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Sífilis

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qualquer idade gestacional. O comprometimento fetal irá depender da treponemia materna. Assim, a taxa de transmissão em mulheres não tratadas, será de 70 a 100% nas fases primária, secundária e latente inicial; e de 30% nas fases latente tardia e terciária (OMS, 2013). 
Cerca de 50% dos RN infectados apresentam sífilis congênita precoce quando os sintomas aparecem nos primeiros 2 anos de vida, ou sífilis congênita tardia quando os sintomas se desenvolvem após os 2 anos de idade. 
A hepatoesplenomegalia e o exantema, são manifestações iniciais mais comuns da sífilis congênita precoce, que tende a se manifestar no nascimento ou dentro de 3 a 7 semanas do parto. 
As manifestações tardias resultam de infecção crônica dos ossos (nariz em sela, fronte olímpica), dos dentes e do SNC. 
RN com sífilis congênita, apresentando o nariz em sela e a fronte olímpica. 
manifestações clínicas
A sífilis materna pode causar parto pré-termo, morte fetal, restrição do crescimento intrauterino e infecção neonatal. 
· Sífilis primária: é diagnosticada pela presença de cancro duro e indolor, na região de inoculação. Apresenta-se com uma borda em relevo, vermelha, firme e uma base lisa. Um cancro normalmente, resolve-se normalmente, entre 2 a 8 semanas (mesmo quando não tratado).
· Sífilis secundária: ocorre quando as espiroquetas são disseminadas, e atingem diversos órgãos. As manifestações ocorre de 4 a 10 semanas, após o cancro aparecer. Apresenta-se com anormalidades dermatológicas, em cerca de 90% das mulheres. Se apresenta em erupções cutâneas (macular), lesões em alvo plantares e palmares, alopecia irregular e placas mucosas. Pode ainda aparecer condilomas planos (pápulas na cor da pele e nódulos, sobre o períneo e área perianal. Mulheres podem apresentar alguns sintomas: febre, mal estar, anorexia, cefaleia, mialgias e artralgias. Até 40% das mulheres terão alteração no líquido cerebrospinal, apenas 1% irá desenvolver meningite.
· Sífilis latente: ela se desenvolve quando nem a sífilis primária, nem a secundária, são tratadas. Ela é caracterizada por testes sorológicos reativos, mas com manifestações clínicas resolvidas. A sífilis latente inicial é a doença adquirida 12 meses precedentes. A doença diagnosticada após os 12 meses, é a sífilis latente tardia. 
· Sífilis terciária ou tardia: é uma doença lentamente progressiva, que afeta qualquer sistema orgânico. Mas é raro ver em mulheres em idade reprodutiva. 
A partir da infecção por sífilis, a placenta sofre alterações, apresentando-se grande e pálida. Microscopicamente, as vilosidades perdem sua arborização característica e tornam-se mais espessas e aglomeradas.
Ocorre uma redução da quantidade de vasos sanguíneos, além disso, apresenta um aumento da resistência vascular nas artérias uterinas e umbilicais.
diagnóstico
A maior preocupação com a sífilis em gestantes, é a sífilis congênita, e por conta disso, a realização do teste, é requerido por lei, logo na primeira consulta de pré-natal. E ainda, o CDC, recomenda que seja realizado uma repetição desse teste no 3º trimestre (28 semanas). 
O teste sorológico pode ser feito a fim de rastreamento em pacientes assintomáticos. Existem duas variantes de testes, o primeiro tipo é o não treponêmico, que inclui: teste de Venereal Disease Research Laboratory (VDRL) e teste de reagina plasmática rápida (RPR).
Esses testes não treponêmicos, são quantificados e expressos em títulos. Que por sua vez, os títulos refletem a atividade da doença, portanto, aumentam durante a sífilis inicial e muitas vezes excedem níveis de 1:32 na sífilis secundária. Com tratamentos adequados, espera-se que em 3 a 6 meses, uma queda de até 4 vezes nos títulos de VDRL ou RPR. 
Os testes não treponêmicos medem os anticorpos anticardiolipina que é um fosfolipídio presente em ambos, nos tecidos do hospedeiro e no T. pallidum. 
Logo, testes como o VDRL é utilizado para o rastreamento, mas a ocorrência de falsos-positivos demanda uma confirmação por FTA-Abs. De forma que o VDRL se torna positivo 1 a 3 semanas após o aparecimento do cancro duro.
A outra variante de exame, é o teste treponêmico específico: medem os anticorpos que reagem especificamente contra o Treponema pallidum; teste de absorção de anticorpo treponêmico fluorescente (FTA-ABS), o ensaio de micro-hemaglutinação para anticorpos ao T. pallidum (MHA-TP) ou o teste de aglutinação de partícula passiva do Treponema pallidum (TP-PA). Esses testes específicos, normalmente, permanecem positivos durante toda a vida.
O diagnóstico pré-natal de sífilis congênita é difícil de ser realizado, porque um feto infectado, normalmente, apresenta o seu ultrassom normal. No entanto, alguns achados são sugestivos ou diagnósticos: hidropsia fetal, ascite, hepatomegalia, espessamento placentário, medições elevadas da artéria cerebral média (Doppler) e polidrmnia.
O PCR é específico para detecção de T.pallidum no líquido amniótico, e o DNA treponêmico, foi encontrado em 40% das gestantes infectadas antes de 20 semanas. 
tratamento
A terapia aplicada durante a gestação, é para erradicar a infecção materna e prevenir sífilis congênita. A penicilina G benzatina (IM) parenteral é o tratamento de primeira escolha, para ser utilizado em todas os estágios de sífilis, durante a gestação. Além disso, o parceiro também deve ser tratado.
A reação de Jarich-Herxheimer pode ocorrer em até 44% das pacientes grávidas e causar contrações, parto pré-termo, anormalidades na frequência cardíaca fetal e até morte do bebê.
Considera-se a sífilis inadequadamente tratada na gravidez se:
•O tratamento foi feito de maneira incompleta;
•O tratamento foi feito com fármaco diferente da penicilina;
•A mãe completou o tratamento a menos de 30 dias do parto;
•O parceiro sexual não foi tratado, não houve documentação do tratamento ou queda dos títulos da sorologia após o tratamento.
Nesses casos, o recém-nascido deve ser tratado para sífilis congênita.
Não há alternativa satisfatória à penicilina na gravidez e, por isso, as pacientes alérgicas deverão ser dessensibilizadas. O tratamento do recém-nascido com sífilis congênita requer hospitalização e 10 dias de tratamento.
A realização do VDRL no início do terceiro trimestre permite que o tratamento materno seja instituído e finalizado até 30 dias antes do parto, intervalo mínimo necessário para que o recém-nascido seja considerado tratado intraútero.
As mulheres que apresentam alergia à penicilina, realiza-se um teste de provocação de dose de penicilina gradual oral ou um teste cutâneo para confirmar risco de anafilaxia mediada por imunoglobulina E (IgE). Se confirmado a dessensibilização de penicilina, é recomendada, para depois administrar o tratamento com penicilina G benzatina.