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DIABETES MELLITUS GESTACIONAL

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Thaís Pires 
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Diabetes Gestacional 
• Epidemiologia 
Diabetes Melittus (DM) - Atualmente (2017), cerca de 415 milhões de adultos apresentam DM no MUNDO e 
cerca de 318 milhões possuem INTOLERÂNCIA à glicose, o que se constitui como um risco elevado de desenvolver a 
doença no futuro. Estima-se que 1 a cada 12 mortes possa ser atribuída à DM, o que representa 5 milhões de 
óbitos/ano e 1 morte a cada seis segundos. Aproximadamente 58% dos casos de DM são atribuíveis à OBESIDADE, 
que tem causa multifatorial (má alimentação, estilo de vida, sedentarismo). 
Diabetes Melittus Gestacional (DMG) – para as mulheres, o principal fator de risco para desenvolver DM 2, 
i.e., não, auto-imune, e SÍNDROME METABÓLICA, é o ANTECEDENTE OBSTÉTRICO DE DMG!! Assim, a hiperglicemia 
no ciclo gravídico-puerperal causa impactos tanto no desfecho perinatal negativo como no desencadeamento de 
DOENÇAS FUTURAS MATERNAS E FETAIS (obesidade, SM e diabetes) → HIPÓTESE DE BARKER e HIPÓTESE REVERSA 
DE BARKER – é uma correlação entre o BAIXO PESO AO NASCER e o desenvolvimento de doenças metabólicas na vida 
adulta! Então não só a carga genética e os hábitos de vida influenciam nisso / A hipótese reversa postula que essas 
alterações que ocorrem no ciclo gravídico puerperal vão impactar na vida pós puerpério! 
De acordo com os critérios atuais de DMG, estima-se que a prevalência dessa doença seja de apx 18% no SUS!! 
• Definições 
 DM representa um CONJUNTO DE DISTÚRBIOS METABÓLICOS com DEFICICIÊNCIA INSULÍNICA que causam 
HIPERGLICEMIA, podendo ser essa deficiência por produção pancreática reduzida, liberação inadequada ou 
resistência periférica ao hormônio. Essa disglicemia pode ter várias origens, que permitem o entendimento da 
fisiopatologia de forma diferente. Por exemplo, a deficiência absoluta de insulina caracteriza o DMT1, já o defeito na 
secreção de insulina ou a resistência à ação dela caracteriza a DMT2. 
O próprio processo fisiológico da gestação é acompanhado de alterações na funcionalidade insulínica, por isso a 
RESISTÊNCIA À INSULINA e a HIPERGLICEMIA são eventos que não necessariamente estarão relacionados à DM, sendo 
importante diferenciar 3 fenômenos: 
Hiperglicemia fisiológica (e menos intensa) X Diabetes Gestacional X Diabetes diagnosticado na gravidez 
➔ DMG – tipo de hiperglicemia que é diagnosticado pela PRIMEIRA VEZ na gestação em curso, não atingindo 
os níveis glicêmicos para diagnóstico de DM e que ocorreu durante o teste de rotina (entre 24 e 28 
semanas) e que não atende os critérios de diabetes prévio 
➔ Diabetes diagnosticado na Gestação (Overt Diabetes) – menos frequente e mais grave – hiperglicemia 
diagnosticada previamente ou pela primeira vez durante a gestação, podendo acontecer no ESTADO NÃO 
GESTANTE e em QUALQUER PERÍODO da gestação; atinge níveis glicêmicos que satisfazem os critérios 
para DM 
Thaís Pires 
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1. Segundo a American Diabetes Society (ADA 2012), diabetes gestacional é a INTOLERÂNCIA AOS 
CARBOIDRATOS em variados graus de intensidade, que iniciou durante a gestação e que pode ou não persistir 
depois do parto. 
2. Os livros de obstetrícia preferem uma definição antiga em que a DMG é TODA INTOLERÂNCIA À GLICOSE de 
qualquer intensidade, com início ou detecção pela primeira vez na gestação, com necessidade ou não de 
insulina. 
Na definição mais antiga, entretanto, qualquer diabetes diagnosticado durante a gestação seria considerado DMG, o 
que excluiria o diagnóstico daqueles pacientes que tinha DIABETES PREVIAMENTE à GESTAÇÃO. É importante que 
essa diferenciação seja feita pois existem complicações da gravidez que são exclusivas para cada uma dessas 
síndromes, como algumas MALFORMAÇÕES FETAIS – DIABETES PRÉVIO À GESTAÇÃO. 
Relação entre GESTAÇÃO x METABOLISMO GLICÍDICO 
• Alterações Hormonais – o HORMÔNIO LACTOGÊNIO PLACENTÁRIO é secretado pela placenta e aumenta a 
quantidade de acordo com a evolução da gestação, sua ação é ANTAGONISMO À INSULINA. Quanto aos 
ESTROGÊNIOS, PROGESTERONA, CORTISOL e PROLACTINA, que também são secretados durante a gestação, 
apresentam atividade hiperglicemiante. Esses hormônios aumentam progressivamente até a 24 SEMANA, 
quando geralmente a capacidade pancreática de secretar insulina é insuficiente para o momento → 
hiperglicemia 
• Alterações Metabólicas 
o Resistência à ação periférica da insulina – justamente pela ação dos hormônios citados 
o Catabolismo Acentuado – fenômeno semelhante ao do jejum, uma vez que o concepto requer glicose e AA 
para o crescimento, então, a depender da quantidade desses nutrientes no sangue materno, pode haver 
uma HIPOGLICEMIA. Para equilibrar esse processo, o metabolismo materno realiza a MOBILIZAÇÃO (maior 
e mais rápida) de LIPÍDIOS para fornecer energia; aumento da GLICONEOGÊNESE HEPÁTICA 
o Anabolismo Facilitado – as perdas do organismo materno são compensadas com: elevação da glicemia 
materna para facilitar a transferência placentária dessa substância; maior conversão de GLICOSE EM TAG 
para serem utilizados no fornecimento de energia para o concepto quando houver baixa glicose; queda nos 
níveis de GLUCAGON, o que permite processos anabólicos como SÍNTESE DE TAG e de GLICOGÊNIO 
 
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Como a diabetes se comporta em cada trimestre da gestação? 
• 1º Trimestre – Há uma maior tendência a ocorrer a HIPOGLICEMIA (de 15 a 20 mg/dL mais baixo) e, portanto, 
MENOR necessidade de INSULINA. Geralmente, isso ocorre pela INAPETÊNCIA, NÁUSEAS, EPISÓDIOS 
EMÉTICOS característicos desse período. Laboratorialmente, pode haver GLICOSÚRIA, CETONÚRIA e 
alterações GLICÊMICAS. 
• 2º Trimestre – Em contraposição ao 1°T, as necessidades de INSULINA AUMENTAM, uma vez que a glicemia 
também aumenta, podendo haver CETOSE e CETOACIDOSE 
• 3º Trimestre – Em consonância com o 2ºT, as necessidades de insulina aumentam AINDA MAIS, juntamente 
à prevalência de CETOSE e CETOACIDOSE. Próximo ao período de parto, há uma tendência à normalização e, 
até mesmo, hipoglicemia, o que deve ser um SINAL DE ALERTA!! Lembra que o hormônio lactogênio 
placentário faz antagonismo da insulina? Então se a insulina tá conseguindo atuar bem, isso pode significar 
uma INSUFICIÊNCIA PLACENTÁRIA!!! 
• Puerpério – Como há uma redução dos hormônios antagonistas da insulina, ocorre a REDUÇÃO DA 
NECESSIDADE dela!! 
Fatores de Risco para a Hiperglicemia na Gestação 
Impactos do Diabetes na Gestação 
• Impactos Maternos 
o Glicosúria – fisiologicamente, o aumento do Débito Cardíaco (DC) materno aumenta, também, o FLUXO 
SANGUINEO RENAL e a filtração glomerular. Esse fato compromete a CAPACIDADE DE REABSORÇÃO 
TUBULAR MÁXIMA para glicose e leva a uma GLICOSÚRIA mesmo com GLICEMIA NORMAL!!!! 
o Infecção do Trato Urinário (ITU) – provavelmente em decorrência da glicosúria 
o Candidíase Vaginal – Como há o ACÚMULO DE GLICOGÊNIO na mucosa vaginal, isso causa uma 
ACIDIFICAÇÃO DO MEIO, aumentando a incidência da candidíase 
o Pré-Eclâmpsia – aumenta a incidência, mas não se sabe a fisiopatologia 
 
• Complicações Gestacionais 
o Abortamento – incidência aumentada nas gestantes diabéticas, principalmente por conta das alterações 
metabólicas maternas, que pode causar, por exemplo, acidose metabólica fetal, diretamente relacionada 
à hemoglobina glicosilada >/= 12% e glicemia pré-prandial > 120 mg/dL 
o Morte Fetal Tardia – são aqueles óbitos “inexplicados”, que, geralmente, relacionam-se à acidose 
metabólica fetal. O óbito fetal súbito ocorre por volta de 35 SEMANAS OU MAIS principalmente nos casos 
em que há hiperglicemia persistente nas últimas semanas de gestação 
o Alterações do Volume de Líquido Amniótico – a POLIDRAMNIA acomete 25% das gestantes diabéticas, 
provavelmente por conta do AUMENTO DA DIURESE FETAL decorrente da hiperglicemia. A diurese fetal, 
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que também vai excretar glicose, aumentando a concentração dessa substância no LIQUIDO AMNIÓTICO, 
aumentando a “osmolaridade” e a captura de água