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cervicalgia e lombalgia - DIAGNÓSTICOS SINDRÔMICOS E ETIOLÓGICOS DA DOR CERVICAL E DOR LOMBAR

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atribuíram a fatores psicológicos a sua origem. 
QUADRO CLÍNICO 
 A dor crônica generalizada é o sintoma cardinal da SFM. Pode ser moderada ou intensa. É 
referida nos músculos, ligamentos e tendões de várias regiões do corpo. Cefaleias crônicas, 
geralmente diárias, muitas vezes intensas e frequentemente relacionadas à tensão emocional 
ocorrem em mais de 40% dos doentes. Rigidez articular ocorre em 80% dos casos. A rigidez 
articular e a artralgia simulam condições artríticas e apresentam magnitude variada; costumam 
 Diagnóstico Sindrômicos e Etiológicos da Dor Cervical e Dor Lombar | Larissa Gomes de Oliveira. 
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ser mais intensas pela manhã e ao anoitecer, e podem ser agravadas pelo excesso de atividade 
física, infecções sistêmicas, lesão de tecidos moles, privação do sono, exposição ao frio, umidade 
e estresses psicológicos. 
Podem comprometer a realização das atividades de vida diária, serviços domésticos e laborais, 
alterar o humor, o sono e a qualidade de vida Fadiga generalizada traduzida por sensação de 
falta de energia, exaustão, fatigabilidade durante a execução de exercícios físicos triviais, esforço 
mental e mediante estressores psicológicos ( pode melhorar pela manhã e ficar cada vez mais 
extenuante com o passar das horas do dia). Parestesias e adormecimento, principalmente nas 
extremidades e, às vezes, no couro cabeludo, sem padrão dermatomérico e na ausência de 
anormalidades ao exame neurológico. Sensação de inchaço e edema nas mãos, pés e tornozelos 
também são sintomas frequentes. Dificuldade para a instalação do sono, despertares frequentes 
durante a noite, dificuldade para retomada do sono, sono agitado e superficial e despertar 
precoce. 
A síndrome do cólon irritável caracterizada por dor e distensão abdominal, e alteração do hábito 
intestinal (obstipação, diarréia ou alternância) que melhoram com a evacuação também é 
observado em pacientes com SFM. Inquietação dos membros e intolerância ao frio podem 
aparecer. Disfunção cognitiva é comum em doentes com SFM e afeta adversamente a 
capacidade competitiva no trabalho. Doentes com SFM queixam-se de dificuldades para 
recordar eventos, processar informações e realizar tarefas. Tontura é queixa comum nos 
doentes com SFM 
DIAGNÓSTICO 
O diagnóstico de FM é eminentemente clínico, com a história, exame físico e exames 
laboratoriais auxiliando a afastar outras condições que podem causar sintomas semelhantes. 
Não há alteração dos exames que indicam inflamação, como a velocidade de 
hemossedimentação (VHS) e a proteína C reativa. Exames de imagem devem ser interpretados 
com muito cuidado, pois nem sempre os achados da radiologia são a causa da dor do paciente. 
A FM pode aparecer em pacientes que apresentam outras doenças reumáticas, como artrite 
reumatoide e lúpus eritematoso sistêmico, e muitas vezes dificulta uma completa melhora 
destes pacientes. 
TRATAMENTO 
A meta no tratamento da FM é aliviar os sintomas com melhora na qualidade de vida. A FM não 
traz deformidades ou sequelas nas articulações e músculos, mas os pacientes apresentam uma 
má qualidade de vida. 
O principal tratamento da FM é não-medicamentoso, ou seja, os cuidados do paciente consigo 
mesmo são mais importantes do que as medicações, embora estas também tenham seu papel. 
O principal tratamento da fibromialgia é o exercício aeróbico, aquele que mexe o corpo todo e 
acelera os batimentos cardíacos. Esta parece ser a melhor a maneira de reverter a sensibilidade 
aumentada à dor na FM. Além disso, é importante entender sobre a doença (educação) e alguns 
casos terapia psicológica pode ser útil, principalmente para aprender a lidar com a dor crônica 
no dia a dia. 
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As medicações são úteis para diminuir a dor, melhorar o sono e a disposição do paciente com 
fibromialgia, para permitir a prática de exercícios físicos. Algumas medicações, como a 
pregabalina e a duloxetina, agem na maior sensibilidade à dor. Outros remédios como 
relaxantes musculares, antidepressivos e analgésicos podem ser usados para alívio de sintomas 
diversos. 
DOENÇAS ENDÓCRINAS E METABÓLICAS 
Hiperparatireoidismo, raquitismo e insuficiência renal podem causar lesões ósseas, fraturas 
patológicas e cervicalgia. A acondroplasia e a hiperostose esquelética idiopática podem também 
cursar com cervicalgia. O diagnóstico se baseia na história, no exame clínico e nos exames 
laboratoriais e de imagem. O tratamento consiste no uso de AINES, opioides, psicotrópicos, 
medidas fisiátricas e cirurgias descompressivas do tecido nervoso. 
DOENÇAS INFLAMATÓRIAS 
As doenças inflamatórias da região cervical geralmente são sistêmicas. O quadro clínico e os 
exames laboratoriais e de imagem permitem o diagnóstico. 
A artrite reumatóide (é uma doença autoimune caracterizada pelo ataque do próprio corpo às 
articulações, o que provoca inchaço, rigidez e dores nas juntas, capazes inclusive de limitar a 
movimentação no dia a dia) pode acometer as articulações atlantoccipital e atlantoaxial e causar 
anormalidades neurológicas; há cervicalgia em mais de 80% dos pacientes com artrite 
reumatóide. A dor se localiza na região cervical posterior, e é comum a ocorrência de rigidez e 
limitação dos movimentos, principalmente de flexo-extensão, e a instabilidade e a compressão 
da medula espinal e das raízes nervosas. 
A espondilite anquilosante (é um tipo de artrite, autoimune inflamatória crônica, que afeta os 
tecidos conjuntivos, especialmente as articulações da coluna, causando rigidez e dor nas costas) 
predomina no esqueleto axial e causa inicialmente dor e rigidez da articulação sacroilíaca e 
rigidez, limitação progressiva da movimentação cervical e dor localizada na região cervical 
rostral irradiada para a escama do occipital e a região mastóide, cinco ou mais anos após a 
instalação dos sintomas sacroilíacos. 
Polimiosite e dermatomiosite são doenças inflamatórias musculares esqueléticas que se 
caracterizam como fraqueza proximal dos músculos das cinturas pélvica e escapular, dos 
membros superiores e inferiores e das regiões rostrais do segmento cervical. 
A hiperostose idiopática e difusa ou doença de Forestier é uma condição não-inflamatória que 
se manifesta especialmente em indivíduos do sexo masculino e com mais de 50 anos de idade. 
Acomete 12% dos indivíduos após os 75 anos de idade e se caracteriza como entesopatia não-
erosiva, neoformação óssea e calcificação do ligamento longitudinal anterior de, pelo menos, 
quatro corpos vertebrais contíguos. Em 50% dos pacientes, há acometimento da coluna cervical. 
A ossificação das estruturas espinais pode gerar compressão da laringe e disfagia em 
decorrência da osteofitose anterior. 
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OBS: O “bico de papagaio” ou osteofitose se manifesta quando os ligamentos e as cartilagens 
que envolvem as vértebras se calcificam, como forma de estabilizar a estrutura desgastada. O 
problema tem maior incidência na região lombar, mas pode atingir outras partes da coluna. 
A artrite reumatóide juvenil, a espondiloartropatia soronegativa, a polimialgia reumática, a 
arterite de células gigantes, a ossificação do ligamento longinal posterior, a gota e as 
artropatias microcristalinas, entre outras, podem também ocorrer na região cervical e resultar 
em dor. 
NEURALGIAS 
A neuralgia dos nervos glossofaríngeo, trigêmeo ou occipital cursam com dor em queimor ou 
choque na área de distribuição da estrutura nervosa acometida. A neuralgia do glossofaríngeo 
acomete a região lateral e rostral do pescoço, da faringe, da orelha, da epiglote e da base da 
língua. A neuralgia da divisão mandibular do nervo trigêmeo pode cursar com dor na região 
lateral superior do pescoço. A neuralgia occipital manifesta-se como dor na região occipital