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Linguística Básica - Trilha de Aprendizagem TODAS

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condição social, em todas as regiões do planeta e em todos os tempos da história foram e 
são capazes de manifestar, ao cabo de alguns anos de vida e sem receber instrução explícita para tanto, 
uma competência linguística - a capacidade natural e inconsciente de produzir e entender frases. 
 
Logo, devido a isso, Chomsky (1972) notou que existe um caráter universal da linguagem humana, a 
qual é regida por uma Gramática Universal (GU). Desta forma, com o intuito de descrever a GU, foi 
desenvolvido duas outras teorias, as chamadas Princípios e Parâmetros. Na visão de Kenedy (2010, 
p. 135), 
 
As pesquisas da teoria de princípios e parâmetros foram e são desenvolvidas sobretudo na área da 
sintaxe, pois é exatamente nas estruturas sintáticas que mais evidentemente se percebem as grandes 
semelhanças entre todas as línguas do mundo, mesmo entre aquelas que não possuem nenhum 
parentesco. 
 
Como bem atestou Kenedy (2010), em virtude dessa preocupação de investigar tais conjuntos de 
normas e regras de caráter universal, o Gerativismo acabou privilegiando o nível sintática da língua, 
pois é a partir dela que as diversas combinações entre palavras, frases, orações etc. são feitas, bem 
como os aspectos universais das línguas. Por sua vez, essa postura teórico-metodológica acabou não 
considerando elementos extralinguísticos, muito menos a heterogeneidade dos idiomas. 
 
A Sociolinguística 
 
A Sociolinguística é o ramo da linguística que estuda a língua inseridas nas comunidades de fala, 
associando aspectos formais (elementos da própria língua) com fatores externos a ela (elementos 
sociais). Ela foi fruto das contribuições teóricas de Ferdinand de Saussure (Dicotomia Língua x Fala), 
de Antoine Meillet (Língua como fato social) e Bakhtin (Língua possui natureza ideológica). 
 
Assim, ao você se deparar com os termos variação linguística, comunidades linguísticas, preconceito 
linguístico, contato linguístico, políticas linguísticas, fatalmente estarão relacionadas com esta área 
da linguística. 
 
O principal nome da Sociolinguística é William Labov. 
 
A grande contribuição de Labov é que, além de praticamente fundar a Sociolinguística, ele propôs 
uma mudança de perspectiva das estruturas das línguas, principalmente, observando a questão da 
variação linguística. 
 
De acordo com o autor, as línguas não são homogêneas, pois elas são afetadas pelo fenômeno da 
variação, isto é, a existência de duas, ou mais formas de se manifestar uma unidade linguística (seja 
nos mais variados níveis, como o fonético, o morfológico, o sintático etc.) dentro de um mesmo 
idioma, denominada variantes (LABOV, 2008). 
 
Para aprofundar um pouco nessa discussão, sugerimos o vídeo “Variação linguística diversidade de 
usos da língua - não sou burro”. 
 
Assim, no que se refere ao papel da Sociolinguística, Mollica (2008, p. 11) afirma que ela pretende 
 
[...] investigar o grau de estabilidade ou de mutabilidade da variação, diagnosticar as variáveis que 
têm efeito positivo ou negativo sobre a emergência dos usos linguísticos alternativos e prever seu 
comportamento regular e sistemático. 
 
Somado a isso, essa vertente linguística também pode analisar a relação entre uma variante de 
prestígio e outra marginalizada, observando se existem propostas políticas associadas a elas, por 
exemplo, se nos currículos escolares elas são retratadas e ensinadas. 
 
Linguística Textual 
 
A Linguística Textual é a vertente da linguística que estuda o texto, desde a sua concepção até a sua 
compreensão. Ela nasceu nos anos 60 na Europa, principalmente, na Alemanha, em resposta a uma 
série de questionamentos e de limites teóricos do Estruturalismo (ROCHA; SILVA, 2017). 
 
Logo, caso você se esbarre com algum tema envolvendo textualidade, coesão e coerência, 
intertextualidade, anáforas, referenciação, processamento textual, progressão textual, gênero textual, 
produção textual etc., com certeza estarão relacionados com a Linguística Textual. 
 
Conforme falamos anteriormente, o desenvolvimento desse ramo da linguística está associado 
diretamente a estudos que vão além do sistema da língua do Estruturalismo. 
 
Neste contexto, ao falarmos “além do sistema da língua”, associe diretamente a texto, inclusive, 
vamos falar sobre ele mais adiante. 
 
Assim, uma das obras que foi considerada balizar da Linguística Textual é a “Introdução à Linguística 
Textual” (Einführung in die textlinguistik) dos pesquisadores da universidade de Leipzig, Robert 
Beaugrande e Wolfang Dressler. 
 
Uma das contribuições relevantes que os autores deram e que abriram espaço para a Linguística 
Textual está no conceito de texto produzido por eles. Segundo Beaugrande e Dressler (1983), o texto 
é uma unidade de sentido pela qual todos os seres humanos se comunicam, indo além de um 
amontoado de frases e palavras. 
 
Porém, é importante ressaltar que, no caso dos autores anteriores, eles falam em texto no sentido 
estrito, pois, como Fávero (2009, p. 7), 
 
Texto em sentido amplo, designando toda e qualquer manifestação da capacidade textual do ser 
humano (uma música, um filme, uma escultura, um poema, etc.) e, em se tratando de linguagem 
verbal, temos o discurso, atividade comunicativa de um sujeito, numa situação de comunicação dada, 
englobando o conjunto de enunciados produzidos pelo locutor (ou pelo locutor e interlocutor, no caso 
dos diálogos) e o evento de sua enunciação. 
 
Desta forma, independente de sua extensão, seja uma linha, ou a Ilíada, o texto diz respeito mais a 
um fenômeno dinâmico, do que estático, uma vez que isso envolve tanto a produção dele, quanto a 
leitura e interpretação. 
 
Inclusive, nessa perspectiva teórica, o texto se transforma não em um produto, mas sim em um 
processo por meio do qual os seres humanos se comunicam e os sentidos são construídos entre o(s) 
produtor(es) e o(s) leitor(es) do texto. 
 
Pragmática 
 
A Pragmática é a vertente da linguística que pesquisa a língua em uso, envolvendo também a relação 
entre a interação social e os seus interlocutores. 
 
Ela surgiu como desdobramento dos estudos da Filosofia da Linguagem e também em resposta à falta 
de investigações sobre as manifestações individuais da linguagem humana em situações reais nas 
quais essa é empregada (WEEDWOOD, 2002). 
 
Logo, se você entrar em contato com temas como atos de fala, máximas conversacionais, implicatura 
conversacional, pressuposição e subentendido, princípios da comunicação, com certeza estará 
entrando também em contato com a Pragmática. 
 
Essa vertente linguística foi fundada por John Austin, o qual é estudado e revisitado até hoje. 
 
Em 1962 na Inglaterra, Austin publicou o livro “Quando dizer é fazer” (How to Do Things with 
Words), dando início aos estudos pragmáticos. Ademais, a só pelo título da obra, já podemos 
compreender um pouco mais sobre a Pragmática. 
 
Para o autor, comunicar-se é um ato, isto é, os seres humanos, independente de sua origem, não se 
comunicam apenas empregando morfemas, palavras, frases, orações, mas também possuem intenções 
de agir sobre o outro, através do que ele chama de atos de fala (AUSTIN, 1962). 
 
Inclusive, através do desenvolvimento da Pragmática por meio de Austin, Wilson (2008) nos mostra 
que isso foi muito relevante, porque possibilitou que outros fatores pudessem também ser pesquisados 
da linguística, como o papel das convenções sociais, bem como a aplicação desses nos momentos 
comunicativos, as intenções dos interlocutores no momento da fala etc. 
 
Definição e o objeto da linguística 
Lembra-se de que, com a publicação de o Curso de Linguística Geral, a linguística passou a ser uma 
ciência, uma vez que ela passou a ter um método, como também elegeu um objeto de pesquisa próprio, 
no caso, a língua? 
 
Pois bem, neste tópico, vamos discutir acerca do objeto de estudo e, por sua vez, da possível definição 
da linguística enquanto área