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Sepse geral

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a forma de avaliar os quadros de 
sepse. 
 Nesse consenso, foi realizada algumas mudanças como a retirada dos critérios SIRS para a definição de sepse e também 
a extinção do termo “sepse grave”. 
 Também foi necessário mudar o termo de Sepse, e passou a ser uma infecção suspeitada ou diagnosticada que se 
associa com disfunção orgânica ameaçadora à vida. 
 Ou seja, a partir da sepse-3, a sepse deixa de ser apenas o “processo inflamatório exagerado, com inflamação generalizada” 
e passa já envolver evidencias de disfunção dos órgãos. --- que antes só era visto na “Sepse Grave”. (o que esse consenso 
fez foi ver a sepse apenas nos quadros de pacientes mais graves, pois alguns pacientes com processo inflamatório não tão 
grave, e acabavam sendo submetidos ao protocolo de tratamento para sepse. 
 A partir dai, para avaliar se o pacientes esta ou não em sepse, vai ser usado o SOFA (Sequential Organ Failure 
Assessment) que vai definir se há disfunção orgânica de acordo com os dados de cada um dos sistemas orgânicos. 
SOFA 
ESCORE 0 1 2 3 4 
Respiração - PaO2/FiO2 ≥400 <400 <300 <200 com suporte 
ventilatório 
<100 com suporte 
ventilatório 
Plaquetas (10
3
) ≥150 <150 <100 <50 <20 
Bilirrubina <1,2 1,2-1,9 2-5,9 6-11,9 ≥12 
Cardiovascular PAM ≤70 PAM <70 Dopamina <5 ou 
dobutamina (qualquer 
dose) 
Dopamina (5,1-15) ou 
adrenalina ≤0,1 ou nora-
drenalina ≤0,1 
Dopamina >15 ou 
adrenalina >0,1 ou 
noradrenalina >0,1 
Glasgow 15 14-13 12-10 9-6 <6 
Creatinina ou débito urinário 
(mL/dia) 
<1,2 1,2 - 1,9 2 – 3,4 3.5 – 4,9 ou DU <500 > 5 ou DU < 200 
 Para cada sistema avaliado pelo SOFA, o paciente recebera uma pontuação de 0 – 4, e no final seu total pode ser de 0 – 
24 pontos. 
 Uma pontuação igual ou superior a 2 já significa uma disfunção orgânica. 
 O escore SOFA é considerado padrão ouro no diagnóstico da sepse e está relacionado a maior mortalidade. 
 Obs: Não precisa gravar tudo do SOFA, ele sempre vai estar disponível para consulta. Mas é preciso conhecer quais 
são os parâmetros avaliados, ex: bilirrubina, creatinina, plaquetas..., e isso é fundamental, pois define quais exames 
vamos solicitar. 
 E foi criada uma versão mais simples, o Qsofa (quickSOFA), que é uma tentativa de selecionar os pacientes com 
maior potencial de complicação. Tendo como parâmetros: 
qSOFA 
PA sistólica: Hipotensão sistólica (≤ 
100mmHg) 
Glasgow: Alteração de estado mental 
(GCS < 15) 
FR: Taquipneia (≥ 22 irpm) 
≥ 2 pontos indica disfunção orgânica - SOFA 
 Cada variável conta 1 ponto, então o total vai de 0-3 pontos. 
 Pontuação igual ou maior que 2 sugere maior mortalidade e aumento de permanência em UTI. → qSOFA ≥ 2 pontos é um 
indicativo de disfunção e, por isso, o SOFA 
deve ser aplicado. 
ATENÇÃO: qSOFA não define diagnóstico e não 
precisa de testes laboratoriais. → pode ser útil 
para triagem . 
 E também houve uma atualização de Choque Septico → pq a sepse grave foi retirada ne 
 Choque Septico: na nova proposta seria PAM < 65mmHg, com necessidade de drogas vasoativas e lactato elevado. 
 é quando o quadro do paciente precisa de vasopressores para manter a pressão arterial média (PAM) igual ou maior 
SEPSE-3 (ATUALIZAÇÃO): 
SEPSE: Infecção + Disfunção Orgânica (Sofa) 
CHOQUE SEPTICO: Sepse + Vasopressores + Hiperlactatemia 
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que 65mmHg, como também deve apresentar uma hiperlactatemia, o que corresponde a um lactato sérico superior 
a 2mmol/L (18mg/dL). 
QUADRO CLINICO: 
 As manifestações clinicas da sepse são variadas e dependem muito das circunstancias em que se instalou o processo 
infeccioso. 
1. FEBRE: é muito frequente, mas há casos em que pode aparecer hipotermia, principalmente nos recém-nascidos 
prematuros e em pacientes idosos, que podem apresentar um processo degenerativo do sistema nervoso central. 
2. HIPERVENTILAÇÃO: ocorre de forma precoce e é caracterizada pelo aumento na frequência respiratória, e na amplitude 
dos movimentos respiratórios. 
 Simultaneamente, aparecem alterações do nível de consciência, ansiedade, agitação psicomotora, distúrbios de 
comportamento, podendo evoluir para quadros mais graves, como: sonolência, topor (redução da sensibilidade e 
dos movimentos corporais) e coma. 
 Posteriormente podem aparecer polineuropatia periférica, caracterizada por fraqueza muscular e diminuição dos 
reflexos tendíneos. 
3. LESÕES CUTÂNEAS decorrentes de infecção da pele ou de coagulopatia são fundamentais para a suspeita precoce, e 
podem fornecer elementos indicativos importantes para diagnostico etiológico. 
 Lesões cutâneas, ex; ulceras como necrose central, podem sugerir a Pseudomonas aeruginosa como agente 
etiológico. 
 Lesões necróticas com produção de gás e crepitação no subcutâneo sugerem a presença de microrganismos 
anaeróbicos, ex; clostrídios. 
4. ICTERÍCIA: ocorre por diversos mecanismos, ex; hemólise, colestase intra-hepática ou falência hepática. E pode ser uma 
manifestação precoce, e geralmente acompanhada de hepatomegalia discreta. 
5. INSUFICIENCIA RESPIRATORIA AGUDA: é caracterizada por taquipneia, dispineia, triagem intercostal e ausculta 
pulmonar, com estertores crepitantes e subcrepitantes disseminados. Os raios X de tórax mostram infiltrados 
intersticial com ou sem focos de consolidação por infecção pulmonar. 
 Esses pacientes apresentam hipoxemia grave (PaO2 < 60 mmHg), que resiste à administração de oxigênio, 
caracterizando a síndrome da angustia respiratória do adulto ou pulmão em choque. 
6. CHOQUE SÉPTICO: pode ser: 
 Choque quente ou hiperdinâmico: caracterizado por hipotensão, taquicardia e vasodilatação periférica. 
 Choque frio ou hipodinâmico: palidez, vasocronstrição e anúria (diminuição ou supressão da secreção urinária). 
7. DISFUNÇÃO DE MÚLTIPLOS ÓRGÃOS E SISTEMAS: também conhecida como sepse crônica, quanto maior a letalidade, 
mais difícil o controle terapêutico. 
 Ex: insuficiência renal aguda, ela é uma complicação temível, principalmente na forma oligoanúrica, porque vai 
tornar a manipulação de líquidos muito difícil e acaba levando a procedimentos mais invasivos (ex: hemodiálise). 
DIAGNOSTICO: 
 A parte mais importante para se ter em mente é o quadro clinico. 
 Pacientes costumam se apresentar com: taquicardia, taquipneia, alteração da temperatura (p/ + ou p/ -) e com 
evolução do quadro podem apresentar sinais de choque e disfunção orgânica. 
 
 ABORDAGEM: 
 Você esta avaliando um paciente e suspeita que ele esteja com alguma infecção. 
 A partir dai você vai pesquisar se há 2 ou mais critérios de SIRS e se há disfunção orgânica (pode fazer o Qsofa) 
 Repare que os principais sintomas que a gente identifica no paciente com sepse são os mesmos critérios do SIRS. 
 Próximo passo é pensar o foco infeccioso. 
 Você pode se perguntar: O paciente já tem uma infecção diagnosticada? Se não tem, o quadro dele realmente nos 
permite sustentar uma suspeita de sepse? 
 Existem duas situações em que vamos interromper a investigação e cuidar do paciente através de outro protocolo 
que não seja sepse. 
1. Cuidado de fim de vida; 2. Quadro sugestivo de doença atípica, ex: dengue, 
malária e leptospirose. 
 No segundo caso, vai tratar especificamente as doenças que ele apresenta. 
 Se o paciente não se enquadra em nenhuma dessas situações, devemos seguir a investigação. 
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 Então para fechar o diagnóstico a gente precisa identificar se há disfunção orgânica através da aplicação do qSOFA. 
 
ATENÇÃO: se nesse momento da abordagem a gente não identificasse disfunção orgânica, o paciente não seria tratado 
como Sepse pelo Sepsis-3. No entanto, o fato dele ter uma SIRS com infecção suspeitada ou diagnosticada faria com que ele 
fosse tratado pelo Sepsis-2. 
 E é por isso

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