procura constituir um saber que estará na ordem das leis. 
 
Contudo, ainda que a instituição escolar seja um dos principais vetores desse problema, é na mesma 
que esse cenário de estigma e de controle pode ser revertido, principalmente, na figura do professor 
de Língua Portuguesa. No que tange a isso, 
 
Os docentes não podem desconsiderar a existência desse fenômeno [preconceito linguístico], pois, 
diariamente, nos deparamos com ele em sala de aula. É importante estarmos cientes que o processo 
de intervenção faz parte de nossa responsabilidade, mas não podemos agir de forma inconsequente, 
tratando as variações como apenas um desvio da norma padrão, mas, pelo contrário, mostrando aos 
nossos estudantes que eles podem falar de diversas maneiras, de acordo com a ocasião, estando 
conscientes que a norma padrão é exigida nos contextos formais, e que se faz necessária sua 
utilização principalmente nos usos da escrita (SANTANA et al., 2015, p. 92). 
 
Inclusive, podemos notar uma mudança nesse contexto, através de diferentes ações que combatem 
isso. Desde a questão da formação dos profissionais que atuam na educação básica (mudança nas 
grades dos cursos de graduação) até mesmo em políticas públicas, como é o caso da BNCC de 
2017. 
 
Figura 14 - BNCC, Base Nacional Comum Curricular 
 
 
 
 
 
De acordo com a BNCC, para que se desenvolvam as habilidades e as competências apregoadas por 
esse documento, é necessário que essas sejam pautadas em quatro grandes eixos de atuação 
(BRASIL, 2017). O último dele, análise linguística/ semiótica, é composto por um elemento 
denominado “variação linguística”, o qual deve ser trabalhado pelo docente, a fim de que @s 
estudantes possam 
 
 Compreender algumas das variedades linguísticas do português do Brasil e suas diferenças 
fonológicas, prosódicas, lexicais e sintáticas, avaliando seus efeitos semânticos. 
 Discutir, no fenômeno da variação linguística, variedades prestigiadas e estigmatizadas e o 
preconceito linguístico que as cerca, questionando suas bases de maneira crítica (BRASIL, 2017, p. 
83). 
 
Portanto, você pode notar o quanto a escola e ainda mais os professores são fundamentais nesse 
cenário. Assim, encerramos este tópico lançando mão das palavras firmes, mas relevantes de 
Santana e outros (2015, p. 92) acerca disso: 
 
Ao docente compete o papel de investir na sua formação, estudando, investigando, questionando, 
para buscar resultados que fundamentem seus argumentos em sala de aula, pois a partir do exercício 
da reflexão e da criticidade, ele poderá auxiliar na transformação e na formação de estudantes 
críticos e conscientes do respeito e da importância das variações linguísticas para a construção de 
sua identidade pessoal, cultural e social. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
	Breve percurso histórico da linguística
	Antiguidade Clássica até a Gramática de Port-Royal
	O Comparativismo Histórico
	Os Neogramáticos
	Saussure e o Estruturalismo
	Principais teorias linguísticas
	Gerativismo
	A Sociolinguística
	Linguística Textual
	Pragmática
	Definição e o objeto da linguística
	O objeto de pesquisa do Gerativismo
	O objeto de pesquisa da Sociolinguística
	Objeto de pesquisa da Linguística Textual
	A linguística e as áreas de investigação e pesquisa
	Áreas de pesquisa e de investigação do Gerativismo
	Áreas de pesquisa e investigação da Sociolinguística
	Área de pesquisa e investigação da Linguística Textual
	Área de pesquisa e investigação da Pragmática
	Apresentar as dicotomias formuladas por Saussure
	Conceituar o signo linguístico, o significante e o significado
	Conceituar a Língua e Fala
	Conceituar a Diacronia e a Sincronia
	A gramática e a linguística
	Conceituar o sintagma e o paradigma
	Descrever a dupla articulação da linguagem
	Primeira articulação
	A segunda articulação
	Relacionar a economia linguística à dinâmica das línguas
	Refletir sobre a relação entre a gramática e a linguística
	Discutir a abordagem da gramática tradicional nos estudos linguísticos
	Compreender a relação entre língua, cultura e sociedade
	Entender a dinâmica entre a língua, a cultura e a sociedade
	Compreender sobre o conceito de variantes culta e variante padrão do português brasileiro
	Variação linguística, variante linguística e comunidade de fala
	A Variante culta
	A variante padrão
	Discutir o processo de oficialização de uma língua
	Estado, Língua e Variante Linguística Padrão
	As variantes linguísticas e seus valores sociais
	Refletir sobre as atitudes e preconceitos linguísticos e seus desdobramentos na sociedade brasileira
	O conceito de preconceito linguística
	Tá bem, mas que língua a gente usa?
	A escola e as variantes linguísticas brasileiras