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Abdome agudo inflamatório

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Objetivos 
1. Caracterizar o Abdome Agudo Inflamatório (com ênfase em apendicite, colecistite aguda, pancreatite 
aguda e diverticulite). Considerando: 
REFERÊNCIA: Gastroenterologia Essencial 
Abdome agudo é definido como toda condição dolorosa de início súbito ou de evolução progressiva, localizada 
no abdome, que requer decisão terapêutica rápida, preferencialmente após definição diagnóstica. 
• EPIDEMIOLOGIA E ETIOLOGIA 
REFERÊNCIA: Perfil clínico-epidemiológico dos pacientes acometidos por abdome agudo em um hospital de 
referência em Salvador – Bruna Souza Magalhães – Revistas USP 
O tipo de abdome agudo mais prevalente foi o inflamatório, 
em seguida, o obstrutivo. As etiologias específicas mais 
prevalentes foram apendicite aguda, representando 32% dos 
casos, e neoplasia do trato gastrointestinal, com 14% dos 
pacientes acometidos. Outras etiologias específicas menos 
frequentes foram bridas e aderências intestinais, diverticulite 
aguda, pancreatite aguda, hérnia estrangulada, intussuscepção, 
hérnia interna e corpo estranho. 
A complicação mais prevalente foi o abscesso abdominal, 
acometendo oito pacientes (27,6% dos pacientes com 
complicação), seguido de saída de secreção da ferida 
operatória com cinco (17,2%) dos pacientes acometidos e três 
(10,3%) dos pacientes tiveram deiscência de sutura e abscesso 
abdominal. Outras complicações relatadas foram sepse, 
trombose de membros inferiores e fístula enterocutânea. 
Dezessete por cento dos pacientes evoluíram a óbito, enquanto 
a maior parte de pacientes teve alta hospitalar. Os pacientes que necessitaram de cuidados em unidade intensiva 
representaram um número absoluto de 36; destes, 61% evoluíram a óbito. 
O abdome agudo inflamatório acometeu 85 pacientes, sendo em sua maioria homens. As etiologias mais 
prevalentes foram apendicite aguda com 62,4% dos casos; em seguida, abscesso abdominal, com 10,6% dos 
casos, a colecistite aguda foi a etiologia de 8,2% dos pacientes e doença inflamatória pélvica foi representada 
por 7,1% dos casos. A média do tempo de internamento foi de 160 horas. O número de pacientes que evoluíram 
com complicações outras que não o óbito foi 19 (22%). As principais complicações apresentadas por este grupo 
foram o abscesso abdominal, com sete pacientes acometidos e a deiscência de sutura intra-abdominal associada 
a abscesso abdominal, com dois pacientes acometidos. 
A média de idade dos pacientes foi de 33 anos. Apenas um paciente não foi submetido a cirurgia, com um 
percentual de 98,1% operados. Apenas 4% dos pacientes necessitaram de cuidados em unidade de terapia 
intensiva. O tempo médio de internamento foi de 145h. Treze pacientes, um percentual de 24,5%, exibiram 
complicações, sendo a principal delas o abcesso abdominal, com sete pacientes acometidos. Nenhum dos 
pacientes vítimas de apendicite aguda evoluiu a óbito. 
Apendicite aguda: 
REFERÊNCIA: Perfil clínico-epidemiológico da apendicite aguda: análise retrospectiva de 638 casos – Revista 
do Colégio Brasileiro de cirurgiões 
A apendicite aguda (AA) é a principal causa de abdome agudo cirúrgico em todo o mundo, com uma 
prevalência de aproximadamente 7% na população. Tem um pico de incidência entre 10-14 anos no sexo 
feminino e entre 15-19 anos no sexo masculino. A apendicectomia é o tratamento de escolha, pois, além de 
permitir o diagnóstico definitivo, também reduz significativamente o risco de complicações, tais como 
perfuração, sepse e óbito. O fator causal mais importante de AA parece ser o desenvolvimento de obstrução 
luminal, cuja etiologia tem associação com a faixa etária - a hiperplasia linfoide é o fator mais comum 
encontrado em pacientes menores de 20 anos, enquanto a obstrução por fecalito é mais comum em idosos. 
Colecistite aguda: 
REFERÊNCIA: Perfil epidemiológico da colelitíase no Brasil: análise de 10 anos – Revista Educação em Saúde 
Assim, o estudo conclui que a colelitíase é uma afecção muito prevalente no Brasil, principalmente no sexo 
feminino, embora tenha sido identificada maior taxa de aumento da prevalência entre homens. A mortalidade 
por colecistite aguda ainda é elevada, com aumento nas taxas demonstrada nos últimos anos, o que demonstra 
um desafio ainda existente aos serviços de saúde. 
Pancreatite aguda: 
REFERÊNCIA: Perfil clínico-epidemiológico de pacientes com pancreatite aguda em um hospital público de São 
Luís, Maranhão – Revista de Pesquisa em Saúde 
No presente estudo, a média de idade dos pacientes foi de 46,7 anos, sendo os homens mais frequentes. Estudo 
realizado por Toouli et al., relataram que os homens eram mais acometidos que as mulheres, com idade entre 
40 e 60 anos. Apesar de homens e mulheres serem suscetíveis à pancreatite aguda, a incidência maior 
encontrada é no sexo masculino. Algumas diferenças entre os gêneros são fortemente determinadas por 
exposições a fatores de risco. 
A proporção de pancreatite atribuída ao álcool e colecistite em todos os casos de pancreatite aguda varia 
consideravelmente nas diferentes regiões e países. Neste estudo, o consumo de álcool foi a causa mais 
importante de pancreatite aguda, seguida da colelitíase. 
Diverticulite: 
REFERÊNCIA: Doença diverticular no estado de Goiás: casos de internação, gastos e óbitos relacionados - 
Brazilian Journal of Health Review 
Salles afirma que a maior parte dos divertículos acomete igualmente homens e mulheres. A literatura ainda nos 
traz que a incidência e a prevalência da diverticulose aumenta com a idade, podendo atingir até 80% da 
população idosa. 
Essa afecção apresenta-se, na maioria dos indivíduos, de forma assintomática. Quando há sintomatologia, a 
doença pode apresentar-se com dor abdominal, sangramento retal intermitente, hemorragia, hipotensão e 
leucocitose, o que enquadra o paciente em um quadro clínico de urgência. 
• ETIOLOGIA E QUADRO CLÍNICO 
Apendicite aguda 
REFERÊNCIA: Lopes Reis 
A apendicite aguda é a causa mais freqüente de abdome agudo inflamatório, sendo, provavelmente, a doença 
cirúrgica mais comum no abdome. Incide mais frequentemente entre a segunda e terceira décadas, e reconhece 
na obstrução do lume apendicular, por corpo estranho (fecalito) ou processo inflamatório, seu principal agente 
fisiopatológico. 
A anamnese é de fundamental importância. A dor, anteriormente referida como o principal sintoma no abdome 
agudo inflamatório, localiza-se inicialmente, e mais frequentemente, no epigástrio e na região periumbilical, 
para, posteriormente, localizar-se na fossa ilíaca direita. De caráter contínuo, piora com a movimentação, 
podendo acompanhar-se de náuseas e vômitos, além de febre e calafrios. 
A apendicite aguda pode ser de diagnóstico difícil nos extremos da vida ou quando o apêndice tiver topografia 
atípica, particularmente pélvica ou retrocecal. 
Nos doentes com apendicite aguda, o estado geral costuma estar preservado, assim como as condições 
hemodinâmicas. A temperatura, pouco elevada nas fases iniciais, costuma apresentar diferença axilo-retal 
acima de 1°C. 
O exame do abdome é, provavelmente, a parte mais importante da semiologia do abdome agudo, devendo ser 
respeitada, sempre que possível, a sequência inspeção, palpação, percussão e auscultação. 
A inspeção revela um paciente com pouca movimentação, atitude antálgica (flexão do membro inferior direito) 
no sentido de aliviar a dor. Manobras como pular ou tossir podem desencadear ou exacerbar a dor na fossa 
ilíaca direita. 
Ao realizar a palpação, o examinador não pode esquecer de aquecer as mãos e de evitar movimentos bruscos. 
A palpação inicialmente superficial e a seguir profunda pretende identificar dor localizada na fossa ilíaca direita 
ou difusa, resistência voluntária ou espontânea (sinais de irritação peritoneal), ou, ainda, presença de massas 
(plastrão ou tumor inflamatório). 
Sinais sugestivos de apendicite aguda, tais como os indicados a seguir, são bem conhecidos: 
• Sinal