A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
4 pág.
DOENÇA HEMOLÍTICA PERINATAL

Pré-visualização | Página 1 de 3

RESUMO 
DOENÇA HEMOLÍTICA PERINATAL 
 
DEFINIÇÃO ⇒ A doença hemolítica perinatal, ou eritroblastose fetal, é definida como uma anemia 
hemolítica fetal (ou neonatal) ocasionada pela transmissão transplacentária de anticorpos maternos 
direcionados contra os antígenos presentes nas hemácias fetais por conta de incompatibilidade entre os 
grupos sanguíneos materno e fetal, que desencadeia em quadros de anemia fetal leve assintomática, 
hiperbilirrubinemia, hidropsia fetal com anemia grave e icterícia ou até mesmo óbito fetal, sem que afete 
a mãe. 
 
ETIOLOGIA ⇒ A DHP ocorre em função da destruição ou falha na produção de hemácias fetais 
ocasionada por incompatibilidade sanguínea materno-fetal, sendo que em 98% dos casos, essa 
incompatibilidade é atribuída aos sistemas ABO e Rh, sendo os outros 2% restantes atribuídos a 
anticorpos irregulares. 
O sistema ABO é geralmente o maior responsável pelos casos de incompatibilidade, porém a sua 
repercussão é menos grave clinicamente, de forma que muitas vezes passa despercebido. 
Já o sistema Rh , possui uma relevância clínica muito maior, pois sua gravidade é altamente relevante, 
ocasionando 80% dos casos de doenças clinicamente detectáveis. 
⤷ O sistema Rh é formado por 5 antígenos diferentes (“D”, “c”, “C”, “e”, “E”) que se manifestam nas 
hemácias fetais a partir da 6ª semana de gestação, sendo que o antígeno “D” é o responsável pela 
determinação de um indivíduo “Rh positivo”, e sua ausência determina um “Rh negativo” 
OBS: Alguns indivíduos têm uma expressão fraca do antígeno “D’, que em casos de teste 
laboratorial pouco sensível são acusados como “Rh negativo”, mesmo possuindo o antígeno D. 
Entretanto, na clínica esses indivíduos se comportam como Rh positivos, tendo a aglutinação do 
sangue quando em contato com anti-Rh. 
 
Em relação a doença hemolítica perinatal de outros sistemas irregulares, a mais comum de ocorrer é 
relacionada ao sistema Kell , que leva a uma anemia por depleção medular. Atualmente ainda não há 
prevenção possível para essa aloimunização. 
 
 
FISIOPATOLOGIA ⇒ Para que se desenvolva a DHP é necessário que ocorra uma sequência de quatro 
eventos, sendo eles: 
1. Incompatibilidade Sanguínea Materno-Fetal → 
Para que ocorra essa incompatibilidade é 
necessário que o feto possua um antígeno 
sanguíneo que está ausente na circulação 
materna, de forma que a mãe produza anticorpos 
contra esse antígeno. Em consideração ao grupo 
sanguíneo Rh, para que ocorra essa 
incompatibilidade, é necessário que a mãe seja Rh 
negativo e o filho Rh positivo. 
 
2. Aloimunização Materna → Em relação ao sistema Rh, todas as pessoas Rh negativas nascem 
sem uma imunização contra o antígeno D, de forma que para que ocorra a formação de anticorpos 
anti-Rh-D é necessário um contato prévio com o antígeno Rh-D. Sendo assim, para que ocorra a 
aloimunização é necessário uma exposição da mulher (Rh -) aos antígenos não compatíveis, o que 
pode ocorrer em transfusão sanguínea incompatível, uso de drogas intravenosas, transplante, ou 
mais comumente hemorragia feto-materna (que ocorre em 75% das gestações). 
OBS: Estima-se que com apenas 0,25 ml de sangue a pessoa Rh- já tem sua sensibilização 
formada. 
 
 
 
Feito por: Peterson Rech H. 191 1 
 
3. Com a exposição aos antígenos eritrocitários desconhecidos, inicia-se então uma sensibilização e 
produção de anticorpos IgM, que é geralmente lenta, levando semanas para se desenvolver, que 
por terem maior peso molecular não ultrapassam a barreira placentária. Entretanto, com um 
segundo contato aos antígenos incompatíveis, ocorre uma resposta imunológica secundária que dá 
início a produção de anticorpos IgG anti-Rh-D de forma acelerada, que possuem a capacidade de 
ultrapassar a barreira placentária, aderindo-se a membrana dos eritrócitos fetais, levando à 
hemólise. 
OBS: O Coombs indireto é o teste que identifica o anticorpo contra hemácias no sangue materno 
através da detecção de imunoglobulinas do tipo IgG , de forma que um teste negativo significa que 
não há sensibilização. 
 
4. Passagem de Anticorpos da Gestante para o Feto → O anticorpo IgG materno, responsável por 
atravessar a placenta através de difusão passiva e transporte ativo, ao chegar na circulação fetal se 
fixa às hemácias por uma reação de antígeno-anticorpo, iniciando sua ação hemolítica. 
 
5. Ação dos Anticorpos Maternos no Feto → Com a reação hemolítica ocasionada pela ligação 
antígeno-anticorpo, a anemia fetal leva a eritropoiese medular e extramedular (em especial no 
fígado e baço), além de ocasionar um desvio a esquerda, sendo lançados eritrócitos jovens na 
circulação periférica, que leva ao termo de “eritroblastose fetal”. 
 
Incompatibilidade ABO → Ao contrário do observado na incompatibilidade Rh, nos casos de 
incompatibilidade ABO não existe a necessidade de uma exposição prévia a antígenos estranhos para 
imunização, uma vez que a mãe já possui anti-A e/ou anti-B em seu organismo em consequência à 
exposição de bactérias que possuem esses antígenos, de forma que a DHP já possa ocorrer desde a 
primeira gestação. 
⤷ Entretanto, a gravidade da incompatibilidade ABO é muito menor que a incompatibilidade Rh, uma 
vez que as hemácias possuem um número muito menor de sítios antigênicos A e B quando 
comparado aos sítios antigênicos Rh-D. Além disso, associado a menor quantidade de sítios de 
ligação, a maioria dos anti A e/ou anti-B materno é do grupo IgM, sendo assim, não atravessam a 
barreira placentária. 
⤷ Além disso, como todos os tecidos do corpo expressam antígenos A e B, não só as hemácias, a 
pequena quantidade de IgG anti-A e/ou anti-B que consegue atravessar a placenta, liga-se a 
outros sítios teciduais, de forma que não ocorra uma hemólise significativa no feto. 
 
OBS: A incompatibilidade no sistema ABO exerce uma proteção parcial contra a sensibilização Rh, de 
forma que na primeira gestação com incompatibilidade ABO e Rh (feto positivo), a incidência de 
imunização é de somente 1 a 2%. Isso ocorre porque as hemácias incompatíveis no sistema ABO são 
rapidamente eliminadas da circulação materna, antes que haja