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Dessa forma, antes da tradição, o vendedor ainda é dono e, por isso, se a 
coisa perecer antes da entrega, ele (vendedor) deve suportar o prejuízo, de-
vendo o eventual dinheiro recebido ser devolvido.
Art. 492. Até o momento da tradição, os riscos da coisa correm por conta do vendedor, 
e os do preço por conta do comprador.
§ 1º Todavia, os casos fortuitos, ocorrentes no ato de contar, marcar ou assinalar coi-
sas, que comumente se recebem, contando, pesando, medindo ou assinalando, e que já 
tiverem sido postas à disposição do comprador, correrão por conta deste.
O art. 492, § 1º do CC se refere à tradição simbólica, ou seja, quando a coisa 
comprada é colocada à disposição do comprador, para que as conte, marque ou 
assinale. Os casos fortuitos ocorridos no ato de contar, marcar e assinalar (ex: no 
ato de contar várias caixas, uma delas cai de determinada altura e o objeto nela 
guardado se quebra) correrão por conta do comprador.
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§ 2º Correrão também por conta do comprador os riscos das referidas coisas, se es-
tiver em mora de as receber, quando postas à sua disposição no tempo, lugar e pelo 
modo ajustados.
No art. 492, § 2º do CC, temos outra situação, na qual o comprador arcará com 
os prejuízos se estiver em mora de as receber (mora accipiendi). Ou seja, o ven-
dedor colocou o bem à disposição para o comprador receber e este, por algum mo-
tivo, não recebeu. Neste caso, os riscos da coisa correm por conta do comprador.
Art. 493. A tradição da coisa vendida, na falta de estipulação expressa, dar-se-á no 
lugar onde ela se encontrava, ao tempo da venda.
A entrega da coisa ocorrerá no lugar previsto pelas partes no contrato. Em caso 
de silêncio, a norma supletiva da vontade dos contratantes indica que o local do 
cumprimento será aquele em que a coisa se encontrava ao tempo da venda.
Art. 494. Se a coisa for expedida para lugar diverso, por ordem do comprador, por sua 
conta correrão os riscos, uma vez entregue a quem haja de transportá-la, salvo se das 
instruções dele se afastar o vendedor.
Se o comprador determinar o envio ou expedição da coisa para local diverso do 
convencionado, correrão por conta dele os riscos da perda.
Art. 502. O vendedor, salvo convenção em contrário, responde por todos os débitos que 
gravem a coisa até o momento da tradição.
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Caso existam dívidas que gravem a coisa no momento da tradição, tais dívidas, 
em regra, serão de responsabilidade do vendedor.
•	 Defeito oculto na venda de coisas conjuntas (art. 503 do CC): o Código 
Civil brasileiro optou pela redibição parcial, permitindo apenas a devolução 
da coisa viciada e mantendo as demais que estejam intactas.
Art. 503. Nas coisas vendidas conjuntamente, o defeito oculto de uma não autoriza a 
rejeição de todas.
O Código Civil também prevê, em certas situações, que determinadas pesso-
as não podem celebrar o contrato de compra e venda sob pena de nulidade. Tais 
situações ocasionam uma falta de legitimação para celebração da compra 
e venda.
• Venda de ascendentes para descendentes (art. 496 do CC): com a in-
tenção de evitar possíveis fraudes por ocasião da sucessão legítima (ex: o pai 
simular a transferência dos bens para um dos filhos, prejudicando os demais), 
a compra e venda entre ascendentes e descendentes pode ser anulada pelo 
cônjuge (se o regime de bens não for o da separação obrigatória) e demais 
descendentes se eles não manifestarem consentimento expresso na venda.
Art. 496. É anulável a venda de ascendente a descendente, salvo se os outros des-
cendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido.
Parágrafo único. Em ambos os casos, dispensa-se o consentimento do cônjuge se 
o regime de bens for o da separação obrigatória.
• Compra por pessoas com poder sobre os bens do vendedor (arts. 497 e 
498 do CC): o tópico em questão não permite que determinadas pessoas, em 
razão do poder que exercem sobre os bens do vendedor, comprem os bens 
citados, ainda que a venda seja realizada em hasta pública.
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Art. 497. Sob pena de nulidade, não podem ser comprados, ainda que em hasta pública:
I – pelos tutores, curadores, testamenteiros e administradores, os bens confia-
dos à sua guarda ou administração;
II – pelos servidores públicos, em geral, os bens ou direitos da pessoa jurídica a 
que servirem, ou que estejam sob sua administração direta ou indireta;
III – pelos juízes, secretários de tribunais, arbitradores, peritos e outros ser-
ventuários ou auxiliares da justiça, os bens ou direitos sobre que se litigar em 
tribunal, juízo ou conselho, no lugar onde servirem, ou a que se estender a sua 
autoridade;
IV – pelos leiloeiros e seus prepostos, os bens de cuja venda estejam encarregados.
Parágrafo único. As proibições deste artigo estendem-se à cessão de crédito.
Art. 498. A proibição contida no inciso III do artigo antecedente, não compreende 
os casos de compra e venda ou cessão entre coerdeiros, ou em pagamento de 
dívida, ou para garantia de bens já pertencentes a pessoas designadas no re-
ferido inciso.
Para os casos aqui citados, o legislador impôs como pena a nulidade absoluta 
dos atos.
•	 Venda por condômino de coisa indivisível (art. 504 do CC): o condômino 
(propriedade comum – pertencente a mais de uma pessoa) de coisa indivisí-
vel permanece no regime de condomínio por obrigação, pois as únicas formas 
de extinção do condomínio são: um dos condôminos comprar as demais par-
tes ou a venda da coisa com a repartição do valor.
Art. 504. Não pode um condômino em coisa indivisível vender a sua parte a estranhos, 
se outro consorte a quiser, tanto por tanto. O condômino, a quem não se der conheci-
mento da venda, poderá, depositando o preço, haver para si a parte vendida a estra-
nhos, se o requerer no prazo de cento e oitenta dias, sob pena de decadência.
Parágrafo único. Sendo muitos os condôminos, preferirá o que tiver benfeitorias 
de maior valor e, na falta de benfeitorias, o de quinhão maior. Se as partes forem 
iguais, haverão a parte vendida os coproprietários, que a quiserem, depositando 
previamente o preço.
•	 Venda a cônjuge (art. 499 do CC): um cônjuge pode vender um bem para 
outro quando o bem não integrar o patrimônio comum do casal, ou seja, 
quando estiver excluído da comunhão.
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Art. 499. É lícita a compra e venda entre cônjuges, com

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