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Oncogênese

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Lílian Brito, Genética, 2021.1 
GENÉTICA 
Oncogênese 
CÂNCER 
É uma doença de origem genética, desencadeada por diversos fatores, que estão associados a: 
֎ agentes químicos, 
֎ agentes físicos 
֎ agentes fisiológicos. 
As mutações que causam o câncer afetam dois 
grupos gênicos, e esses grupos estão 
intimamente ligados aos mecanismos 
proliferativos e apoptóticos. 
CARACTERÍSTICAS DA CÉLULA TUMORAL 
Um tumor maligno é um agregado de células 
aberrantes (todas originárias de um único 
clone). 
֎ Rápida taxa de mitose; 
֎ Habilidade de invader novos territórios; 
֎ Alta taxa metabólica; 
֎ Forma anormal. 
O GRUPO DOS ONCOGENES: 
Os oncogenes estimulam a mitose, ou seja a replicação celular. Eles são necessários para estimular 
a substituição de células que tem uma meia-vida curta, ou que estão em constante contato com 
fatores agressores (células lábeis). 
EXEMPLO DE MUTAÇÃO EM ONCOGENES: 
 Os oncogenes “Ras”, codificam para a proteína “Ras”, ou seja o gene e a proteína levam a mesma 
nomenclatura, na maioria das vezes isso acontece, o gene “ras” ele tem uma sequência nucleotídica 
que acaba sendo convertida em aminoácidos, ocorreu uma mutação nessa sequência gênica, 
alterando o aminoácido sintetizado, essa proteína “Ras” mutada, não consegue se inativar, portanto 
os mecanismos de proliferação celular são super ativados. 
O GRUPO DOS GENES SUPRESSORES: 
Os genes supressores tumorais eles diminuem a taxa oncogênica e atuam naqueles mecanismos de 
"checkpoint", de reparo, diminuem o processo de replicação e induzem as células alteradas a 
apoptose. 
Exemplo de genes supressores tumorais: 
• Gene P53: 
Ele evita a progressão do ciclo celular até que o DNA seja reparado, e pode induzir a apoptose. 
 Lílian Brito, Genética, 2021.1 
Esse gene será transcrito e a proteína final sintetizada (proteína P53) irá ativar um regulador 
transcricional, bloqueando assim, a continuação do processo de replicação celular até que o dano 
seja reparado. Caso não exista possibilidade de reparo a célula será encaminhada à apoptose. 
 
 
OBS: 50% das mutações que afetam esses grupos de genes, tem a P53 inativada. 
Quando a P53 fica inativada, a célula perde a capacidade de desempenhar o processo apoptótico, 
tornando-se assim, uma célula imortal. 
As mutações que acontecem nesses genes é o que vai predispor o indivíduo para o processo 
carcinogênico. Sabemos que cada gene que a gente apresenta na nossa constituição, contém dois 
alelos: 
• alelo herdado pelo pai 
• alelo herdado pela mãe 
Se a mutação ocorrer em pelo menos um dos alelos, ela já será expressa, pois afeta alelos 
dominantes. No caso das mutações em genes supressores tumorais, acontecem de uma forma 
diferente, para que os efeitos fenotípicos sejam apresentados, precisa-se que a mutação esteja 
presente nos dois alelos recessivos. 
Precisamos entender também a diferença entre uma célula saudável de uma célula tumoral: 
• Elas apresentam normalmente uma alta taxa de mitose, por conta de uma alteração no 
mecanismo de checagem que está presente no processo de mitose. Na célula tumoral esses 
mecanismos de controle, eles se perdem, então você bloqueia as proteínas que agem nesses 
pontos e essa célula vai progredir muito mais rapidamente de uma fase para outra. 
 Lílian Brito, Genética, 2021.1 
• alta taxa metabólica, é a capacidade dessa célula de quebrar e formar outras moléculas: 
Nas células tumorais a necessidade de energia é muito maior, por conta de seu contínuo 
processo de mitose, elas internalizam a glicose que encontram no meio extracelular. 
• A perda do glicocálix: 
 Quando essa camada de açúcar ela se perde, ela leva com sigo a capacidade de identificação 
dessas células, como essas células perdem a capacidade de serem identificadas por nosso sistema 
imune, elas acabam adquirindo a capacidade de migrar para outros tecidos. Elas começam a invadir 
outros territórios e se proliferam, gerando uma característica metastática naquele tecido. 
OBS: Existe uma maneira de identificar um processo tumoral em tecidos específicos utilizando a 
técnica de petiscan 
Você administra, no paciente, antes de realizar o exame de imagem, um contraste com análogo de 
glicose, dessa maneira, quando você realiza o exame de imagem, conseguirá ver esse análogo de 
glicose sendo internalizado em grande quantidade em tecidos com um possível processo tumoral 
acontecendo. Cada tecido tem uma taxa metabólica diferente, então a definição de “alta taxa 
metabólica”, para se identificar células cancerosas é diferente para cada um deles, porém nos dias 
de hoje, essas taxas, já são conhecidas. 
 
Quando o câncer é hereditário, ou não? 
Quando as mutações estão presentes nas células da linhagem germinativa. 
Ex: óvulos e espermatozoides 
OBS: Não necessariamente uma pessoa que tenha câncer vai transmitir o câncer que tem para a 
sua prole, pois são as mutações que afetam essas células que são transmitidas através do material 
genético, a exposição a fatores tumorais também toma grande parte da incidência de cânceres, 
por tanto não necessariamente, uma pessoa que tenha câncer, irá transmitir diretamente o mesmo. 
A maior parte dos cânceres irão surgir em células somáticas, quando a mutação surge nessas 
células será sim um processo carcinogênico, porém não será hereditário. 
GENES SUPRESSORES TUMORAIS 
Se trata de um grupo de genes que atua basicamente em 2 frentes. 
1ª Regulação negativa do ciclo celular: na tentativa de bloquear os processos mutagênicos. 
→ Caso a célula não consiga reparar algum possível dano eles regulam positivamente os 
processos apoptóticos, ou seja, induz as células que não repararam seu material 
genético a apoptose. 
2ª Regulação positiva dos processos apoptoticos. 
→ Nas células em que a regulação negativa não solucionou o problema, elas possuem 
outra possibilidade de tentar a regulação que é por meio da regulação positiva dos 
processos apoptóticos. 
Os genes supressores atuam por meio dos mecanismos de: 
֎ bloqueio do ciclo celular, 
֎ reparo do DNA 
֎ apoptose. 
50% dos tumores humanos apresentam o gene p53 (um dos tipos de genes supressores tumorais, 
ou seja de caracteristica recessiva) não-funcional, presente nos 2 alelos, eles não evitam a 
progressão do ciclo celular em células danificadas 
 Lílian Brito, Genética, 2021.1 
OBS: Uma diferença importante entre oncogenes e 
genes supressores do tumor é que os oncogenes resultam 
da ativação de proto-oncogenes, enquanto que os genes 
supressores do tumor provocam câncer quando eles são 
inativados. 
O ciclo celular, que é realizado por meio 
das ciclinas (passam as células de um 
ciclo para o outro) até que o DNA seja 
reparado, caso isso não aconteça a célula 
será induzida ao processo apoptótico, 
evitando o acúmulo de erros a cada 
processo de replicação. 
֎ P21 assim como P53, é uma 
proteína supressora tumoral, elas 
atuam bloqueando as ciclinas para 
executar os mecanismos de 
checagem (os cheques points 
entre uma fase e outra). 
 
 
 
A imagem ao lado retrata exemplo de outros genes supressores tumorais. 
֎ O BRCA1 se apresenta no cromossomo 17 
֎ O BRCA2 se apresenta no cromossomo 13 
 
 
 
GENÉTICA DO CÂNCER HEREDITÁRIO 
A ideia do tema é desmistificar algumas ideias sobre câncer hereditário e agregação ou 
agrupamento familiar 
• Agregação ou agrupamento familiar, são afecções genéticas, nas quais o câncer é mais 
prevalente em indivíduos de uma mesma família, ou seja, linhagem germinativa. 
Ex: em caso de três gerações familiar (mãe, filha e neta) possuir câncer, é possível afirmar que 
se trata de um câncer hereditário? Não. 
O que ocorre em muitos casos é que se confunde a agregação familiar com o câncer hereditário. 
O câncer hereditário corresponde a 5-10% dos casos e na maior parte das vezes corresponde a 
cânceres que surgem esporadicamente, através de mutações de DNAs em células somáticas. Se 
tratando de agrupamento