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Fisiopatologia da Dor

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não mielinizadas (C) e finas com delgada cobertura de mielina (A-delta); e 
as para o calor apenas as do tipo C. 
 Os aferentes primários (SNP) se conectam com a porção posterior da substância cinzenta da 
medula, e ascendem pelo trato espinotalâmico lateral e depois pela radiação talâmica. O “endereço final” 
da aferência térmica, é o giro pós-central. 
De forma que os receptores térmicos estão localizados sob o epitélio, e respondem as temperaturas 
locais. Dentro da faixa de temperatura de 20 a 40°C existe uma acomodação dos receptores, qualquer 
temperatura abaixo ou acima disso, não apresenta acomodação. E acima de 44°C, começa ocorrer lesão 
tecidual e a sensação térmica se transforma em dor, porém, transmitidos por outros receptores. 
De forma que esse reconhecimento doloroso, seria por meio da estimulação dos nociceptores, que são 
terminações livres, e a partir disso, para o processo de transdução, a lesão tecidual libera mediadores 
químicos, que ativam os neurotransmissores, que por sua vez, controlariam as aberturas dos canais 
iônicos. 
O Trifosfato de Adenosina (ATP), é um cotransmissor simpático e parassimpático. O receptor para esse 
mediador, sendo o P2X3. Além disso, outro receptor controlador do nociceptor, seria do tipo vinílico, ou 
seja, um receptor da família da capsaicina. De forma que esses receptores são formados por um canal 
iônico não seletivo, que quando ativados podem liberar a entrada de cátions uni e bivalente (Na e K) nos 
neurônios nociceptores, causando a despolarização. 
Numa pele íntegra os receptores não são expostos à capsaicina, enquanto nas mucosas e áreas de 
transição, esses são expostos. Nas queimaduras intensas e localizadas, o tecido biológico atingido por 
estimulação térmica elevada e destrutiva tem suas camadas mais externas vítimas de transformações 
progressivas. As transformações mais intensas atingem a camada ou zona mais próxima do agente 
térmico – zona de coagulação. Logo abaixo, forma-se uma zona de estase, onde depósitos são achados 
nas paredes dos vasos. Na terceira e mais distante zona da área queimadas, forma-se uma zona de 
hiperemia, onde se observa uma área de vasodilatação. 
• Cuidados Imediatos: 
o Parar o processo da queimadura; 
o Lavar com água corrente até a dor passar; 
o Proteger com tecido seco, estéril ou limpo. 
• Cuidados Iniciais: 
o Remoção de roupas queimadas ou intactas nas áreas da queimadura; 
o Avaliação clínica completa e registro do agente causador da extensão e da profundidade 
da queimadura; 
o História médica pregressa, como alergias ou doenças prévias; 
o Pesquisar sobre maus tratos nas crianças; 
o Pesquisar história do episódio; 
o Profilaxia de tétano; 
o Internação ou marcar retorno (no caso de pacientes tratados ambulatorialmente, 
prescrever analgésicos orais). 
• Cuidados Locais: 
o Remoção de contaminantes ou medicamentos caseiros; 
o Limpeza local (se necessário) com sabão neutro ou glicerinado, sabão de coco ou sabão 
líquido e lavagem abundante com água corrente; 
o Verificar lesões de córnea com colírio de fluoresceína; 
o Resfriar agentes aderentes (por exemplo piche) com água corrente, mas não tentar a 
remoção imediata; 
o Em casos de queimaduras por agentes químicos, irrigar abundantemente com água 
corrente de baixo fluxo (após retirar o excesso do agente químico em pó, se for o caso), 
por pelo menos 20 a 30 minutos; 
o Não aplicar agentes neutralizantes, pois a reação é exotérmica, podendo agravar a 
queimadura; 
o Após a limpeza das lesões, os curativos deverão ser realizados com tópico de escolha, 
seguido de curativo estéril, de acordo com a rotina do serviço; 
o Utilizar preferencialmente curativos oclusivos, exceto em lesões de orelha ou períneo. 
 
• Desbridamento Cirúrgico: É a remoção do tecido desvitalizado presente na ferida, até que haja a 
exposição de tecido saudável, usando técnicas mecânicas, e/ou químicas. As feridas, quando 
comprometidas pela presença de tecidos necróticos, requerem desbridamento. O tecido 
necrosado, também chamado de desvitalizado, morto ou inviável, surge como consequência da 
morte celular e representa uma lesão celular irreversível. A presença de necrose aumenta o risco 
de infecção e de outras complicações como formação de abscessos, túneis e fístulas, além de 
retardar o processo de cicatrização, sendo assim, independentemente da cor ou da consistência 
do tecido necrosado, sua remoção é importante para que a ferida possa cicatrizar-se. 
SENSAÇÃO DOLOROSA: estimulação mecânica, elétrica ou química, mas com potencial lesivo, são 
convertidos em potenciais de ação pelas terminações nervosas livres das fibras C ou A-delta do sistema 
nervoso periférico. 
Em todas as vias estudadas, devemos sempre estudar quatro elementos: receptor, trajeto periférico, 
trajeto central e área de projeção cortical. O receptor é sempre uma terminação nervosa sensível ao 
estímulo que caracteriza a via, de forma que existem receptores especializados para cada uma das 
modalidades de sensibilidade. O trajeto periférico compreende um nervo espinhal ou craniano e um 
gânglio sensitivo anexo a esses nervos. O trajeto central em seu trajeto pelo sistema nervoso central, as 
fibras que constituem as vias aferentes, se agrupam em feixes (tratos, fascículos, lemnisco); 
compreendendo ainda os núcleos relés, onde se localizam a partir do 2º neurônio. E área de projeção 
cortical está no córtex cerebral ou no córtex cerebelar, onde no primeiro a via permite distinguir diversos 
tipos de sensibilidades, e é consciente; enquanto a segunda, o impulso ele não vai determinar qualquer 
manifestação sensorial, onde ocorre integração motora e essa via é inconsciente. 
 De forma geral, as vias inconscientes (cerebelares), são constituídas por apenas 2 neurônios, 
enquanto as vias conscientes (cerebrais), geralmente são formadas por 3 neurônios. 
(1) Neurônio 1: normalmente, é localizado fora do sistema nervoso central, em um gânglio sensitivo; é 
um neurônio sensitivo, pseudounipolar, de forma que o seu dendraxônio, e se bifurca em “T”, dando um 
prolongamento periférico e outro central. Enquanto o periférico se liga ao receptor, e o central 
penetrando o prolongamento central penetra o sistema nervoso central. 
(2) Neurônio 2: localiza-se na coluna posterior da medula ou em núcleos de nervos cranianos do tronco 
encefálico. Origina axônios que geralmente cruzam o plano mediano logo após a origem e entram na 
formação de um trato ou lemnisco. 
(3) Neurônio 3: localiza-se no tálamo e origina um axônio que chega ao córtex por uma radiação talâmica. 
VIA DE DOR E TEMPERATURA: os receptores de dor são terminações nervosas livres. De forma que 
existem duas principais vias através dos quais os estímulos de dor e temperatura chegam ao cérebro: uma 
mais recente neoespinotalâmica (constituída pelo trato espinotalâmico lateral, que vai diretamente ao 
tálamo) e outra via mais antiga, paleoespinotalâmica (constituída pelo trato espino-reticular e pelas fibras 
retículo-talâmicas – via espino-retículo-talâmica. 
• VIA NEOESPINOTALÂMICA: trata-se da via clássica de dor e temperatura, onde o principal, é o 
trato espinotalâmico lateral, e ainda, essa via é constituída pelos 3 neurônios. 
o Neurônio I: estão localizados nos gânglios espinhais, que por sua vez, estão localizados nas 
raízes dorsais. Ainda, os prolongamentos periféricos desses, se ligam aos receptores por 
meio dos nervos espinhais. Enquanto o prolongamento central, penetra na medula e 
termina na coluna posterior, fazendo sinapse com o neurônio II. 
o Neurônio II: os axônios desses neurônios cruzam o plano mediano pela comissura branca, 
chegam ao funículo lateral do lado oposto, e sobem sentindo cranial para constituir o trato 
espinotalâmico lateral. Quando chega ao nível da ponte, as fibras do trato se unem para 
constituir o lemnisco espinhal, que termina no tálamo fazendo sinapse com o neurônio III.