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Crimes em espécie

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Conrado José Neto de Queiroz Reis 
 
 
CURSO PREPARATÓRIO: OFICIAL DE PROMOTORIA MPSP 
DISCIPLINA: PROCESSO PENAL 
PROFESSOR: CONRADO REIS 
 
DIREITO PENAL 
CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA (Art. 293 a 301 e 305 CP): O objeto jurídico tutelado pela norma 
é a fé pública, ou seja, a legitimidade e a autenticidade documental. Em regra, qualquer pessoa 
pode ser sujeito ativo de crime contra a fé pública, tratando-se de crime comum. Porém, 
excepcionalmente, exige-se uma condição especial do sujeito ativo, tratando-se de crime próprio, 
como no crime de falsidade de atestado médico (Art. 302), em que o sujeito ativo só pode ser o 
médico, que não será objeto deste concurso, no falso reconhecimento de firma ou letra (Art. 
300), bem como no crime de certidão ou atestado ideologicamente falso (Art. 301), em que o 
sujeito ativo é o funcionário público, quem exerce cargo, emprego ou função pública, ainda que em 
entidade paraestatal (Ex: SESC) ou funcionário de empresa prestadora de serviço contratada ou 
conveniada para a execução de atividade típica da Administração pública (Ex: indivíduo que exercia 
função de lançamento de informações no sistema de dados da Caixa Econômica Federal), conforme 
disposto no Art. 327 CP. O sujeito passivo é o Estado, bem como quem sofre eventual lesão 
decorrente da conduta típica. 
 
FALSIFICAÇÃO DE PAPÉIS PÚBLICOS: O caput do Art. 293 do CP tipifica a falsificação de papéis 
públicos, especial e expressamente no que concerne às ações de fabricar e alterar “selo 
destinado a controle tributário” (Ex: selo de IPI), papel selado ou qualquer papel de emissão legal 
destinado à arrecadação de tributo; “papel de crédito público” que não seja moeda de curso legal 
(documento, nominativo ou ao portador, que representa dívida federal, estadual, municipal ou de 
qualquer entidade de Direito Público, como títulos da dívida pública Ex: Letra do Tesouro Nacional, 
no qual o investidor recebe o retorno de seu investimento na data do vencimento do título pelo valor 
nominal de resgate); “vale postal” (Revogado tacitamente pelo Art. 36 da Lei 6.539/78 - Falsificar, 
fabricando ou adulterando, selo, outra fórmula de franqueamento ou vale-postal: Pena: reclusão, até 
oito anos, e pagamento de cinco a quinze dias-multa.); “cautela de penhor” (título de crédito 
representativo de contrato de mútuo, para cuja garantia o mutuário transfere ao mutante a posse de uma coisa 
móvel, que deverá ser restituída quando efetuado o pagamento), “caderneta de depósito de caixa 
econômica” (falsificar a guia de retirada) ou de outro estabelecimento mantido por entidade de 
direito público; “talão, recibo, guia (Ex: falsificação de Guia de Arrecadação Estadual - GARE, 
referente ao recolhimento da taxa de custa judicial, destinada à Previdência dos Advogados de São 
Paulo, administrada pelo IPESP) alvará” ou qualquer outro documento relativo a arrecadação de 
rendas públicas ou depósito ou caução por que o poder público seja responsável; bilhete (CPTM), 
passe, ou conhecimento de empresa de transporte, administrada pela União, por Estado ou por 
Município. Pena: Reclusão, de 2 a 8 anos, e multa. Incorre na mesma pena quem restitui à 
circulação selo falsificado destinado a controle tributário. Quem suprimir carimbo ou sinal indicativo 
 
 
Conrado José Neto de Queiroz Reis 
 
 
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DISCIPLINA: PROCESSO PENAL 
PROFESSOR: CONRADO REIS 
 
da inutilização dos papéis públicos com o fim de torna-los utilizáveis, está sujeito a uma pena de 
reclusão de 1 a 4 anos, e multa, podendo ser beneficiado pelo sursis processual do Art. 89 da Lei 
9.099/1995: “Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior a um ano, abrangidas 
ou não por esta Lei, o Ministério Público, ao oferecer a denúncia, poderá propor a suspensão do 
processo, por dois a quatro anos, desde que o acusado não esteja sendo processado ou não tenha 
sido condenado por outro crime, presentes os demais requisitos que autorizariam a suspensão 
condicional da pena previstos no Art. 77 do Código Penal”. Por sua vez, quem restituir à circulação 
qualquer dos papéis falsificados, com exceção do selo destinado à controle tributário, estando antes 
de boa-fé, estará sujeito a uma pena de detenção (cumprimento inicial em regime semiaberto ou 
aberto, de acordo com o Art. 33 CP) de 6 meses a 2 anos. Neste caso, aplica-se o rito 
sumaríssimo dos Juizados Especiais, com base no Art. 61 da Lei 9.099/1995: “Consideram-se infrações 
penais de menor potencial ofensivo, para os efeitos desta Lei, as contravenções penais e os crimes a que a lei 
comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou não com multa”, sujeita, portanto, a TCO e 
não a APFD. Desse modo, antes de oferecida a Queixa-Crime (particular) ou a Denúncia (Ministério Público), 
é garantido ao suposto infrator a oportunidade de lhe ser aplicada de imediato pena não privativa de liberdade 
(Art. 72 e 76, Lei 9.099/95), o que lhe livra de responder à Ação Penal, mas, sem admitir culpa, tem de cumprir 
penas alternativas, tais como prestação de serviços à comunidade, pagamento de determinado valor para 
instituição de caridade, entre outras. É a chamada Transação Penal. Em todo caso, se o agente é funcionário 
público e comete o crime prevalecendo-se do cargo, a pena é aumentada de 1/6 (Art. 295 CP). 
 
PETRECHO DE FALSIFICAÇÃO: O Art. 294, por opção do legislador, optou por punir os atos 
preparatórios do iter criminis de falsificação de papéis públicos. Assim, quem tem objeto 
especialmente destinado à falsificação de papéis públicos já comete crime, punido com pena de 
reclusão de 1 a 3 anos, e multa, podendo também ser beneficiado com a suspensão condicional do 
processo. Trata-se de crime subsidiário em relação ao crime de falsificação de papéis públicos, 
razão pela qual o indivíduo que dispõe do objeto e realiza a falsificação só responde pela própria 
falsificação do Art. 293 CP. Da mesma forma, se o agente é funcionário público, e comete o crime 
prevalecendo-se do cargo, a pena é aumentada de 1/6. 
 
FALSIDADE DE SELO OU SINAL PÚBLICO: No Art. 296, o objeto jurídico tutelado não é o 
documento em si, mas sim o selo público destinado a autenticar atos oficiais da união, do Estado ou 
do Município, bem como selo ou sinal atribuído por lei a entidade de direito público, ou a autoridade, 
ou sinal público de tabelião. Percebam que o legislador, por deslize, não mencionou o Distrito 
Federal. O crime é punido com pena de reclusão de 2 a 6 anos, e multa. Nas mesmas penas, 
incorre quem faz uso de selo ou sinal falsificado, quem utiliza indevidamente o selo ou o sinal 
verdadeiro em prejuízo de outrem ou em proveito próprio ou alheio e altera, falsifica ou faz uso 
 
 
Conrado José Neto de Queiroz Reis 
 
 
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indevido de marca, logotipo, sigla ou outro símbolo identificador de órgão ou entidade da 
Administração Pública (Ex: uso de selo falsificado do INMETRO em extintor de incêndio). Da mesma 
forma, se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, a pena é 
aumentada de 1/6. 
 
FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO PÚBLICO: Segundo o Art. 232 do CPP "Consideram-se 
documentos quaisquer escritos, instrumentos ou papéis, públicos ou particulares. Parágrafo único: À 
fotografia do documento, devidamente autenticada, se dará o mesmo valor do original". Dessa 
forma, a cópia não autenticada não tem valor legal, mas a cópia autenticada sim. Entende a 
doutrina, que documento público é o elaborado por funcionário público competente, no exercício de 
suas atribuições, com a observância das formalidades legais, enquanto que documento particular é 
exatamente o que não é público propriamente dito nem por equiparação legal. O Art. 297 define o 
crime de falsificação de documento público, consistente em falsificar, no