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Semiologia neurológica

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Diferente do exame físico geral, o exame 
neurológico não segue uma sequência de 
inspeção, percussão e ausculta. Não existe uma 
ordem correta para a realização desse exame, 
mas quando ele é dividido em três etapas (nas 
posições deitada, sentada e de pé), ele se torna 
mais rápido e lógico. Ou seja: 
• Primeiro analisamos o paciente deitado. 
• Depois com o paciente sentado – de 
preferência com o dorso apoiado em uma 
parede. 
• Por último, com o paciente de pé analisamos 
o equilíbrio, a marcha e a postura. 
• Inspeção 
• Marcha 
• Estática 
• Força 
• Tônus 
• Coordenação 
• Reflexos 
• Sensibilidade 
• Nervos cranianos 
 
A partir dos exames neurológicos é importante 
termos as respostas das seguintes perguntas: 
• Em que nível está a localização da lesão? 
o Supratentorial, fossa posterior, nível 
medular, nível periférico, em mais de um 
nível. 
• Qual o tipo de lesão? 
o Focal, ou seja, em um local específico do 
cérebro – no lado direito, esquerdo ou 
envolvendo estruturas da linha média e 
contíguas do SNC. 
o Difusa, ou seja, uma lesão disseminada. 
• Apresenta efeito de massa? 
o Exemplo: edema cerebral 
• Qual caráter da lesão? 
o Aguda, crônica, progressiva ou não 
progressiva. 
• Qual a origem da lesão? 
o Vascular, degenerativa, metabólica, 
inflamatória/infecciosa, neoplásica, 
traumática, congênita. 
• Qual sistema está comprometido? 
o Vascular, liquórico, sensorial, da 
consciência, motor, visceral (autônomo), 
funções cognitivas ou coordenação e 
equilíbrio. 
Para a história da doença atual é importante a 
busca de 5 informações: 
• Data do início da doença – se é recente ou 
antiga. 
• Modo de instalação da doença – se foi de 
instalação lenta nos faz suspeitar de um 
processo degenerativo ou neoplásico, por 
exemplo. 
• Evolução cronológica dos sintomas – 
quando e como os sintomas surgiram ou 
desapareceram. 
o Tumor cerebral: os sintomas aparecem 
gradativamente, de modo rápido ou não. 
o Doença generativa do SN: a evolução é 
progressiva, mas muito lenta. 
o Doenças vasculares encefálicas: as 
manifestações são súbitas e, após um 
período variável, desde que não haja 
piora, ocorre recuperação completa ou 
incompleta. 
o Esclerose múltipla (doença 
desmielinizante): a evolução, nesse caso, 
é um bom diagnóstico. Ou seja, após um 
surto agudo, temos regressão parcial ou 
total dos sintomas. Depois de um tempo, 
o surto volta com piora do quadro clínico 
e recuperação cada vez mais incompleta. 
o Epilepsia e enxaqueca: os sintomas 
surgem de modo paroxístico. Entre as 
crises, o paciente não tem nada de 
anormal. 
• Exames e tratamentos realizados com os 
respectivos resultados. 
• Estado atual do paciente. 
 
Neurológica 
BIANCA LOUVAIN 
 
 
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A partir dos sintomas podemos pensar em 
algumas enfermidades: 
• Episódios de perda de consciência – 
sugerem epilepsia, síncope, lipotimia, 
síndrome de Adam-Stokes. 
• Cefaleia – enxaqueca, aneurisma 
intracraniano, tumor cerebral, hipertensão 
intracraniana. 
• Convulsões – epilepsia, intoxicações 
exógenas e hipoglicemia. 
• Ambliopia/amaurose (perda da visão) – 
tumor cerebral, esclerose múltipla, neurite 
óptica. 
• Diplopia (visão dupla/duas imagens como 
um único objeto) – lesões de nervos 
oculomotores com consequente paresia ou 
paralisia dos mm extrínsecos do olho. 
 
• Hipoacusia/anacusia (surdez), zumbido – 
doença do ouvido, tumor do ângulo ponto-
cerebelar. 
• Vertigem (“tontura”) – labirintopatia, 
insuficiência vascular cerebral do sistema 
vertebrobasilar, tumor do ângulo ponto-
cerebelar. 
• Náuseas/vômitos – enxaqueca, 
labirintopatia, tumor cerebral, hipertensão 
intracraniana. 
• Disfagia (dificuldade de engolir) e disfonia 
(dificuldade de produção de voz) – lesões 
bulbares ou dos nervos responsáveis pela 
deglutição e fonação. 
• Disfasia (dificuldade de estruturar frases) – 
lesões do hemisfério cerebral dominante por 
distúrbios vasculares ou neoplásicos. 
• Dor e parestesia (“formigamento”) – lesões 
do SNP (raízes, plexos e nervos). 
• Paralisia (perda dos movimentos) e paresia 
(perda parcial dos movimentos) – lesões das 
vias motoras, centrais ou periféricas. 
• Distúrbios esfincteriano – lesões 
medulares. 
É importante verificar alterações ou problemas 
no: 
• Pré-natal – traumatismo, infecções, uso de 
medicações, toxemia, etc. 
• Nascimento – normal ou cesárea, se houve 
necessidade de reanimação, presença de 
icterícia ou cianose, prematuridade. 
• Vacinações. 
• Doenças anteriores. 
 
• Carótida – primeiro analisamos a palpação 
e ausculta de ambas as carótidas, 
separadamente e em busca de frêmito e/ou 
sopro. O principal objetivo desse exame é a 
busca por estenose ou oclusão da artéria de 
maneira a impedir distúrbios isquêmicos. 
 
• Região supraclavicular – como a artéria 
vertebral tem origem na subclávia, a 
ausculta dessa região é de mesma 
importância da carótida. 
 
• Limitação de movimentos – nesse 
momento pedimos ao paciente que faça 
movimentos de extensão, flexão, rotação e 
lateralização da cabeça. A presença de 
dificuldade para realizar esses movimentos 
pode indicar doenças osteoarticulares, 
musculares, meningites, radiculopatias e 
hemorragia subaracnóidea. 
 
 
 
 
 
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• Rigidez na nuca – com o paciente em 
decúbito dorsal, o examinador irá colocar a 
mão na região occipital do paciente e tentar 
curvar a cabeça (fletir) até o peito. Se o 
movimento for fácil e amplo, não há rigidez 
nucal. Caso contrário, a rigidez é comumente 
encontrada em casos de meningite e 
hemorragia subaracnóidea. 
• Sinal de Brudzinski – o examinador irá 
repousar uma das mãos sobre o tórax do 
paciente em decúbito dorsal e membros 
estendidos. Com a outra mão na região 
occipital do paciente, o examinador irá 
flexionar forçadamente a cabeça. O sinal (ou 
prova) é positiva quando o paciente flete os 
membros inferiores. 
 
 
• Limitação de movimentos – solicitamos 
ao paciente que faça movimentos de flexão, 
extensão, rotação e lateralização da coluna. 
A limitação desses movimentos são as 
mesmas da coluna cervical. 
 
• Sinal de estiramento da raiz nervosa: 
o Sinal de Lasègue – com o paciente em 
decúbito dorsal e membros inferiores 
estendidos, o examinador faz a elevação 
de um membro inferior estendido. O sinal 
é positivo quando o paciente reclama de 
dor na face posterior do membro 
examinado logo no início (com 30° de 
elevação). 
 
o Sinal de Kernig – nele fazemos a 
extensão da perna enquanto a coxa está 
fletida sobre a bacia e a perna sobre a 
coxa. O sinal é positivo quando o paciente 
apresenta dor ao longo do trajeto do 
nervo ciático e tenta impedir o 
movimento. É realizada para busca de 
meningite, hemorragia subaracnóidea e 
radiculopatia ciática. 
 
 
A marcha do paciente pode ser a primeira etapa 
do exame neurológico, já que pode ser analisada 
no momento em que o paciente entra no 
consultório. 
Contudo, sendo quando formos analisar 
separadamente, é fundamental que o joelho 
esteja à mostra e os pés descalços para melhor 
visualização dos movimentos. 
• Primeiro pedimos para o paciente andar de 
um lado para o outro. Enquanto isso, o 
examinador estará atento a sequência do 
andar, comprimento e simetria das 
passadas, elevação correta dos joelhos, 
balanceio dos braços, toque do pé no chão 
(realizado inicialmente com o calcanhar), 
 
 
 
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posição do tronco e cabeça, se o paciente 
segue uma linha reta. 
• Também é solicitado que o paciente caminhe 
na ponta dos pés e sobre os calcanhares, para 
identificar fraquezas na musculatura distal 
dos membros inferiores. 
• Também é solicitado que o paciente ande em 
linha reta, com um calcanhar encostando no 
outro (marcha pé-antepé). 
MARCHA CEIFANTE (HELICOIDAL OU HEMIPLÉGICA) 
Ao andar o paciente fica com uma postura em 
flexão do membro superior e extensão

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