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GRAVIDEZ ECTÓPICA

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RESUMO 
GRAVIDEZ ECTÓPICA 
DEFINIÇÃO ⇒ É definida como uma gravidez em 
que o ovo se implanta e se desenvolve fora do 
endométrio na cavidade uterina, sendo as 
possíveis localizações e porcentagem de 
ocorrência as seguintes: 
1. Implantação abdominal (1%) 
2. Implantação Cervical (<1%) 
3. Implantação em cicatriz de cesárea (<1%) 
4. Implantação em ovário (3%) 
5. Implantação nas fímbrias da tuba uterina (11%) 
6. Implantação na região ampular da tuba uterina (70%) 
7. Implantação na região ístmica da tuba uterina (12%) 
8. Implantação na região intersticial e cornual da tuba uterina (2 a 3%) 
 
EPIDEMIOLOGIA ⇒ Estima-se que ocorra gravidez ectópica em cerca de 2% das gestações 
diagnosticadas, porém a um crescente aumento dessa incidência nos dias atuais, uma vez que os 
fatores de risco estão aumentando junto com a melhoria da tecnologia para diagnóstico de gravidez 
ectópica. 
Estima-se que a gravidez ectópica corresponda a cerca de 6-13% das mortes relacionadas ao período 
gestacional, sendo que essa patologia é a principal causa de morte materna no primeiro trimestre. 
OBS: A doença possui uma taxa de recorrência de 15%, porém em mulheres que tiveram 2 ou mais 
episódios prévios de gravidez ectópica a taxa sobre para 25% 
 
Classificação → Do ponto de vista anatomopatológico, a gravidez ectópica pode ser classificada em 
dois tipos: 
1. Tipo primitiva, quando ocorre nidação e o ovo se estabelece em um único local 
2. Tipo secundária, quando ocorre a implantação do ovo fertilizado, mas com posterior 
desprendimento que faz com que o ovo continue seu desenvolvimento em outro local dentro ou fora 
do aparelho genital. 
 
CURIOSIDADE: Frase clássica de Weth sobre a gravidez tubária “Na trompa o ovo cava, ao mesmo 
tempo, o leito e a tumba” 
 
FISIOPATOLOGIA E OS FATORES DE RISCO ⇒ A fisiopatologia da gravidez ectópica está relacionada 
diretamente com os fatores de risco, uma vez que todo e qualquer fator que interfira no trajeto por onde 
o ovo tem que passar para chegar a cavidade uterina se torna um fator de risco. Esses fatores podem 
ser divididos em: 
● Fatores Tubários: 
○ Doença Inflamatória Pélvica → Provoca alterações na luz da tuba, causando diminuição da 
quantidade de cílios e levando a obstrução. Em alguns casos pode ocorrer alterações da 
mobilidade tubária. É considerada a principal responsável pelo aumento da incidência dos 
casos de gravidez ectópica. 
○ Cirurgia Tubária Prévia → Cirurgias que alteram o ambiente tubular, como fimbrioplastia e lise 
de aderências, estão relacionadas com uma maior incidência de gravidez ectópica, uma vez 
que alteram o local de passagem do ovo. 
○ Acotovelamento Tubária → Pode ser provocado por aderências resultantes de infecções (DIP, 
Apendicite), cirurgias prévias sobre as trompas (gravidez ectópica prévia, salpingotripsia), 
endometriose ou tumeros paratubarios (miomas e cistos ovarianos). 
○ Anormalidades no Desenvolvimento das Tubas → Pode resultar de fatores genéticos, em 
que as trompas são longas, de calibre reduzido, com divertículos ou com óstios acessórios que 
prejudicam o transporte do ovo. 
Feito por: Peterson Rech H. 191 1 
 
● Fatores Funcionais: Ocorrem em trompas anatomicamente normais que apresentam distúrbios 
funcionais que dificultam ou impedem a passagem do ovo, como por exemplo: 
○ Contraceptivos à Base de Progesterona → A progesterona causa uma alteração na 
mobilidade tubária, dificultando o transporte. 
○ Pílula do Dia Seguinte → Por ser um medicamento com altas doses de progesterona, 
torna-se um fator de risco para gravidez ectópica, pois altera a motilidade tubária. 
○ Dispositivo Intrauterino (DIU) → Caso falhe no seu objetivo de evitar a fecundação, pode 
contribuir para ocorrência de gravidez tubária pois altera os movimentos peristálticos da tuba 
retardando a passagem do ovo. 
○ Tabagismo → Relacionado a alta incidência de gravidez ectópica, mas sem causa conhecida 
ao certo, acredita-se que seja por alterações na atividade ciliar e na mobilidade tubária. 
 
● Outros Fatores: 
○ Reprodução Assistida → É considerado um dos fatores mais importantes no aumento da 
incidência de gravidez ectópica, uma vez que as técnicas podem ser realizadas de maneira 
errônea, levando a uma nidação incorreta. 
○ Hiper ou Hipoatividade do ovo → Caso o ovo se desenvolva rápido demais, ocorre uma 
chance de se implantar na tuba uterina. Já o ovo que possui um desenvolvimento lentificado, 
ocorre o risco de ocorrer uma gravidez cervical. 
○ Endométrio Ectópico → Quadros onde ocorra endométrio localizado na tuba, ovário ou na 
parede uterina podem facilitar a implantação do ovo nesses locais. 
 
GRAVIDEZ ECTÓPICA TUBÁRIA ⇒ As tubas uterinas são os principais locais de gravidez ectópica, 
representando cerca de 90 a 95% dos casos, sendo que a implantação do ovo pode ocorrer em 
qualquer segmento (em especial na região ampular - 70% dos casos). 
 
História Natural → A evolução da gravidez tubária depende do local de implantação do zigoto, 
sendo que nas regiões mais distantes da trompa (fimbrial e ampular), frequentemente ocorre o 
abortamento. As possíveis evolução da gravidez tubária são: 
● Morte e Reabsorção do Embrião → Devido ao suprimento sanguíneo deficiente para o 
desenvolvimento, muitas vezes ocorre a morte do embrião com a reabsorção já nas fases iniciais 
da gestação, o que leva a danos mínimos à saúde da mãe, que muitas vezes pode nem saber 
da gravidez. 
● Abortamento Tubário → Ocorre quando o ovo se descola completamente do epitélio tubário, 
sendo eliminado para a cavidade abdominal, ocorrendo geralmente entre a 6ª e a 12ª semana de 
gestação, ocasionando um sangramento em pequena quantidade e desconforto e dor 
abdominal. 
Feito por: Peterson Rech H. 191 2 
 
○ Caso o ovo não se descole completamente (abortamento tubário incompleto), pode restar 
alguns fragmentos do trofoblasto aderidos a trompa, levando a uma persistência de 
sangramento que pode desencadear uma hematossalpinge, um acúmulo de sangue no 
fundo-de-saco de douglas ou a um abdome agudo hemorrágico. 
● Rotura Tubária → Ocorre em casos onde o trofoblasto