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fisiopatologia, etiologia e semiotécnica da febre

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Prob.1/Mód.14 | Larissa Gomes de Oliveira. 
 
Febre, Inflamação e 
Infecção. 
 
EXPLANAR A FISIOPATOLOGIA, SEMIOTÉCNICA E ETIOLOGIA DA FEBRE. 
A febre é uma das principais queixas dos pacientes e ela pode ser gerada por fatores diversos 
como infecção, trauma, inflamação... que vai gerar resposta do organismo, que vai desencadear 
uma resposta febril. 
A febre é um aumento da temperatura corporal, junto com um aumento no ponto de ajuste 
hipotalâmico. É uma resposta multissistêmica, no qual vai gerar uma resposta tanto do sistema 
imunológico, como também endocrinológico, neurológico, além de comportamental. 
A termorregulação: é preciso entender que as variações na temperatura corporal vão depender 
tanto de fatores ambientais como de fatores biológicos (intrínsecos). Essa termorregulação tem 
um limiar basal fortemente e constantemente regulado, e ele é regulado através de vários 
centros independentes que vão estar se comunicando com o núcleo pré-óptico no hipotálamo. 
Esse núcleo pré-óptico é muito importante pois ele tem tanto núcleos sensíveis ao calor, como 
também ao frio, e aí a depender do ambiente e como esteja o seu limiar térmico basal, esse 
núcleo vai ditar como o indivíduo vai se comportar. 
No ambiente frio por exemplo, o corpo desenvolve mecanismos para que haja o 
armazenamento de calor, para isso, ocorre vasoconstrição periférica, piloereção (arrepios) que 
evitam a perda de calor, diminuição da sudorese, há um aumento da contração muscular (em 
que o indivíduo tem calafrios, se treme, e esses abalos musculares aumentam a produção de 
calor, tentando chegar ao limiar necessário para o indivíduo). 
Já no ambiente quente o corpo entende que a temperatura está acima do limiar e por isso há a 
perda de calor que ocorre através de mecanismos como a sudorese, além de mecanismos 
comportamentais (como procurar a sombra, tirar roupas quentes...) 
A temperatura normal média é de mais ou menos 36,8ºC +/- 0,4ºC. sendo que as mulheres tem 
a média um pouquinho maior e pode aumentar durante a ovulação. 
Cerca de 99% da população varia a temperatura podendo chegar a 37,2ºC as 6:00 da manhã e 
cerca de 37,7 as 16:00. Desse modo, febre é definido a partir de uma temperatura 37,5ºC 
(AXILAR), podendo variar um pouco se for aferida por via retal (38ºC) ou oral (variando a partir 
de 37,3 a 37,8ºC a depender do período do dia). 
 
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A febre é uma elevação da temperatura normal do corpo que pode ocorrer em função de 
diversos fatores. Trata-se de um mecanismo de defesa do organismo que é ativado quando há 
algo de anormal em seu funcionamento. O aumento da temperatura busca destruir invasores, 
geralmente vírus e bactérias. 
É um aumento controlado da temperatura corporal, acima dos valores normais. A temperatura 
corporal é regulada por neurônios termossensíveis localizados no hipotálamo anterior, que 
corresponde a alterações na temperatura sanguínea, assim como as conexões neurais diretas 
com receptores de frio e calor localizados na pele e músculo. 
Respostas termorreguladoras incluem respostas metabólicas como o redirecionamento do 
sangue na direção ou para exterior de leitos vasculares cutâneas, vasoconstricção periférica, 
sudorese aumentada ou diminuída, regulação do volume de líquido extracelular, aumento do 
metabolismo basal e respostas comportamentais. 
FISIOPATOLOGIA DA FEBRE 
O hipotálamo pode ser anatomicamente dividido em duas áreas: anterior e posterior. 
➔ A porção anterior (centro dissipador de calor): age de forma para aumentar o “desperdício” 
de calor e, consequentemente, a “saída” dele do corpo. Para que isso ocorra, depois de 
estimulado, suas vias eferentes irão promover a vasodilatação vascular periférica e aumento 
da sudorese. 
➔ A Porção posterior do hipotálamo (centro promotor de calor): quando for ativada 
promoverá a produção e conservação de calor por meio da vasoconstrição periférica, 
aumento da atividade metabólica e aumento do tônus muscular. Esse último explica o 
porquê dos calafrios quando se tem febre. 
A febre ocorre pela ação de fatores pirogênicos sobre o centro termorregulador do hipotálamo, 
elevando o limiar térmico e desencadeado respostas metabólicas de produção e conservação 
de calor (como tremores, vasoconstrição periférica, aumento do metabolismo basal). 
Existem fatores pirogênicos e criogênicos (ou seja, fatores que vão aumentar a temperatura e 
fatores que vão diminuir a temperatura) e são esses fatores que vão definir a duração da febre, 
se caso o fato pirogênico estiver maior, mais prolongada será essa febre. Se houver um aumento 
dos fatores criogênicos e diminuição dos pirogênicos, a temperatura começa a descer. 
OBS: Os fatores pirogênicos são lipídeos associados a moléculas transportadoras que podem ser 
polissacarídeos ou peptídeos. Existem Pirogênios endógenos (citocinas inflamatórias 
principalmente, como IL-6, IL-1, INF, TNF), geralmente produzidas pelos leucócitos, ou 
pirogênios exógenos (corpo entranho, microrganismos, produtos bacterianos, fungos) que 
estimulam a síntese de prostaglandinas PGE2 nas células vasculares e perivasculares do 
hipotálamo. 
Essa ação pode se dar por basicamente duas vias humorais da febre: a via humoral 1 e a via 
humoral 2. 
 
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Prob.1/Mód.14 | Larissa Gomes de Oliveira. 
 
Via humoral 1: Essa via está relacionada aos fatores pirogênicos exógenos, que vão ativar os 
receptores TLR-4 na barreira hematoencefálica pelos fatores exógenos (principalmente 
microrganismos). Estes pirogênios exógenos estimulam os leucócitos a liberar pirogênios 
endógenos como a IL-1 e o TNF que aumentam as enzimas (ciclo-oxigenases) responsáveis pela 
conversão de ácido araquidônico em prostaglandina. No hipotálamo, a prostaglandina 
(principalmente a prostaglandina E2) promove a ativação de receptores do núcleo pré-optico 
no hipotálamo levando ao aumento do ponto de ajuste hipotalâmico. 
Via humoral 2: pode ser direta ou indireta. No caso da via indireta, as citocinas irão ativar os 
receptores TLR-4 na barreira hematoencefálica, desencadeado toda a sequência descrita na via 
humoral 1. Já na via direta, as citocinas atuam diretamente no núcleo pré-óptico, aumentando 
o ponto de ajuste hipotalâmico. 
A via humoral 2 já é a parte mais endógena, de como o organismo está respondendo. Como foi 
dito acima, há a via indireta e a via direta. 
Na via indireta, as citocinas pirogênicas até então vão está influenciando a liberação de 
prostaglandina que vão agir ativando receptores no núcleo pré-óptico e vai elevar o ponto de 
ajuste hipotalâmico. 
OBS: Lembrando que na via humoral era os fatores exógenos que ativavam a TRL-4 e liberava 
prostaglandina. Já nessa via indireta, agora as citocinas vão direto na barreira hematoencefálica, 
desencadeando liberação de prostaglandina, ativando receptores no núcleo pré-óptico e 
fazendo ajuste hipotalâmico. 
Já na via direta, essas citocinas vão diretamente ativar os receptores no núcleo pré-óptico, 
levando assim ao ajuste termorregulador hipotalâmico. 
OBS: na indireta as citocinas ativam receptores na barreira hematoencefálica, que vai liberar 
prostaglandina e essa prostaglandina vai ativar os receptores no núcleo pré-óptico. Já na via 
direta, essas citocinas já vão ativar diretamente os receptores do núcleo pré-óptico!! 
COMO QUE SE COMPORTA ESSA RESPOSTA FEBRIL? 
O que acontece de fato quando se tem febre é que o nível de termorregulação do hipotálamo – 
geralmente prefixado para 36,5ºC – é elevado, desencadeando a ativação do centro vasomotor 
que é o centro promotor de calor. 
Essa ativação vai gerar vasoconstrição periférica (em que vai ser levado o sangue da periferia 
pra os órgãos internos com a intenção de preservar órgãos internos e de “esquentar” o sangue, 
e é isso que justifica também o porque de as extremidades ficarem frias, apesar de se estar com 
febre. 
Essa elevação do termostato humano é dependente,