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Gravidez

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Saúde da Mulher – Gravidez
DEFINIÇÕES
Segundo o Bvsalud, a definição de gravidez/gestação: Estado durante o qual os mamíferos fêmeas carregam seus filhotes em desenvolvimento (EMBRIÃO ou FETO) no útero (antes de nascer) começando da FERTILIZAÇÃO ao NASCIMENTO. 
 
DIAGNÓSTICO
A realização do diagnóstico da gravidez, pode ser realizado de três maneiras: hormonal, clínico ou ultrassonográfico. 
 
A amenorreia é o sintoma mais comum e mais precoce que fica evidente na mulher, é um sinal apresentado, aproximadamente, na 4ª semana após a fertilização. 
No primeiro trimestre cerca de 50% das mulheres apresentam náusea, e normalmente, é uma náusea considerada matutina. 
ADAPTAÇÕES FISIOLÓGICAS
Metabolismo da água no organismo: o volume de água no organismo muda significativamente, de 6,5L para 8,5L (essa alteração ocorre até o fim da gestação) – isso se dá pelo conteúdo de água no feto, placenta, líquido amniótico. 
Logo, o período de gravidez, é considerado um estado crônico de sobrecarga volêmica com retenção de sódio e água, precedido por alterações na osmorregulação e no sistema renina-angiotensina-aldosterona. Além disso, o aumento de volume de água no organismo, contribui para o ganho de peso da mãe, hemodiluição, anemia fisiológica da gravidez e elevação do débito cardíaco. 
O aumento do volume plasmático começa logo após a concepção, por conta de um secreção 
alterada arginina vasopressina (AVP) pela neuro-hipófise. A retenção de água no organismo, supera a retenção de sódio, logo, pelo aumento de água, ocorre uma redução da osmolaridade geral do plasma, essa mudança ocorre, aproximadamente até a 10ª semana de gestação e se prolonga até 1 a 2 semanas após o parto. 
Além disso, o limiar de sede e de secreção de vasopressina, também se altera, logo no início da gravidez, entre a 5ª e a 8ª semana. 
Essa mudança inicial na regulação de AVP, é um resultado de sinais placentários relacionados com óxido nítrico (NO) e com hormônio relaxina. Após a 8ª semana de gestação, ocorre uma adaptação, com a manutenção de um nível estável de osmolaridade, diminuindo inclusive a poliúria. 
Os níveis plasmáticos de AVP se mantém, praticamente, inalterados, mesmo com o aumento da depuração. No entanto, caso se apresente com uma depuração elevada de AVP, pode revelar a presença subclínica de diabetes insípido, provocando uma diabetes insípidos gestacional (incidência de 2 a 6 por 1.000). 
Metabolismo do Sódio: o equilíbrio do sódio, é muito frágil, o que facilita o acúmulo e retenção de líquido. No entanto, cerca de 60% desse sódio adicional, fica armazenado na unidade fetoplacentária (incluindo o líquido amniótico) e são perdidos no parto – até o segundo mês pós-parto os níveis séricos de sódio, retornam aos níveis anteriores à gravidez. 
Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona: uma gravidez normal é caracterizada por um aumento acentuado em todos os componentes do sistema RAAS. 
Alterações endócrinas: o principal elemento, responsável, por todas essas mudanças endócrinas, se dá pela implantação da placenta e sua ação de sustentação da vida do feto. A partir disso, a placenta ela sintetiza dois tipos de hormônios, peptídicos e os esteroides.
Peptídicos: hormônio gonadotropina coriônica (HCG), hormônio somatotropina placentária e tireotropina placentária. 
Esteroides: estrógeno, progesterona e andrógenos. 
O HCG estimula o corpo lúteo, que é responsável pela produção de estrógeno e progesterona, e ainda, consegue impedir a rejeição do tecido fetal. 
A somatotropina placentária, possui propriedades lactogênicas. Juntamente com o HCG, irão auxiliar na manutenção da integridade do corpo lúteo. Promove o crescimento fetal, age sobre o metabolismo da glicose e gordura da mãe, o que diminui a utilização materna da glicose para desviar essa substância para o feto. Além disso, aumenta a mobilização de ácidos graxos maternos, para que a mãe possa utilizar como forma de energia, em vez da glicose. 
A progesterona tem por função manter a inibição do músculo liso uterino, bloqueado a atuação da ocitocina e das prostaglandinas. Dessa forma, ela mantém seus níveis elevados durante toda a gravidez, para que ocorre essa manutenção da gravidez. No último estágio da gestação, o estrogênio tende a aumentar mais que a progesterona, dessa forma, promove uma maior contratilidade maior. Ainda, a progesterona, consegue inibir a resposta dos linfócitos T (impedir a rejeição tissular), promovendo também, deposição de nutrientes nas mamas, para formação de leite. 
A progesterona consegue reduzir o tônus de músculos lisos, dessa forma, pode ocorrer a diminuição do peristaltismo, náuseas, constipação, dilatação de veias, estase de urina, diminuição de pressão diastólica e redução da pressão intra-alveolar e arterial (causando uma hiperventilação). 
Estrógenos são responsáveis pelo crescimento da musculatura e aumento da vascularização uterina, relaxamento dos ligamentos pélvicos, dilatação dos órgãos sexuais externos, aumento do tamanho das glândulas mamárias e aumento dos níveis de prolactina. 
A aldosterona é um hormônio hipertensor que é secretado pelo córtex da suprarrenal, por meio da angiotensina II. Durante a gestação, pode ocorrer um aumento da aldosterona, para contrabalancear o efeito natriurético da progesterona, ajudando na eliminação de sódio e água, para aumentar a oferta para o feto. 
Ainda, durante a gestação, ocorre um aumento da formação/produção de glicose, fazendo o pâncreas produzir mais insulina, e assim, manter o metabolismo de carboidratos, normal. Apesar do aumento da insulina, não tem aumento dos receptores, provocando uma resistência periférica, diminuindo o aproveitamento. 
A partir do desenvolvimento da gestação, ocorre a diminuição da concentração plasmática, isso principalmente, quando a gestante está em jejum. 
Ainda, a glândula tireoide sofre alterações durante a gestação; ela secreta 2 hormônios: triiodotirosina (T3) e tetraiodotirosina (T4), que são influenciados pelo TSH. 
Essas alterações tireoidianas, começam a ocorrer a partir do 3º mês de gestação, aumentando o metabolismo basal da mãe e do feto. Logo, o espera-se hipertireoidismo fisiológico, durante o período de gestação. Além disso, essas alterações, são responsáveis por causar hipervolemia, ou seja, um aumento da velocidade da circulação sanguínea, aumentando a frequência cardíaca, diminuição da tolerância ao calor, extra-sístoles, dispneia, ansiedade, sintomas semelhantes ao hipertireoidismo não-fisiológico. 
As glândulas paratireoides (importantes para o metabolismo de cálcio e fosfato nos tecidos e fluidos orgânicos), durante a gestação, elas tornam-se hiperplásicas, hiperfuncionantes, aumentando a concentração do paratormônio. 
Se houver uma insuficiência das paratireoides, pode ocasionar uma excitabilidade aumentada da musculatura, e assim, desenvolver câimbras. 
A prolactina tem sua quantidade aumentada, em até 5 vezes no primeiro trimestre de gestação, e vai dobrando nos trimestres seguintes. Suas funções, são induzir e manter a lactação, tendo uma leve queda durante o parto, e depois volta os níveis elevados, novamente. 
Alterações Cardiorrespiratórias: a primeira alteração importante, se dá pela alteração estrutural, o músculo do diafragma se eleva, por conta do aumento do útero e da resistência da musculatura abdominal. Consequentemente, o coração é deslocado para esquerda e para cima, ficando numa posição mais horizontalizada, em relação a uma mulher não-gravida. Há também um hipertrofia do ventrículo esquerdo, pois nesse período, ocorre desenvolvimento acentuado da rede vascular do útero, para manter a irrigação adequada da placenta e do feto. O trabalho cardíaco, aumenta cerca de 40%, isso por conta do aumento do volume sanguíneo, aumento do peso corporal da mãe.
Com o aumento do débito cardíaco, e da frequência cardíaca, esperaria que houvesse um aumento da pressão arterial. No entanto, isso não ocorre por conta da queda da resistência vascular periférica (aumento da complacência dos vasos), ação natriurética da progesterona