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ambiental livro 20211 unidade 2

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RESPONSABILIDADE
SOCIOAMBIENTAL 
Thais Miranda
Conferência de Estocolmo
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 Perceber a relevância da Conferência de Estocolmo, assim como as
principais motivações, posicionamentos e problemáticas, como evento
precursor nos movimentos socioambientais.
 Apontar os temas, acordos, assim como pontos altos e baixos, abor-
dados na Conferência.
 Estabelecer quais foram as realizações e acordos voltados aos desen-
volvimentos econômicos, sociais e ambientais e o posicionamento
de alguns países.
Introdução
Neste texto, você vai conhecer as principais motivações para o encontro 
em Estocolmo em 1972, principais mudanças, acordos e o porquê ela foi 
um marco precursor dos movimentos socioambientais e humanitários.
Foi um dos primeiros movimentos histórico-político internacional, com 
foco nas tentativas de melhorias das relações homem e meio ambiente, 
em busca do equilíbrio entre desenvolvimento econômico e redução 
da degradação ambiental, visando atender necessidades da população 
presente sem comprometer as gerações futuras.
Conferência como ponto de partida para os 
movimentos socioambientais
A Conferência de Estocolmo aconteceu em 1972 em Estocolmo, na Suécia, 
conhecida também como Conferência das Nações Unidas para o Meio Am-
U N I D A D E 2 
biente Humano. É considerada como “ponto de partida” para as discussões 
socioambientais a nível global.
É importante que você entenda o cenário que se transcorria antes deste 
marco; na década de 60 é evidenciada a emergência do colapso ambiental, 
provocado pela concentração industrial, urbanização, o aumento de renda e 
consumo. Assim, o crescimento socioeconômico e a preservação ambiental 
começavam a ser vistos como antagonistas. 
Em 1962, ocorreu o primeiro despertar ecológico, com uma publicação de 
extrema relevância que foi escrita pela cientista e ecologista Rachel Louise 
Carson chamada Primavera Silenciosa. Esse texto norteava o sistema de 
direitos humanos aos recursos naturais.
Na década de 70 houve a iniciativa do Relatório de Measdows, elaborado 
pelo Clube de Roma. Na época este relatório foi orientador e indicava proble-
mas cruciais para o futuro desenvolvimento da humanidade, com temas como 
energia, saneamento, saúde, ambiente, tecnologias e crescimento populacional. 
Indicava um cenário catastrófico com limitações do requedo “crescimento”, 
por conta da escassez de recursos ambientais. 
Os desequilíbrios e desastres ambientais da época agravavam a preocupação 
dos cientistas e dos Estados, desta forma, novas saídas e estratégias para esta 
problemática de ordem mundial foram repensadas.
A Organização das Nações Unidas (ONU) resolveu que havia chegado 
a hora de uma reação. A partir desse fato, o desenvolvimento e o meio am-
biente passaram a ser discutidos no cenário mundial. Em setembro de 1968, 
a UNESCO organizou uma conferência de peritos para tratar sobre os fun-
damentos científicos da utilização e da conservação racional dos recursos 
da biosfera, que por sua vez, trouxe o reconhecimento dos Estados acerca da 
necessidade de uma declaração universal sobre a proteção e a melhoria do 
meio ambiente humano, o que levou à Declaração de Estocolmo.
 Responsabilidade socioambiental 46
Figura 1. Japoneses contaminados pela poluição química desembarcam em Estocolmo 
na Conferência de 1972.
Fonte: Arnt (2011).
A Conferência de Estocolmo marcou uma etapa muito importante na 
ecopolítica mundial. Desta resultaram inúmeras questões que continuam a 
influenciar e a motivar as relações entre os atores internacionais, colaborando 
para a notável evolução que eclodiu após a Conferência.
Foram quatro motivações principais:
 O aumento da cooperação científica nesta década, originado por inú-
meras preocupações, como as mudanças climáticas e os problemas da
quantidade e da qualidade da água.
 O aumento da publicidade sobre os problemas ambientais, causado
especialmente pela ocorrência de certas catástrofes, seus efeitos foram 
visíveis (o desaparecimento de territórios selvagens, a modificação das 
paisagens e acidentes).
 O crescimento econômico acelerado, gerador de uma profunda trans-
formação das sociedades e de seus modos de vida, especialmente pelo
êxodo rural, e de regulamentações criadas e introduzidas, sem suficiente 
preocupação com suas consequências em longo prazo.
 Inúmeros outros problemas, identificados no fim da década de 60 por
cientistas e pelo governo sueco, considerados de maior importância
e que só poderiam ser resolvidos com a cooperação internacional.
Você pode utilizar como exemplo as chuvas ácidas, a poluição do Mar
Báltico, a acumulação de metais pesados e pesticidas que impregnaram 
peixes e aves.
47Conferência de Estocolmo
Temas, acordos, pontos altos e baixos, 
abordados na Conferência;
A busca por soluções efi cazes para tais questões, fez com que a Conferência 
de Estocolmo originasse uma nova dinâmica por meio do desenvolvimento 
de “atitudes novas”. O reconhecimento pelos Estados da existência desses 
problemas e da necessidade de agir, fez com que a Conferência desempenhasse 
um papel decisivo na sensibilização dos países em desenvolvimento para suas 
responsabilidades. Sendo assim, foram votadas questões como a Declaração 
de Estocolmo (Declaração das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente), a qual 
traz em seu Preâmbulo sete pontos principais, além de vinte e seis princípios 
referentes a comportamentos e responsabilidades destinados a orientar decisões 
relativas à questão ambiental, com o objetivo de “garantir um quadro de vida 
adequado e a perenidade dos recursos naturais”.
As questões principais, proclamadas em virtude da Declaração de Esto-
colmo, são as seguintes: 
Fonte: Nosso ambiente direito. 
 Responsabilidade socioambiental 48
1 – O homem é ao mesmo tempo obra e construtor do meio ambiente 
que o cerca, o qual lhe dá sustento material e lhe oferece oportunidade 
para desenvolver-se intelectual, moral, social e espiritualmente. Em larga 
e tortuosa evolução da raça humana neste planeta chegou-se a uma 
etapa em que, graças à rápida aceleração da ciência e da tecnologia, o 
homem adquiriu o poder de transformar, de inúmeras maneiras e em 
uma escala sem precedentes, tudo que o cerca. Os dois aspectos do meio 
ambiente humano, o natural e o artificial, são essenciais para o bem-estar 
do homem e para o gozo dos direitos humanos fundamentais, inclusive 
o direito à vida mesma.
2 – A proteção e o melhoramento do meio ambiente humano é uma 
questão fundamental que afeta o bem-estar dos povos e o desenvolvi-
mento econômico do mundo inteiro, um desejo urgente dos povos de 
todo o mundo e um dever de todos os governos.
As duas primeiras questões da declaração asseguram que tanto o meio 
ambiente natural, quanto o artificial, são essenciais para os direitos humanos 
e para que se tenha uma qualidade de vida saudável. Desta mensagem pode-se 
perceber uma forte relação de dependência entre a qualidade da vida humana 
e a qualidade do meio ambiente.
3 – O homem deve fazer constante avaliação de sua experiência e con-
tinuar descobrindo, inventando, criando e progredindo. Hoje em dia, 
a capacidade do homem de transformar o que o cerca, utilizada com 
discernimento, pode levar a todos os povos os benefícios do desenvol-
vimento e oferecer-lhes a oportunidade de enobrecer sua existência. 
Aplicado errônea e imprudentemente, o mesmo poder pode causar 
danos incalculáveis ao ser humano e a seu meio ambiente. Em nosso 
redor vemos multiplicarem-se as provas do dano causado pelo homem 
em muitas regiões da terra, níveis perigosos de poluição da água, do ar, 
da terra e dos seres vivos; grandes transtornos de equilíbrio ecológico da 
biosfera; destruição e esgotamento de recursos insubstituíveis e graves 
deficiências, nocivas para a saúde física, mental e social do homem, no 
meio ambiente por ele criado, especialmente naquele em que vive e 
trabalha. 
4 – Nos países em desenvolvimento,