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APOSTILA EXERCÍCIO FÍSICO AS DIFERENTES POPULAÇÕES

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PROFESSOR
Dr. Luiz Rodrigo Augustemak de Lima
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O download do aplicativo está disponível nas plataformas:
Acesse o seu livro também disponível na versão digital.
EXERCÍCIO FÍSICO 
NAS DIFERENTES 
POPULAÇÕES
Google Play App Store
2 
 
NEAD - Núcleo de Educação a Distância
Av. Guedner, 1610, Bloco 4 - Jd. Aclimação 
Cep 87050-900 - Maringá - Paraná - Brasil
www.unicesumar.edu.br | 0800 600 6360
DIREÇÃO UNICESUMAR
Reitor Wilson de Matos Silva, Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor Executivo de EAD 
William Victor Kendrick de Matos Silva, Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin, Presidente 
da Mantenedora Cláudio Ferdinandi.
NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff, James Prestes, Tiago Stachon, Diretoria de Graduação Kátia 
Coelho, Diretoria de Pós-Graduação Bruno do Val Jorge, Diretoria de Permanência Leonardo Spaine, 
Diretoria de Design Educacional Débora Leite, Head de Curadoria e Inovação Tania Cristiane Yoshie 
Fukushima, Gerência de Processos Acadêmicos Taessa Penha Shiraishi Vieira, Gerência de Curadoria 
Carolina Abdalla Normann de Freitas, Gerência de Contratos e Operações Jislaine Cristina da Silva, 
Gerência de Produção de Conteúdo Diogo Ribeiro Garcia, Gerência de Projetos Especiais Daniel Fuverki 
Hey, Supervisora de Projetos Especiais Yasminn Talyta Tavares ZagonelCoordenador(a) de Conteúdo Mara Cecília Rafael Lopes, Projeto Gráfico José Jhonny Coelho, Editoração 
Juliana Duenha, Designer Educacional Jociane Karise Benedett, Ilustração André Azevedo Fotos 
Shutterstock.
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância; 
LIMA, Luiz Rodrigo Augustemak de.
 Exercício Físico nas Diferentes Populações. Luiz Rodrigo Augustemak 
de Lima.
 Maringá - PR.:Unicesumar, 2020.
 192 p.
 “Graduação em Educação Física - EaD”.
 1. Exercícios . 2. Populações . 3. Físicos EaD. I. Título.
ISBN 978-65-5615-079-6 CDD - 22ª Ed. 796
CIP - NBR 12899 - AACR/2
Ficha Catalográfica Elaborada pelo Bibliotecário
João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828
Impresso por: 
Em um mundo global e dinâmico, nós trabalhamos 
com princípios éticos e profissionalismo, não somente 
para oferecer uma educação de qualidade, mas, acima 
de tudo, para gerar uma conversão integral das 
pessoas ao conhecimento. Baseamo-nos em 4 pilares: 
intelectual, profissional, emocional e espiritual.
Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de 
graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil 
estudantes espalhados em todo o Brasil: nos quatro 
campi presenciais (Maringá, Curitiba, Ponta Grossa e 
Londrina) e em mais de 500 polos de educação a distância 
espalhados por todos os estados do Brasil e, também, 
no exterior, com dezenas de cursos de graduação e 
pós-graduação. Produzimos e revisamos 500 livros 
e distribuímos mais de 500 mil exemplares por ano. 
Somos reconhecidos pelo MEC como uma instituição de 
excelência, com IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos 
entre os 10 maiores grupos educacionais do Brasil.
A rapidez do mundo moderno exige dos educadores 
soluções inteligentes para as necessidades de todos. 
Para continuar relevante, a instituição de educação 
precisa ter pelo menos três virtudes: inovação, 
coragem e compromisso com a qualidade. Por 
isso, desenvolvemos, para os cursos de Engenharia, 
metodologias ativas, as quais visam reunir o melhor 
do ensino presencial e a distância.
Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é 
promover a educação de qualidade nas diferentes áreas 
do conhecimento, formando profissionais cidadãos 
que contribuam para o desenvolvimento de uma 
sociedade justa e solidária.
Vamos juntos!
Wilson Matos da Silva
Reitor da Unicesumar
boas-vindas
Prezado(a) Acadêmico(a), bem-vindo(a) à 
Comunidade do Conhecimento. 
Essa é a característica principal pela qual a Unicesumar 
tem sido conhecida pelos nossos alunos, professores 
e pela nossa sociedade. Porém, é importante 
destacar aqui que não estamos falando mais daquele 
conhecimento estático, repetitivo, local e elitizado, mas 
de um conhecimento dinâmico, renovável em minutos, 
atemporal, global, democratizado, transformado pelas 
tecnologias digitais e virtuais.
De fato, as tecnologias de informação e comunicação 
têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, lugares, 
informações, da educação por meio da conectividade 
via internet, do acesso wireless em diferentes lugares 
e da mobilidade dos celulares. 
As redes sociais, os sites, blogs e os tablets aceleraram 
a informação e a produção do conhecimento, que não 
reconhece mais fuso horário e atravessa oceanos em 
segundos.
A apropriação dessa nova forma de conhecer 
transformou-se hoje em um dos principais fatores de 
agregação de valor, de superação das desigualdades, 
propagação de trabalho qualificado e de bem-estar. 
Logo, como agente social, convido você a saber cada 
vez mais, a conhecer, entender, selecionar e usar a 
tecnologia que temos e que está disponível. 
Da mesma forma que a imprensa de Gutenberg 
modificou toda uma cultura e forma de conhecer, 
as tecnologias atuais e suas novas ferramentas, 
equipamentos e aplicações estão mudando a nossa 
cultura e transformando a todos nós. Então, priorizar o 
conhecimento hoje, por meio da Educação a Distância 
(EAD), significa possibilitar o contato com ambientes 
cativantes, ricos em informações e interatividade. É 
um processo desafiador, que ao mesmo tempo abrirá 
as portas para melhores oportunidades. Como já disse 
Sócrates, “a vida sem desafios não vale a pena ser vivida”. 
É isso que a EAD da Unicesumar se propõe a fazer. 
Willian V. K. de Matos Silva
Pró-Reitor da Unicesumar EaD
Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está 
iniciando um processo de transformação, pois quando 
investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou 
profissional, nos transformamos e, consequentemente, 
transformamos também a sociedade na qual estamos 
inseridos. De que forma o fazemos? Criando 
oportunidades e/ou estabelecendo mudanças capazes 
de alcançar um nível de desenvolvimento compatível 
com os desafios que surgem no mundo contemporâneo. 
O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de 
Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo 
este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens 
se educam juntos, na transformação do mundo”.
Os materiais produzidos oferecem linguagem 
dialógica e encontram-se integrados à proposta 
pedagógica, contribuindo no processo educacional, 
complementando sua formação profissional, 
desenvolvendo competências e habilidades, e 
aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, 
de maneira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, 
estes materiais têm como principal objetivo “provocar 
uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta 
forma possibilita o desenvolvimento da autonomia 
em busca dos conhecimentos necessários para a sua 
formação pessoal e profissional.
Portanto, nossa distância nesse processo de crescimento 
e construção do conhecimento deve ser apenas 
geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos 
que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. 
Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu 
Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos 
fóruns e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe 
das discussões. Além disso, lembre-se que existe 
uma equipe de professores e tutores que se encontra 
disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em 
seu processo de aprendizagem, possibilitando-lhe 
trilhar com tranquilidade e segurança sua trajetória 
acadêmica.
boas-vindas
Débora do Nascimento Leite
Diretoria de Design Educacional
Janes Fidélis Tomelin
Pró-Reitor de Ensino de EAD
Kátia Solange Coelho
Diretoria de Graduação 
e Pós-graduação
Leonardo Spaine
Diretoria de Permanência
autor
Dr. Luiz Rodrigo Augustemak de Lima
Doutor (2017) e mestre (2011) em Educação Física, nas áreas biodinâmica do desempe-
nho humano e cineantropometria,respectivamente, pela Universidade Federal de Santa 
Catarina. Graduado em Educação Física pela Universidade Estadual de Ponta Grossa 
(2007). Atualmente, é professor do Instituto de Educação Física e Esportes da Universi-
dade Federal de Alagoas. Líder do Grupo de Pesquisa em Biodinâmica do Desempenho 
Humano e Saúde. Membro do Grupo de Pesquisa em Cineantropometria e Desempenho 
Humano. Tem experiência nos campos de Medidas e Avaliação, Fisiologia do Exercício 
e processos de saúde e doença na infância e adolescência. Desenvolve pesquisas sobre 
atividade física e exercício, risco cardiovascular (composição corporal alterada, homeostase 
metabólica, inflamação e aterosclerose), desenvolvimento e validação de instrumentos de 
medida da composição corporal, aptidão aeróbica, crescimento e maturação, atividade 
física e risco cardiovascular. 
Para informações mais detalhadas sobre sua atuação profissional, pesquisas e publicações, 
acesse seu currículo disponível no seguinte endereço:
http://lattes.cnpq.br/9155840708006766
apresentação do material
EXERCÍCIO FÍSICO NAS DIFERENTES POPULAÇÕES
Dr. Luiz Rodrigo Augustemak de Lima
Prezado(a) aluno(a), seja bem-vindo(a) ao mundo no qual a atividade física é 
utilizada para prevenir, tratar e melhorar a vida de pessoas que vivem com 
doenças crônicas ou que fazem parte de grupos especiais! Interessante, não é? 
Mas, calma! O assunto é complexo e iremos juntos, ao longo do livro, aprender 
como a atividade física e o exercício podem ter impacto clínico relevante so-
bre as condições saúde. Precisamos aprender também que para intervir com 
exercícios físicos em quadros clínicos é necessário, previamente, entender os 
aspectos relacionados à epidemiologia, fatores de risco associados, etiologia 
(causas e origens), consequências à saúde e as formas de diagnóstico das do-
ença crônicas em questão. 
Sim, o assunto é complexo, mas eu já disse, vamos entrar nessa juntos, 
passo a passo, do fácil para o difícil. Antes que perceba, você estará imerso 
nesse campo de conhecimento e poderá não só prescrever exercícios físicos, 
mas compreender “como“ ocorrem os efeitos positivos à saúde.
Iniciaremos nossa jornada, definindo as questões mais básicas sobre a ati-
vidade física e exercício. Certamente, você já sabe algo sobre o assunto, porém 
conhece todos os benefícios da atividade física? Sabe como reduzir os riscos de 
eventos cardiovasculares indesejáveis a partir de uma triagem pré-participação? 
Vamos realizar também uma atualização das recomendações de atividade física 
para a população geral (crianças, adolescentes, adultos e idosos), além de revisar 
os princípios utilizados para a prescrição do exercício físico. Isto é importante 
e será utilizado ao longo das demais unidades. 
Nas unidades seguintes, veremos como as doenças crônicas da obesidade, 
hipertensão arterial, diabetes melito, dislipidemias e síndrome metabólica se 
comportam na sociedade, em termos de ocorrência e distribuição (epidemio-
logia), causas e consequências (etiologia e fatores de risco), bem como as for-
mas de diagnóstico e tratamento, sabendo que o exercício físico é uma forma 
não-medicamentosa que pode contribuir para reduzir o impacto da doença e 
melhorar a qualidade de vida das pessoas.
Na última unidade, voltaremos ao início de tudo, a gestação. Compreende-
remos melhor como ocorre esse processo maravilhoso da natureza que provoca 
alterações anatômicas e fisiológicas bem como assimilar os benefícios, contra 
indicações e prescrição de exercício físico seguro para melhorar a saúde da 
própria gestante e dos recém-nascidos. 
É muito interessante, garanto-lhe! Vamos em frente! Boa leitura!
sumário
UNIDADE I
ASPECTOS CONCEITUAIS PARA A PRESCRIÇÃO DO 
EXERCÍCIO FÍSICO EM POPULAÇÕES ESPECIAIS 
14 Conceitos e termos
20 Benefícios da atividade física
23 Estratificação de riscos para a atividade física e 
exercícios
29 Recomendações gerais para a prática da atividade 
física
31 Princípios utilizados na prescrição de exercício 
físico
UNIDADE II
CONHECENDO, DIAGNOSTICANDO E TRATANDO O 
SOBREPESO E A OBESIDADE
52 Conceitos e epidemiologia da obesidade 
54 Etiologia, fatores de risco para a obesidade e con-
sequências à saúde
59 Ferramentas de diagnóstico do sobrepeso e obe-
sidade
62 Tratamentos da obesidade
64 Atividade física e prescrição de exercício físico na 
obesidade
UNIDADE III
DIABETES MELITO E HIPERTENSÃO ARTERIAL: EPIDE-
MIOLOGIA, DIAGNÓSTICO, TRATAMENTO E EXERCÍCIO
84 Epidemiologia do diabetes melito e da hiper-
tensão arterial
91 Etiologia, fatores de risco e consequências à saúde
97 Diagnóstico do diabetes melito e da hipertensão 
arterial
100 Tratamentos medicamentosos e não medica-
mentosos da diabetes melito e da hipertensão 
arterial
102 Prescrição do exercício físico para pessoas com 
diabetes melito e hipertensão arterial 
UNIDADE IV
DISLIPIDEMIAS E SÍNDROME METABÓLICA: DAS DEFINI-
ÇÕES À PRESCRIÇÃO DO EXERCÍCIO FÍSICO
124 Epidemiologia das dislipidemias e da síndrome 
metabólica 
128 Etiologia, fatores de risco e consequências à saúde
137 Diagnóstico das dislipidemias e síndrome me-
tabólica 
141 Tratamentos das dislipidemias e da síndrome 
metabólica 
144 Prescrição do exercício físico para pessoas com 
dislipidemias e/ou síndrome metabólica 
UNIDADE V
GESTAÇÃO E ATIVIDADE FÍSICA
164 Alterações anatômicas e fisiológicas durante a 
gestação
168 Benefícios da atividade física para gestantes
170 Contraindicações ao exercício físico em gestantes
172 Análise de risco para o exercício físico durante a 
gestação 
175 Prescrição da atividade física e exercícios durante 
a gestação e pós-parto 
Professor Dr. Luiz Rodrigo Augustemak de Lima
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta 
unidade:
• Conceitos e Termos
• Benefícios da Atividade Física
• Estratificação de Riscos para a Atividade Física e Exercícios
• Recomendações gerais para a prática da Atividade Física
• Princípios utilizados na prescrição de Exercício Físico
Objetivos de Aprendizagem
• Conhecer os conceitos e termos utilizados no campo da 
atividade e exercício físico.
• Descobrir os benefícios da prática regular de atividade 
física.
• Utilizar ferramentas para a estratificação dos riscos à 
atividade física.
• Conhecer as recomendações para a prática de atividade 
física em crianças, adolescentes, adultos e idosos.
• Utilizar os princípios básicos da prescrição do exercício 
para indivíduos saudáveis.
ASPECTOS CONCEITUAIS PARA A 
PRESCRIÇÃO DO EXERCÍCIO FÍSICO EM 
POPULAÇÕES ESPECIAIS 
unidade 
I
INTRODUÇÃO
D
esde os estudos realizados na década de 50, a atividade físi-
ca habitual tem se mostrado um potencial comportamen-
to, como parte do estilo de vida, que pode impactar positi-
vamente a vida das pessoas. As evidências, desde então, têm 
mostrado que a atividade física e o exercício físico podem prevenir o 
desenvolvimento de doenças crônicas, particularmente importantes para 
pessoas que fazem parte de grupos especiais. Com o avanço da ciência na 
área, a atividade física e exercício foram aplicados de forma semelhante 
aos medicamentos em populações com doenças crônicas estabelecidas, 
esperando uma “resposta” para determinada “dose”, representando um 
tratamento não-farmacológico.
Esta unidade irá tratar inicialmente dos conceitos e termos utilizados 
na área de prescrição de exercícios físicos para grupos especiais e com 
doenças crônicas. Posteriormente, serão tratados, resumidamente, os 
benefícios da prática regular de atividade física na população em geral. A 
unidade seguirá com a análise da estratificação de risco, principalmente 
cardiovascular, necessária à qualquer processo de avaliação e prescrição 
de exercícios, isso é, ainda, mais importante na atividade profissional com 
pessoas em grupos especiais e com doenças crônicas. Você conhecerá as 
recomendações atuais de atividade física, endossadas pela Organização 
Mundial da Saúde, para toda a população. 
A partir destesconhecimentos básicos, poderemos, então, apresentar 
os parâmetros utilizados na prescrição de exercícios físicos para a pop-
ulação geral. Isso é importante estabelecer no início da nossa conversa, 
pois, ao conhecer o processo padrão de prescrição, poderemos avançar às 
populações com características especiais, focalizando esforços e atenção 
necessários à estas pessoas.
14 
 
Conceitos 
e termos
Iniciaremos esta unidade, apresentando as defini-
ções operacionais sobre conceitos e terminologias, 
geralmente, utilizadas na prescrição de atividades 
físicas para pessoas com condições especiais de saú-
de. Primeiramente, é importante entender que uma 
condição especial de saúde é toda e qualquer con-
dição que requer orientações e cuidados especiais 
para o planejamento e execução da atividade física, 
exercício físico e esporte. Nesses aspectos, podemos 
considerar pessoas que vivem com doenças crônicas 
ou grupos especiais. 
As doenças crônicas incluem doenças do aparelho 
circulatório, respiratório, digestivo, nervoso, infecciosas, 
endócrinas, metabólicas e neoplasias (BRASIL, 2013), 
como é o caso de indivíduos que vivem com obesida-
de, hipertensão, diabetes e/ou dislipidemias. Os grupos 
especiais podem não ter limitações presentes, mas pos-
suem características físicas, fisiológicas e de capacidade 
funcional variáveis em função do ciclo da vida, como 
gestantes, crianças, idosos etc. (ACSM, 2016).
A atividade física é determinada como qualquer 
movimento corporal produzido pela contração do mús-
 15
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
Shephard e Stephens (1994) adicionam novos compo-
nentes morfológicos, como a densidade mineral óssea, 
componentes cardiovasculares (função pulmonar, fun-
ção cardíaca e pressão arterial) e metabólicos (tolerância 
à glicose, sensibilidade à insulina, metabolismo lipídico 
e características de oxidação de substratos). Isto amplia 
a compreensão sobre o efeito da atividade física e exercí-
cios no processo de saúde-doença das pessoas, tornando 
a discussão e o planejamento mais abrangentes.
É importante entender que a atividade física é com-
preendida, atualmente, como um comportamento que 
envolve movimento humano (GABRIEL et al. 2012), po-
dendo ser analisada em diferentes contextos do dia a dia, 
mas pode ser sistematizada e organizada para atingir um 
objetivo (exercício físico); isto pode resultar melhoria de 
produtos físicos e fisiológicos (aptidão física), que irá 
impactar diretamente a qualidade de vida, saúde e bem-
-estar dos indivíduos envolvidos, independentemente 
da idade, sexo ou condição especial de saúde (BOU-
CHARD; SHEPHARD; STEPHENS, 1994).
Tendo em vista a aplicação do exercício físico para 
pessoas com condições especiais de saúde, ele pode ser 
compreendido como uma terapia não-medicamentosa 
ou até mesmo auxiliar, complementando o tratamento 
medicamentoso contínuo exigido em diferentes do-
enças. Para que o exercício físico seja adequadamente 
prescrito, é importante visualizar a dose-resposta como 
analogia à terapia medicamentosa, ou seja, para o exercí-
cio físico a dose corresponde à quantidade, intensidade e 
frequência de exercício para provocar uma determinada 
resposta; enquanto a resposta pode ser aguda, subaguda 
ou crônica, como resultado de um programa de exercí-
cios físicos (exemplo: redução da pressão arterial sistóli-
ca em repouso) (HOWLEY; FRANKS, 2000). 
O Colégio Americano de Medicina do Esporte 
(American College of Sports Medicine [ACSM] em in-
glês) organizou as variáveis comumente utilizadas no 
culo esquelético e que eleva o consumo de energia, re-
sultando em gasto energético acima dos níveis de repou-
so (CASPERSEN et al., 1985). São atividades habituais 
que ocorrem no dia a dia dentro dos contextos do des-
locamento, trabalho, tarefas domésticas e do lazer, como: 
correr num parque, pular corda, jogar futebol com os 
amigos entre outros. 
Por sua vez, o exercício físico pode ser apontado 
como um subgrupo da atividade física, pois considera 
a intencionalidade do movimento. Assim, no exercício 
físico, o movimento é planejado, estruturado e repetitivo 
com o objetivo de melhorar ou manter um ou mais com-
ponentes da aptidão física (CASPERSEN et al., 1985). 
Temos como exemplo o tradicional exercício aeróbio, 
que reconhecidamente melhora a saúde cardiovascular, 
e o exercício de força, empregado no treinamento de 
atletas, para aperfeiçoar o seu rendimento esportivo. Os 
exercícios físicos devem ser descritos no início, em um 
programa que defina: (1) limiar, ou seja, o limite mínimo 
para atingir benefícios a saúde; (2) zona alvo de esforço 
físico; (3) variáveis aplicadas a prescrição do exercício 
físico; (4) demandas e objetivos (ACSM, 2016). 
Tradicionalmente, aptidão física tem sido definida 
como o conjunto de atributos que as pessoas possuem 
ou almejam ter em relação à sua capacidade em desem-
penhar esforço físicos (CARSTENSEN et al., 1985). Este 
conceito foi aplicado diretamente em relação à saúde e 
ao desenvolvimento de habilidades motoras relaciona-
das ao esporte. Portanto, a aptidão física relacionada à 
saúde é composta pela potência aeróbica máxima, força 
e resistência muscular, flexibilidade e composição cor-
poral. A aptidão física relacionada ao desempenho es-
portivo, por sua vez, além das variáveis relacionadas à 
saúde, inclui a velocidade, coordenação, agilidade, po-
tência, equilíbrio e tempo de reação (ACSM, 2016). 
Em uma perspectiva contemporânea da aptidão 
física, particularmente relacionada à saúde, Bouchard, 
16 
 
processo de prescrição de exercício físico, ou seja, na 
prescrição da “dose” de exercício. Assim, a prescrição 
de exercício físico ocorre a partir de princípios que são 
planejados para guiar a prática profissional, ajustados 
especificamente para que o indivíduo melhore o condi-
cionamento físico e a saúde. Estes princípios “FITT-VP” 
incluem a frequência, intensidade, tempo, tipo, volume e 
progressão e são utilizados para manipular a prescrição, 
com base na evidência científica acumulada (ACSM, 
2016). Embora haja certa variabilidade entre os indiví-
duos, nas respostas a um programa de exercícios com 
base no princípio FITT-VP, espera-se que haja benefí-
cios fisiológicos, psicológicos e de saúde (ACSM, 2016). 
Entre as variáveis FITT-VP, grande foco é dado à 
intensidade, intimamente relacionada à quantidade ou 
a dose de atividade física prescrita a um indivíduo. De 
forma geral, pode-se calcular a intensidade da atividade 
física e exercício por meio de três métodos:
2) Frequência cardíaca máxima.
1) Utilizando METs
(unidade de equivalente metabólico).
3) Consumo máximo de oxigênio de 
reserva. Ainda, a intensidade pode ser 
categorizada em muito leve, leve, 
moderada, vigorosa e máxima, tendo 
equivalentes a partir de diferentes
índices fisiológicos.
Figura 1 - Métodos para calcular intensidade da atividade física / Fonte: o autor.
 17
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
A tabela 1 apresenta um resumo das recomendações do Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM, 2016), 
para a análise da intensidade da atividade física e exercício físico baseada no consumo máximo de oxigênio (VO2 
máx), frequência cardíaca máxima (FC máx) e unidade de equivalente metabólico (MET).
Intensidade
Intensidade relativa
Intensidade absoluta*
VO2 R (%) - FCR (%) FCM (%) MET
Muito Leve <20 <50 < 3,2
Leve 20 a 39 50 a 63 3,2 a 5,3
Moderada 40 a 59 64 a 76 5,4 a 7,5
Vigorosa (forte) 60 a 84 77 a 93 7,6 a 10,2
Vigorosa (muito forte) 85 a 99 94 a 99 10,3 a 11,9
Máxima 100 100 12
Tabela 1 - Classificação da intensidade de atividade física / Fonte: adaptada de (ACSM, 2016).
VO2 R (%): percentual do consumo de oxigênio de reserva. FCR (%): percentual da frequência cardíaca de reserva.
FCM (%): percentual da frequência cardíaca máxima. MET: unidade de equivalente metabólico (1 MET=3,5 ml/kg/min.).
* a intensidade máxima absoluta pode variar em função da idade e de presença de doença, de 6 a 12 METS máximos.
Embora os valores expostos na tabela 1 sejamrela-
tivamente arbitrários, eles são amplamente usados 
na interpretação de atividades físicas e prescrição de 
exercícios físicos. A intensidade relativa é definida, 
utilizando-se um percentual da reserva de consumo 
máximo de oxigênio do indivíduo ou da reserva da 
frequência cardíaca (ACSM, 2016). A intensidade 
absoluta expressa a taxa de energia gasta durante o 
exercício e é medida por meio de uma unidade cha-
mada MET (do inglês, Metabolic Equivalent Task). 
Uma unidade de MET equivale a um consumo de 
3,5 ml/kg/min de oxigênio, que é o valor médio de 
repouso em adultos. Assim, quando um indivíduo 
realiza uma atividade física a 3 METs (3 x 3,5 ml/
kg/min), isto significa dizer que ele teve 3 vezes o 
consumo de oxigênio em repouso.
É possível consultar o valor de METs equivalente a 
uma série de atividades físicas e exercícios físicos atra-
vés do Compêndio de Atividades Físicas (FARINATTI, 
2003). Por exemplo, caminhar com o cachorro em um 
terreno plano corresponde a um gasto de 3,0 METs (ati-
vidade muito leve), já um jogo de futebol competitivo 
equivale a um gasto metabólico de 10,0 METs (atividade 
muito vigorosa). Com estes valores em mãos, torna-se 
possível estimar o gasto calórico total da atividade física 
e prescrevê-la com maior segurança.
Digamos que você prescreveu uma corrida de 30 mi-
nutos na esteira a 8 km/h a um indivíduo de 34 anos, com 
massa corporal de 75 kg e que, ao consultar o Compêndio 
de Atividades Físicas, encontrou o valor do equivalente me-
tabólico da corrida, igual a 8,0 METs. Para calcular o gasto 
calórico desta atividade, basta aplicar a seguinte fórmula:
18 
 
Gasto calórico = METs x 0,0175 x Tempo (min) x 
Massa Corporal (kg)
Gasto calórico = 8,0 METs x 0,0175 x 30 x 75
Gasto calórico = 315,0 kcal
Assim, esse indivíduo terá um gasto calórico de 315 kcal 
para realizar essa atividade física de corrida. Digamos, 
porém, que este mesmo indivíduo deseja reduzir peso 
corporal, para isso precisa aumentar o gasto calórico. Isso 
é possível mudando o tipo de atividade física como um 
exercício muito vigoroso de remo estacionário (200 W) 
com a mesma duração de 30 minutos, então, teria:
Gasto calórico = METs x 0,0175 x Tempo (min) x Mas-
sa corporal (kg)
Gasto calórico = 12,0 METS x 0,0175 x 30 x 75 
Gasto calórico = 472,5 kcal
Com isso, observamos que apenas mudando o tipo da ati-
vidade houve um aumento da intensidade e, consequen-
temente, um aumento no gasto energético total para o 
mesmo volume de atividade. Observe que o valor 0,0175 
é constante e representa a equivalência de 1 MET em kcal 
(FARINETTI, 2003). O método para determinar a inten-
sidade de uma atividade física e exercício, utilizando a fre-
quência cardíaca de reserva (FCR), é muito utilizado nas 
sessões de um programa de condicionamento físico.
 Para isso, é importante levar em conta que os nossos 
batimentos cardíacos (bpm/min) aumentam conforme 
aumenta a intensidade da atividade física (ACSM, 2007). 
Isso significa que o aumento dos batimentos é uma res-
posta cardiovascular às demandas da atividade física. 
Por muito tempo, considerou-se a equação de Karvo-
nen (220 – idade) para se estimar a frequência cardíaca 
máxima (FCM), contudo ela não tem mérito científico 
e possui erros substanciais de predição. Tanaka et al. 
(2001) realizaram uma meta-análise e propuseram uma 
equação alternativa para a estimativa da FCM, sendo: 
FCM= 208 - 0,7 * (idade), ou seja, um sujeito de 34 anos 
teria uma FCM teórica de 184 bpm.
O cálculo da FCR representa um avanço compara-
do a prescrição pela FCM, pois considera que indivídu-
os podem apresentar diferentes níveis de FC de repouso 
– o que pode ser interpretado como diferente níveis de 
aptidão física – sendo esta uma variação importante e 
significativa para a prescrição de exercícios, uma vez que 
indivíduos com menor FC em repouso possuem melhor 
condicionamento físico, comparados aos que possuem 
maiores valores. Por este motivo, a literatura ressalta 
que, para a prescrição da intensidade de atividades fí-
sicas e exercício utilizando o valor de FCR, é necessário 
levar em conta diferenças individuais em relação à FC 
de repouso.
Para calcularmos a FCR, basta subtrair o valor de 
repouso da FC máxima teórica. Assim, um sujeito de 34 
anos, com FC máxima de 184 bpm e FC de repouso de 
60 bpm, teria um FCR de 124 bpm. Usando a tabela 1 
e prescrevendo uma atividade física leve, calcularemos 
entre 20-39% deste valor como uma intensidade ótima 
de treino, ou seja, entre 25 a 49 bpm, somados aos va-
lores de FC de repouso (60 bpm), o que representaria a 
intensidade de 85 a 109 bpm. Assumindo outro exemplo 
para o mesmo sujeito, a intensidade vigorosa de ativida-
de física de 60 a 84% da FCR (tabela 1) representaria um 
esforço de 134 a 164 bpm.
A terceira possibilidade, para calcular a intensi-
dade da atividade física e exercício, é utilizarmos o 
consumo de oxigênio de reserva. Estes valores inter-
mediários do consumo de oxigênio, do repouso ao 
máximo, são obtidos ao longo de um teste ergoespi-
 19
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
rométrico, ou seja, com análise direta dos gases expi-
rados. Ao final de um teste ergoespirométrico ou de 
um teste indireto que permite a predição, obtém-se o 
consumo máximo de oxigênio (VO2 máx). Assumin-
do que o VO2 de reserva é relativamente constante de 
3,5 ml/kg/min, pode-se subtrair do VO2 máx. Ainda, 
considerando o exemplo anterior, caso o indivíduo 
tenha um VO2 máximo = 41,2 ml/kg/min.
VO2 máximo = (41,2 ml/kg/min – 3,5 ml/
kg/min)
VO2 reserva= 37,7 ml/kg/min
O ACSM (American College of Sports Medicine) é uma grande sociedade que 
produz conhecimento e promove certificações em diferentes expertises na 
área da saúde e do exercício físico, desde 1954. Na sua página oficial (ht-
tps://www.acsm.org/acsm-positions-policy/official-positions/ACSM-position-
-stands), há posicionamentos e diretrizes sobre a prescrição de exercício 
em diversas populações, como os grupos especiais e pessoas com doenças 
crônicas. Vale a pena acessar a página e conferir as últimas atualizações 
sobre esse tema! 
Fonte: o autor.
Para acessar, use o seu leitor de QR Code.
A partir do VO2 reserva as intensidades de exercício 
físico de muito leve à vigorosa ou máxima podem ser 
calculadas da mesma maneira que foi realizada para 
a FCR. Em exemplo, comparativo a FCR do mesmo 
sujeito, os valores de VO2 reserva de intensidade mui-
to leve seriam de 11,0 a 18,2 ml/kg/min e de intensi-
dade vigorosa seria de 26,1 a 35,2 ml/kg/min. 
Todas essas estimativas de intensidade relati-
va são importantes o controle do exercício físico e 
para que a integridade física do indivíduo não seja 
exposta aos riscos de eventos súbitos, durante a prá-
tica da atividade física prescrita por você. 
https://www.acsm.org/acsm-positions-policy/official-positions/ACSM-position-stands
https://www.acsm.org/acsm-positions-policy/official-positions/ACSM-position-stands
https://www.acsm.org/acsm-positions-policy/official-positions/ACSM-position-stands
http://
20 
 
Os benefícios da prática da atividade física para a saú-
de, independentemente da faixa etária do indivíduo, 
estão amplamente documentados (WARBURTON 
et al. 2006; ACSM, 2016). Pesquisa epidemiológica já 
demonstrou que atividade física insuficiente, aliada 
à alimentação inadequada, é prejudiciail, sendo a se-
gunda causa de morte nos Estados Unidos e a quarta 
no mundo (RODGERS et al. 2004). Em geral, prati-
car atividades físicas regularmente diminui o risco de 
mortalidade por doenças cardiovasculares, além de 
demonstrar um efeito protetor sobre diversas comor-
bidades (ACSM, 2016).
Investigações conduzidas a partir de estudos pros-
pectivos apontam que os benefícios da atividade física, 
realizada no contexto do lazer, estão associados ao menor 
risco de desenvolver hipertensão, doenças coronarianas, 
diabetes tipo II, câncer de mama e obesidade (WARBUR-
TON et al., 2006; ACSM, 2016). O Quadro 1 sumariza os 
principais benefícios relacionados à atividade física,de 
acordo com a força das evidências disponíveis.
Benefícios da 
atividade física
 21
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
Evidências Fortes
- Mortalidade
- Doença arterial coronariana
- Infarto do miocárdio
- Hipertensão arterial sistêmica
- Diabetes tipo II
- Síndrome metabólica
- Câncer do colo 
- Câncer de mama
- Ganho de peso
+ Aptidão muscular 
+ Aptidão cardiorrespiratória
- Risco de quedas
- Função cognitiva
Evidências Fortes a Moderadas
+ Função física
- Gordura abdominal
- Dislipidemias
Evidências Moderadas
- Fraturas no quadril
- Câncer de pulmão
- Câncer de útero
+ Promove a manutenção do peso
+ Densidade óssea
+ Melhora do sono
- Depressão
- Ansiedade
Quadro 1 - Benefícios da prática regular de atividade física / Fonte: 
adaptado de Usdhhs (2008) e ACSM (2016).
Mesmo que as evidências apontem que uma vida ativa 
traz benefícios à saúde, a relação dose-resposta ainda 
não está bem estabelecida. Parte do motivo ocorre por-
que o efeito da atividade física varia conforme o desfe-
cho analisado (exemplo: mmHg da pressão arterial ou 
mg/dL da glicemia), o tipo, volume e intensidade da ati-
vidade física. As inter-relações entre tais componentes 
da atividade física contribuem para a complexidade das 
análises de dose-resposta. Por exemplo, a atividade física 
de intensidade leve (aproximadamente 3 METs) pode 
contribuir para a melhora no bem-estar geral, porém 
pode não ser suficiente para redução do peso corporal. 
Sendo assim, percebe-se que os benefícios da ati-
vidade física são diretamente relacionados ao desfecho 
analisado. Um estudo recente, que envolveu 1.461 adul-
tos de Curitiba-PR, corrobora com essa ideia. Ao anali-
sar a relação entre diferentes intensidades de atividade 
física (caminhada, AF moderada e AF vigorosa) com 
os escores de qualidade de vida, observou-se que existe 
uma relação específica entre cada intensidade de ativi-
dade física e os domínios da qualidade de vida, como a 
“vitalidade”, a “saúde mental” e a “função física” (PUCCI 
et al., 2012). Assim, é plausível pensar que a relação entre 
a dose e a resposta na melhora dos domínios da qualida-
de de vida é específico à intensidade da atividade física.
Em outro estudo, prospectivo, com 14.343 adultos, foi 
encontrada uma relação de dose-resposta entre melhores 
índices de aptidão cardiorrespiratória e o menor risco de 
sinais e sintomas de depressão (SUI et al., 2009). Os re-
sultados mostraram que homens com aptidão cardior-
respiratória moderada obtiveram uma redução em 31% 
no risco de depressão e naqueles com elevada aptidão a 
redução foi de 51%. Entre as mulheres também houve um 
importante efeito protetor de 44% e 54%, para aptidão 
cardiorrespiratória moderada e elevada, respectivamente. 
Demonstrando a dose-resposta, desta vez, entre aptidão 
física (produto da atividade física) e saúde mental.
Ainda, estudos indicam que mesmo atividades físi-
cas de intensidade leve já produzem benefícios para a 
saúde. Uma revisão sistemática com 27 ensaios clínicos 
randomizados demonstrou o potencial da atividade fí-
sica leve, no controle de níveis pressóricos em adultos, a 
partir da caminhada regular; contudo, também ressalta-
-se que os benefícios aumentam à medida que a intensi-
dade da caminhada aumenta (LEE et al., 2010). 
A importância de sabermos sobre a relação de dose-
-resposta é obter o conhecimento da mínima quantida-
de de atividade física necessária para atingir benefícios à 
saúde e, assim, prescrever orientações à população geral. 
22 
 
A partir das evidências disponíveis, órgãos internacio-
nais passaram a orientar a adoção de comportamentos 
ativos e a propor guias de orientação sobre a quantidade 
necessária para melhora da saúde em diferentes faixas 
etárias (ACSM, 2016). Atualmente, recomenda-se que 
adultos acumulem no mínimo 30 minutos de atividade 
física de intensidade moderada a vigorosa na maioria 
dos dias da semana, de preferência todos os dias. Alter-
nativamente, os adultos podem realizar 25 minutos de 
atividade física de intensidade vigorosa, pelo menos três 
vezes na semana. Recomenda-se também que as ativida-
des físicas incluam exercícios de força e de flexibilidade, 
além dos exercícios aeróbicos (WHO, 2010).
Esse conhecimento sobre atividade física e exercí-
cio físico é especialmente importante para a prática do 
profissional de Educação Física com pessoas em condi-
ções especiais de saúde (com doenças crônicas ou gru-
pos especiais). O Ministério da Saúde recomenda que 
as doenças crônicas requerem intervenções associadas 
à mudanças de estilo de vida, em um processo de cui-
dado contínuo e que nem sempre leva à cura (BRASIL, 
2013). Portanto, é necessário compreender que o uso da 
atividade física e exercício, entre outras habilidades e 
competências, para promover saúde e prevenir doenças, 
pode ocorrer de forma primária e secundária, como de-
monstra o Quadro 2. 
Prevenção Primária de complicações à Saúde
Promoção da prática de atividade física e esportes assim como elevados níveis de aptidão física, para prevenir o 
surgimento doenças. 
Identificação da presença fatores de risco, definição das variáveis e padrões de atividades adequados para os 
indivíduos, minimizando riscos associados à prática de exercícios físicos e contribuindo para potencializar seus 
resultados positivos.
Prescrição do exercício físico, orientação e supervisão .
Desenvolvimento de aptidão cardiorrespiratória, força e resistência muscular, flexibilidade, equilíbrio e habilida-
des motoras.
Prevenção Secundária de complicações à Saúde
Promoção da prática de atividade física, assim como melhorar níveis de aptidão física, pode prevenir complica-
ções secundárias às doenças crônicas pré-existentes. 
Realizar triagem de saúde e identificar de fatores de riscos cardiovasculares, podendo ser necessária a consulta 
médica e liberação antes da prescrição e aplicação de atividades físicas e exercícios físicos.
Atentar aos efeitos dos medicamentos sobre a função física e fisiológicas, história clínica do indivíduo e ao esta-
do clínico atual.
A execução cuidadosa dos exercícios, potencialmente, reduzirão os agravos da doença e promoverão benefícios 
psicológicos e de qualidade de vida.
Quadro 2 - Prevenção primária e secundária de complicações à saúde / Fonte: adaptado de Warburton et al. (2006) e Silva (2010).
 23
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
Considerando que a avaliação física, necessária à pres-
crição de exercício físico, inclui testes dinâmicos que ex-
põe o indivíduo ao desconforto físico e riscos cardiovas-
culares inerentes ao exercício de intensidade moderada 
à vigorosa, o ACSM recomenda a estratificação de risco, 
previamente, e a Sociedade Canadense de Fisiologia do 
Exercício recomenda, pelo menos, o uso do PAR-Q & 
YOU para determinar a prontidão do indivíduo. 
O PAR-Q & YOU é um questionário bastante sim-
ples para identificar doenças diagnosticadas ou motivos 
que possam ser agravados pela prática de atividade físi-
ca. Neste instrumento, há sete questões sobre o histórico 
médico que o indivíduo deve responder antes de iniciar 
qualquer prática de atividade física. Caso o indivíduo 
responda “sim” para alguma das questões será prudente 
conversar com um médico antes se tornar mais ativo fi-
sicamente. Contudo, caso as respostas sejam “não”, você 
poderá ter segurança em aumentar os níveis de ativi-
dade física do seu cliente. O formulário PAR-Q & YOU 
está disponível na Figura 2.
Estratificação de riscos para 
a atividade física e exercícios
24 
 
A estratificação de risco do ACSM representa uma 
abordagem mais complexa e aprofundada que permite 
análise de doenças diagnosticadas (cardiovasculares, 
pulmonares, metabólicas e renais), dos sinais evidentes 
ou sintomas sugestivos ou sobre a presença de fatores de 
risco para estas doenças (ACSM, 2016). Isto representa 
um grande auxílio ao profissional de Educação Física no 
planejamento de uma prescrição segura. A estratificação 
de riscos é nada mais do que uma classificação inicial 
de risco para a atividade físicacom base na triagem que 
pode estar em conjunto com a anamnese numa Triagem 
Pré-Participação. Os objetivos desta triagem incluem: 
• Identificação dos indivíduos que correm um 
maior risco de serem acometidos por doença 
em virtude da idade, dos sintomas e/ou fatores 
de risco e que deveriam ser submetidos a uma 
avaliação funcional.
• Identificação dos indivíduos com contraindica-
ções médicas para o exercício.
• Identificação de pessoas com doenças clinica-
mente significativas, que deveriam participar de 
um programa de atividade física supervisionado.
• Identificação dos indivíduos com outras necessi-
dades especiais.
 25
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
Figura 2 - Questionário PAR-Q & YOU em idioma português / Fonte: ACSM (2016, p. 23). 
Questionário sobre prontidão
para a Atividade Física (PAR-Q)
(revisado em 2002)
(Um questionário para pessoas com idade entre 15 e 69 anos)
PAR-Q e Você
A atividade física regular é divertida e saudável, e cada vez mais, pessoas começam a se tornar mais ativas, todos os dias. Ser mais ativo 
é muito seguro para a maioria das pessoas. Entretanto algumas pessoa devem consultar seus médicos, antes de começar a
ser mais fisicamente ativas.
Se planeja tornar-se muito mais ativo do que atualmente, comece respondendo às sete perguntas a seguir. Se sua idade estiver entre
15 e 69 anos, o PAR-Q dirá se você deve consultar um médico antes de começar. Se tiver mais de 69 anos de idade e não está
acostumado a ser muito ativo, consulte seu médico.
o BOM SENSO é o seu melhor guia para responder a essas perguntas. Por favor, leia cada pergunta cuidadosamente e responda
honestamente: marque SIM ou NÃO.
1. Seu médico alguma vez já disse que você tem uma doença cardíaca e que você deveria fazer
apenas as atividades físicas recomendadas por ele?
2. Você sente dor no peito quando realiza uma atividade física?
3. No último mês, você sentiu dor no peito quando não estava fazendo atividade física?
4. Você perde seu equilíbrio por causa de tonturas ou você já perdeu a consciência alguma vez?
5. Você tem algum problema ósseo ou de articulação (exemplo: nas costas, no joelho ou no quadril)
que poderia piorar por uma alteração na sua atividade física?
6. Seu médico atualmente lhe receitou remédios (exemplo: diuréticos) para a sua pressão arterial 
ou doença cardíaca?
7. Você sabe de qualquer outro motivo que o(a) impede de fazer atividade física?
 
 
SIM NÃO
SE VOCÊ RESPONDEU SIM A UMA OU MAIS PERGUNTAS
Fale com seu médico por telefone ou pessoalmente ANTES de começar a ser tornar muito mais ativo fisicamente ou
ANTES de passar por uma avaliação de aptidão. Fale com seu médico sobre o pAR-Q e sobre as questões em que
você marcou SIM.
• Você pode ser capaz de fazer qualquer atividade que deseje, desde que comece lentamente e aumente
gradualmente. Ou você pode restringir suas atividades apenas para aquelas que são seguras.
Fale com seu médico sobre os tipos de atividades de que deseja participar e siga seus conselhos
• Descubra quais programas comunitários são seguros e podem ajudar você
NÃO A TODAS AS QUESTÕES
Se você respondeu honestamente NÃO a todas as perguntas do 
PAR-Q, você pode ter certeza suficiente de que pode:
• Começar a ser muito mais fisicamente ativo, comece devagar e 
aumente gradualmente. Esse é o caminho mais seguro e fácil de 
seguir.
• Participe de uma avaliação de aptidão, esse é um modo excelente 
de determinar sua aptidão básica e você pode planejar a melhor 
maneira de viver ativamente. Também é altamente recomendável 
que você passe por uma avaliação da sua pessão arterial. Se a sua 
estiver acima de 14/9 , fale com seu médico antes de começar a ser 
muito ativo fisicamente.
Atrase o início de se tornar muito mais 
�sicamente ativo:
• Se você não estiver se sentindo bem por 
causa de uma doença temporária como 
uma gripe ou resfriado, espere até se 
sentir melhor.
• Se você está ou pode estar grávida, fale 
com seu médico antes de se tornar ativa.
Observação: se a sua condição de saúde
mudar de modo que passe a responder sim
a qualquer das perguntas anteriores,
consulte o profissional de Educação Física
ou de Saúde. Pergunte se você deve
modificar o seu planejamento de atividade
física.
Uso informado do PAR-Q: a Sociedade Canadense de Fisiologia do Exercício, a Saúde do Canadá e seus agentes não assumem 
responsabilidade por aqueles que realizarão atividade física e , se estiver em dúvida após completar este questionário, consulte 
seu medico antes da atividade física
Não são permitidas modi�cações. Você é encorajado a fotocopiar o PAR-Q., mas apenas se utilizar o formulário 
completo.
Observação: se o PAR-Q estiver sendo dado a uma pessoa antes de sua participação em um programa de atividade física ou 
uma avaliação de aptidão, esse trecho pode ser utilizado para propósitos legais ou administrativos.
“Eu li, entendi e completei este questionário. Quaisquer perguntas que tinha foram respondidas até meu esclarecimento.”
NOME:_____________________________________________________________________________
ASSINATURA:________________________________________________________________________
ASSINATURA DO PAI:__________________________________________________________________
OU RESPONSÁVEL (para participantes menores de idade)
DATA:________________________________________
TESTEMUNHA:_________________________________
Observação: essa avaliação de atividade física é válida por um período máximo de 12 meses, a partir da data em que
foi completada e se torna inválida se sua condição se alterar e passar a responder SIM a qualquer uma de suas 
sete perguntas.
26 
 
A Triagem Pré-participação é fundamental e não pode 
ser ignorada: a anamnese – palavra de origem grega, que 
significa recordar. Trata-se de um questionário semies-
truturado em conhecimentos científicos e que represen-
ta uma importante etapa na coleta de informações clíni-
cas e de hábitos. Os itens essenciais para uma anamnese 
objetiva e eficiente incluem:
• Dados pessoais (sexo, idade).
• Dados cadastrais (endereço, telefone, e-mail).
• Dados de ocupação (profissão, horário de traba-
lho, turno).
• Dados de saúde (tipo sanguíneo, consulta médi-
ca nos últimos 6 meses, doenças diagnosticadas).
• Prática de atividade física (frequência e duração 
da atividade física).
• Sintomas (dor no peito, falta de ar, uso de medi-
camentos contínuo).
• Fatores de risco para desenvolvimento de do-
ença cardiovascular (sexo, idade, hereditarieda-
de, colesterol, hipertensão, obesidade, diabetes, 
fumo, sedentarismo, dislipidemia, hipertensão 
arterial sistêmica)
• Cirurgia prévia (realizou ou irá realizar alguma?).
• Limitações ósteo-articulares (lesões, fraturas).
• Limitações músculo-articulares (tipo e localização).
• Gravidez.
• Qualidade do sono e horas de sono por noite.
A partir das informações acima, o profissional de Educa-
ção física poderá ter um panorama abrangente da histó-
ria do seu cliente. Por meio da Triagem Pré-participação, 
também, é possível identificar a necessidade de um ates-
tado médico de liberação para a prática de atividade física, 
o que garante maior segurança ao cliente e ao profissio-
nal. Ademais, entende-se que esse procedimento pode 
colaborar para a conscientização dos praticantes sobre 
a necessidade de monitoramento da saúde por meio de 
exames periódicos, principalmente, em indivíduos que 
apresentam sintomas ou fatores de risco (SILVA, 2010).
A estratificação de risco cardiovascular, como pre-
conizada pelo ACSM (2016), baseia-se num algoritmo 
que se inicia pela identificação de doenças diagnostica-
das, seguida pela análise de sinais e/ou sintomas e fina-
liza-se pela análise de fatores de riscos cardiovasculares.
Portanto, inicialmente, o profissional buscará ques-
tionar o seu cliente sobre doenças diagnosticadas pre-
viamente, como as cardiovasculares (doença cardíaca, 
vascular periférica, cerebrovascular), as pulmonares 
(doença pulmonar obstrutiva crônica, asma, doença 
pulmonar intersticial, fibrose cística), as metabólicas 
(diabetesmelito), as renais, hepáticas ou na tireoide. 
Em caso de doença diagnosticada, como as anteriores, o 
indivíduo é considerado de “risco alto”. No caso das do-
enças estarem ausentes, são investigados os seus sinais 
e sintomas, pois, geralmente demonstram que a doença 
pode existir de forma oculta. Para isto, são considerados 
os parâmetros a seguir:
• Dor, desconforto (ou outro equivalente angino-
so) no tórax, pescoço, mandíbula, braços ou ou-
tras áreas que se relacionam a isquemia.
• Falta de ar em repouso ou em pequenos esforços.
• Ortopnéia (falta de ar deitado) ou falta de ar no-
turna.
• Síncope (desmaio) ou tontura.
• Edema maleolar.
• Palpitação ou taquicardia.
• Claudicação intermitente.
• Sopro cardíaco.
• Fadiga excessiva ou falta de ar com atividades 
usuais.
 27
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
Na presença de sinais ou sintomas de doença oculta, o 
indivíduo é considerado de “risco alto”. Em caso negativo, 
há o aprofundamento sobre os fatores de risco. Um fator 
de risco em saúde é qualquer situação que aumenta a pos-
sibilidade de um indivíduo vir a desenvolver determina-
2. Histórico familiar: infarto do miocárdio ou revascularização coronariana ou morte súbita, antes dos 55 anos de idade 
do pai ou de outro parente de primeiro grau do sexo masculino (irmão ou �lho) ou antes dos 65 anos de idade da mãe ou 
de outro parente do primeiro grau do sexo feminino (irmã ou �lha).
4. Hipertensão arterial sistêmica: pressão arterial sistólica ≥ 140 mmHg e/ou a diastólica ≥ 90 mmHg, con�rmadas por 
mensurações feitas pelo menos em 2 ocasiões diferentes ou indivíduos com hipertensão que fazem uso de medicação 
anti-hipertensiva.
5. Dislipidemia: colesterol total ≥ 200 mg/dL ou lipoproteína de baixa densidade (LDL colesterol) ≥ 130 mg/dL ou 
lipoproteína de alta densidade (HDL colesterol) < 40 mg/dL ou fazer uso regular de medicação para reduzir o nível do 
colesterol. Para esses exames, considerar os últimos 12 meses, sem haver mudanças signi�cativas no estilo de vida.
6. Diabetes: glicose sanguínea em jejum alterada ≥ 100 mg/dL, con�rmada em pelo menos 2 ocasiões diferentes ou 
glicemia, mas em uso de medicação hipoglicemiante. Considerar os últimos 12 meses, sem haver mudanças signi�cativas 
no estilo de vida.
7. Obesidade: a partir das medidas de massa corporal e estatura, calcular o índice de massa corporal (IMC) pela equação 
(IMC = massa corporal / estatura ²). Fator de risco se o IMC ≥ 30 Kg/m² ou perímetro da cintura > 102 cm (masculino) e > 88 
cm (feminino) ou, ainda, razão cintura/quadril ≥ 0,95 (masculino) e ≥ 0,86 (feminino).
8. Estilo de vida: refere-se aos hábitos das pessoas, especi�camente sobre a participação em programas regulares de 
exercícios (≥ 6 meses) ou atendimento às recomendações de pelo menos 30 minutos de atividade física moderada ou 
vigorosa na maioria dos dias da semana.
3. Tabagismo: fumantes de cigarros (tabaco, cachimbo, charuto ou cigarro de palha) ou ex-fumantes com menos de seis 
meses de interrupção.
1. Idade: ≥ 45 anos (masculino) ou ≥ 55 anos (feminino)
Figura 3 - Fatores de risco para doenças cardiovasculares / Fonte: o autor.
da doença. A importância em conhecer os fatores de risco 
está na possibilidade de modificá-los, quando possível, e 
assim diminuir a ocorrência de determinada doença. Os 
principais fatores de risco para o desenvolvimento da do-
ença cardiovascular elencados pelo ACSM são:
28 
 
Os fatores de risco mencionados podem ser iden-
tificados a partir de uma anamnese detalhada. 
Coletadas estas informações, podemos categori-
zar o nível do risco para prática de exercícios físi-
cos (alto, médio ou baixo). O ACSM (2016) esta-
beleceu as definições relacionadas ao risco para a 
realização de exercício físico, conforme registrado 
na Tabela 2.
Categorias da Estratificação de Risco Fatores de risco
Baixo risco
Homens com menos de 45 anos e mulheres com menos de 55 anos 
assintomáticos, que apresentam no máximo um fator de risco para de-
senvolvimento de doença cardiovascular.
Moderado risco
Homens com 45 anos ou mais, mulheres com 55 anos ou mais ou aque-
les que apresentam 2 ou mais fatores de risco para desenvolvimento de 
doença cardiovascular.
Alto risco
Indivíduos com um ou mais sinais ou sintomas sugestivos de doença 
cardiovascular e pulmonar ou com doença cardiovascular, pulmonar ou 
metabólica conhecida.
Quadro 3 - Critérios de estratificação de risco para a prática de atividade física / Fonte: adaptado de ACSM (2016).
A estratificação de risco permite que o profissional 
possa prescrever a intensidade e o volume de atividade 
física de modo individualizado e dentro dos padrões 
de segurança. Deste modo, indivíduos com baixo ris-
co estão aptos a desenvolver atividades de intensidade 
moderada e vigorosa. Indivíduos com risco moderado 
podem realizar atividades leves e moderadas. Indiví-
duos com alto risco necessitam de uma ampla avalia-
ção médica e orientação individualizada sobre o pro-
grama de atividade física, geralmente, uma atividade de 
intensidade leve. 
Para finalizar este tópico, vale destacar a importân-
cia do Termo de Consentimento para Prática de Ativi-
dade Física, em que o aluno dá ciência de que recebeu 
as orientações sobre os riscos e benefícios da atividade 
física, mesmo que não isenta a responsabilidade do pro-
fissional em prescrever o exercício adequadamente e de 
maneira individualizada.
 29
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
A Organização Mundial da Saúde (OMS) é a nossa refe-
rência sobre as recomendações de atividades físicas para 
toda a população. Embora haja recomendações específi-
cas para cada fase no ciclo da vida, por diversos órgãos, 
desde 2010, a OMS é rotineiramente citada. De forma 
geral, acumular maiores volumes de atividade física re-
presentará benefícios adicionais, contudo realizar qual-
quer volume de atividade física já é importante à saúde. 
Como vimos anteriormente, mesmo uma simples cami-
nhada já confere benefícios à saúde. A seguir serão des-
critas as recomendações atuais para a prática de ativida-
de física, de acordo com o ciclo da vida (WHO, 2010).
As recomendações específicas para crianças e ado-
lescentes (5 a 17 anos) indicam a necessidade de realizar 
60 minutos (1 hora) ou mais de atividade física diária. As 
atividades, em maior parte, devem ser aeróbias, de inten-
sidade moderada ou vigorosa, e devem incluir ativida-
des de intensidade vigorosa, por pelo menos 3 dias por 
semana. Para crianças e adolescentes, é muito impor-
tante o fortalecimento muscular, a partir de atividades e 
Recomendações gerais para 
a prática da atividade física
30 
 
brincadeiras que demandem força muscular, como cabo 
de guerra entre outras que solicitem esforços de empur-
rar, tracionar e/ou sustentar o peso corporal. Isto deve 
ocorrer como parte dos 60 ou mais minutos diários de 
atividade física. Porém o fortalecimento muscular deve 
compreender pelo menos 3 dias da semana.
Tendo em vista o momento ótimo, que crianças e 
adolescentes passam em termos de desenvolvimento do 
pico de massa óssea, atividades que fortaleçam os ossos, 
a partir de movimentos com sobrecarga muscular ou 
gravitacional (com impacto nas articulações) devem fa-
zer parte de seus 60 ou mais minutos diários de atividade 
física ou, pelo menos, em 3 dias da semana. Sobretudo, 
as atividades físicas para crianças e adolescentes devem 
ser apropriadas, divertidas e agradáveis para sua idade. 
As recomendações de atividade física para adultos 
(18 a 64 anos) incluem realizar pelo menos 150 minutos 
(2 horas e 30 minutos) de atividade física por semana de 
intensidade moderada ou 75 minutos (1 hora e 15 minu-
tos) por semana de atividade física de intensidade vigo-
rosa. A atividade aeróbica deve ser realizada em blocos 
contínuos de, pelo menos 10 minutos e, de preferência, 
deve ser na maior parte dos dias da semana. Para benefí-
cios adicionais à saúde, os adultos devem aumentar suas 
atividades físicas de intensidade moderada para 300 mi-
nutos (5 horas) por semana ou uma combinaçãoequiva-
lente à moderada e intensidade vigorosa. Ainda, os adul-
tos, também, devem fazer atividades de fortalecimento 
muscular que envolvem os grandes grupos musculares 
em dois ou mais dias por semana.
As recomendações para pessoas idosas (adultos 
com 65 anos ou mais) são semelhantes às orientações 
aos adultos, ou seja, de realizar pelo menos 150 minutos 
(2 horas e 30 minutos) de atividade física por semana de 
intensidade moderada ou 75 minutos (1 hora e 15 minu-
tos) por semana de atividade física de intensidade vigo-
rosa. Quando o idoso não conseguir fazer 150 minutos 
por semana de atividade física aeróbias e de força devi-
do a alguma limitação física ou fisiológica, eles devem 
ser tão ativos fisicamente quanto as suas capacidades e 
condições permitirem. De forma complementar, idosos 
devem fazer exercícios que mantenham ou melhorem o 
equilíbrio e diminuam o risco de queda. Sabendo que 
alguns indicadores fisiológicos estarão alterados devido 
o avanço da idade, os idosos devem determinar seu ní-
vel de percepção de esforço. Para idosos com doenças 
crônicas, deve-se, inicialmente, entender como as suas 
condições de saúde afetam a sua capacidade de realizar 
atividade física regular de forma segura.
 31
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
Em geral, um programa de exercício físico deve conside-
rar os princípios básicos do treinamento desportivo: (1) 
sobrecarga que se refere ao “uso cumulativo aumenta a 
capacidade funcional”; (2) especificidade que reside em 
“efeitos específicos ao exercício e músculos envolvidos”; 
(3) variabilidade que consistem em “variação em um ou 
mais componentes para manter o estímulo”. Há outros 
princípios que são considerados como a reversibilidade, 
individualidade biológica, segurança e fatores comporta-
mentais. O programa também deve considerar o grau de 
experiência e proficiência do sujeito para realizar as ativi-
dades bem como as demandas e objetivos do indivíduo e, 
em termos gerais, adequado para a promoção da saúde.
O processo de sistematização de programas de 
exercícios físicos numa sessão tem diferentes partes, 
a saber:
Princípios utilizados na 
prescrição de exercício físico
32 
 
Figura 4 - Sistematização de programas de exercícios físicos
1) AQUECIMENTO: 
de 5 a 10 minutos, de intensidade baixa a moderada
(20 a 50% do VO2 máx), de exercícios aeróbicos submáximos. 
2) SESSÃO DE CONDICIONAMENTO FÍSICO: 
de 20 a 60 minutos, de exercícios. 
3) RESFRIAMENTO:
de 5 a 10 minutos, de intensidade moderada. 
4) FLEXIBILIDADE (COMPLEMENTAR):
em cerca de 10 minutos, de exercícios de alongamento (ACSM, 2016). 
Como já vimos anteriormente, em uma sessão de con-
dicionamento físico, os princípios FITT-VP (frequên-
cia, intensidade, tempo, tipo, volume e progressão) são 
os parâmetros recomendados pelo ACSM (2016) para a 
prescrição do exercício físico. 
O exercício físico aeróbio é o tipo de exercício mais 
bem documentado na literatura e utilizado para a pres-
crição. Ele é caracterizado por esforços físicos que sobre-
carregam o coração e o sistema respiratório, que utilizam 
grandes grupos musculares e que tenham contrações 
musculares de forma ritmada e contínua (ACSM, 2016). 
Obviamente, isto depende de uma integração dos siste-
mas pulmonar, cardiovascular e hematológico para que 
os mecanismos de captação, entrega e oxidação no mús-
culo possam utilizados em exercício. A duração maior 
que 30 segundos até 4 horas torna os sistemas aeróbios 
de produção de energia predominantes para uma diver-
sidade de esportes. 
Os exercícios físicos aeróbios podem ser realizados 
em modos contínuos ou descontínuos. O exercício aeró-
bio contínuo é um bloco realizado em intensidades baixas 
a moderadas, sem intervalos de descanso. Exercício aeró-
bio descontínuo (intervalado) consiste em vários blocos 
intermitentes de exercício de baixa à alta intensidade, in-
tercalados com períodos de descanso. Ambos os tipos de 
exercícios aeróbios produzem melhorias significativas no 
VO2 max, mas a pesquisa sugere que quando o volume de 
exercício é controlado, o treinamento de intervalo de re-
sistência de alta intensidade (90–95% FCmax; 95% VO2R) 
melhora o VO2 máx mais do que contínuo, intensidade 
moderada (70% FCmax; 50% VO2 R) treinamento físico 
aeróbico em adultos saudáveis. No entanto há uma preo-
 33
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
cupação com alta intensidade, treinamento intermitente é 
a possibilidade esgotamento do exercício, principalmente 
em pessoas com condições especiais de saúde. Há relatos 
que a taxa de abandono de adultos em um programa de 
treinamento intervalado de alta intensidade (descontí-
nua) foi duas vezes maior do que em um programa contí-
nuo de corrida (HEYWARD; GIBSON, 2014).
A prescrição de exercício físico aeróbio tem melho-
ra inquestionável de indicadores de saúde da população 
geral. Como vimos anteriormente, o ACSM (2016) re-
comenda que a prescrição possa ocorrer pelo método 
do VO2, a frequência cardíaca (máximo ou reserva) ou 
equivalente metabólico (MET). 
Os exercícios de força (também chamados de exer-
cícios resistidos) têm sido, extensivamente, utilizados na 
prescrição de um programa geral de condicionamento 
físico. A prescrição do exercício resistido para o aprimo-
ramento da força tem, principalmente, como parâmetro 
de sobrecarga o percentual de 1-RM, sendo que a faixa 
ideal para a manutenção de força e resistência de força 
é de 60 a 84%, essa sobrecarga corresponde entre 8 a 12 
repetições. Entretanto a sobrecarga pode variar, depen-
dendo do nível de experiência com exercícios de força e 
da idade. Como visto anteriormente, a OMS (2010) re-
comenda este tipo de atividade física para grandes gru-
pos musculares. 
Os quadros a seguir apresentam os parâmetros FIT-
T-VP para a prescrição de exercícios em crianças e ado-
lescentes (Quadro 4), adultos (Quadros 5 e 6) e idosos 
(Quadro 7) baseado em Garber et al. (2011).
Exercícios Aeróbios
Frequência Diária
Intensidade A maior parte deve ser exercício aeróbico de intensidade, de moderada à vigorosa.A intensidade vigorosa deve ser incluída pelos menos 3 vezes na semana.
Tempo ≥ 60 minutos por dia.
Tipo Atividades físicas aeróbica agradáveis e adequadas ao desenvolvimento, incluindo caminhada rápida, corrida, natação, dança, ciclismo.
Exercícios de Fortalecimento Muscular
Frequência ≥ 3 dias por semana.
Tempo Parte dos 60 minutos diários ou mais de exercício.
Tipo Atividades não estruturadas (brincar em playground, escalar árvore, entre outras) ou estrutura-das (exercícios com pesos, bandas elásticas).
Exercícios de Fortalecimento Ósseo
Frequência ≥ 3 dias por semana.
Tempo Parte dos 60 minutos diários ou mais de exercício.
Tipo Atividades com sobrecarga gravitacional (saltos e impactos) ou tensional (exercícios com pesos).
Quadro 4 - Recomendações de exercícios físicos para crianças e adolescentes baseados em evidências.
Fonte: adaptado de ACSM (2016) e Garber et al. (2011).
Programas de exercícios físicos para crianças e ado-
lescentes devem considerar particularidades dos pro-
cessos de crescimento e desenvolvimento físico, como 
mudanças em tamanho e evolução dos sistemas car-
diovascular e neuromuscular e de composição corpo-
ral. As atividades físicas devem ter foco multilateral 
34 
 
(BOMPA, 2002), ou seja, uma abordagem sequencial 
no desenvolvimento de várias habilidades fundamen-
tais, antes do início de um determinado exercício es-
pecífico ou esporte. O grau de maturação biológica é 
importante e precede a interpretação da idade crono-
lógica, pois adolescentes com a mesma idade podem 
ter graus de maturação bastante distintos (atrasado ou 
adiantado) e, por fim, as principais diferenças fisioló-
gicas em relação ao adulto devem ser conhecidas, pois 
elas impactam na capacidade de desenvolver força, 
sustentar esforços prolongados, limitam esforços em 
ambientes com climas extremos e geram maior fadiga.
Exercícios Aeróbios
Frequência ≥ 5 dias.semana-1 de exercício moderado ou ≥ 3 dias.semana-1 de exercício vigoroso ou uma combinaçãoentre moderado e vigoroso, em ≥ 3 a 5 dias.semana-1.
Intensidade A intensidade moderada a vigorosa é recomendada para a maioria dos adultos.A intensidade leve e moderada podem ser benéficas para indivíduos fora de forma.
Tipo
30 a 60 min.dia-1 de exercício intencional moderado, ou 20 a 60 min.dia-1 de exercício vigoroso 
ou uma combinação entre exercício moderado e vigoroso por dia para a maioria dos adultos.
< 20 min. de exercício por dia pode ser benéfico, especialmente, para indivíduos sedentários.
Tempo Exercício intencional, regular, que envolve a maioria dos grupos musculares e que tenha nature-za contínua e rítmica.
Volume
Volume desejado de ≥500 a 1.000 METs*-min.semana-1.
Aumentar a contagem de passadas do pedômetro em ≥2.000 passadas.dia-1 para alcançar uma 
contagem de ≥7.000 passadas.dia-1 é benéfico.
Exercitar-se abaixo desses volumes pode ser benéfico para indivíduos incapazes.
Padrão
Pode ser realizado em uma sessão única (contínua) por dia ou em múltiplas sessões com ≥10 
min. para acumular a duração e o volume desejados de exercício por dia.
Sessões com < 10 min. podem levar a adaptações favoráveis em indivíduos muito fora de forma.
Quadro 5 - Recomendações de exercícios físicos aeróbicos para adultos baseados em evidência / Fonte: adaptado de ACSM (2016).
*METs: Unidade de equivalente metabólico
Em termos de progressão do programa de exercício aeró-
bios, é razoável o progresso gradual do volume com ajuste 
da duração, frequência e/ou intensidade. Essa abordagem 
aumenta a adesão e reduz os riscos de lesão musculoesque-
lética e eventos cardíacos. O Quadro 6 apresenta os parâ-
metros de prescrição de exercícios resistidos em adultos. 
 35
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
Exercícios de Resistência Muscular
Frequência Cada grupo muscular principal deve ser treinado 2 a 3 dias.semana-1
Intensidade
60 a 70% 1-RM (moderada a vigorosa) para novatos ou intermediários melhorarem a força.
≥80% 1-RM (vigorosa a muito vigorosa) para treinados e experientes melhorarem a força.
40 a 50% 1-RM (leve a muito leve) para sedentários e idosos, começando um treinamento resisti-
do.
<50% 1-RM (leve a moderada) para melhorar a resistência muscular e potência (idosos).
Tempo Não foi identificada duração de treinamento específica para a efetividade.
Tipo
Exercício resistidos (ER), envolvendo cada grande grupo muscular.
ER multiarticulares que afetam >1 grupo muscular e trabalham agonistas / antagonistas.
ER uniarticulares que afetam uma articulação e os principais grupos musculares, após ER multiar-
ticulares para aquele grupo muscular em particular.
Pode ser utilizada uma variedade de equipamentos e/ou pesos corporais para a realização de ER.
Repetições
8 a 12 repetições para melhorar força e a potência, na maioria dos adultos.
10 a 15 repetições são mais efetivas para melhorar em “meia-idade” e idosos iniciantes.
15 a 30 repetições são recomendadas para melhorar a resistência muscular.
Séries
2 a 4 séries de ER para a melhora da força e potência, na maioria dos adultos.
1 série de ER pode ser efetiva para a melhora da força em idosos e iniciantes.
≤2 séries são efetivas para a melhora da resistência muscular. 
Padrão Intervalos de repouso de 2 a 3 minutos entre cada séries são eficientes.Repouso ≥48, horas entre as sessões para qualquer grupo muscular único, é recomendado. 
 Quadro 6 - Recomendações de exercícios físicos resistidos para adultos baseados em evidência / Fonte: adaptado de ACSM (2016).
RM: repetições máxima. ER: exercício resistido.
A progressão do programa resistido deve ser gradual 
e mais focada em maior resistência e/ou repetições 
por séries e/ou aumento da resistência. Os exercícios 
de flexibilidade e neuromusculares (ou funcionais) 
também impõe sobrecarga ao sistema neuro-muscu-
lar, sendo importantes componentes de programas de 
exercícios elaborados para idosos e pessoas em com-
plicações crônicas de saúde. 
O exercício para o aprimoramento da flexibilidade 
pode ser realizado por alongamentos balísticos, dinâ-
micos lentos, estáticos e por facilitação neuromuscular 
proprioceptiva. De acordo com os princípios FITT-VP, 
recomenda-se frequência de ≥ 2 a 3 dias, na semana, sen-
do que quando executado, diariamente, é mais efetivo. A 
intensidade dos exercícios de alongamento ocorre até o 
ponto que se perceba um enrijecimento ou desconforto 
da unidade muscular em questão. O tempo de exercícios 
de flexibilidade é de 10 a 30 segundos para a maioria dos 
adultos. Para facilitação neuromuscular proprioceptiva 
(FNP), a contração de 3 a 6 segundos, leve a moderada, 
é seguida de flexionamento estático de 10 a 30 segundos. 
Para o tipo de exercício de flexibilidade, recomenda-se 
uma série de exercícios para cada unidade musculo-
tendinosa e o flexionamento estático (passivo ou ativo) 
dinâmico, balístico ou por FNP são todos efetivos na 
melhora da flexibilidade. O volume razoável é realizar 
60 segundo de período total de forçamento para cada 
exercício. Para o padrão, recomenda-se a repetição de 
cada exercício de flexibilidade 2 a 4 vezes, sendo que o 
exercício de flexibilidade é mais efetivo quando o mús-
culo está aquecido (ACSM, 2016). 
Os exercícios neuromusculares, denominados tam-
bém de exercícios funcionais, consistem de atividades 
multifacetadas que incluem aspectos neuromotores, 
36 
 
de flexibilidade e resistência muscular. Essas atividades 
ainda envolvem habilidades motoras, como equilíbrio, 
coordenação, marcha, agilidade e propriocepção. Os 
exercícios neuromotores parecem trazer muitos benefí-
cios à saúde, porém os princípios FITT-VP acumulam 
uma quantidade menor de evidência. A frequência re-
comendada é de ≥ 2 a 3 dias, na semana, e o tempo de 
execução pode ser ≥ 20 a 30 min. no dia. O tipo de exer-
cício neuromotor envolve habilidades motoras, além de 
exercícios proprioceptivos e atividades multifacetadas 
(i.e. tai chi, ioga). Sobre a intensidade, volume, padrão 
e progressão, ainda, não foram determinados os níveis 
ótimos necessários à promoção da saúde (ACSM, 2016).
A prescrição de exercício físico para idosos deve 
focar em reduzir o impacto do envelhecimento bioló-
gico sobre os sistema corporais bem como promover 
funcionalidade física e qualidade de vida. Assim, o 
exercício físico pode:
1) OTIMIZAR AS ALTERAÇÕES NA COMPOSIÇÃO CORPORAL 
RELACIONADAS À IDADE.
2) OTIMIZAR O TRANSPORTE E UTILIZAÇÃO DO OXIGÊNIO.
3) REDUZIR O ESTRESSE CARDIOVASCULAR E METABÓLICO EM 
ESFORÇOS INTENSOS.
4) PROMOVER BEM-ESTAR PSICOLÓGICO E COGNITIVO.
5) REDUZIR OU ADMINISTRAR DOENÇAS CRÔNICAS.
6) REDUZIR RISCOS DE INCAPACIDADE FÍSICA,
7) AUMENTAR A LONGEVIDADE.
Figura 5 - Benefícios das atividades físicas para idosos / Fonte: adaptada de ACSM (2016).
 37
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
Exercícios Aeróbicos (idosos que não conseguirem realizar, devem ser ativos como puderem)
Frequência ≥ 5 dias na semana (intensidade moderada) ou ≥ 3 dias na semana (intensidade vigorosa).
Intensidade Escala de esforço percebido de intensidade moderada (de 5 a 6) e vigorosa (de 7 a 8), numa esca-la adaptada de 1 a 10.
Tempo Entre 30 a 60 minutos por dia (maior benefício) em sessões de 10 minutos (150 a 300 min.) ou de 20 a 30 minutos de atividades vigorosas (75 a 10 minutos).
Tipo Atividades físicas aeróbica agradáveis quaisquer, mas que não imponham estresse ortopédico.Atividades de ciclismo e aquáticas podem ser vantajosas intolerantes à sustentação de peso.
Exercícios de Fortalecimento Muscular
Frequência ≥ 2 dias por semana.
Intensidade 40 a 50% 1-RM para idosos iniciantes. Sem 1-RM calculado, pode-se a percepção subjetiva (5 a 6), numa escala adaptada de 1 a 10.
Tipo Exercícios de força progressivos com pesos ou calistenia ( 8 a 10 exercícios; ≥ 1 série de 10 a 15 repetições). Subir escadas e outras atividades fortalecedoras podem ser alternativas.
Exercícios de Flexibilidade
Frequência ≥ 2 dias por semana.
Intensidade Alongamentos até o ponto de desconforto.
Tempo Manter flexionado por 30 a 60 segundos.
Tipo Quaisquer atividades lentasque mantenham o alongamento ou aumentem a flexibilidade para cada grupo muscular, utilizando insistências (e não os movimentos balísticos).
Quadro 7 - Recomendações de exercícios físicos resistidos para idosos baseados em evidência / Fonte: adaptado de ACSM (2016).
RM: repetições máxima.
De forma complementar, recomenda-se que sejam realizados exercícios de equilíbrio para a prevenção de quedas em 
idosos. Um meta-análise (SHERRINGTON et al., 2011) levantou recomendações da melhor prática para a prevenção 
de quedas, como:
38 
 
Figura 6 - Recomendação para prática de atividades físicas de idosos para prevenção de quedas / Fonte: adaptada de Sherrington et al. (2011).
Para finalizar este tópico, alguns cuidados e conside-
rações devem ser feitos para o processo de prescrição 
de exercícios para idosos. Como parte de um grupo 
especial, o idoso exige grande atenção, especialmente 
em sintomas de tontura, síncope, angina, fadiga inco-
mum ou dor intolerável que podem ser sugestivos de 
evento cardiovascular. Assim como a confusão men-
tal, cianose ou palidez, náusea ou vômito, dispnéia, 
queda abrupta da pressão arterial ou mesmo o não 
aumento esperado da pressão arterial com o esforço. 
Ao observar estes sinais e sintomas, é necessário in-
terromper o exercício físico.
1. EXERCÍCIO COM FOCO NO EQUILÍBRIO.
2. EXERCÍCIO REALIZADO EM DOSES SUFICIENTES (2 HORAS NA SEMANA).
3. DEVE-SE TER UM PROGRAMA REGULAR (CONTÍNUO E PROGRESSIVO).
4. EXERCÍCIOS DE EQUILÍBRIO PARA IDOSOS (INCLUSIVE PARA GRUPOS DE 
ALTO RISCO).
5. EXERCÍCIOS INDIVIDUAIS OU EM GRUPOS.
6. EXERCÍCIOS QUE INCLUA CAMINHADA (COM MAIOR ATENÇÃO EM 
GRUPOS DE RISCO).
7. EXERCÍCIOS RESISTIDOS PODEM SER INCLUÍDOS NO PROGRAMA.
8. PROGRAMA DEVE SER DESENVOLVIDO EM CONJUNTO COM O TRABALHO 
DE OUTROS FATORES DE RISCO.
 39
considerações finais
Nesta unidade, vimos que a atividade física e o exercício são constructos diferentes, 
que consequentemente exigem diferentes abordagens em termos de orientação para 
mudanças no estilo de vida e prescrição de forma sistematizada em sessões de trei-
namento. Vimos, também, que ambos provocam alterações benéficas importantes na 
aptidão física (melhora da função física), qualidade de vida e bem-estar, assim como 
o aprimoramento da saúde cardiovascular e metabólica, o que reduz a chance de 
doenças crônicas dessa natureza, principalmente em grupos especiais e vulneráveis. 
Considerando o potencial do exercício físico como tratamento não farmacológico, 
percebe-se a sua utilização em pessoas com doenças crônicas, atuando de forma co-
adjuvante aos tratamentos convencionais, o que melhora a qualidade de vida, reduz 
os sintomas clínicos e a chance de comorbidades secundárias dessas doenças de base.
Em termos práticos, vimos que as recomendações para a prática de atividade física, 
no dia a dia é variável em função da idade do indivíduo, porém é comum que seja 
composta de atividades aeróbias e de força. Quando se refere ao exercício físico, vimos 
uma analogia de “dose-resposta” semelhante ao uso de medicamentos. Portanto, o 
planejamento da “dose” de exercício físico é orientado a partir de princípios básicos 
do treinamento físico (sobrecarga, especificidade e variabilidade) e pelas variáveis 
FITT-VP (frequência, intensidade, tipo, tempo, volume progressão/padrão). Essa 
abordagem não é a única disponível para o uso racional do exercício, mas está bem 
consolidada na aplicação em pessoas com doenças crônicas e grupos especiais. 
Ao se apropriar destas informações ficará muito mais fácil, prático e baseado em ci-
ência, organizar programas de exercício físico para diferentes populações, sejam elas 
especiais, sejam com doenças crônicas.
40 
atividades de estudo
1. O conhecimento sobre comportamentos, procedimentos e produtos que in-
terferem na saúde é essencial para a prescrição de exercício físico. Quanto 
à relação entre atividade física, exercício físico e aptidão física, considere as 
alternativas corretas:
I. Todo exercício físico é atividade física, o contrário também é verdadeiro.
II. A aptidão física é um produto da atividade física (comportamento) e da gené-
tica do indivíduo.
III. O exercício físico é prescrito a partir de princípios e variáveis, chamados FITT-
-VP, que remetem à frequência, intensidade, tempo, tipo, volume e progressão 
/ padrão.
IV. A prescrição do exercício pelo cálculo do gasto energético considera o tempo 
e tipo de atividade, assumindo que as pessoas de diferentes tamanhos e mas-
sa corporal gastam a mesma quantidade.
Assinale a alternativa correta:
a. Apenas, I e II estão corretas.
b. Apenas, II e III estão corretas.
c. Apenas, I está correta.
d. Apenas, II, III e IV estão corretas.
e. Nenhuma das alternativas está correta.
2. A prescrição de exercício físico para idosos deve focar em reduzir o impacto do 
envelhecimento biológico sobre os sistemas orgânicos bem como promover 
funcionalidade física e qualidade de vida. Sobre isso, assinale Verdadeiro (V) 
ou Falso (F) para o que se entende como benefício do exercício físico:
( ) Otimizar as alterações na composição corporal relacionadas à idade.
( ) Reduzir o transporte e utilização do oxigênio.
( ) Reduzir o estresse cardiovascular e metabólico em esforços intensos.
( ) Promover bem-estar psicológico e cognitivo.
( ) Aumentar o risco de doenças crônicas.
Assinale a alternativa correta:
 41
atividades de estudo
a. V, V, F, F, V.
b. F, F, V, V, V.
c. V, F, V, V, F.
d. F, F, F, F, V.
e. V, V, V, F, V.
3. A estratificação de risco é um importante momento pré-exercício para a pre-
venção de eventos cardiovasculares indesejáveis. Sobre o tema da estratifica-
ção de risco para a atividade física, assinale as alternativas corretas:
a. A Anamnese é um processo de pouca importância para a prescrição de exer-
cícios físicos para grupos especiais.
b. O PAR-Q & YOU é um questionário bastante simples para identificar doenças 
diagnosticadas ou motivos que possam ser agravados pela prática de ativida-
de física.
c. No PARQ & YOU, caso haja “sim” em alguma das questões, o indivíduo estará 
pronto para se tornar mais ativo fisicamente.
d. A estratificação de risco do ACSM representa uma abordagem mais complexa 
e aprofundada, a partir da presença de doenças diagnosticadas, dos sinais e 
sintomas sugestivos ou da presença de fatores de risco.
4. A Organização Mundial da Saúde é a referência sobre as recomendações de 
atividades físicas para toda a população. Sobre isso, assinale Verdadeiro (V) 
ou Falso (F):
( ) Para crianças e adolescentes, recomenda-se realizar 60 minutos ou mais de 
atividades físicas diárias.
( ) Para crianças e adolescentes, é muito importante o fortalecimento muscular e 
as atividades podem ser em brincadeiras, como cabo de guerra entre outras que 
solicitem esforços de empurrar, tracionar e/ou sustentar o peso corporal.
( ) Para idosos, recomenda-se realizar pelo menos 300 minutos por semana de 
atividade física de intensidade moderada ou 10 minutos de atividade física de in-
tensidade vigorosa.
42 
atividades de estudo
( ) Quando o idoso não conseguir fazer as atividades físicas, devido a alguma limi-
tação física ou fisiológica, eles devem abandonar o programa de atividades físicas. 
( ) Para idosos com doenças crônicas, deve-se inicialmente entender como as 
suas condições de saúde afetam a sua capacidade de realizar atividade física re-
gular de forma segura.
Assinale a alternativa correta:
a. V, V, F, F, V.
b. F, F, V, V, V.
c. V, F, V, F, V.
d. F, F, F, F, V.
e. V, V, V, V, V.
5. Considerando o processo de transição demográfica haverá um aumento de 
idosos no Brasil. Redija um parágrafo sobre os assuntos a seguir, conectan-
do-os na prescrição de exercícios físicos de uma idosa (70 anos), sem doenças 
diagnosticadas, mas dois fatores de risco presentes, que busca melhorar a sua 
função física e qualidade de vida.
1) Os princípios básicos do treinamento esportivo aplicados à prescrição de exer-
cícios.
2) Componentes