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interpretacao_e_producao_de_texto

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Prévia do material em texto

Brasília-DF. 
interpretação e proDução De texto
Elaboração
Marcelo Whately Paiva
Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração
Sumário
APrESEntAção ................................................................................................................................. 5
orgAnizAção do CAdErno dE EStudoS E PESquiSA .................................................................... 6
introdução.................................................................................................................................... 8
unidAdE i
ConCeito de texto ............................................................................................................................ 9
CAPítulo 1
texto e redação ................................................................................................................... 9
CAPítulo 2
relações lógiCas de Coesão .......................................................................................... 13
CAPítulo 3
a linguagem ....................................................................................................................... 16
CAPítulo 4
VíCios de ComuniCação ................................................................................................... 19
unidAdE ii
gêneros e estilos ............................................................................................................................ 23
CAPítulo 1
gêneros textuais ................................................................................................................ 23
CAPítulo 2
texto literário e não literário .......................................................................................... 26
CAPítulo 3
tipos de disCursos ............................................................................................................. 29
CAPítulo 4
estilos .................................................................................................................................. 32
unidAdE iii
prátiCa de interpretação e produção ......................................................................................... 35
CAPítulo 1
ideias explíCitas e ideias implíCitas .................................................................................... 35
unidAdE iV
estruturação de um texto .............................................................................................................. 50
CAPítulo 1 
o ato de redigir ................................................................................................................. 50
CAPítulo 2
o período adequado ........................................................................................................ 53
CAPítulo 3
o parágrafo adequado ................................................................................................... 57
CAPítulo 4
estruturas textuais .............................................................................................................. 61
rEfErênCiAS .................................................................................................................................. 67
5
Apresentação
Caro aluno
A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se 
entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. 
Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela 
interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da 
Educação a Distância – EaD.
Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade 
dos conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos 
específicos da área e atuar de forma competente e conscienciosa, como convém ao 
profissional que busca a formação continuada para vencer os desafios que a evolução 
científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo.
Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo 
a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na 
profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira.
Conselho Editorial
6
organização do Caderno 
de Estudos e Pesquisa
Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em 
capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos 
básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam a tornar 
sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta, para 
aprofundar os estudos com leituras e pesquisas complementares.
A seguir, uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos Cadernos de 
Estudos e Pesquisa.
Provocação
Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes 
mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor 
conteudista.
Para refletir
Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita 
sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante 
que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As 
reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões.
Sugestão de estudo complementar
Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo, 
discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso.
Praticando
Sugestão de atividades, no decorrer das leituras, com o objetivo didático de fortalecer 
o processo de aprendizagem do aluno.
7
Atenção
Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a 
síntese/conclusão do assunto abordado.
Saiba mais
Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões 
sobre o assunto abordado.
Sintetizando
Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o 
entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos.
Exercício de fixação
Atividades que buscam reforçar a assimilação e fixação dos períodos que o autor/
conteudista achar mais relevante em relação a aprendizagem de seu módulo (não 
há registro de menção).
Avaliação Final
Questionário com 10 questões objetivas, baseadas nos objetivos do curso, 
que visam verificar a aprendizagem do curso (há registro de menção). É a única 
atividade do curso que vale nota, ou seja, é a atividade que o aluno fará para saber 
se pode ou não receber a certificação.
Para (não) finalizar
Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem 
ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado.
8
introdução
Este módulo objetiva aprofundar seus conhecimentos relacionados à interpretação e 
produção de textos. Assim, abordaremos o conceito de interpretação, análise, texto, 
redação etc. Estudaremos as qualidades e os defeitos de um texto para nos tornarmos 
capazes de interpretar e produzir com competência.
O conteúdo foi elaborado de forma didática para explorar cada conteúdo de forma 
específica e necessária ao nosso estudo. A finalidade é apresentar conceitos práticos e 
não meramente acadêmicos.
Espero que o módulo lhe seja útil para desenvolver cada vez mais sua capacidade de 
expressar e interagir com toda a sociedade.
(Marcelo Paiva)
 objetivos
 » Desenvolver a capacidade de interpretar adequadamente diferentes 
modelos de texto. 
 » Perceber os principais erros que provocam análise equivocada de um 
texto.
 » Estimular a capacidade de produzir textos com clareza, objetividade e 
organização.
 » Desenvolver a capacidade de sintetizar ideias.
9
unidAdE iConCEito dE 
tExto
CAPítulo 1
texto e redação
Ler é um ato que nos remete a um diálogo com o mundo do autor. É um ato 
que nos coloca frente a frente a uma realidade que muitas vezes é totalmente 
desconhecida por nós, o que pode dificultar o seu entendimento. O texto, por 
outro lado,representa o pensamento humano de um tempo, de uma época 
histórica. É, portanto, a expressão de um modo de viver, pensar, sentir, ver a 
realidade como se apresenta historicamente em seus aspectos sociais, políticos, 
econômicos, culturais e ideológicos. Podemos, então, entender que um texto 
é a obra do homem que auxilia os seus semelhantes a conhecer e entender o 
mundo. Entretanto, por representar um momento histórico, não é algo acabado, 
pronto, definitivo e absoluto.
(Geraldo Antonio Betini)
Mas por que essa preocupação em saber ler, analisar e interpretar um texto? 
Vivemos em um mundo de avanços tecnológicos significativos, de grandes 
transformações e com novas formas de organização do trabalho, aliados a um 
sistema de vida pautado pelo individualismo e pela competitividade, legados 
pelo neoliberalismo, que moldam a vida material e cultural de todo cidadão. É 
nessa realidade que vivemos e para a qual devemos nos preparar para modificá-
la, atuando como sujeitos de nossa história.
Em uma sociedade que se transforma tão rapidamente, de tantas informações 
e conhecimentos gerados pela ciência e pela tecnologia, é necessário que as 
pessoas aprendam a pensar. E pensar é saber discernir e traçar o seu próprio 
caminho em meio a tantas perspectivas que o mundo apresenta.
Sendo assim, ler, analisar, interpretar um texto de forma crítica nos ensina a 
pensar e saber pensar nos leva a interpretar uma leitura, sobretudo, estabelecer 
10
UNIDADE I │ CoNCEIto DE tExto
relação com uma realidade de forma crítica. Visão crítica mais ação podem 
transformar a realidade social, política, econômica, cultural de um indivíduo e 
de uma sociedade. Entretanto, não é tão fácil interpretar um texto. Esse é um 
dos grandes desafios de muitos professores hoje em nossas escolas superiores. 
Deparamo-nos com alunos que não foram preparados para uma educação 
emancipadora, crítica, que os colocassem como corresponsáveis pela sua 
formação. Aprenderam mais pela linguagem oral do que pela linguagem escrita, 
tornando-se dependentes no processo de aprendizagem. Receberam uma 
quantidade enorme de informações e conhecimentos, mas não sabem relacioná-
los com os diversos saberes da escola e da vida. Foram ensinados a ouvir e não 
a participar, falar, criticar. Tornaram-se objetos e não sujeitos de sua educação.
Mas como podemos melhorar a capacidade de pensar criticamente, tornando o 
indivíduo um leitor ativo, participativo, sujeito?
(Geraldo Antonio Betini)
Existe uma diferença conceitual entre redação e texto. Nosso interesse no curso será 
abordar as duas ideias para que você se sinta preparado para interpretar e produzir 
conforme sua necessidade.
O uso do termo redação é muito comum no ensino médio e em provas. Isso ocorre desde 
a edição do Decreto no 79.298, em 24 de fevereiro de 1977, que determinou a inclusão 
obrigatória da redação nos provas públicas do atual ensino médio e vestibulares. Com 
isso, perdeu-se a noção mais completa do termo “texto”. A preocupação passou apenas 
a fazer um trabalho escrito para aprovação de um professor ou banca.
Fazer uma redação passou a significar um conjunto de parágrafos – em alguns 
casos apenas períodos – organizados em torno de uma ideia com coerência, coesão, 
objetividade, clareza e correção gramatical. O interesse é observar a capacidade de 
defender uma abordagem com argumentos embasados adequadamente. Trataremos 
desse tipo de texto em nossas aulas.
Texto, no entanto, envolve um conceito mais amplo. Ele abrange a ideia de que a pessoa 
não apenas busca se comunicar, mas também persuadir com a ideia transmitida. 
Escrever um texto, assim, não é apenas se preocupar em transmitir uma ideia com 
correção gramatical e organização textual. Fazer um texto é convencer o leitor ou 
ouvinte de sua ideia e influenciá-lo com o discurso apresentado. 
O escritor e pesquisador italiano Umberto Eco, em sua obra ‘Conceito de Texto’, analisa 
a noção de texto como fundamental para se entender o processo de comunicação. Fazer 
uso competente da língua é a capacidade de ler e produzir adequadamente textos diversos, 
11
ConCeito de texto │ UnidAde i
produzidos em situações diferentes e sobre diferentes temas. Pensar em texto é pensar 
em nossa vida diária. Sempre estamos envolvidos em leituras, escritas, observações e 
análise. Quantas decisões importantes não dependem, única e exclusivamente, de uma 
boa leitura ou redação de texto? 
o que é interpretar um texto?
A palavra interpretar vem do latim interpretare e significa explicar, comentar ou 
aclarar o sentido dos signos ou símbolos. Tal vocábulo corresponde ao grego análysis, 
que tem o sentido de decompor um todo em suas partes, sem decompor o todo, para 
compreendê-lo melhor.
Interpretar um texto é entendê-lo, penetrá-lo em sua essência, observar qual é a ideia 
principal, quais os argumentos que comprovam a ideia do autor, como o texto está 
escrito e outros detalhes. Não é tarefa fácil, pois vivemos em um mundo que não 
privilegia a compreensão profunda de nossa própria existência. 
Saber ler corretamente
Quando se diz que uma pessoa deve saber ler, esta afirmação pode parecer simples, a 
não ser que esclareça melhor o sentido da expressão “saber ler”. Ler adequadamente é 
mais do que ser capaz de decodificar as palavras ou combinações linearmente ordenadas 
em sentenças. Deve-se aprender a “enxergar” todo o contexto denotativo e conotativo. 
É preciso compreender o assunto principal, suas causas e consequências, críticas, 
argumentações, polissemias, ambiguidades, ironias etc.
Ler adequadamente é sempre resultado da consideração de dois tipos de fatores: os 
propriamente linguísticos e os contextuais ou situacionais, que podem ser de natureza 
bastante variada. Bom leitor, portanto, é aquele capaz de integrar esses dois tipos de 
fatores.
unidade
Um texto só pode ser considerado como tal se possuir uma unidade de entendimento. A 
simples expressão não caracteriza o texto em si. A origem do termo “texto” está relacionada 
a “novelo”, ou seja, um emaranhado de assuntos. Assim, todo o texto perpassa uma ideia 
maior desenvolvida em partes. Observe como isso se dá no texto a seguir.
Destruir a natureza é a forma mais fácil de o homem se aniquilar da face 
da terra. Dizimando certas espécies de animais, por exemplo, interfere na 
12
UNIDADE I │ CoNCEIto DE tExto
cadeia alimentar, causando desequilíbrios que produzirão a extinção de 
seres essenciais à harmonia do planeta. Jogando diariamente toneladas 
de produtos químicos poluentes, o ser humano causa a destruição do 
meio ambiente.
Perceba que o texto anterior está dividido em três períodos, cada um com uma ideia 
específica. No entanto, o tema principal é a destruição do meio-ambiente. Aí está a 
nossa unidade.
Clareza
Clareza é a capacidade que o autor teve de construir um texto facilmente compreensível 
pelo leitor. Durante o módulo, abordaremos em detalhes a clareza na interpretação e 
na produção de textos. 
Coerência
Coerência é a lógica e a organização da estrutura do texto. Ela envolve o texto como um 
todo de forma que o leitor o entenda. O primeiro aspecto a ser observado é em relação 
à organização. Observe o texto a seguir.
A cidade do Rio de Janeiro já foi sede de três representações significativas 
do poder público: prefeitura municipal, governo estadual e governo 
federal. O governo estadual (...). A prefeitura municipal (...). O governo 
federal (...).
O autor citou as três sedes em ordem crescente e abordou de forma desorganizada. 
Falha de coerência.
O segundo aspecto em relação à coerência está na lógica. Observe o trecho a seguir.
Brasília é a melhor cidade do Brasil. A qualidade de vida apresenta dados 
que se destacam no cenário nacional: baixa criminalidade, alto poder 
aquisitivo e boas opções de lazer. Também o clima propicia agradáveis 
dias durante o ano inteiro. Infelizmente, muitas pessoas que moram 
aqui reclamam dos preços cobrados nos aluguéis de apartamentos 
apertados.O parágrafo aborda inicialmente uma visão positiva em relação à cidade e, no final, 
explora uma ideia contrária à ideia principal.
13
CAPítulo 2
relações lógicas de coesão
A coerência e a coesão são os tijolos que unem as partes de um texto. A coerência mantém 
a lógica durante todo o texto. Ser coerente é manter ideias racionais compreensíveis e 
aceitas como pertinentes ou possíveis. Enquanto a coerência mantém a ideia organizada 
logicamente, a coesão une os pensamentos por meio de conectivos, pronomes e tantos 
outros recursos. Observe alguns elementos de coesão gramatical e referencial.
1. Conjunção: Paula estudou muito, portanto passou.
 » Principais conjunções
 › Aditivas (adição): e, nem, mas também, como também, bem como, 
mas ainda.
 › Adversativas (adversidade, oposição): mas, porém, todavia, contudo, 
antes (= pelo contrário), não obstante, no entanto, entretanto, senão.
 › Alternativas (alternância, exclusão, escolha): ou, ou ... ou, ora ... ora, 
quer ... quer.
 › Conclusivas (conclusão): logo, portanto, pois (depois do verbo), por 
conseguinte, por isso.
 › Explicativas (justificação): pois (antes do verbo), porque, que, 
porquanto.
 › Causais: porque, visto que, já que, uma vez que, como, desde que, 
porquanto, haja vista.
 › Comparativas: como, (tal) qual, assim como, (tanto) quanto, (mais ou 
menos +) que.
 › Condicionais: se, caso, contanto que, desde que, salvo se, sem que (= 
se não), a menos que.
 › Consecutivas (consequência, resultado, efeito): que (precedido de tal, 
tanto, tão etc. – indicadores de intensidade), de modo que, de maneira 
que, de sorte que, de maneira que, sem que.
 › Conformativas (conformidade, adequação): conforme, segundo, 
consoante, como.
14
UNIDADE I │ CoNCEIto DE tExto
 › Concessivas: embora, em que pese, conquanto, posto que, por muito 
que, se bem que, ainda que, mesmo que.
 › Temporais: quando, enquanto, logo que, desde que, assim que, mal (= 
logo que), até que.
 › Finais: a fim de que, para que, que, com objetivo, com vista a; 
 › Proporcionais: à medida que, à proporção que, ao passo que, quanto 
mais (+ tanto menos). 
2. Pronome relativo: O rapaz que estudou passou.
3. Perífrase, antonomásia, epítetos: ocorre com o uso de um termo ou expressão 
que se relaciona à ideia anteriormente apresentada. 
Brasília é uma cidade muito boa. A capital do Brasil apresenta uma qualidade de 
vida que se destaca em todo o Brasil.
Xuxa apresentará novo programa. A rainha dos baixinhos pretende inovar com 
um musical.
4. Nominalização: um substantivo é empregado no sentido de um verbo já usado. 
O candidato estudou a noite inteira. O estudo o encheu de esperança.
5. Repetição vocabular: como o nome diz, é o uso de termos repetidos.
O Congresso acusou o governo de descontrole nos gastos. No entanto, o governo se 
defendeu no mesmo dia.
6. Um termo síntese: uso de uma expressão que resume a ideia anterior.
Doação ilegal de verbas públicas, compras de deputados e senadores, diversas 
irregularidades – o mensalão não pode ocorrer em nosso país.
7. Pronomes: tipo de coesão muito empregado.
Isabela e Rosa chegaram. Esta tem 29 anos; aquela, 4.
Conheço o rapaz que acabou de chegar.
8. Numerais: eles podem se relacionar a outras ideias no texto.
O deputado afirmou duas coisas: a primeira era que não iria renunciar. A segunda, 
que tudo era mentira.
9. Advérbios: também os advérbios podem retomar ou antecipar ideias.
Morarei em Portugal. Lá, conheci uma linda mulher.
15
ConCeito de texto │ UnidAde i
10. Elipse: omissão de um termo ou expressão que pode ser facilmente depreendida 
em seu sentido pelas referências do contexto.
Lígia abriu o armário e encontrou seu livro.
11. Repetição de parte do nome próprio: para não repetir o nome inteiro, recorre-
se a uma parte que faça referência.
Li Machado de Assis ontem. Machado é realmente sensacional.
12. Metonímia: relação lógica entre ideias por extensão. 
O Congresso acusou o governo de descontrole nos gastos. O Planalto se defendeu 
no mesmo dia.
13. Termo anafórico: quando o item de referência retoma um signo já expresso no 
texto.
Maria é excelente amiga. Ela sempre me deu provas disso.
14. Termo catafórico: quando o item de referência antecipa um signo ainda não 
expresso no texto.
Só desejo isto: que você não se esqueça de mim.
15. Sinônimo: é obtida pela reiteração de itens lexicais idênticos ou que possuem o 
mesmo referente.
Lucas é meu filho mais velho. Meu primogênito é muito inteligente.
Fernando Henrique Cardoso não tem dado muitas entrevistas. O ex-presidente 
prefere o silêncio.
16. Hiperônimo: quando o termo mantém com o referente uma relação todo-parte, 
classe-elemento.
Pedro comprou uma moto. O veículo é branco com faixa azul.
17. Hipônimo: quando o termo mantém com o referente uma relação parte-todo, 
elemento-classe.
Gosto muito de cidades grandes. São Paulo é maravilhosa.
Na fazenda, tenho muitos animais. Tenho uma vaca grande.
16
CAPítulo 3
A linguagem
A linguagem surgiu da necessidade de expressão e comunicação. Pode-se afirmar que 
ela é a forma propriamente humana da comunicação, da relação com o mundo e com os 
outros, da vida social e política, do pensamento e das artes.
O estudo da linguagem sempre fascinou filósofos e estudiosos de diversas correntes. 
Por exemplo, Aristóteles defendia a ideia de que o homem é um animal político, pois, 
embora outros animais tenham voz, apenas o ser humano tem a capacidade de exprimir 
valores que viabilizam vida social e política.
Nosso conceito será o de destacar a linguagem como um sistema de sinais usados para 
indicar a função comunicativa entre pessoas e para a expressão de ideias, valores, 
intenções e sentimentos. Quanto às características, podemos extrair as seguintes 
afirmações em relação à linguagem: 
 » é um sistema estruturado com princípios próprios; 
 » possui signos ou sinais; 
 » possui palavras que têm função de apontar coisas que elas significam – 
função indicativa ou denotativa; 
 » tem uma função comunicativa – mediante palavras estabelecemos 
relações com os outros seres humanos; 
 » exprime pensamentos, sentimentos e valores – função conotativa, ou de 
conhecimento e expressão;
 » permite a compreensão e interpretação do contexto social, econômico e 
cultural.
linguagem simbólica e conceitual
A linguagem simbólica opera por analogias e por metáforas; realiza-se como imaginação; 
é inerente aos mitos, à religião, à poesia, ao romance, ao teatro; fascina e seduz, por ser 
fortemente emotiva e afetiva; oferece imagens ou sínteses imediatas; oferece palavras 
polissêmicas, ou seja, carregadas de múltiplos sentidos simultâneos e diferentes, tanto 
sentidos semelhantes e em harmonia, quanto sentidos opostos e contrários; faz a criação 
17
ConCeito de texto │ UnidAde i
de outro mundo, análogo ao nosso, porém mais belo ou terrível do que o real; destaca a 
memória e imaginação, focalizando um futuro ou passado possíveis. 
A linguagem conceitual procura dar às palavras sentido direto e não figurado, evitando 
analogia (semelhança entre palavras e sons) e metáfora (uso de palavras para substituir 
outras, criando sentido poético para expressão do sentido); evita o uso de palavras 
carregadas de múltiplos sentidos, procurando fazer com que cada palavra tenha sentido 
próprio e que seu sentido vincule-se ao contexto no qual a palavra é empregada; procura 
convencer e persuadir por meio de argumentos, raciocínios e provas; busca definir 
o mundo real, decifrando-o e superando as aparências; busca focalizar o presente, a 
atualidade. 
Elementos da comunicação
 » Emissor: emite, codifica a mensagem.
 » Receptor: recebe, decodifica a mensagem.
 » Mensagem: conteúdo transmitido pelo emissor.
 » Código: conjunto de signos usado na transmissão e recepção da 
mensagem.
 » Referente: contexto relacionado a emissor e receptor.
 » Canal: meio pelo qual circula a mensagem.
funções da linguagem
O modelo a seguir foi proposto por Roman Jakobson no livro ‘Linguísticae Comunicação’. 
 » Função emotiva (ou expressiva): centralizada no emissor, revelando 
sua opinião, sua emoção. Nela, prevalece a 1a pessoa do singular, 
interjeições e exclamações. É a linguagem das biografias, memórias, 
poesias líricas e cartas de amor. 
 » Função referencial (ou denotativa): centralizada no referente, 
quando o emissor procura oferecer informações da realidade. Objetiva, 
direta, denotativa, prevalecendo a 3a pessoa do singular. Linguagem 
usada nas notícias de jornal e livros científicos. 
18
UNIDADE I │ CoNCEIto DE tExto
 » Função apelativa (ou conativa): centraliza-se no receptor; o emissor 
procura influenciar o comportamento do receptor. Como o emissor se 
dirige ao receptor, é comum o uso de tu e você, ou o nome da pessoa, 
além dos vocativos e verbos no modo imperativo. Usada nos discursos, 
sermões e propagandas que se dirigem diretamente ao consumidor. 
 » Função fática: centralizada no canal, tendo como objetivo prolongar ou 
não o contato com o receptor, ou testar a eficiência do canal. Linguagem 
das falas telefônicas, saudações e similares. 
 » Função poética: centralizada na mensagem, revelando recursos 
imaginativos criados pelo emissor. Afetiva, sugestiva, conotativa, ela é 
metafórica. Valorizam-se as palavras, suas combinações. É a linguagem 
figurada apresentada em obras literárias, letras de música, em algumas 
propagandas etc. 
 » Função metalinguística: centralizada no código, usando a linguagem 
para falar dela mesma. A poesia que fala da poesia, da sua função e do 
poeta, um texto que comenta outro texto. Principalmente os dicionários 
são repositórios de metalinguagem. 
Importante salientar que um mesmo texto pode conter várias funções da linguagem. 
Procure saber qual a função predominante no texto, para então defini-lo. 
19
CAPítulo 4
Vícios de comunicação
Os vícios de comunicação podem ocorrer tanto na interpretação como na produção. 
Observe os principais. No último módulo, retomaremos o assunto na produção textual.
Extrapolar
Trata-se de um erro muito comum, ocorre quando saímos do contexto, acrescentando 
ideias que não estão presentes, com isso, a interpretação fica comprometida. 
Frequentemente, relacionamos fatos reais a outros contextos. 
reduzir
Trata-se de um erro oposto à extrapolação. Ocorre quando damos atenção apenas a 
uma parte ou aspecto do texto, esquecendo a totalidade do contexto. Destacamos, desse 
modo, apenas um fato ou uma relação que podem ser verdadeiros, porém insuficientes 
se levarmos em consideração o conjunto das ideias.
Contradizer
Ocorre quando chegamos a uma conclusão que se opõe ao texto. Associamos ideias que, 
embora no texto, não se relacionam entre si.
Prolixidade
É importante que se eliminem as expressões supérfluas e os pormenores excessivos. 
Muitas vezes, o autor acredita que, escrevendo bastante, utilizando frases de efeito, 
tornará o texto mais rico. Na verdade, isso só atrapalha. Elimine as ideias sem 
importância, as repetições, os exemplos demasiados, os adjetivos supérfluos. Observe 
exemplo de texto prolixo no Manual de Estilo da Editora Abril.
Nada mais justo do que os milhões de jovens brasileiros não adultos, 
de norte a sul e leste a oeste, poderem exercer seu legítimo direito 
de cidadania, tendo direito ao voto para todos os cargos políticos, de 
vereador, de prefeito, de deputado e, inclusive, de presidente, influindo 
20
UNIDADE I │ CoNCEIto DE tExto
dessa maneira nos destinos tão obscuros da nossa querida e amada 
Nação, chamada Brasil, nome recebido justamente por causa de um 
produto da natureza também bonito.
frases feitas
Os lugares-comuns e os clichês demonstram falha de estilo e linguagem limitada. 
Observe exemplos: Porque o futuro é de todos nós; Devemos unir nossos esforços; 
Fechar com chave de ouro; Chegar a um denominador comum; Deixar a desejar; 
Estourar como uma bomba; Fortuna incalculável; Inserido no contexto; Levantar a 
cabeça e partir para outra; A esperança é a última que morre; Os jovens são o futuro 
da nação.
falta de paralelismo
Quando se coordenam elementos (substantivos, adjetivos, advérbios, orações), é 
necessário que eles apresentem estrutura gramatical idêntica. Observe:
Inadequado: Procuravam-se soluções para satisfazer os operários e que agradassem 
aos empresários.
Adequado: Procuravam-se soluções para satisfazer os operários e agradar aos 
empresários.
Inadequado: As cidades paulistas e as cidades do Paraná apresentam muitas 
afinidades.
Adequado: As cidades paulistas e as paranaenses apresentam muitas afinidades.
Inadequado: Ocorrem distúrbios devido à revolta dos estudantes e porque não 
atenderam suas reivindicações.
Adequado: Ocorrem distúrbios devido à revolta dos estudantes e ao não atendimento 
de suas reivindicações.
queísmo
O uso reiterado do “que” pode constituir erro de estilo e prejudicar a clareza do texto. 
Observe exemplos inadequados.
21
ConCeito de texto │ UnidAde i
O jornalista que redigiu a reportagem que apareceu no jornal receberá o prêmio 
que todos desejavam.
Você tem que ter uma letra que todos possam entender o que está escrito.
O diretor afirmou que o relatório que foi escrito denuncia que tudo foi feito errado.
Ambiguidade
Ambiguidade, na frase, é a obscuridade de sentido. Frases ambíguas permitem duas 
ou mais interpretações diferentes, devendo, por isso, ser evitadas em textos que devem 
primar pela clareza e precisão, conforme é o caso dos textos legais e dos expedientes 
administrativos. Exemplo de frase de sentido ambíguo: 
Ambíguo: O Deputado discutiu com o Presidente da Comissão o seu descontentamento 
com a aprovação do projeto. 
A ambiguidade dessa frase está no pronome possessivo seu: o descontentamento é do 
Deputado ou do Presidente da Comissão? Para que o sentido fique claro, o pronome 
deve ser eliminado. 
Claro: O Deputado, descontente com a aprovação do projeto, discutiu o assunto com 
o Presidente da Comissão. 
Claro: O Deputado discutiu com o Presidente da Comissão o descontentamento deste 
com a aprovação do projeto. 
Ambíguo: O Líder comunicou ao Deputado que ele está liberado para apoiar a matéria. 
Claro: Liberado para apoiar a matéria, o Líder comunicou o fato ao Deputado. 
Claro: O Líder liberou o Deputado para apoiar a matéria. 
Pleonasmo
Pleonasmo é a redundância ou a repetição de um termo ou de uma ideia. Seu emprego é 
legítimo quando, com fins de ênfase, o emissor quer realçar uma ideia ou uma imagem, 
como nos exemplos: 
 » O Deputado quis ver os acontecimentos com os próprios olhos. 
22
UNIDADE I │ CoNCEIto DE tExto
 » Um sonho que se sonha coletivamente está fadado a transformar-se em 
realidade. 
 » A questão foi debatida por horas, sem que se chegasse a uma conclusão 
final. 
Entretanto, quando a redundância ou repetição é desnecessária, ou seja, quando não 
traz reforço algum à ideia, o pleonasmo é antes um vício de linguagem que denota 
ignorância quanto ao sentido das palavras e desleixo para com a língua. 
Barbarismo
Consiste em usar uma palavra errada quanto à grafia, pronúncia, significação, 
flexão ou formação. Podem ser gráficos (hontem, proesa, conssessiva), ortoépicos 
(carramanchão, subcistir), prosódicos (rúbrica, filantrópo), semânticos (tráfico – por 
tráfego), morfológicos (cidadões, uma telefonema, proporam).
Solecismo
Erros que atentam contra as normas de concordância, de regência ou de colocação: a 
gente vamos, eles assistiram o filme.
23
unidAdE iigênEroS E EStiloS
CAPítulo 1
gêneros textuais
O estudo dos gêneros textuais procura identificar estruturas linguísticas de textos 
em situações diversas. De acordo com a estrutura e com a finalidade, os especialistas 
classificaram os textos em gêneros textuais. Destacamos que um texto pode apresentar 
diversos gêneros ao mesmo tempo. Geralmente, um gênero se destaca em relação aos 
demais de acordo com o interesse do autor.
O objetivo do autor é de muita importância para estabelecer a comunicação desejada e 
apresenta características básicas dos gênerostextuais. Assim, o editorial de um jornal 
possuirá características diferentes de um romance, por exemplo.
romance 
Possui um núcleo principal, mas outras tramas se desenvolvem também. É um texto 
longo, tanto na quantidade de acontecimentos narrados quanto no tempo em que se 
desenrola o enredo.
novela
Narrativa menos longa que o romance e se utiliza de menos enredos paralelos.
Conto
Narrativa curta. O tempo em que se passa é reduzido e contém poucas personagens que 
existem em função de um núcleo.
24
UNIDADE II │ GêNEros E EstIlos
Crônica
Por vezes é confundida com o conto. A diferença básica entre os dois é que a crônica 
narra fatos do dia a dia, relata o cotidiano das pessoas, situações que presenciamos e já 
até prevemos o desenrolar dos fatos.
fábula
Semelhante a um conto em sua extensão e estrutura narrativa. O diferencial se 
dá, principalmente, no objetivo do texto, que é o de dar algum ensinamento, uma 
moral. Outra diferença é que as personagens são animais, mas com características de 
comportamento e socialização semelhantes às dos seres humanos.
Parábola
Versão da fábula com personagens humanas. O objetivo é o mesmo, o de ensinar algo. 
Para isso, são utilizadas situações do dia a dia das pessoas.
Apólogo
Semelhante à fábula e à parábola, mas pode utilizar-se das mais diversas e alegóricas 
personagens: animadas ou inanimadas, reais ou fantásticas, humanas ou não. Da 
mesma forma que as outras duas, ilustra uma lição de sabedoria.
Anedota
Tipo de texto produzido com o objetivo de motivar o riso. É geralmente breve e depende 
de fatores como entonação, capacidade oratória do intérprete e até representação. 
Nota-se então que o gênero se produz na maioria das vezes na linguagem oral, sendo 
que pode ocorrer também em linguagem escrita.
lenda
História fictícia a respeito de personagens ou lugares reais; sendo assim, a realidade dos 
fatos e a fantasia estão diretamente ligadas. A lenda é sustentada por meio da oralidade, 
torna-se conhecida e só depois é registrada por meio da escrita. Portanto, o autor é o 
25
Gêneros e estilos │ UniDADe ii
tempo, o povo e a cultura. Normalmente fala de personagens conhecidas, santas ou 
revolucionárias.
Editorial
Textos de uma publicação periódica em que o conteúdo expressa a opinião da empresa, 
da direção ou da equipe de redação, sem a obrigação de se ater a nenhuma imparcialidade 
ou objetividade. Geralmente, grandes jornais reservam um espaço predeterminado 
para os editoriais em duas ou mais colunas logo nas primeiras páginas internas.
notícia
A notícia apresenta características descritivas e narrativas de determinado fato ou 
acontecimento com informações sobre quem, onde, o que, quando, por que e como.
reportagem 
A reportagem é o gênero textual do jornalismo, com características mais dissertativas 
com enfoque expositivo. Seu objetivo é informar por meio de linguagem denotativa e de 
forma mais detalhada que a simples notícia.
Entrevista
Gênero textual em que se reproduz o diálogo entre pelo menos duas pessoas, com 
enfoque em assuntos específicos. A entrevista ocorre no jornalismo, no pedido de 
emprego e em outras situações em que haja necessidade do diálogo com objetivos 
específicos. Geralmente, há um entrevistador e um entrevistado. Assim, não basta 
apenas a reprodução do diálogo. Alguém faz perguntas e o outro responde. 
26
CAPítulo 2
texto literário e não literário
A classificação como literário ou não depende do objetivo principal do autor. A 
preocupação com a comunicação de dados objetivos, conhecimentos científicos, notícias, 
determina um texto não literário. É o caso do jornalismo, das revistas semanais, das 
teses acadêmicas, das receitas, do conteúdo que aprendemos em diversas matérias 
escolares. A função referencial predomina no texto não literário.
Já o texto literário não tem essa função nem esse compromisso com a realidade 
exterior: é expressão da realidade interior e subjetiva de seu autor. São textos escritos 
para emocionar, que utilizam a linguagem poética. As funções emotiva e poética 
predominam no texto literário. Exemplos de texto literário são o romance, o poema, o 
conto e a novela.
Texto literário de Machado de Assis em poesia.
Círculo Vicioso
Bailando no ar, gemia inquieto vaga-lume:
- Quem me dera que fosse aquela loura estrela, 
que arde no eterno azul, como uma eterna vela! 
Mas a estrela, fitando a lua, com ciúme:
- Pudesse eu copiar o transparente lume, 
que, da grega coluna à gótica janela, 
contemplou, suspirosa, a fronte amada e bela! 
Mas a lua, fitando o sol, com azedume:
- Misera! tivesse eu aquela enorme, aquela 
claridade imortal, que toda a luz resume! 
Mas o sol, inclinando a rutila capela:
- Pesa-me esta brilhante aureola de nume... 
Enfara-me esta azul e desmedida umbela... 
Porque não nasci eu um simples vaga-lume?
27
Gêneros e estilos │ UniDADe ii
Texto literário de Machado de Assis em prosa do livro Memórias Póstumas de Brás 
Cubas.
Talvez espante ao leitor a franqueza com que lhe exponho e realço a 
minha mediocridade; advirta que a franqueza é a primeira virtude de 
um defunto. Na vida, o olhar da opinião, o contraste dos interesses, a 
luta das cobiças obrigam a gente a calar os trapos velhos, a disfarçar os 
rasgões e os remendos, a não estender ao mundo as revelações que faz 
à consciência; e o melhor da obrigação é quando, a força de embaçar os 
outros, embaça-se um homem a si mesmo, porque em tal caso poupa-
se o vexame, que é uma sensação penosa e a hipocrisia, que é um vício 
hediondo. Mas, na morte, que diferença! que desabafo! que liberdade! 
Como a gente pode sacudir fora a capa, deitar ao fosso as lentejoulas, 
despregar-se, despintar-se, desafeitar-se, confessar lisamente o que 
foi e o que deixou de ser! Porque, em suma, já não há vizinhos, nem 
amigos, nem inimigos, nem conhecidos, nem estranhos; não há plateia. 
O olhar da opinião, esse olhar agudo e judicial, perde a virtude, logo que 
pisamos o território da morte; não digo que ele se não estenda para cá, e 
nos não examine e julgue; mas a nós é que não se nos dá do exame nem 
do julgamento. Senhores vivos, não há nada tão incomensurável como 
o desdém dos finados.
Texto não literário publicado na revista Veja em 6 de junho de 2015.
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) contempla assuntos 
de dez disciplinas, que, por sua vez, agrupam centenas de conteúdos 
trabalhados nos três anos do ciclo médio de ensino. É uma montanha 
de conhecimentos a dominar, portanto. Uma análise cuidadosa das 
provas, contudo, pode facilitar a tarefa dos estudantes. A pedido de 
VEJA.com, a equipe do AppProva – startup especializada em simulados 
para o Enem – realizou um estudo inédito que revela quais são os 
conteúdos que mais caíram nas provas realizadas entre 2009 e 2014, e 
as competências mais requisitadas.
O levantamento analisou 1.080 questões (180 de cada edição da 
prova). Interpretação de texto, da disciplina de língua portuguesa, 
foi a habilidade mais cobrada: desde 2009, 135 questões exigiram o 
domínio dessa técnica. “Interpretação de textos é um ponto essencial 
porque revela se o estudante é capaz de compreender ideias e o mundo 
ao seu redor. Por isso, é muito visada no Enem”, diz Luciene de Fátima 
28
UNIDADE II │ GêNEros E EstIlos
Ribeiro, professora do Colégio Agostiniano Nossa Senhora de Fátima, 
de Goiás, parceiro do AppProva.
É importante lembrar que o Enem agrupa o conhecimento em um 
formato diferente daquele apresentado na escola. As 180 questões 
são dividias em quatro grandes áreas: ciências humanas, ciências 
da natureza, matemática e língua portuguesa. Disciplinas escolares 
tradicionais como física, química e biologia, são testadas na prova de 
ciências da natureza, enquanto história, geografia, sociologia e filosofia 
estão reunidas em ciências humanas.
Isso não reduz a eficiência do levantamento do AppProva: ou seja, 
estudar interpretação de texto, conjuntos numéricos e porcentagem, 
além dos demaisconteúdos, é uma excelente forma de preparação para 
a prova oficial.
Simulado - Em parceria com o AppProva, VEJA.com realiza a partir 
deste sábado o primeiro simulado preparatório para o Enem 2015. A 
prova reproduz exatamente as características do exame oficial: são duas 
provas de 90 questões cada, totalizando 180 testes divididos igualmente 
pelas quatro grandes áreas do Enem. Todas as questões são inéditas 
e foram elaboradas pela equipe pedagógica do AppProva. Não haverá 
prova de redação.
Os participantes podem iniciar cada uma das provas no horário que 
desejarem – atentando para a data de encerramento do simulado: 
23h59 do dia 27 de abril. Assim como no exame federal, é preciso 
completar cada uma das provas de 90 questões em até 4 horas e meia. 
Não é possível interromper o teste e retomá-lo depois.
29
CAPítulo 3
tipos de discursos
O texto narrativo geralmente apresenta discursos de personagens. Tais discursos podem 
ser divididos em direto, indireto ou indireto-livre.
direto
O narrador reproduz a fala da personagem por meio das palavras exatamente 
pronunciadas. Não há interferência do autor na transcrição e ela é feita diretamente. 
Observe exemplos.
Exemplo 1:
Ele afirmou: “Não sei se conseguirei!”
Exemplo 2:
Deixou a moça falar, desejosa de desprender-se de suas preocupações e 
embalar-se ao rumor dessa voz que ouvia, sem compreender. Sabia que 
a viúva conversava acerca do baile; mas não acompanhava o que ela 
dizia. De repente, porém, interrompeu-a:
- Que tal achou a Amaralzinha, D. Firmina?
A velha fez semblante de recordar-se.
- A Amaralzinha?... É aquela moça toda de azul?
- Com espigas de prata nos cabelos e nos apanhados da saia; simples e 
de muito bom gosto.
- Lembra-me. É uma menina bem galante! afirmou a viúva.
- E bem-educada. Dizem que toca piano perfeitamente, e que tem uma 
voz muito agradável.
- Mas não costuma aparecer na sociedade. É a primeira vez que a 
encontramos; não me lembro de a ter visto antes.
- Foi a primeira vez!
30
UNIDADE II │ GêNEros E EstIlos
Pronunciando estas palavras, a moça parecia de novo sentir sua alma 
refranger-se atraída imperiosamente por esse pensamento recôndito 
que a absorvia.
(José de Alencar, Senhora)
indireto 
O narrador usa suas palavras para reproduzir uma fala de outrem. Geralmente, é escrito 
em terceira pessoa. O autor do texto transcreve os discursos de forma indireta (com 
suas palavras e não exatamente as do personagem).
Exemplo 1:
Ele afirmou que não sabe se conseguirá.
Exemplo 2:
Elisiário confessou que estava com sono. 
indireto-livre
O narrador produz um texto em que retira propositadamente o conectivo, provocando 
um elo psicológico no discurso. A fala da personagem (que seria um discurso direto, 
mantém suas características diretas) é desenvolvida como parte do texto narrativo do 
narrador e não da própria personagem.
Exemplo 1:
Ele afirmou que não era cachorro. Quem ele pensa que é? Quem ele pensa que sou?
Exemplo 2:
Aperto o copo na mão. Quando Lorena sacode a bola de vidro a neve sobe tão leve. 
Rodopia flutuante e depois vai caindo no telhado, na cerca e na menininha de capuz 
vermelho. Então ela sacode de novo. ‘Assim tenho neve o ano inteiro’. Mas por que 
neve o ano inteiro? Onde é que tem neve aqui? Acha lindo a neve. Uma enjoada. 
Trinco a pedra de gelo nos dentes.
(Lygia Fagundes Telles, As Meninas.)
31
Gêneros e estilos │ UniDADe ii
Exemplo 3:
Quincas Borba calou-se de exausto, e sentou-se ofegante. Rubião acudiu, levando-lhe 
água e pedindo que se deitasse para descansar; mas o enfermo após alguns minutos, 
respondeu que não era nada. Perdera o costume de fazer discursos é o que era.
(Machado de Assis, Quincas Borba.)
32
CAPítulo 4
Estilos
Estilística (do alemão Stilistik, pelo francês stylistique) é o ramo da linguística que 
estuda os recursos de expressão de uma determinada língua. Estudam-se, assim, as 
características que promovem sugestões e emoções no receptor da comunicação. Alguns 
estudiosos consideram-na uma parte da gramática.
A estilística surgiu como estudo próprio em princípios do século XX, por meio das 
propostas feitas pelo alemão Karl Vossler e pelo suíço Ferdinand de Saussure, com base 
em conhecimentos clássicos, como a retórica ensinada pelos gregos.
figuras de estilo
Figuras de linguagem (Brasil) ou figuras de estilo (Portugal) são recursos literários que 
o autor pode aplicar no texto para conseguir um efeito determinado na interpretação 
do leitor. São formas de expressão mais localizadas em comparação às funções da 
linguagem, que são características globais do texto. Podem relacionar-se com aspectos 
semânticos, fonológicos ou sintáticos das palavras afetadas. Por exemplo: Tenho-lhe 
chamado um milhão de vezes! (exemplo de hipérbole).
As figuras de sintaxe (estilística da frase e da enunciação) podem ser construídas por: 
 » Assíndeto: orações ou palavras que deveriam vir ligadas por conjunções 
coordenativas aparecem justapostas ou separadas por vírgulas: Fere, 
mata, derriba denodado.... 
 » Elipse: omissão de um termo facilmente percebido: O jogo será no 
Morumbi. 
 » Zeugma: termo já expresso no contexto. É um tipo de elipse: José tem 
30 anos; Maria, 25. 
 » Anáfora: repetição intencional de palavras no início de um período, 
frase ou verso: Grande no pensamento, grande na ação, grande na 
glória, grande no infortúnio, ele morreu desconhecido e só.
 » Pleonasmo: repetição da mesma ideia, isto é, redundância de significado: 
morrerás morte vil. Saiu para fora.
33
Gêneros e estilos │ UniDADe ii
 » Polissíndeto: repetição enfática de uma conjunção coordenativa mais 
vezes do que exige a norma gramatical (geralmente a conjunção e): Vão 
chegando as burguesinhas pobres, e as criadas das burguesinhas ricas 
e as mulheres do povo, e as lavadeiras da redondeza.
 » Hipérbato: inversão de membros da frase: Passeiam, à tarde, as belas 
na Avenida. 
 » Anacoluto: interrupção do plano sintático com que se inicia a frase, 
alterando-lhe a sequência lógica. A construção do período deixa um ou 
mais termos desprendidos dos demais e sem função sintática definida: 
Essas empregadas de hoje, não se pode confiar nelas.
 » Silepse: a concordância não é feita com as palavras, mas com a ideia a 
elas associada. 
 › Silepse de gênero: discordância entre os gêneros gramaticais: São 
Paulo é poluída. 
 › Silepse de número: discordância envolvendo o número gramatical: 
Esta gente está furiosa e com medo; por consequência, capazes de 
tudo.
 › Silepse de pessoa: discordância entre o sujeito expresso e a pessoa 
verbal: Ambos recusamos praticar este ato.
As figuras de pensamento são recursos de linguagem que se referem ao significado das 
palavras, ao seu aspecto semântico. 
 » Antítese: aproximação de palavras ou expressões de sentidos opostos: 
Amigos e inimigos estão, amiúde, em posições trocadas.
 » Paradoxo: não apenas na aproximação de palavras de sentido oposto, 
mas de ideias que se contradizem. É uma verdade enunciada com 
aparência de mentira: O mito é o nada que é tudo.
 » Eufemismo: palavra ou expressão empregada para atenuar uma 
verdade tida como penosa, desagradável ou chocante: Passou desta para 
uma melhor. 
 » Gradação: sequência de palavras que intensificam uma mesma ideia: 
Ele caminhou, correu, disparou. 
34
UNIDADE II │ GêNEros E EstIlos
 » Hipérbole: exagero de uma ideia, a fim de proporcionar uma imagem 
emocionante e de impacto: Rios te correrão dos olhos, se chorares!
 » Ironia: pelo contexto, pela entonação, pela contradição de termos, 
sugere-se o contrário do que as palavras ou orações parecem exprimir. 
A intenção é depreciativa ou sarcástica: Moça linda, bem tratada, três 
séculos de família, burra como uma porta: um amor. 
 » Prosopopeia: atribuir movimento, ação, fala, sentimento, enfim, 
caracteres próprios de seres animados a seres inanimados ou imaginários: 
Um frio inteligente [...] percorria o jardim... .
 » Perífrase/Antonomásia: uso de características para expressaruma 
ideia: O rei dos animais rugia alto diante da ameaça. 
As figuras de palavras consistem no emprego de um termo com sentido diferente daquele 
convencionalmente empregado, a fim de se conseguir um efeito mais expressivo na 
comunicação. 
 » Comparação: estabelecer aproximação entre dois elementos que se 
identificam, ligados por conectivos comparativos explícitos – feito, assim 
como, tal, como, tal qual, tal como, qual, que nem – alguns verbos – 
parecer, assemelhar-se e outros: Ela é bonita como você. 
 » Metáfora: termo substitui outro por meio de uma relação de semelhança 
resultante da subjetividade de quem a cria. A metáfora também pode ser 
entendida como uma comparação abreviada, em que o conectivo não está 
expresso, mas subentendido: O tempo é uma cadeira ao sol, e nada mais. 
 » Metonímia: relação lógica por meio de extensão do significado: Comprei 
Machado de Assis.
 » Catacrese: uso de um ermo inadequado por esquecimento ou falta do 
termo original: folha de papel, braço da carteira.
As figuras de harmonia se relacionam com a sonoridade.
 » Aliteração: repetição da mesma consoante ou de consoantes similares, 
geralmente em posição inicial da palavra: Chove chuva choverando. 
 » Assonância: repetição da mesma vogal ao longo de um verso ou poema: 
Sou Ana, da cama, da cana, fulana, bacana. Sou Ana de Amsterdam. 
 » Onomatopeia: repetição ou sugestão de um som: miau, au-au.
35
unidAdE iii
PrátiCA dE 
intErPrEtAção E 
Produção
Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer é porque um dos dois 
é burro.
(Mário Quintana)
CAPítulo 1
ideias explícitas e ideias implícitas
Um bom texto apresenta uma ideia principal e outras que a comprovam, exemplificam 
ou ampliam (secundárias). Todas as ideias devem estar organizadas e concentradas ao 
redor de uma ideia central para formar um raciocínio. Observe o exemplo a seguir.
Ao cuidar do gado, o peão monta e governa os cavalos sem 
maltratá-los. O modo de tratar o cavalo parece rude, mas o vaqueiro 
jamais é cruel. Ele sabe como o animal foi domado, conhece as 
qualidades e defeitos do animal, sabe onde, quando e quanto exigir do 
cavalo. O vaqueiro aprendeu que paciência e muitos exercícios são os 
principais meios para se obter sucesso na lida com os cavalos, e que não 
se pode exigir mais do que é preciso.
Logo no início, o autor procura enfatizar a ideia que abordará no parágrafo. Após a ideia 
principal, seguem as ideias secundárias que exemplificam a primeira ideia. Observe 
outro exemplo.
A distribuição de renda no Brasil é injusta. Embora a renda 
per capita brasileira seja estimada em US$ 2.000 anuais, a maioria 
do povo ganha menos, enquanto uma minoria ganha dezenas ou 
centenas de vezes mais, conforme informação do IBGE. A maioria 
dos trabalhadores ganha o salário mínimo, que vale cerca de US$ 65 
mensais; muitos nordestinos recebem a metade do salário mínimo. 
36
UNIDADE III │ PrátIcA DE INtErPrEtAção E ProDUção
Dividindo essa pequena quantia por uma família onde há crianças e 
mulheres, a renda per capita fica ainda mais reduzida; contando-se o 
número de desempregados, a renda diminui um pouco mais. Há pessoas 
que ganham cerca de US$ 10.000 mensais; outras ganham muito mais, 
ainda. O contraste entre o pouco que muitos ganham e o muito que 
poucos ganham prova a distribuição de renda em nosso país é injusta.
Agora, o autor apresenta sua ideia principal e busca, por meio de ideias secundárias, 
argumentar o porquê de sua abordagem inicial.
O texto pode exigir do leitor apenas a percepção do que está literalmente escrito. Outras 
vezes, no entanto, o leitor se vê obrigado a explorar sua capacidade de interpretar as 
informações literais e observar conexões lógicas possíveis em sua interpretação. O autor 
pode não ter literalmente escrito uma ideia, mas fez uso de inferências ou deduções 
para que o leitor alcance o entendimento desejado. Observe alguns modelos de textos 
com ideias explícitas e outros com ideias explícitas e implícitas. 
Observe o texto da educadora Enoe Magalhães.
Ler é um hábito poderoso que nos faz conhecer mundos e ideias. 
Descubra a importância da leitura para todas as idades!
A leitura frequente ajuda a criar familiaridade com o mundo da 
escrita. A proximidade com o mundo da escrita, por sua vez, facilita a 
alfabetização e ajuda em todas as disciplinas, já que o principal suporte 
para o aprendizado na escola é o livro didático. Ler também é importante 
porque ajuda a fixar a grafia correta das palavras.
Quem é acostumado à leitura desde bebezinho se torna muito mais 
preparado para os estudos, para o trabalho e para a vida. Isso quer dizer 
que o contato com os livros pode mudar o futuro dos seus filhos. Parece 
exagero? Nos Estados Unidos, por exemplo, a Fundação Nacional de 
Leitura Infantil (National Children’s Reading Foundation) garante que, 
para a criança de 0 a 5 anos, cada ano ouvindo historinhas e folheando 
livros equivale a 50 mil dólares a mais na sua futura renda.
Observe texto agora sobre a corrupção presente na Wikipédia.
Segundo Raymundo Faoro, a corrupção é um “vício” herdado do 
mundo ibérico, resultado de uma relação patrimonialista entre Estado 
e Sociedade. O nepotismo já teria desembarcado no Brasil a bordo da 
primeira caravela, sendo apontado como exemplo a Carta a El-Rei 
D. Manuel escrita por Pero Vaz de Caminha, onde solicita ao rei que 
37
Prática de interPretação e Produção │ unidade iii
mandasse “vir buscar da ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro”. 
Para ocupar e administrar o novo território, tarefa bastante complicada 
pela distância geográfica e precariedade das comunicações, a coroa 
portuguesa teve de oferecer incentivos e relaxou na vigilância de seus 
prepostos. Isso gerou um ambiente de tal modo favorável à prática da 
corrupção, que já no século XVII, o padre Antônio Vieira denunciou-o 
através do ‘Sermão do Bom Ladrão’, onde expõe corajosamente os 
desmandos praticados por colonos e administradores no Brasil:
O ladrão que furta para comer, não vai, nem leva ao inferno; os que não 
só vão, mas levam, de que eu trato, são outros ladrões, de maior calibre 
e de mais alta esfera. (...) os ladrões que mais própria e dignamente 
merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos 
e legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, 
os quais já com manha, já com força, roubam e despojam os povos. Os 
outros ladrões roubam um homem: estes roubam cidades e reinos; os 
outros furtam debaixo do seu risco: estes sem temor, nem perigo; os 
outros, se furtam, são enforcados: estes furtam e enforcam.
Análise explícita
Leia os textos a seguir e responda às questões. O gabarito aparece no final do 
capítulo.
texto i
No mundo, tal como a Física o descreve, nada pode ocorrer que seja 
verdadeiramente e intrinsecamente novo. Inventar-se-á, talvez, um novo engenho, 
mas sempre será possível, através de análise, ver nele uma nova combinação de 
elementos que serão isto ou aquilo, mas não serão novos. Novidade, em Física, é 
simples novidade de arranjos e combinações. Em oposição a esse ponto, insiste 
o historicismo, a novidade social, assim real, irredutível ao novo dos arranjos. Na 
vida social, os mesmos fatores, postos em arranjo novo, nunca serão realmente os 
mesmos velhos fatores. Onde nada se pode repetir com exatidão, a novidade real 
estará sempre emergindo. E sustenta-se que esse é um significativo traço a ter em 
conta quando se focaliza o desenvolvimento de novos estágios ou períodos da 
História, cada um dos quais diferirá intrinsecamente de qualquer outro.
(Karl Popper, A miséria do historicismo)
38
UNIDADE III │ PrátIcA DE INtErPrEtAção E ProDUção
1. O texto de Karl Popper nos permite afirmar:
a. no mundo, nada pode ocorrer que seja verdadeiramente e 
intrinsecamente novo.
b. em Física, poucas coisas são novas.
c. no mundo, tal como a Física o descreve, é possível ver o novo como 
simples novidade dearranjos e combinações.
d. as novidades intrínsecas das leis da Física implicam novidades na vida 
social.
e. a Física e a História descrevem o novo da mesma forma.
2. Podemos também concluir, com base no texto, que:
a. o historicismo se apõe às novidades da Física.
b. de acordo com o historicismo, a novidade social é novidade real, 
irredutível ao novo dos arranjos.
c. as novidades da vida social obrigam os físicos a rever suas posições.
d. a vida dos físicos é complicada pelas novidades sociais, pois eles estão 
habituados ao rigor de imutáveis leis da Física.
e. o historicismo surgiu após a Física.
texto ii
O enriquecimento (ampliação) de uma língua consiste em “usar”, “praticar” a 
língua. As palavras são como peças de um complicado jogo. Jogando a gente 
aprende. Aprende as regras do jogo. As peças usadas são as mesmas, mas nunca 
são usadas da mesma maneira. No deixar-se carregar pelo jogo do uso somos 
levados às inúmeras possibilidades da língua. As possibilidades são sempre 
diferentes, nunca iguais. Mas todas as diferenças cabem na mesma identidade. 
Todas as palavras figuram nos vários discursos como diferentes: diferentes são 
as palavras no discurso científico, literário, filosófico, artístico, teológico. Mas 
cabem sempre na mesma identidade. São expressões possíveis da linguagem.
(Arcângelo R. Buzzi, Introdução ao Pensar)
3. De acordo com o texto:
a. as palavras da língua correspondem às peças do jogo.
b. as palavras da língua correspondem às regras do jogo.
39
Prática de interPretação e Produção │ unidade iii
c. as peças do jogo correspondem às regras do jogo.
d. jogos diferentes exigem peças diferentes.
e. frases diferentes exigem palavras diferentes.
4. Segundo o texto:
a. quem joga combina palavras.
b. quem joga combina regras.
c. quem fala combina peças.
d. quem fala combina palavras.
e. tanto quem fala como quem joga combina regras.
5. O texto afirma que:
a. seria útil aplicar, na aprendizagem das regras do jogo, o mesmo 
método que se emprega ao aprender uma língua.
b. aprender uma língua é tão complicado como aprender as regras de 
um jogo.
c. as línguas são complicadas porque a maioria de suas regras são 
comparáveis a jogos complexos.
d. o conhecimento das regras de jogos complicados facilita o 
entendimento das regras da língua.
e. se chega às possibilidades da língua da mesma forma que às regras do 
jogo, praticando.
texto iii
A televisão procura atender ao gosto da população a que se dirige. Assim, 
acomoda essa grande massa de consumidores a antigos hábitos e tradições, 
em vez de propor, aos que assistem a ela, inquietações novas e uma visão mais 
crítica do mundo em que vivem.
6. Segundo o texto:
a. porque se dirige a um público desinteressado, a televisão não se 
preocupa com a qualidade de seus programas.
b. a televisão não se preocupa em elevar o nível de seus programas já 
que o público que a ele assiste não se interessa por problemas sérios.
40
UNIDADE III │ PrátIcA DE INtErPrEtAção E ProDUção
c. embora resulte do gosto de um público inquieto com seus valores, a 
televisão nega-se a mudar o aspecto formal dos programas.
d. o interesse de baixo nível cultural merece uma televisão que não 
questiona em profundidade os problemas do mundo.
e. o interesse do público determina os conteúdos veiculados pela 
televisão que, assim, se furta às propostas culturais novas.
7. Conclui-se do mesmo texto que:
a. a tendência dos espectadores é interessarem-se por programas de 
televisão que vêm ao encontro de seus hábitos e tradições.
b. assistir à televisão implica a aceitação de hábitos e tradições que 
favorecem o surgimento das ideias que mudam a face do mundo.
c. o público normal da televisão prefere que os programas venham de 
encontro a seus hábitos e tradições.
d. o papel principal da televisão consiste em criar inquietações nos 
telespectadores.
e. a televisão em alguns lugares propicia uma visão crítica do mundo.
Gabarito: 
1. c
2. b
3. a 
4. d 
5. e 
6. e 
7. a
Análise explícita e implícita
Leia os textos a seguir e responda às questões.
texto iV
Porque os homens olhavam demais para a sua mulher, mandou que descesse 
a bainha dos vestidos e parasse de se pintar. Apesar disso, sua beleza chamava 
41
Prática de interPretação e Produção │ unidade iii
atenção, e ele foi obrigado a exigir que eliminasse os decotes, jogasse fora os 
sapatos de saltos altos. Dos armários tirou as roupas de seda, da gaveta tirou 
todas as joias. E vendo que, ainda assim, um ou outro olhar viril se acendia à 
passagem dela, pegou a tesoura e tosquiou-lhe os longos cabelos.
Agora podia viver descansado. Ninguém a olhava duas vezes, homem nenhum 
se interessava por ela. Esquiva como um gato, não mais atravessa praças. E 
evitava sair.
Tão esquiva se fez, que ele foi deixando de ocupar-se dela, permitindo que fluísse 
em silencio pelos cômodos, mimetizada com os móveis e as sombras.
Uma fina saudade, porém, começou a alinhavar-se em seus dias. Não saudade de 
mulher. Mas do desejo inflamado que tivera por ela.
Então lhe trouxe um batom. No outro dia um corte de seda. À noite tirou do 
bolso uma rosa de cetim para enfeitar-lhe o que restava dos cabelos.
Mas ela tinha desaprendido a gostar dessas coisas, nem pensava mais em lhe 
agradar. Largou o tecido numa gaveta, esqueceu o batom. E continuou andando 
pela casa de vestido de chita, enquanto a rosa desbotava sobre a cômoda.
(Marina Colasanti)
1. Assinale a opção incorreta em relação ao texto acima.
a. Pode-se inferir do texto que a posição da mulher no lar e na sociedade 
é muitas vezes definida em contraste com a posição do homem.
b. O texto reflete sobre a condição humana, destacando a opressão que 
a mulher pode sofrer em seu casamento
c. O fato de o homem e a mulher não terem sido nomeados pode revelar 
desejo da autora em dar um tratamento universal ao tema tratado.
d. Os eventos narrados obedecem a uma ordem cronológica.
e. Em “tosquiou-lhe os longos cabelos” e “nem pensava mais em lhe 
agradar”, os dois pronomes átonos possuem a mesma função sintática.
2. Assinale a opção incorreta em relação ao texto anterior.
a. Por meio de discurso direto, o leitor conhece a personalidade das 
personagens deste texto.
42
UNIDADE III │ PrátIcA DE INtErPrEtAção E ProDUção
b. Há exemplo de sinestesia na expressão “fina saudade” e metáfora em 
“olhar viril”.
c. Pode-se inferir que o corte de seda está para sensualidade e o prazer, 
assim como o vestido de chita está para a repressão da femilidade.
d. No segundo período do primeiro parágrafo, a vírgula antes do “e” 
ocorre devido à mudança de sujeito entre as orações.
e. O texto, de certa forma, ironiza as relações em que predominam o 
ciúme, a vaidade e a submissão.
texto V
Não se sabia bem onde nascera, mas não fora decerto em São Paulo, nem no 
Rio Grande do Sul, nem no Pará. Errava quem quisesse encontrar nele qualquer 
regionalismo: Quaresma era antes de tudo brasileiro. Não tinha predileção por 
esta ou aquela parte de seu país, tanto assim que aquilo que o fazia vibrar de 
paixão não eram os pampas do Sul com o seu gado, não era o café de São Paulo, 
não eram o ouro e os diamantes de Minas, não era a beleza da Guanabara, não 
era a altura da Paulo Afonso, não era o estro de Gonçalves Dias ou o ímpeto de 
Andrade Neves – era tudo isso junto, fundido, reunido, sob a bandeira estrelada 
do Cruzeiro.
Logo aos dezoito anos quis fazer-se militar; mas a junta de saúde julgou-o 
incapaz. Desgostou-se, sofreu, mas não maldisse a Pátria. O ministério era liberal, 
ele se fez conservador e continuou mais do que nunca a amar a “terra que o viu 
nascer”. Impossibilitado de evoluir-se sob os dourados do Exército, procurou a 
administração e dos seus ramos escolheu o militar.
Era onde estava bem. No meio de soldados, de canhões, de veteranos, de 
papelada inçada de quilos de pólvora, de nomes de fuzis e termos técnicos de 
artilharia, aspirava diariamente aquelehálito de guerra, de bravura, de vitória, de 
triunfo, que é bem o hálito da Pátria.
Durante os lazeres burocráticos, estudou, mas estudou a Pátria, nas suas 
riquezas naturais, na sua história, na sua geografia, na sua literatura e na sua 
política. Quaresma sabia as espécies de minerais, vegetais e animais, que o Brasil 
continha; sabia o valor do ouro, dos diamantes exportados por Minas, as guerras 
holandesas, as batalhas do Paraguai, as nascentes e o curso de todos os rios. 
Defendia com azedume e paixão a proeminência do Amazonas sobre todos os 
demais rios do mundo. Para isso ia até ao crime de amputar alguns quilômetros 
43
Prática de interPretação e Produção │ unidade iii
ao Nilo e era como este rival do “seu” rio que ele mais implicaria. Ai de quem 
o citasse na sua frente! Em geral, calmo e delicado, o major ficava agitado e 
malcriado, quando se discutia a extensão do Amazonas em face da do Nilo.
Havia um ano a esta parte que se dedicava ao tupi-guarani. Todas as manhãs, 
antes que a “Aurora, com seus dedos rosados abrisse caminho ao louro Febo”, 
ele se atracava até ao almoço com o Montoya, Arte y diccionario de la lengua 
guarani ó más bien tupi, e estudava o jargão caboclo com afinco e paixão. Na 
repartição, os pequenos empregados, amanuenses e escreventes, tendo notícia 
desse estudo do idioma tupiniquim, deram não se sabe por que em chamá-lo 
Ubirajara. Certa vez, o escrevente Azevedo, ao assinar o ponto, distraído, sem 
reparar quem lhe estava às costas, disse em tom chocarreiro: “Você já viu que 
hoje o Ubirajara está tardando?”.
Quaresma era considerado no Arsenal: a sua idade, a sua ilustração, a modéstia 
e honestidade de seu viver impunham-no ao respeito de todos. Sentindo que a 
alcunha lhe era dirigida, não perdeu a dignidade, não prorrompeu em doestos 
e insultos. Endireitou-se, concentrou e pince-nez, levantou o dedo indicador no 
ar e respondeu:
– Senhor Azevedo, não seja leviano. Não queira levar ao ridículo aqueles que 
trabalham em silêncio, para a grandeza e a emancipação da Pátria.
(Lima Barreto, Triste Fim de Policarpo Quaresma. Rio de Janeiro: Record, 1998)
3. Em Triste Fim de Policarpo Quaresma, romance publicado originalmente 
em 1915, Lima Barreto narra uma história ocorrida durante os primeiros 
anos da República brasileira. Com base no fragmento dessa obra 
apresentada acima, assinale a opção correta para uma possível inferência 
do conteúdo textual.
a. Quaresma era, na verdade, carioca, pois vivia na cidade do Rio de 
Janeiro.
b. Quaresma gostava de comer carne do Sul e de tomar café de São Paulo.
c. Quaresma era muito religioso, por isso imaginava o Brasil unificado.
d. Ao se ver recusado pela junta de saúde do Exército, Quaresma tornou-
se conservador, em oposição ao governo que era então liberal.
e. Quaresma queria ser militar por causa dos excelentes salários pagos 
pelo Exército.
44
UNIDADE III │ PrátIcA DE INtErPrEtAção E ProDUção
4. Tendo como referência as ideias contidas no texto, assinale a opção incorreta.
a. Não obstante o seu modo pacato de viver, Quaresma perdia a calma 
quando se discutiam certos assuntos de seu interesse.
b. Quaresma passou a estudar tupi-guarani para poder trabalhar junto 
aos índios, incutindo-lhes o sentimento patriótico que o dominava.
c. Infere-se do texto que os estudos feitos por Quaresma sobre o Brasil 
poderiam tê-lo influenciado na assimilação de um sentimento ufanista.
d. No quarto parágrafo, o narrador usou aspas para enfatizar o 
sentimento de posse e de nacionalismo da personagem em relação 
ao rio Amazonas.
e. Quaresma antipatizava com o rio Nilo por ser este mais extenso que o 
rio Amazonas.
5. Ainda com base no texto, assinale a opção correta.
a. Todas as manhãs, Quaresma discutia com Montoya, um colega de 
trabalho que vivia zombando do interesse do herói pelo estudo do 
tupi-guarani.
b. Infere-se do texto que o antropônimo “Ubirajara” é de origem indígena.
c. Quaresma não gostava da língua espanhola, por isso a classificava de 
“jargão caboclo”.
d. Foi o escrevente Azevedo que deu a Quaresma a alcunha de “Ubirajara”.
e. Por causa de suas excentridades, Quaresma não gozava do respeito de 
seus colegas de trabalho.
6. No texto, não constitui qualidade característica de Quaresma a:
a. modéstia.
b. cultura.
c. honestidade.
d. jocosidade.
e. respeitabilidade.
45
Prática de interPretação e Produção │ unidade iii
7. No texto, por uma questão de elegância de estilo, alguns pronomes foram 
usados em substituição a seus referentes. Assinale a opção que apresenta 
associação incorreta entre o pronome destacado e o referente.
a. “terra que o viu nascer” (segundo parágrafo) / Quaresma.
b. “Ai de quem o citasse” (quarto parágrafo) / o rio Nilo.
c. “deram não se sabe por que em chamá-lo” (quinto parágrafo) / 
Quaresma.
d. “impunham-no ao respeito de todos” (sexto parágrafo) / Quaresma.
e. “Sentindo que a alcunha lhe era dirigida” (sexto parágrafo) / escrevente 
Azevedo.
8. No que se refere à colocação dos pronomes, seria gramaticalmente correto 
substituir:
a. se sabia (primeiro parágrafo) / por sabia-se.
b. o fazia (primeiro parágrafo) / por fazia-o.
c. julgou-o (segundo parágrafo) / por o julgou.
d. lhe estava (quinto parágrafo) / por estava-lhe.
e. Endireitou-se (sexto parágrafo) / por Se endireitou.
9. No que diz respeito à tipologia textual, assinale a opção incorreta.
a. Apesar de conter passagens narrativas, o texto é fundamentalmente 
uma descrição de Policarpo Quaresma.
b. Há, no texto, ocorrências de discurso direto.
c. Em “do Amazonas em face da do Nilo” (quarto parágrafo), o trecho 
entre aspas não se identifica com o estilo predominante no texto.
d. A expressão “louro Febo” (quinto parágrafo) é uma alusão ao Sol.
e. o texto é predominantemente dissertativo com forte argumentação 
nacionalista.
Gabarito:
1. e
2. a
46
UNIDADE III │ PrátIcA DE INtErPrEtAção E ProDUção
3. d
4. e
5. b
6. d
7. e
8. c
9. e
Leia o texto a seguir e responda às questões.
texto Vi
Em qualquer acampamento ou ocupação de sem-terra que se visite, uma 
constatação é inevitável: grande parte dessas pessoas que vivem embaixo de 
lonas pretas nas estradas e fazendas saiu das franjas sujas e maltrapilhas das 
grandes cidades.
Expulsos do campo por um processo cruel de concentração de terras, milhões 
de trabalhadores rurais buscaram redenção sob o gás néon (o termo, de origem 
grega, significa novo) das metrópoles. Queimaram asas feito mariposas. Caíram 
numa espécie de vácuo social – a favela intransponível.
Sem emprego, sem saúde, sem teto, sem instrução, esse povo desgraçado pelo 
descaso das autoridades descobriu no Movimento dos Trabalhadores Rurais 
Sem-Terra (MST) o que alguns buscam em entidades e organizações como as 
novas seitas e igrejas: esperança. Mais pragmaticamente, trabalho, comida, teto 
e, se sobrar, educação e saúde.
(Correio Braziliense, com adaptações)
Em relação ao emprego dos elementos no texto, julgue os itens a seguir 
como Verdadeiros ou Falsos.
1. A palavra franjas, no primeiro parágrafo, está empregada em sentido 
figurado e significa periferia, ou seja, a região mais afastada do centro 
urbano, em geral carente em infraestrutura e serviços urbanos, e que 
abriga os setores de baixa renda da população.
47
Prática de interPretação e Produção │ unidade iii
2. A palavra redenção, no segundo parágrafo, significa salvação eterna, 
perdão, fé.
3. As palavras vácuo e saúde, que aparecem no texto, são acentuadas com 
base na mesma regra ortográfica.
4. A expressão Queimaram asas feito mariposas, no segundo parágrafo, 
constitui uma metáfora do insucesso, do fracasso, da melancolia, da 
nostalgia, da saudade.
5. O vocábulo teto está empregado metonimicamente, significando casa, 
moradia, habitação.
6. A repetição intencional da preposição sem, no início do terceiro parágrafo, 
constitui um recurso estilístico de ênfase.
7. A expressão Mais pragmaticamente, no terceiroparágrafo, significa mais 
objetivamente, mais concretamente, de forma mais direcionada para a 
ação prática.
texto Vii
Os velhos das cidadezinhas do interior parecem muito mais plenamente velhos 
que os das metrópoles. Não se trata da idade real de uns e outros, que pode até 
ser a mesma, mas dos tempos distintos que eles parecem habitar. Na agitação 
dos grandes centros, até mesmo a velhice parece ainda estar integrada na 
correria; os velhos guardam alguma ansiedade no olhar, nos modos, na lentidão 
aflita de quem se sente fora do compasso. Na calmaria das cidades pequeninas, 
é como se a velhice de cada um reafirmasse a que vem das montanhas e dos 
horizontes, velhice quase eterna, pousada no tempo.
Vejam-se as roupas dos velhinhos interioranos: aquele chapéu de feltro 
manchado, aquelas largas calças de brim cáqui, incontavelmente lavadas, aquele 
puído dos punhos de camisas já sem cor – tudo combina admiravelmente com 
a enorme jaqueira do quintal, com a generosa figueira da praça, com as teias no 
campanário da igreja. E os hábitos? Pica-se o fumo de corda, lentamente, com 
um canivete herdado do século passado, enquanto a conversa mole se desenrola 
sem pressa e sem destino.
Na cidade grande, há um quadro que se repete mil vezes ao dia, e que talvez já 
diga tudo: o velhinho, no cruzamento perigoso, decide-se, enfim, a atravessar a 
avenida, e o faz com aflição, um braço estendido em sinal de pare aos motoristas 
48
UNIDADE III │ PrátIcA DE INtErPrEtAção E ProDUção
apressados, enquanto amiúda o que pode o próprio passo. Parece suplicar ao 
tempo que diminua seu ritmo, que lhe dê a oportunidade de contemplar mais 
demoradamente os ponteiros invisíveis dos dias passados, e de sondar com 
calma, nas nuvens mais altas, o sentido de sua própria história.
Há, pois, velhices e velhices – até que chegue o dia em que ninguém mais tenha 
tempo para de fato envelhecer.
(Celso de Oliveira)
8. A frase “Os velhos das cidadezinhas do interior parecem muito mais 
plenamente velhos que os das metrópoles” constitui uma:
a. impressão que o autor sustenta ao longo do texto, por meio de 
comparações.
b. impressão passageira, que o autor relativiza ao longo do texto. 
c. falsa hipótese, que a argumentação do autor demolirá. 
d. previsão feita pelo autor, a partir de observações feitas nas grandes e 
nas pequenas cidades. 
e. opinião do autor, para quem a velhice é mais opressiva nas cidadezinhas 
que nas metrópoles.
9. Indique a afirmação incorreta em relação ao texto.
a. Roupas, canivetes, árvores e campanário são aqui utilizados como 
marcas da velhice.
b. Autor julga que, nas cidadezinhas interioranas, a vida é bem mais 
longa que nos grandes centros.
c. Hábitos como o de picar fumo de corda denotam relações com o 
tempo que já não existem nas metrópoles.
d. Que um velhinho da cidade grande parece suplicar é que lhe seja 
concedido um ritmo de vida compatível com sua idade.
e. Autor sugere que, nas cidadezinhas interioranas, a velhice parece 
harmonizar-se com a própria natureza.
10. O sentido do último parágrafo do texto deve ser assim entendido:
a. Do jeito que as coisas estão, os velhos parecem não ter qualquer 
importância.
49
Prática de interPretação e Produção │ unidade iii
b. Tudo leva a crer que os velhos serão cada vez mais escassos, dado o 
atropelo da vida moderna.
c. Prestígio do que é novo é tão grande que já ninguém repara na 
existência dos velhos.
d. A velhice nas cidadezinhas do interior é tão harmoniosa que um dia 
ninguém mais sentirá o próprio envelhecimento.
e. No ritmo em que as coisas vão, a própria velhice talvez não venha a ter 
tempo para tomar consciência de si mesma.
11. Indique a opção em que se traduz corretamente o sentido de uma 
expressão do texto, considerado o contexto.
a. “parecem muito mais plenamente velhos” = dão a impressão de se 
ressentirem mais dos males da velhice.
b. “guardam alguma ansiedade no olhar” = seus olhos revelam poucas 
expectativas.
c. “fora do compasso” = num distinto andamento.
d. “a conversa mole se desenrola” = a explanação é detalhada.
e. “amiúda o que pode o próprio passo” = deve desacelerar suas passadas.
Gabarito
1. V
2. F
3. F
4. F
5. V
6. V
7. V
8. a
9. b
10. e
11. c
50
unidAdE iVEStruturAção dE 
um tExto
E por que é importante saber bem a nossa língua? Porque vivemos numa 
sociedade letrada que exige o domínio da língua escrita. Se alguém quiser investir 
numa carreira profissional, deve desenvolver essa capacidade. Sim, pois todos 
podem aprender a escrever bem, isso não é questão de sorte ou talento. Não 
se trata de aprender a ser poeta ou escritor, não estamos falando de literatura, 
que exige outras qualidades de quem escreve. Estamos falando de alguém que 
queira se expressar de modo claro, que queira redigir um relatório de trabalho, 
uma correspondência comercial, um trabalho para a faculdade, uma redação 
para o vestibular. Para esses casos, é claro que é possível aprender, em pouco 
tempo, as técnicas básicas para escrever bem. Depois, é praticar bastante e ler 
com atenção para ver como outras pessoas elaboram seus textos.
(Douglas Tufano)
CAPítulo 1 
o ato de redigir
Comunicar-se é ação de tornar comum uma ideia. Ela ocorre de várias formas. Em 
contato direto com o falante, a língua falada é mais espontânea, mais viva, mais concreta, 
menos preocupada com a gramática. Conta com vocabulário mais limitado, embora em 
permanente renovação. Já na linguagem escrita, o contato entre quem escreve e quem 
lê é indireto. Por isso, exige permanente esforço de elaboração, com maior preocupação 
em relação à correção gramatical, clareza, objetiva e estrutura textual.
níveis de linguagem
A eficiência da comunicação depende do uso adequado do nível de linguagem. 
Certamente, você não escreveria da mesma forma um texto para um adulto e para uma 
51
Estruturação dE um tExto │ uNIdadE IV
criança. São pessoas com capacidade de entendimento diferente. Também o seu texto 
deve ser diferente para cada um deles. É necessário, assim, preocupar-se, e muito, com 
quem receberá o seu texto. 
 » Linguagem formal: utilizam-na as classes intelectuais da sociedade, 
mais na forma escrita e, menos, na oral. É de uso nos meios diplomáticos 
e científicos; nos discursos e sermões; nos tratados jurídicos e nas sessões 
do tribunal. O vocabulário é rico e são observadas as normas gramaticais 
em sua plenitude.
Exemplo:
O Supremo Tribunal Federal determinou o bloqueio imediato dos bens 
de todos os diretores envolvidos no escândalo do Banco do Brasil. A 
priori, a instituição deverá prestar contas dos gastos de seis diretorias 
que foram aliciadas por meio de propina para a liberação de verbas a 
agências publicitárias.
 » Linguagem coloquial: utilizada pelas pessoas que, sem embargo do 
conhecimento da língua, servem-se de um nível menos formal, mais 
cotidiano. É a linguagem do rádio, da televisão, meios de comunicação de 
massa tanto na forma oral quanto na escrita. Emprega-se o vocabulário 
da língua comum e a obediência às disposições gramaticais é relativa, 
permitindo-se até mesmo construções próprias da linguagem oral. 
Exemplo:
Brother, dentro dessa nova edição do Concurso 500 testes tem tudo para 
que minha prova role na maior. Só de português são mais 800 questões. 
Ah, tem uma lista de livros e dicas para todos ficarem por dentro do que 
é moleza que caiu na prova. Vou encarar este estudo.
A escolha da palavra
A palavra é o início da expressão. Nosso objetivo é prepará-lo de forma adequada em 
todos os sentidos. Não queira escrever textos longos de forma adequada sem antes 
observar o uso dos termos em seu texto. A escolha da palavra é o início de um bom texto.
O termo exato a ser empregado deve levar em conta o leitor. Imagine o seu leitor. 
Trata-se de um desconhecedor do assunto a ser escrito, um especialista, uma pessoa 
52
UNIDADE IV │ EstrUtUrAção DE Um tExto
com conhecimentos limitados

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