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III – do espaço de tempo que declarar o mutuante, se for de qualquer outra coisa fungível.
5. Do Mandato
O mandato é um contrato pelo qual uma pessoa se obriga a praticar atos ou ad-
ministrar os interesses da outra, em nome e por conta desta última (art. 653 do CC).
Art. 653. Opera-se o mandato quando alguém recebe de outrem poderes para, em seu 
nome, praticar atos ou administrar interesses. A procuração é o instrumento do mandato.
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DIREITO CIVIL
Contratos em Espécie
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Trata-se de um contrato, cujo instrumento é a procuração, em que uma pessoa 
delega poderes à outra, que irá representá-la.
Os personagens do mandato são:
•	 o mandante: é aquele que outorga os poderes; e
•	 o mandatário: é aquele que recebe os poderes.
Graficamente temos o seguinte:
Quem pode ser mandante?
Os absolutamente incapazes de exercer, por si, os atos da vida civil não podem 
constituir mandatário, ao passo que os relativamente incapazes podem passar pro-
curação, desde que assistidos pelos seus representantes legais e por instrumento 
público (art. 654 do CC).
Art. 654. Todas as pessoas capazes são aptas para dar procuração mediante instru-
mento particular, que valerá desde que tenha a assinatura do outorgante.
§ 1º O instrumento particular deve conter a indicação do lugar onde foi passado, a qua-
lificação do outorgante e do outorgado, a data e o objetivo da outorga com a designação 
e a extensão dos poderes conferidos.
§ 2º O terceiro com quem o mandatário tratar poderá exigir que a procuração traga a 
firma reconhecida.
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A procuração consubstancia uma autorização representativa, feita, em regra, por 
instrumento particular, exigindo-se apenas em casos excepcionais o instrumento pú-
blico, como nos casos dos relativamente incapazes, dos cegos e dos analfabetos.
Quem pode ser mandatário?
De acordo com o art. 666 do CC, não há necessidade de o mandatário possuir 
capacidade civil plena, podendo ser mandatário o relativamente incapaz que possui 
entre 16 e 18 anos.
Art. 666. O maior de dezesseis e menor de dezoito anos não emancipado pode ser 
mandatário, mas o mandante não tem ação contra ele senão de conformidade com as 
regras gerais, aplicáveis às obrigações contraídas por menores.
Ou seja, o mandante pode designar, como mandatário, pessoa que não seja 
maior e capaz, desde que nele deposite confiança. Entretanto, caso, posteriormen-
te, se convença de que fez uma má escolha do mandatário, este não poderá sofrer 
as consequências se houver uma má gerência dos poderes outorgados.
A Profa. Maria Helena Diniz salienta que o pródigo e o falido podem ser consti-
tuídos mandatários, porque a restrição que os atinge se limita à disposição de bens 
de seu patrimônio, não os impedindo de exercer tais atividades.
Sobre a natureza jurídica do contrato de mandato, temos que ele é:
• unilateral: em regra, o contrato de mandato gera obrigações apenas para 
o mandatário; entretanto, quando o mandato for oneroso ou remunerado, 
teremos um contrato bilateral, pois gera obrigações para ambas as partes;
• gratuito: a gratuidade, de acordo com o art. 658 do CC, é a regra; entre-
tanto, é possível que o mandato seja oneroso, como ocorre com o mandato 
conferido a um advogado em razão da sua profissão;
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Art. 658. O mandato presume-se gratuito quando não houver sido estipulada retribui-
ção, exceto se o seu objeto corresponder ao daqueles que o mandatário trata por ofício 
ou profissão lucrativa.
Parágrafo único. Se o mandato for oneroso, caberá ao mandatário a retribuição prevista 
em lei ou no contrato. Sendo estes omissos, será ela determinada pelos usos do lugar, 
ou, na falta destes, por arbitramento.
• típico: está previsto no Código Civil;
•	 consensual: se aperfeiçoa com o simples acordo de vontades;
•	 não solene: segundo os arts. 656 e 657 do CC, o contrato de mandato pode 
ser tácito, verbal ou por escrito. Entretanto, se a lei exigir determinada forma 
para o ato a ser praticado pelo mandatário, então o mandato também deve-
rá observar tal forma. Como exemplo, temos a compra de um bem imóvel 
de grande valor que deve observar a forma de escritura pública (art. 109 do 
CC), sendo que a procuração para alguém efetuar essa compra em seu nome 
também deve observar a forma de escritura pública.
Art. 656. O mandato pode ser expresso ou tácito, verbal ou escrito.
Art. 657. A outorga do mandato está sujeita à forma exigida por lei para o ato a ser 
praticado. Não se admite mandato verbal quando o ato deva ser celebrado por escrito.
Ainda sobre a forma, é interessante tratarmos do subestabelecimento (cláu-
sula que permite ao mandatário indicar, ao seu livre arbítrio, uma outra pessoa 
para substituí-lo, sem a prévia inquirição do mandante), que não necessitará seguir 
a forma adotada pelas partes para a procuração (art. 655 do CC).
Art. 655. Ainda quando se outorgue mandato por instrumento público, pode substabe-
lecer-se mediante instrumento particular.
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Cabe também citarmos o Enunciado n. 182 da III Jornada de Direito Civil do CJF, 
que se refere ao art. 655 do CC:
Enunciado 182 – Art. 655: O mandato outorgado por instrumento público previsto 
no art. 655 do CC somente admite substabelecimento por instrumento particular quan-
do a forma pública for facultativa e não integrar a substância do ato.
Podemos identificar diversas espécies de mandato:
• quanto ao objeto, o mandato pode ser:
−	 geral: refere-se a todos os negócios do mandante;
−	 especial: refere-se a um ou mais negócios determinados.
• quanto ao conteúdo, o mandato pode ser (arts. 660 a 662 do CC):
−	 mandato em termos gerais: só confere poderes de administração;
−	 mandato em termos especiais: confere poderes para transigir (celebrar 
transação), vender, comprar, hipotecar, e não apenas poderes de administração.
Art. 660. O mandato pode ser especial a um ou mais negócios determinadamente, ou 
geral a todos os do mandante.
Art. 661. O mandato em termos gerais só confere poderes de administração.
§ 1º Para alienar, hipotecar, transigir, ou praticar outros quaisquer atos que exorbitem 
da administração ordinária, depende a procuração de poderes especiais e expressos.
§ 2º O poder de transigir não importa o de firmar compromisso.
Art. 662. Os atos praticados por quem não tenha mandato, ou o tenha sem poderes 
suficientes, são ineficazes em relação àquele em cujo nome

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