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fisiopatologia, etiologia e semiotécnica da febre

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a bacteriemia oculta, vários 
protocolos têm sido propostos na literatura para abordagem da criança jovem com febre sem 
sinais localizatórios. 
A maioria dos autores considera que a febre sem sinais localizatórios é um sinal de alto risco em 
crianças com idade inferior a 3 meses e existe um consenso sobre a necessidade de hospitalizar 
toda criança menor de 28 dias que apresente febre, para coleta de exames laboratoriais e 
introdução de antibioticoterapia por via intravenosa que cubra os principais agentes bacterianos 
dessa faixa etária (estreptococo do grupo B e gram negativos). 
 
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Prob.1/Mód.14 | Larissa Gomes de Oliveira. 
 
Nas crianças que apresentam sinais de risco (alterações neurológicas, petéquias, desconforto 
respiratório, sinais de choque, alterações cardíacas) deve-se considerar cuidadosamente a 
possibilidade de internação, especialmente se tiverem febre e petéquias, pois 8 a 20% desses 
pacientes têm infecção bacteriana grave; e 7 a 10%, sepse meningocócica ou meningite. 
SINAIS E SINTOMAS DA FEBRE 
Os sinais e sintomas da febre estão envolvidos com as respostas metabólicas à ação dos 
pirogênios. Podem ser observados calafrios, piloereção, extremidades frias (em decorrência da 
vasoconstrição periférica), posição fetal, taquicardia, taquipneia, taquisfigmia (aceleração do 
pulso), oligúria (produção de urina abaixo do normal), náusea e vômito, convulsões 
(principalmente em crianças), delírios e confusão mental, astenia (perda ou diminuição da força 
física), inapetência (ausência de apetite ) e cefaleia, sudorese (após a cessação da febre). 
SEMIOTÉCNICA DA FEBRE 
ANAMNESE 
➔ INÍCIO: 
A febre não é um sinal específico e não ocorre em todos os pacientes. Um aspecto a ser 
verificado obrigatoriamente na anamnese é o início de febre. Também devem ser observados 
possíveis sinais/sintomas relacionados e a frequência com que eles se manifestam. Os 
antecedentes de encontros com pessoas com afecções transmissíveis também podem ser 
relevantes. 
Pode ser súbito ou gradual. No primeiro caso, percebe-se de um momento para outro a elevação 
da temperatura. Nesse caso, a febre se acompanha quase sempre dos sinais e sintomas que 
compõem a síndrome febril. É frequente a sensação de calafrios nos primeiros momentos da 
hipertermia. 
A febre pode instalar-se de maneira gradual e o paciente nem perceber seu início. Em algumas 
ocasiões, predomina um ou outro sintoma da síndrome febril, prevalecendo a cefaleia, a 
sudorese e a inapetência. 
Conhecer o modo de início da febre tem utilidade prática. Em algumas afecções, a instalação é 
súbita, enquanto, em outras, é gradual, levando dias ou semanas para caracterizar-se o quadro 
febril. O início desse sinal depende da etiologia. O surgimento de febre em decorrência de 
infecções bacterianas ou virais depende do tempo de incubação de cada agente etiológico. 
➔ INTENSIDADE 
A intensidade da febre depende da causa e da capacidade de reação do organismo. Pacientes 
em mau estado geral, os indivíduos em choque e as pessoas idosas podem não apresentar febre 
ou ter apenas uma febrícula quando acometidos de processos infecciosos. 
➔ DURAÇÃO 
 
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A duração da febre é uma característica de grande relevância, influindo inclusive na conduta do 
médico, que é diferente nos casos cuja febre se instalou há poucos dias em relação a outros que 
vêm apresentando febre por tempo prolongado. 
Por isso, tem-se procurado estabelecer um conceito de febre prolongada, mas não se chegou 
ainda a consenso quanto ao tempo mínimo de duração para que se aplique esta designação; ela 
é usada quando a febre permanece por mais de 1 semana, tenha ou não caráter contínuo. 
Esse conceito é prático e conveniente, pois é possível fazer-se uma lista relativamente curta das 
principais doenças que causam febre prolongada, destacando-se: tuberculose, septicemia, 
malária, endocardite infecciosa, febre tifoide, colagenoses, linfomas, pielonefrite, brucelose e 
esquistossomose. 
A queixa de febre por um tempo superior a três dias, bem como a recorrência frequente de 
episódios febris (em um período maior de seis meses), são situações de alerta. 
➔ MODO DE EVOLUÇÃO 
A rigor, só se poderá saber o modo de evolução da febre por meio da análise de um quadro 
térmico, mas a simples informação obtida da anamnese pode servir de base para se conhecer 
essa característica. O registro da temperatura em uma tabela, dividida no mínimo em dias, 
subdivididos em 4 ou 6 horários, compõe o que se chama gráfico ou quadro térmico, elemento 
indispensável para se estabelecer o tipo de evolução da febre. 
Unindo-se por uma linha os valores de temperatura, fica inscrita a curva térmica do paciente. A 
anotação costuma ser feita 1 ou 2 vezes/dia, mas, em certos casos, registra-se a temperatura de 
4 em 4 ou de 6 em 6 h. O mais comum é a mensuração de temperatura pela manhã e à tarde. 
RELEMBRANDO QUE - Classicamente descrevem-se os seguintes tipos evolutivos de febre: 
 
Febre contínua: 
aquela que permanece sempre acima do normal com 
variações de até 1 °C e sem grandes oscilações; por 
exemplo, febre tifoide, endocardite infecciosa e 
pneumonia 
 
 
 
Febre irregular ou séptica: 
registram-se picos muito altos intercalados por 
temperaturas baixas ou períodos de apirexia. Não há 
qualquer caráter cíclico nestas variações. Mostram-se 
totalmente imprevisíveis e são bem evidenciadas 
quando se faz a tomada da temperatura várias vezes 
ao dia; um exemplo típico é a septicemia. Aparece 
também nos abscessos pulmonares, no empiema 
vesicular, na tuberculose e na fase inicial da malária 
 
Febre remitente: 
há hipertermia diária, com variações de mais de 1°C e 
sem períodos de apirexia (cessação ou ausência de 
febre). Ocorre na septicemia, pneumonia, 
tuberculose. 
 
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Febre intermitente: 
nesse tipo, a hipertermia é ciclicamente interrompida 
por um período de temperatura normal; isto é, 
registra-se febre pela manhã, mas esta não aparece à 
tarde; ou então, em 1 dia ocorre febre, no outro, não. 
Por vezes, o período de apirexia dura 2 dias. 
 
 
Febre recorrente ou ondulante: 
caracteriza-se por período de temperatura normal 
que dura dias ou semanas até que sejam 
interrompidos por períodos de temperatura elevada. 
Durante a fase de febre não há grandes oscilações; por 
exemplo: brucelose, doença de Hodgkin e outros 
linfomas 
 
➔ TÉRMINO 
Esse termino da febre pode ocorrer de forma que seja: 
→ Crise: quando a febre desaparece subitamente. Neste caso costumam ocorrer sudorese 
profusa e prostração. 
→ Lise: significa que a hipertermia vai desaparecendo gradualmente, com a temperatura 
diminuindo dia a dia, até alcançar níveis normais. Observado em inúmeras doenças, é mais 
bem reconhecido pela análise da curva térmica. 
 
➔ CARACTERÍSTICAS E GRAVIDADE DA FEBRE. 
A febre aguda, a mais comum, geralmente é causada por infecções autolimitadas que 
desaparecem em alguns dias ou até em uma semana e, por isso, não necessita de intervenção 
médica. Casos em que há maior duração desse sinal, ou recorrência depois de um intervalo de 
apirexia, sugerem infecções mais graves ou outras doenças, e devem ser avaliados pelo médico. 
EXAME FÍSICO 
O exame físico começa com a confirmação da febre. Além disso, é preciso: 
Procurar sinais localizatórios. 
Um exame físico detalhado pode ser a chave para se chegar a um diagnóstico. Obviamente ele 
deve ser direcionado em casos com queixas específicas. Mas em casos complexos, não deve 
deixar de pesquisar todos os segmentos do corpo. 
É preciso examinar a pele em busca de icterícia, lesões localizadas, ou algum rash característico, 
percutir seios da face, pesquisar sinais de irritação meníngea, sinais neurológicos focais, 
alteração do nível de consciência, realizar oroscopia e otoscopia, fundo de olho, palpar tiróide, 
pesquisar adenopatias em todas as cadeias, ausculta