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Abdome agudo inflamatório

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por gás extraluminal, tanto na massa como na fístula ou por presença de coprolito ou gás em localização 
ectópica, como bexiga ou saco omental. Apresenta acurácia de 39%. O enema opaco (baritado ou com meio 
de contraste iodado hidrossolúvel) para o diagnóstico de diverticulite aguda pode apresentar acurácia acima de 
90% quando realizado por radiologistas habilidosos e experientes. 
Sinais ao Enema Opaco 
1. Presença de divertículos colônicos. Diverticulite sem divertículos demonstráveis é rara. 
2. Identificação de fístulas, abscessos ou extravasamentos do meio de contraste. São os sinais radiográficos 
mais específicos, porém pouco sensíveis. 
3. Irritabilidade e espasticidade colônica segmentar. Fenômeno dinâmico, observado principalmente à 
radioscopia. 
4. Estreitamento colônico segmentar persistente. Trata-se de um sinal comum ao câncer cólico, com alta 
sensibilidade (90%) e baixa especificidade (68%) para diagnóstico de diverticulite aguda. 
Tomografia Computadorizada (TC) 
A TC é um método mais sensível para a avaliação inicial de pacientes com suspeita de diverticulite. Apresenta 
altas sensibilidade (93%), especificidade (100%) e acurácia no diagnóstico de diverticulite aguda. Além disso, 
é mais sensível que o enema para determinar a presença e a origem das complicações pericolônicas, sendo 
também útil para sugerir outros diagnósticos em 78% dos casos que mimetizam diverticulite aguda. 
O uso do contraste endorretal permite melhor visualização e opacificação da luz intestinal. Apesar de a 
administração exclusiva de meio de contraste endorretal proporcionar alta acurácia diagnóstica, a 
administração concomitante de contraste endovenoso ajuda a detectar e a caracterizar a inflamação 
pericolônica, sendo preconizada para a maioria dos pacientes. 
Portanto, o papel da TC é confirmar a suspeita clínica, determinar a presença de complicações (por exemplo, 
abscessos), direcionar o acesso terapêutico (percutâneo ou cirúrgico) e sugerir diagnósticos alternativos quando 
a hipótese de diverticulite é excluída. 
Sinais Tomográficos 
1. Espessamento simétrico (>4mm) da parede colônica (prevalência: 70%) associado à presença de divertículos 
(prevalência: 80%). Essa associação apresenta sensibilidade de 96% e especificidade de 91%. 
2. Alterações inflamatórias na gordura pericólica (heterogeneidade ou estriação). Apresenta sensibilidade de 
96% e especificidade de 90%. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3. Líquido livre abdominal. Apresenta sensibilidade de 45% e especificidade de 97% para o diagnóstico de 
diverticulite aguda. 
4. Presença de gás extraluminal. Sensibilidade de 30% e especificidade de 100% quando há suspeita clínica de 
diverticulite. 
5. Complicações. Fístulas e extravasamentos de meio de contraste, flegmões, abscessos, obstrução do intestino 
grosso ou delgado, ou inflamação secundária do apêndice. 
A interpretação tomográfica global tem sensibilidade, especificidade, valor preditivo positivo, valor preditivo 
negativo e acurácia de 99%, todos. 
Diverticulite Aguda à Direita C Sinais Tomográficos 
Apresenta-se como uma alteração inflamatória pericólica focal, associada a espessamento mural discreto e 
divertículo protruindo do colo direito no nível do máximo espessamento mural. O divertículo inflamado contém 
gás, líquido, meio de contraste ou material calcificado. Nesses pacientes, é imperiosa a identificação precisa 
do apêndice normal; caso contrário, a apendicite deve ser considerada entre os diagnósticos diferenciais, bem 
como a apendicite epiplóica (apendagite), tiflite ou carcinoma cecal perfurado. 
Diverticulite do Intestino Delgado 
Causada pela inflamação de um pseudodivertículo jejunal ou ileal, ou de um divertículo de Meckel. Os achados 
tomográficos são pouco sensíveis ou específicos: inflamação perientérica, divertículo preenchido por ar ou 
enterolito. 
Ultra-sonografia (US) 
As vantagens do uso da US em relação à TC, na suspeita de diverticulite aguda, incluem: maior disponibilidade, 
menor custo e a ausência de radiação ionizante ou de meio de contraste iodado. 
Sinais Ultrassonográficos 
1. Espessamento da parede colônica (>4 mm); 
2. Presença de divertículos; 
3. Inflamação da gordura pericólica. Definido como halo hiperecogênico adjacente à parede do colo; 
4. Abscesso pericólico. Ultra-sonografia versus Tomografia Computadorizada Um estudo comparativo 
prospectivo em 64 pacientes demonstrou acurácia semelhante entre a US e a TC. Todavia, a maioria dos 
especialistas considera atualmente a TC como método de escolha. 
• TRATAMENTO CLÍNICO E CIRÚRGICO 
REFERÊNCIA: Tratado de Cirurgia – Sabiston 
Apendicite aguda 
A maioria dos pacientes com apendicite aguda é tratada por remoção cirúrgica imediata do apêndice. Um breve 
período de reposição HE geralmente é suficiente para assegurar a indução segura da anestesia geral. 
Antibióticos pré-operatórios cobrem a flora colônica aeróbica e anaeróbica. Para pacientes com apendicite não 
perfurada, uma dose única pré-operatória de antibióticos reduz as infecções pós-operatórias da ferida e a 
formação de abscesso intra-abdominal. Os antibióticos orais pós operatórios não reduzem adicionalmente a 
incidência de complicações infecciosas nesses pacientes. Para portadores de apendicites perfuradas ou 
gangrenosas, continuamos com antibióticos intravenosos no período pós-operatório até o paciente estar afebril. 
Vários estudos randomizados prospectivos têm comparado a apendicectomia laparoscópica e a aberta, e as 
diferenças globais nos resultados ainda são pequenas. A porcentagem de apendicectomias realizadas por 
laparoscopia continua a crescer. Pacientes obesos têm menos dor e hospitalizações mais curtas após 
apendicectomia laparoscópica versus aberta. Pacientes com apendicite perfurada têm taxas menores de 
infecções da ferida após a remoção laparoscópica do apêndice. Pacientes tratados por laparoscopia têm 
resultados de melhor qualidade de vida duas semanas após a cirurgia e taxas mais baixas de readmissão. Em 
comparação com a apendicectomia aberta, a abordagem laparoscópica envolve custos mais elevados de sala de 
cirurgia, mas estes têm sido contrabalançados em algumas séries pela menor duração da estadia hospitalar. 
Para pacientes nos quais o diagnóstico continua duvidoso após a avaliação pré-operatória, a laparoscopia 
diagnóstica é útil porque permite que o cirurgião examine o restante do abdome, inclusive a pelve, à procura 
de anormalidades. Nossa prática é realizar apendicectomias por laparoscopia para a maioria dos pacientes, 
mulheres particularmente férteis, pacientes obesos e casos de dúvida diagnóstica. A reoperação de grande porte 
no abdome inferior com aderências impede a colocação de porta de acesso laparoscópico segura em raros 
pacientes. A apendicectomia aberta geralmente é realizada com mais facilidade por uma incisão transversa do 
quadrante inferior direito (Davis-Rockey) ou uma incisão oblíqua (McArthur-McBurney). Na vigência de um 
grande fleimão ou dúvida diagnóstica, uma incisão de linha média sub umbilical pode ser utilizada. Para casos 
não complicados, preferimos uma incisão transversa com divulsão dos músculos laterais do abdome sobre o 
ponto de McBurney. A adoção da anestesia local, antes da incisão, reduz a dor pós-operatória. 
 
 
 
A, Esquerda, localização das possíveis 
incisões para uma apendicectomia 
aberta. Direita, divisão do 
mesoapêndice. B, Ligação da base e 
divisão do apêndice. C, Colocação de 
sutura em bolsa ou ponto Z. D, 
Inversão do coto apendicular. 
 
 
 
 
 
Após a abertura do peritônio, o apêndice inflamado é identificado por sua consistência firme e procede-se a 
sua liberação. Atenção particular é dada à manipulação cuidadosa dos tecidos inflamados para minimizar o 
risco de ruptura durante o procedimento. Nos casos difíceis, o aumento da incisão e o desbridamento das 
aderências seguindo a trajetória da tênia colônica em direção ao

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