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ANEMIA MEGALOBLÁSTICA

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Anemia Megaloblástica 
 
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É um distúrbio em que há BLOQUEIO NA SÍNTESE DE DNA, causando uma divisão celular lenta 
com ASSINCRONIA de maturação entre núcleo-citoplasma, em que o núcleo se prepara para 
uma divisão que NÃO OCORRE – as células ficam com aspecto de MEGALOBLASTOSE (núcleo 
desproporcionalmente maior). As células mais afetadas são aquelas com RENOVAÇÃO RÁPIDA, 
sendo, principalmente, as da MEDULA ÓSSEA e as da MUCOSA GASTRINTESTINAL. 
Laboratorialmente, esta anemia é marcada por MACROCITOSE (aumento do Volume 
Corpuscular Médio) – vale destacar que nem toda macrocitose é por anemia megaloblástica, 
podendo ser, também, por anemia hemolítica, síndrome mielodisplásica, hipotireoidismo. 
Quando produzidas estas células com anormalidades nucleares, a própria medula as reconhece como defeituosas, 
precipitando uma APOPTOSE no interior da medula, o que causa uma ERITROPOIESE INEFICAZ! 
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Até que se prove o contrário, uma anemia megaloblástica é decorrente de CARÊNCIA DE B12 (cianocobalamina) e/ou 
ÁCIDO FÓLICO (folato), que são cofatores importantes durante a síntese de DNA. Além destas, outros mecanismos 
exógenos podem interferir no DNA, como medicamentos que BLOQUEIAM A SÍNTESE DO DNA (antagonistas de 
purinas e pirimidinas – imunossupressores, quimioterápicos) ou que interferem no METABOLISMO DO ÁCIDO FÓLICO 
(metotrexato, anticonvulsivantes)
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1. 
A principal fonte do folato é a ingestão de VEGETAIS VERDES FRESCOS, embora também possa 
se encontrado em fígado, aveia e algumas frutas sob a forma de POLIGLUTAMATO – o cozimento 
desses alimentos pode destruir até 90% do folato!!! Normalmente, a necessidade diária de folato 
gira em torno de 50-200 microgramas, sendo maior de acordo com a demanda metabólica, como 
na gravidez, lactação ou hemólise quando os valores podem chegar até a 200-800 
microgramas/dia. 
➔ Absorção – A absorção do folato ocorre no DUODENO e no JEJUNO PROXIMAL 
(mesmos locais de absorção do ferro), onde existem ENZIMAS 
CARBOXIPEPTIDADES nas microvilosidades que convertem POLIGLUTAMATO 
(ácido fólico dos alimentos) em MONO ou DIGLUTAMATO para que haja 
absorção!! 
➔ Transporte – Após absorvido, o folato circula sob a forma de METIL-
TETRAIDROFOLATO (MHTF) = MONOGLUTAMATO ligado a proteínas. Ao 
penetrar nas células, esse grupamento METIL do MHTF é retirado por uma 
enzima DEPENDENTE DE B12 = METIONINA SINTASE, produzindo o 
TETRAIDROFOLATO (THF) = POLIGLUTAMATO = FORMA ATIVA DA VITAMINA. 
Perceba que aqui há uma DEPENDÊNCIA do folato da vitamina B12!!!! 
➔ Armazenamento – O maior depósito de folato do corpo encontra-se no 
FÍGADO, sendo esta vitamina liberada na BILE por onde alcançará o JEJUNO e 
será reabsorvida (ciclo entero-hepático do folato). 
➔ Deficiência de Folato – O balanço negativo entre ingestão e consumo de folato 
costuma acontecer quando há uma DIETA INADEQUADA (má absorção ou 
demanda elevada). Naturalmente, o estoque de folato dura pouco no 
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organismo, uma vez que é uma VITAMINA HIDROSSOLÚVEL, então os sinais de deficiência se desenvolvem 
cerca de 4-5 meses após o início das perdas!! 
o Má absorção – Pode ser consequência de um distúrbio primário da MUCOSA DUODENOJEJUNAL 
(doença celíaca) ou do uso de FÁRMACOS que interferem nessa absorção (sulfassalazina e alguns 
anticonvulsivantes). 
 
2. 
Estruturalmente, é uma vitamina muito semelhante ao grupamento Heme da Hb, porém, 
por não ser sintetizada do corpo humano, precisa de ingestão exógena (por isso é chamada 
vitamina). A cobalamina é encontrada em abundância em alimentos de origem ANIMAL, 
como carnes, ovos e laticínios, sendo escassa naqueles alimentos de origem vegetal, o que 
corrobora para o desenvolvimento de deficiência de B12 naqueles indivíduos vegetarianos 
estritos. A necessidade diária de B12 é muito pequena (2,5 micrograma/dia), além de seu 
estoque corporal (fígado) ser muito duradouro – devido a isso, seria preciso 10-15 anos de 
dieta pobre em B12 (com absorção normal) para que houvessem sinais de deficiência dela. 
Diante das características dessa vitamina, percebe-se que por ser muito abundante em 
alimentos de origem animal e por haver uma baixa necessidade diária desta, condições com 
deficiência de B12 estão mais associadas a MÁ ABSORÇÃO do que a INGESTÃO 
INSUFICIENTE. 
 
➔ Absorção – Na dieta a B12 sempre está ligada a PROTEÍNAS ALIMENTARES, por isso precisa da ação do ácido 
gástrico e da pepsina para a absorção. Ao sofrer a ação dessas substâncias, a B12 imediatamente se liga a 
uma GLICOPROTEINA = LIGANTE R, que é secretado na saliva e na mucosa gástrica. Já no duodeno, o 
complexo B12+R é dissolvido pela ação de proteases pancreáticas, permitindo a nova junção entre 
B12+FATOR INTRÍNSECO (FI), que é um fator liberado pelas células parietais da mucosa gástrica. Este 
complexo B12+FI é resistente a degradação proteolítica do duodeno e segue até o ÍLEO DISTAL, onde existem 
receptores na mucosa para a B12, quando, finalmente, será absorvida. Já no ENTERÓCITO, a B12 se liga a 
uma nova proteína transportadora = TRANSCOBALAMINA II (TC II) que irá carrega-la para o plasma. A TC II é 
uma proteína de MEIA VIDA CURTA, rapidamente liberando a B12 que irá se ligar a TRANSCOBALAMINA I e 
TRANSCOBALAMINA III. 
 
 
 
 
 
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3. 
➔ Ácido Fólico – A principal função do folato é TRANSFERIR METILENO (reação de metilação) para aceptores, 
originando as BASES NITROGENADAS (purinas e pirimidinas) componentes do DNA. O folato que doa o 
metileno é o TETRAIDROFOLATO, ou seja, aquele folato que já sofreu a metilação, sendo, depois dessa 
doação, chamado de DIIDROFOLATO (DHF). Para formar novamente THF, é necessária a ação de uma enzima 
= DIIDROFOLATO REDUTASE!! 
➔ Vitamina B12 – A cobalamina é COFATOR de duas reações importantes: 
o Metabolismo do Folato – a cobalamina é responsável por ativar o METILTETRAIDROFOLATO em 
TETRAIDROFOLATO por meio da ENZIMA METIONINA REDUTASE que usa a b12 como cofator!! Nessa 
reação, o METIL é transferido para a HOMOCISTEÍNA (um aminoácido), formando a METIONINA. Então 
a deficiência de cobalamina impediria a formação de THF, causando uma DEFICIÊNCIA DE FOLATO e, 
consequentemente, um PREJUÍZO NA SÍNTESE DE DNA. É por isso que a reposição de folato deve ser 
feita conjuntamente a de B12. Além disso, a deficiência de B12 ainda causa um aumento de 
HOMOCISTEÍNA (pela não formação de metionina), que pode ser lesiva ao endotélio!! 
o Conversão de Metilmalonil CoA em Succinil CoA – Na deficiência de cobalamina (somente 
cobalamina!!), os níveis séricos e urinários de ÁCIDO METILMALÔNICO aumentam significativamente, 
um dos responsáveis pela CLÍNICA NEUROLÓGICA causada pela deficiência de B12. Além disso, a não 
formação de METIONINA promove a diminuição de FOSFOLIPÍDIOS COM COLINA, elementos 
essenciais para a MIELINIZAÇÃO!!! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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o 
1. 
A deficiência de ácido fólico pode ser vista em indivíduos que NÃO SE ALIMENTAM 
ADEQUADAMENTE, ALCOÓLATRAS, GESTANTES e PORTADORES DE SÍNDROMES 
DISABSORTIVAS (doença celíaca e espru tropical). No que diz respeito ao alcoolismo, 
a deficiência de folato se dá por dois mecanismos distintos: a menor ingesta de 
folato, uma vez que o álcool tem alto valor calórico, diminuindo ingesta de alimentos 
no geral, e a dificuldade no ciclo entero hepático para reabsorção de folato! Além 
destes, lembrar dos medicamentos que podem induzir a essa deficiência, como os 
ANTICONVULSIVANTES e BARBITÚRICOS (atuam na absorção), enquanto 
TRIMETOPIM e METOTREXATE inibem o metabolismo da vitamina! 
➔ Aumento do consumo de folato – Ocorre na gestação, anemia hemolítica 
crônica (independente da causa), câncer e doenças cutâneas esfoliativas 
(psoríase). Na gestação em específico, a reposição de ácido fólico é 
recomendada também para a prevenção de DEFEITOS DO TUBO NEURAL – 
posologia de 400 mcirograma/dia entre 3 meses antes