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Diabetes Mellitus (tipos, diagnóstico e metas)

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MARIA GABRIELA CALAÇA DE ARAÚJO – P6 
 
DIRETRIZ BRASILEIRA DE DIABETES 2019-2020 
1 
CONCEITO 
Diabetes mellitus consiste em um distúrbio 
metabólico caracterizado por hiperglicemia 
persistente, decorrente de deficiência na 
produção de insulina ou na sua ação, ou em 
ambos os mecanismos. 
A hiperglicemia persistente está associada a 
complicações crônicas micro e macrovasculares, 
aumento de morbidade, redução da qualidade 
de vida e elevação da taxa de mortalidade. 
DIABETES MELLITUS 
TIPO 1 
É uma doença autoimune, poligênica, decorrente 
de destruição das células β pancreáticas, 
ocasionando deficiência completa na produção 
de insulina. 
É mais frequentemente diagnosticada em 
crianças, adolescentes e, em alguns casos, em 
adultos jovens, afetando igualmente homens e 
mulheres. 
O início é, em geral, abrupto, podendo ser a 
cetoacidose diabética a primeira manifestação 
da doença em um terço dos casos. 
→ Tipo 1A: 
• forma mais frequente de DM1, 
confirmada pela positividade de 
um ou mais autoanticorpos. 
• Embora sua fisiopatologia não seja 
totalmente conhecida, envolve, 
além da predisposição genética, 
fatores ambientais que 
desencadeiam a resposta 
autoimune. 
→ Tipo 1B: 
• Idiopático 
• Os autoanticorpos não são 
detectáveis na circulação. 
Anticorpos: 
o Anticorpo anti-ilhota (ICA) 
o Anticorpo anti-insulina (IAA) 
o Anticorpo antidescarboxilase do ácido 
glutâmico (anti-GAD65) 
o Anticorpo antitirosina-fosfatase IA-2 e IA-2B 
o Anticorpo antitransportador de zinco (Znt8) 
OBS: geralmente os autoanticorpos precedem a 
hiperglicemia por meses a anos, durante um 
estágio pré-diabético. 
Forma lentamente progressiva de DM1 em 
adultos, é o latent autoimmune diabetes in adults 
(LADA). 
DIABETES MELLITUS 
TIPO 2 
Corresponde a 90-95% dos casos de DM e possui 
etiologia complexa e multifatorial, envolvendo 
componentes genéticos e ambientais. 
Acomete indivíduos a partir da quarta década de 
vida. 
É uma doença poligênica, com forte herança 
familiar, ainda não completamente esclarecida, 
cuja ocorrência tem contribuição significativa de 
fatores ambientais (hábitos dietéticos e 
inatividade física, que contribuem para a 
obesidade). 
Em pelo menos 80 a 90% dos casos, associa-se ao 
excesso de peso e a outros componentes da 
síndrome metabólica. 
Na maioria das vezes, a doença é assintomática 
ou oligossintomática por longo período, sendo o 
diagnóstico realizado por dosagens laboratoriais 
de rotina ou manifestações das complicações 
crônicas 
Podem apresentar sintomas clássicos de 
hiperglicemia: poliúria, polidipsia, polifagia e 
perda de peso (4P’s) 
→ Fatores de risco para DM2: 
• História familiar da doença 
• Avançar da idade 
• Obesidade 
• Sedentarismo 
• Diagnóstico prévio de pré-diabetes 
ou diabetes mellitus gestacional 
• Presença de componentes da 
síndrome metabólica 
Ainda que assintomáticos, a presença de fatores 
de risco já impõe rastreamento para diagnóstico 
precoce. Se a investigação laboratorial for normal, 
sugere-se repetição do rastreamento em 
intervalos de 3 anos ou mais frequentemente, se 
Diabetes Mellitus: 
✓ Tipos 
✓ Diagnóstico 
✓ Metas 
glicêmicas 
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DIRETRIZ BRASILEIRA DE DIABETES 2019-2020 
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indicado. Na presença de pré-diabetes, 
recomenda-se reavaliação anual. 
Critérios para rastreamento do DM2: 
→ Indivíduos com idade < 45 anos; sugere-se 
rastreamento de DM2 em indivíduos com 
sobrepeso ou obesidade e que 
apresentem mais um fator de risco para 
DM entre os seguintes: 
o Pré-diabetes 
o História familiar de DM (parente de 
primeiro grau) 
o Raça/etnia de alto risco para DM 
(negros, hispânicos ou índios prima) 
o Mulheres com diagnóstico prévio 
de DMG 
o História de doença cardiovascular 
o Hipertensão arterial 
o HDL < 35 mg/dL e/ou triglicérides > 
250 mg/dL 
o Síndrome de ovários policísticos 
o Sedentarismo 
o Acantose nigricans 
DIABETES MELLITUS 
GESTACIONAL 
Trata-se de uma intolerância a carboidratos de 
gravidade variável, que se inicia durante a 
gestação atual, sem ter previamente preenchido 
os critérios diagnósticos de DM. 
Geralmente é diagnosticado no segundo ou 
terceiro trimestres da gestação. 
Pode ser transitório ou persistir após o parto, 
caracterizando-se como importante fator de risco 
independente para desenvolvimento futuro de 
DM2. 
→ Fatores de risco para DMG: 
o Idade materna avançada 
o Sobrepeso, obesidade ou ganho 
excessivo de peso na gravidez 
atual 
o Deposição central excessiva de 
gordura corporal 
o História familiar de diabetes em 
parentes de primeiro grau 
o Crescimento fetal excessivo, 
polidrâmnio, hipertensão ou pré-
eclâmpsia na gravidez atual 
o Antecedentes obstétricos de 
abortamentos de repetição, 
malformações, morte fetal ou 
neonatal, macrossomia ou DMG 
o Síndrome de ovários policísticos 
o Baixa estatura (inferior a 1,5m) 
DM aumenta o risco de parto cesáreo, recém-
nascido com peso acima do percentil 90 e 
hipoglicemia neonatal. 
OBS: a gestação consiste em condição 
diabetogênica, uma vez que a placenta produz 
hormônios hiperglicemiantes e enzimas 
placentárias que degradam a insulina, com 
consequente aumento compensatório na 
produção de insulina e na resistência à insulina, 
podendo evoluir com disfunção das células β. 
OUTROS TIPOS DE 
DIABETES MELLITUS 
 
→ MODY: é uma forma monogênica de DM e 
caracteriza-se por herança autossômica 
dominante, idade precoce de 
aparecimento (em geral antes dos 25 
anos) e graus variáveis de disfunção da 
célula β. Estima-se que representa 1 a 2% 
de todos os casos de DM. 
→ MODY 2: apresenta-se com hiperglicemia 
leve, encontrada desde o nascimento, e 
não progressiva, geralmente não 
requerendo tratamento com agentes orais 
ou insulina, sendo tratado exclusivamente 
com mudança de estilo de vida (MEV). 
→ MODY 3: apresentam falência progressiva 
da função das células β, o que resulta em 
hiperglicemia no decorrer da vida. 
Costuma ser diagnosticado na 
adolescência ou no adulto jovem, e a 
frequência de suas complicações 
crônicas, de forma semelhante à dos 
indivíduos com DM1 e DM2, é relacionada 
com o controle glicêmico. Indivíduos com 
MODY 3 têm sensibilidade à ação 
hipoglicemiante das sulfonilureias, sendo 
essa classe a medicação de escolha para 
esses indivíduos. 
→ Diabetes neonatal: é uma forma 
monogênica da doença, diagnosticado, 
normalmente, nos primeiros 6 meses de 
vida. Cerca de 50% dos casos são 
transitórios, ocorrendo a remissão em 
semanas ou meses, podendo o diabetes 
recidivar por volta da puberdade, e os 
demais são permanentes. 
• Diabetes neonatal transitório: 
apresentam baixo peso ao 
nascimento, e a hiperglicemia 
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desenvolve-se nas primeiras 
semanas de vida. 
• Diabetes neonatal permanente: 
têm peso reduzido ao nascimento, 
e a idade de aparecimento da 
hiperglicemia é variável, em geral 
nos primeiros 3 meses de vida. 
Outras causas de DM incluem defeitos genéticos 
na ação da insulina, decorrentes de mutações no 
gene do receptor de insulina, e doenças do 
pâncreas exócrino, como pancreatite, trauma, 
pancreatectomia e carcinoma pancreático. 
Além disso, endocrinopatias com aumento de 
hormônios contrarreguladores da ação da 
insulina, entre os quais hormônio de crescimento, 
cortisol e glucagon, podem provocar DM. 
OBS: medicamentos que diminuem a secreção ou 
ação da insulina → glicocorticoides, ácido 
nicotínico e os antipsicóticos atípicos. 
DIAGNÓSTICO DE 
DIABETES MELLITUS 
→ Glicemia de jejum: coletada em sangue 
periférico após jejum calórico de no 
mínimo 8 horas; 
→ TOTG: previamente à ingestão de 75g de 
glicose dissolvida em água, coleta-se uma 
amostra de sangue em jejum para 
determinação da glicemia; coleta-se 
outra, então, após 2 horas