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Exercícios qualidade da madeira para serraria

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Universidade Federal de Santa Catarina 
Curso de Engenharia Florestal 
Serraria e secagem de madeira 
 
 
Exercícios: Qualidade da madeira para serraria 
 
1- Cite as possibilidades de emprego da madeira serrada. 
A madeira serrada é amplamente utilizada em diversos segmentos. Na construção 
civil é utilizada, por exemplo, na alocação da obra (gabarito), na forma de concreto para 
a construção da fundação, em escadas, rampas, vigas, madeira estrutural e outros usos 
que podem ser apenas temporários ou não. A madeira serrada também está sendo 
empregada na construção de casas pré-fabricadas (Sistema encaixe em montantes) e no 
sistema construtivo wood-frame. 
Para produção de embalagens, bandejas de proteção e paletes, as madeiras 
serradas também são muito utilizadas. 
Além disso, há os produtos de maior valor agregado, obtidos através do 
beneficiamento da madeira serrada em equipamentos especiais, sendo estes, assoalho, 
taco, forro, esquadria para janelas, rodapé, deck, escadas, pergolados e até mesmo móveis. 
A madeira serrada também é utilizada para fabricação do CLT ou madeira lamelada 
colada cruzada, do MLC ou Madeira Lamelada Colada, do EGP ou Painel Colado Lateral, 
de portas laminadas, blocks e blanks e molduras. 
 
2- Caracterize e descreva o emprego dos seguintes materiais produzidos a partir 
da madeira serrada (faça uso de ilustrações). 
 
2.1 CLT (Cross Laminated Timber) ou madeira lamelada colada cruzada: 
 
O CLT consiste no painel formado por camadas de tábuas de madeira (lamelas) 
sobrepostas de forma cruzada (usualmente 90 graus) com suas faces mais largas coladas 
entre si por adesivo estrutural e à prova d’água e submetidas a grande pressão. A 
disposição perpendicular entre as camadas eleva o comportamento estrutural do 
componente, desta forma, o CLT concorre de igual para igual com o concreto armado, 
aço e tijolos. 
O tamanho dos painéis varia de acordo com o fabricante, a largura costuma variar 
de 60 a 300 cm e o comprimento pode chegar até 18 m por meio de emendas do tipo 
 
 
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finger joints entre lamelas. O nº de camadas varia de 3 a 7 e as camadas externas tem as 
fibras orientadas no mesmo sentido. 
Estes painéis são utilizados na construção civil em sistemas estruturais como 
paredes, pisos, colunas e lajes. O CLT possibilita a construção de edifícios concebidos 
para os mais diversos usos, desde projetos residenciais, térreos ou com múltiplos 
pavimentos. 
 
 
 
 
 
 
2.2 MLC (Madeira Lamelada Colada): 
 
 
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A Madeira Lamelada Colada é um componente construtivo composto por um 
conjunto de peças de madeira serrada (lamelas) coladas umas às outras com o sentido das 
fibras dispostos paralelamente ao sentido longitudinal da peça. O material é feito a partir 
de peças de madeira devidamente selecionadas e preparadas, podendo ser de forma reta 
ou curva. 
A MLC é utilizada na forma de pilares e vigas retas ou curvadas para construção 
pesada como passarelas. A vantagem é a ausência de limitação dimensional e a liberdade 
de formas, que podem ser curvas em até dois eixos em uma mesma peça. O que pode 
limitar é o transporte deste material em função de sua dimensão. 
 
 
 
 
 
 
 
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2.3 EGP (Edge Glued Panel) ou Painel Colado Lateral (PCL): 
 
O EGP consiste em sarrafos unidos lateralmente com o adesivo PVAc (Acetato 
de polivinilo) ou EPI (emulsão polimérica de isocianato) em prensas a frio ou alta 
frequência, formando um painel. Cada peça que é colada tem a espessura de 15 a 30 mm 
e largura de 30 a 50 mm. A união de topo entre as peças ou sarrafos, pode ser do tipo reta 
ou tipo finger joint (denteado). 
Estes painéis são empregados em móveis proporcionando um aspecto muito 
interessante e decorativo às peças, sem necessitar de revestimento, e também na 
construção civil, como portas, prateleiras, painéis para paredes, pisos, forros, etc. Podem 
ainda ser construídas peças estruturais de maiores dimensões e resistências. 
 
 
 
 
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3- Explique o fenômeno das “tensões de crescimento” 
As tensões de crescimento são forças que agem naturalmente sobre os tecidos das 
árvores, de forma a mantê-las íntegras e eretas, garantindo resistência à ruptura mecânica 
e à flexão no tronco, gerando resistência contra a incidência de ventos. A origem das 
tensões de crescimento está na camada cambial dos troncos das árvores. Elas são geradas 
na madeira, devido às deposições consecutivas das novas camadas de células a partir do 
câmbio, durante o desenvolvimento da planta. A tendência dessas novas células é a 
expansão lateral enquanto, ao mesmo tempo, se contraem no sentido longitudinal. A 
adição de novas camadas de células ao tronco causa estado de tensão externa (tração). 
Tais tensões são distribuídas pelo tronco da árvore de forma cumulativa; isso devido à 
sucessiva deposição de camadas e respectivas tensões. Todas essas interações resultam 
no surgimento de forças de compressão compensatórias na parte central do tronco. 
Este fenômeno está ligado à inclinação das microfibrilas da camada S2 da parede 
celular, durante a maturação das paredes celulares ocorre a lignificação (desenvolvimento 
da parede secundária). Em madeiras normais a deposição de lignina na camada S2 tende 
a encurtar as fibrilas de celulose em função da expansão lateral delas. O comportamento 
resultante da célula dependerá do ângulo de inclinação das microfibrilas na camada S2 da 
parede celular. Na periferia do tronco o ângulo das microfibrilas é menor que 40º, o que 
proporciona um encurtamento das células e expansão lateral, gerando uma tensão de 
 
 
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tração. Já na parte central do tronco o ângulo das microfibrilas na camada S2 é maior que 
40º, resultando no alongamento das células e gerando uma tensão de compressão. Caso 
ocorra o rompimento do equilíbrio natural existente no interior da árvore resultará na 
liberação das tensões de crescimento. 
 
4- Quais as implicações das tensões de crescimento do desdobro de toras em 
madeira serrada? 
Alguns problemas podem ocorrer se houver a liberação repentina das tensões de 
crescimento (corte) de tração e de compressão que se encontravam equilibradas. A zona 
periférica da tora, sob tração, tende, após o abate, a expandir e empurrar a face do corte 
para o exterior, causando rachaduras de topo nas toras. Também podem aparecer fendas, 
além das rachaduras de topo, no momento em que a pressão (tensão) está sendo liberada 
resultando em baixo rendimento na produção de madeira serrada. 
Na operação de desdobro, poderá ocorrer o arqueamento nas peças resserradas, 
em consequência das tensões residuais existentes nas tábuas. Além disso, é comum o 
aparecimento das falhas de compressão, que são microfissuras nas paredes das fibras mais 
internas do tronco, evidenciando a alta tensão de compressão no centro da tora, o que 
reduz drasticamente a resistência da madeira. 
Em desdobros sucessivos (1 corte por vez) a tora se encurvará no carro porta toras 
durante o desdobro na direção oposta ao corte fazendo com que a nova peça retirada tenha 
menor espessura nas extremidades e maior espessura no centro, obtendo peças de 
espessuras irregulares, o que resulta em perda no aplainamento e peças encurvadas. 
 
5- Explique como o desdobro pode
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