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Oncogênese

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familiar ele possui um percentual de 15-20% e se confunde muito com o 
hereditário. 
Muitas vezes gerações familiares apresentam o mesmo tipo de câncer, mas não é possível afirmar 
que ele é hereditário, em caso das mutações que predispuseram as gerações ter o mesmo tipo de 
câncer. Entretanto, é preciso levar em consideração que as gerações compartilham muitos genes 
OBSERVAÇÃO 
Genes ≠ Proteína → é preciso ter a 
noção que o gene é inerte. 
O gene é transcrito em RNAm por 
meio das proteínas e depois ele será 
traduzido em moléculas funcionais. 
Portanto o gene é INERTE, quem 
realiza as atividades são as 
moléculas funcionais, ou seja, AS 
PROTEÍNAS. 
 
 Lílian Brito, Genética, 2021.1 
em comum (material genético muito similar), sem contar que normalmente elas estão expostas aos 
mesmos agentes físicos, químicos e biológicos por serem da mesma família. 
Com isso elas podem apresentar mutações: 
֎ devido a predisposição genética por compartilharam muitos genes iguais 
֎ pela mesma exposição ou exposição similar, com isso elas podem desenvolver o mesmo tipo 
de câncer e não necessariamente ter algum componente genético ligando-os, ou seja, 
nenhuma mutação que foi passada entre as gerações predispôs elas a desenvolver o câncer. 
Um fator importante a ser observado é quando o câncer de fato é hereditário. 
OBS: o câncer só pode ser considerado hereditário se ele ocorrer no mesmo local (no mesmo 
sitio), ou seja, aparecer como o mesmo câncer para todas as pessoas de uma mesma família. 
Nem sempre quando um indivíduo herda 
um câncer, uma mutação, ele irá 
desenvolver o mesmo tipo de câncer que 
seu antecedente. 
OBS: O que se herda são as mutações e 
não o câncer. As mutações podem ser 
em: oncogênese ou em genes 
supressores tumorais. 
• Todas as células possuem oncogênes e genes supressores tumorais, pois os genomas 
celulares são iguais. 
Isso indica que o integrante A da família tenha tido uma mutação no gene supressor tumoral, mas 
a mutação acabou se manifestando fenotipicamente nas células do pulmão, por outro lado o 
integrante B da família que possui a mesma mutação apresentou câncer de mama. Com isso é 
possível perceber que o passado entre as gerações são as MUTAÇÕES, ou seja, indivíduos de uma 
mesma família podem apresentar tumores em sítios distintos, depende da célula que vai ativar o 
tipo de mecanismo do gene que vai sofrer a mutação. 
 
Dizer que o câncer de mama é hereditário não é errado, ele pode ser hereditário, mas lembrando 
que o passado entre gerações é a mutação. Ele é hereditário pois o mesmo componente genético 
que predispôs uma mãe a ter câncer pode predispor a filha e a neta, mas, para ter certeza é 
preciso fazer o sequenciamento de DNA das gerações e saber que a mutação entre elas é igual. 
O que é muito observado é que são eventos de penetrância variável, normalmente as mutações não 
estão acometendo todos indivíduos de uma mesma família e ainda pode acontecer do indivíduo 
apresentar a mutação e não desenvolver o tumor. Essa penetrância variável é por conta das 
individualidades de cada indivíduo. Sem contar nos fatores ambientais, os quais podem aumentar 
ou reduzir as chances de um indivíduo apresentar uma mutação oncogênica. 
• Uma característica do câncer hereditário é a manifestação precoce, pois, o indivíduo já 
nasce com a mutação que predispõe o câncer diferentemente do cidadão que adquire ao 
longo de sua vida. 
TIPOS ESPECÍFICOS DE CÂNCER: 
CÂNCER DE MAMA HEREDITÁRIO 
Mais comum entre mulheres, causa cerca de 10 mortes a cada 100 mil mulheres no Brasil. Ocorre 
principalmente pós menopausa. Possui múltiplos fatores de risco, entre eles: 
 Lílian Brito, Genética, 2021.1 
֎ sobrepeso, 
֎ hormônios, 
֎ tabagismo, 
֎ existência de familiares afetados pela 
enfermidade 
Linfonodos drenantes da mama (metástase) 
Mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 são 
responsáveis por cânceres de mama e ovário 
hereditários e estão associados ao câncer de 
mama masculino 
Os genes supressores tumorais BRCA1 e BRCA2 são os mais associados ao câncer de mama, são 
genes que regulam os mecanismos apoptóticos e de bloqueio do ciclo celular. 
CÂNCER DE CÓLON HEREDITÁRIO 
Se apresenta sob a forma esporádica, nas células somáticas, em cerca de 80% dos pacientes, os 
20% restantes possuem componentes genéticos hereditários, ou seja, linhagens germinativas. 
Entre os vários genes, as mutações que ocorrem no gene MLH1 (cromossomo 3p21-3) e MSH2 
(cromossomo 2p22-p21) são responsáveis por 90% dos casos. 
Esses dois genes estão associados a processos proliferativos e quando mutados podem desenvolver 
o processo de tumoração. 
O câncer pode se manifestar sob a forma de pólipos 
colorretais, inicialmente, que ao passar do tempo 
progridem para o processo de tumoração. 
 
CÂNCER TIREOIDIANO HEREDITÁRIO 
Costumam ser diagnosticados em pacientes mais 
jovens, em torno dos 35 anos e são frequentemente 
múltiplos e bilaterais. 
Existe o câncer de tireoide não hereditário, normalmente está associado a fatores ambientais, 
como exames de imagem. 
CÂNCER DE PRÓSTATA HEREDITÁRIO 
10% a 20% dos casos, ao mais acometidos são homens jovens (como é comum nos cânceres 
hereditários). O câncer de próstata não possui um gene que está mais associado, entretanto ele 
possui um componente bem heterogêneo genético que é a participação de vários genes diferentes 
• Doença heterogênea, com múltiplos loci (genes), contribuindo para sua susceptibilidade 
Causa cerca de 11 mortes a cada 100 mil homens no Brasil. 
• Os loci do câncer de próstata foram mapeados nos cromossomos 1q24-25, 1q42, Xq27-28, 
1p36 e 20q13 
SÍNDROME MULTICÂNCER 
 Lílian Brito, Genética, 2021.1 
A síndrome possui componente genético e hereditário muito forte, ou seja, alto indicie de 
herdabilidade. 
A síndrome de Cowden ou multicâncer se caracteriza quando o indivíduo apresenta pelo menos 
três tipos de câncer simultâneos e sem precursor comum. 
• Não se trata de um processo metastático. 
A síndrome ocorre quando o indivíduo que já possui um câncer presente em um sítio e ele se espalha 
para outro sítio (pelo menos 3 tipos de câncer simultâneos). 
A tumoração em múltiplos sítios ocorre porque eles apresentam algum componente genético em 
comum. 
O gene que desencadeia a síndrome multicâncer se chama PTEN. Ele codifica para a proteína, 
também chamada PTEN. 
Essa proteína está associada com o bloqueio da via de sobrevivência e inibição da apoptose. E o 
que uma célula tumoral quer é escapar da apoptose. 
Quando a proteína PTEN está mutada ela perde a sua capacidade de bloqueio e com isso a célula 
sobrevive e escapa da apoptose. 
Com o desenvolvimento da medicina personalizada e aconselhamento genético, pode ser feito um 
rastreio de mutações (por meio do sequenciamento do DNA) que predispõem a esse tipo de câncer, 
síndromes e inclusive como evitar. 
O aconselhamento genético se trata dos hábitos que o indivíduo pode ter, do que pode ou não ser 
ingerido após o sequenciando do DNA. 
CARCINOMA DE PULMÃO DE CÉLULAS NÃO PEQUENAS (CPCNP) 
A manifestação do CNCNP está associada a mutações aos genes: 
• EML-4-ALK 
• ROS-1 
• BRAF 
• PI3KC 
Os quatro genes acima se tratam de oncogênes, genes que estimulam o processo mitótico. 
Consequentemente quando mutados irão intensificar o processo proliferativo. 
Normalmente no pulmão se tem carcinomas de células 
pequenas e não pequenas. O de células pequenas é quase 
que EXCLUSIVAMENTE associado a tabagistas. 
O carcinoma de células não pequenas não é exclusivo para 
pessoas que não fumam, porém mais prevalente, ou seja, 
as que fumam também podem desenvolver inclusive 
aumentar as chances (potencializar). 
Outros genes observados com uma frequência 
relativamente alta mutados nos pacientes com tumoração 
são: 
֎ Os genes de crescimento celular: 
→ K-ras 
→ MYC 
֎ Genes de fatores de crescimento: 
→ HER2 
 Lílian Brito, Genética, 2021.1 
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