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Ação Penal creiof

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Conrado José Neto de Queiroz Reis 
 
 
CURSO PREPARATÓRIO: OFICIAL DE PROMOTORIA MPSP 
DISCIPLINA: PROCESSO PENAL 
PROFESSOR: CONRADO REIS 
 
DIREITO PROCESSUAL PENAL 
 
AÇÃO PENAL: É o direito de o Estado acusação (Ministério Público) ou de o ofendido (vítima) 
ingressar e juízo, solicitando a prestação jurisdicional. Tem fundamento no Art. pois o art. 5°, XXXV, 
da Constituição que estatui: "a lei não excluirá da apreciação do Poder judiciário lesão ou ameaça a 
direito", o que consagra o princípio da inafastabilidade da jurisdição, sendo que a jurisdição deve 
ser provocada justamente por intermédio do direito de ação. Em regra, a Ação Penal é pública, de 
acordo com o disposto no Art. 100 CP: “A ação penal é pública, salvo quando a lei expressamente a 
declara privada do ofendido”. O MP é o titular privativo da Ação Penal pública (Art. 129, I CF e Art. 
257, I CPP). A Ação Penal pública se divide em: a) incondicionada (regra): independe de qualquer 
manifestação por parte da vítima ou por parte de qualquer outro órgão; condicionada à 
representação do ofendido ou à requisição do Ministro da Justiça. Portanto, temos a ação Penal 
pública incondicionada, a Ação Penal pública condicionada à representação do ofendido ou à 
requisição do Ministro da Justiça e a Ação Penal privada. A representação do ofendido e a 
requisição do Ministro da Justiça tem natureza jurídica de condição de procedibilidade da Ação 
Penal Pública condicionada, bem como do Inquérito Policial e do APFD. A Petição Inicial da Ação 
Penal pública é a Denúncia do MP. A Petição Inicial da Ação Penal privada é a Queixa-Crime. 
 
Art. 24 CPP. “Nos crimes de ação pública, esta será promovida por denúncia do Ministério Público, 
mas dependerá, quando a lei o exigir, de requisição do Ministro da Justiça, ou de representação do 
ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo”. 
§ 1º No caso de morte do ofendido ou quando declarado ausente por decisão judicial, o direito de 
representação passará ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão. 
§ 2º Seja qual for o crime, quando praticado em detrimento do patrimônio ou interesse da União, 
Estado e Município, a ação penal será pública. Ex: Crime de Dano (Art. 163 CP): somente se 
procede mediante Queixa (Art. 167 CP). Mas se for praticado em detrimento do patrimônio público 
será procedido pelo oferecimento de denúncia por parte do MP. O direito de suceder na 
representação, em caso de morte do ofendido, também será dado à sua companheira, por conta do 
reconhecimento constitucional da união estável como entidade familiar (Art. 226, §3º CF). Caso o 
ofendido tenha menos de 18 anos de idade, ainda que seja emancipado civilmente (Art. 5º, 
parágrafo único CC), só poderá representar acompanhado de curador especial (Art. 33 CPP), por 
conta da possibilidade do cometimento do crime de denunciação caluniosa (Art. 339 CP). 
 
 
 
 
Conrado José Neto de Queiroz Reis 
 
 
CURSO PREPARATÓRIO: OFICIAL DE PROMOTORIA MPSP 
DISCIPLINA: PROCESSO PENAL 
PROFESSOR: CONRADO REIS 
 
Art. 25 CPP. “A representação será irretratável, depois de oferecida a denúncia”. É possível que a 
vítima venha a se arrepender da representação. Assim, poderá retratar-se, até antes de o MP 
oferecer a Denúncia e apresentar na Secretaria da Vara Criminal ou na Distribuição do Fórum. 
Oferecida a denúncia, a representação passa a ser irretratável. Nada impede que o ofendido, ao se 
retratar, venha a se arrepender novamente, e reapresentar a representação pelo mesmo fato, desde 
que dentro do prazo decadencial de 6 meses contado do dia em que vier a saber quem é o autor do 
crime (Art. 38 CPP). É a chamada retratação da retratação que já foi adotada no TJDFT. Na Lei 
Maria da Penha (Lei n° 11.340/2006), a retratação por parte da vítima de violência doméstica 
demanda audiência específica, na presença do magistrado e do Ministério Público. Ademais, a 
retratação nestas hipóteses é admissível até o recebimento denúncia (Art. 16). 
 
Art. 27 CPP. “Qualquer pessoa do povo poderá provocar a iniciativa do Ministério Público, nos 
casos em que caiba a ação pública, fornecendo-lhe, por escrito, informações sobre o fato e a autoria 
e indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção”. O MP é também destinatário da notícia 
crime. Por essa razão, tratando-se de crime de ação penal pública incondicionada, qualquer do 
povo poderá provocar o órgão ministerial, para que a persecução se inicie. Diante da provocação, o 
MP poderá: a) requisitar a instauração de inquérito policial ao Delegado de Polícia (Art. 5º, II CPP); 
b) oferecer, de imediato, denúncia, havendo lastro probatório que dispense a instauração do 
inquérito policial (Art. 46, § 1º CPP); c) requerer ao magistrado o arquivamento das peças de 
informação, evidenciando-se, ao initio que o fato é atípico, inexistente, ou que está extinta a 
punibilidade. Porém, tratando-se de crime de ação penal pública condicionada, só o legítimo 
interessado poderá provocar o MP a atuar e não qualquer do povo, por conta da condição de 
procedibilidade da representação. 
 
Art. 28 CPP. “Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a denúncia, requerer o 
arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer peças de informação, o juiz, no caso de 
considerar improcedentes as razões invocadas, fará remessa do inquérito ou peças de informação 
ao procurador-geral, e este oferecerá a denúncia, designará outro órgão do Ministério Público para 
oferecê-la, ou insistirá no pedido de arquivamento, ao qual só então estará o juiz obrigado a 
atender”. Havendo pedido de arquivamento, caberá ao magistrado deliberar. Acatando o pedido, irá 
homologar, em decisão tipicamente administrativa (pré-processual), que não se submete, em regra, 
a imutabilidade pela coisa julgada material, pois não é ato jurisdicional na essência, mas apenas 
judicial. Por essa razão, surgindo novas provas, o MP terá aptidão para oferecer denúncia, desde 
que ainda não esteja extinta a punibilidade (Súmula n° 524 do STF). É uma decisão sujeita à 
cláusula rebus sic stantibus, ou seja, ela segue o estado das coisas. Se a situação mudar, pelo 
 
 
Conrado José Neto de Queiroz Reis 
 
 
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PROFESSOR: CONRADO REIS 
 
surgimento de novas provas, admite-se o oferecimento da denúncia. Se o juiz discordar do pedido 
ministerial de arquivamento, irá provocar o Procurador Geral de Justiça no âmbito estadual ou a 
Câmara de Coordenação e Revisão no âmbito do Ministério Público Federal, que poderá: a) 
oferecer denúncia diretamente em “primeiro grau”; b) designar outro membro do MP para 
oferecer a denúncia, em respeito à independência funcional do promotor que requereu o 
arquivamento e não pode ser compelido pelo Procurador Geral a denunciar. O promotor designado 
estará obrigado a denunciar, funcionando em nome do Procurador Geral, em verdadeira delegação, 
também chamado pela doutrina de longa manus; c) insistir no arquivamento, quando então o 
magistrado estará obrigado a homologar. 
 
Art. 40 CPP. “Quando, em autos ou papéis de que conhecerem, os juízes ou tribunais verificarem a 
existência de crime de ação pública, remeterão ao Ministério Público as cópias e os documentos 
necessários ao oferecimento da denúncia”. Tratando-se de crime de ação penal pública 
condicionada a representação do ofendido, a remessa pressupõe a prévia manifestação por parte 
da vítima do desejo de que seja instaurada a persecução criminal, que funciona como 
representação, por não exigir maiores formalidade, em respeito à condição de procedibilidade do 
instituto. 
 
 
Art. 41 CPP. “A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso, com todas as suas 
circunstâncias, a qualificação do acusado ou se possa esclarecimentos pelos quais identificá-
lo, a classificação do crime e, quando necessário, o rol das testemunhas”. Como o réu se 
defende