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CRESCIMENTO INTRAUTERINO RESTRITO

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o fluxo sanguíneo para órgãos vitais, como 
cérebro, coração e placenta, às custas de órgãos não vitais, como vísceras abdominais, 
pulmões, pele e rins, de forma que esses tenham um menor desenvolvimento. 
● Crescimento Restrito Intermediário → Também chamado de tipo III ou misto. É a consequência 
de um processo de agressão tanto na fase de hiperplasia quanto na de hipertrofia, geralmente no 2º 
trimestre da gestação. 
○ Acredita-se que ocorra por conta da desnutrição materna e do consumo de determinados 
fármacos e drogas, como álcool e fumo. 
 
FISIOPATOLOGIA ⇒ O crescimento intrauterino restrito não é uma doença específica e sim uma 
manifestação de muitos distúrbios fetais e maternos, sendo assim há uma série de fatores associados 
à doença, sendo dividido em: 
 
Feito por: Peterson Rech H. 191 2 
 
Fatores Fetais → O potencial de crescimento nesses casos pode ser inibido, alterando ou desviando 
devido a um conjunto de fatores que atuam sobre o metabolismo fetal, causando uma diminuição de 
peso e de número celular, ocorrendo geralmente por: 
● Alterações Genéticas → Pode ocorrer pela ação de um único gene de longo efeito (fenilcetonúria 
por exemplo) ou pela ação de vários genes, definido como multigenético. 
● Alterações cromossômicas → Atuam sobre o peso do feto mediante a alterações na duração de 
algumas fases específicas do ciclo celular. Sendo que os distúrbios cromossômicos são 
responsáveis por aproximadamente 20% dos fetos com CIUR. 
○ Fetos com trissomia do 13, 18 e 21 têm alterações estruturais com crescimento abaixo do 
esperado. 
● Infecções Fetais → Em doenças virais, onde o vírus chega a placenta na fase de viremia, 
ocasionando uma lesão do endotélio vascular que permite a viremia fetal, é comum a ocorrência 
da inibição direta da multiplicação celular , ocasionada pelo vírus. 
○ Doenças infecciosas são responsáveis por 5-10% dos casos de CIUR, sendo geralmente 
associado ao citomegalovírus , HIV, rubéola, toxoplasmose aguda e malária. 
● Gestação Múltipla → É comumente associada ao nascimento pré-termo e CIUR. Cerca de 15 a 
30% das gestações gemelares cursam com CIUR, que fica evidente após 32 semanas de gestação. 
 
Fatores Placentários → O potencial de crescimento nesses casos é inibido por conta de uma placenta 
deficitária, ocorrendo geralmente por: 
● Insuficiência Vascular Uteroplacentária → É caracterizado pela redução do fluxo sanguíneo por 
conta da diminuição da pressão de perfusão e pelo aumento da resistência vascular placentária, 
que ocasiona um menor aporte de nutrientes ao feto (pré-eclâmpsia), ocasionando o CIUR. 
○ É a causa mais comum em fetos com CIUR não anômalos. 
● Alterações Placentárias → A placenta dos fetos com CIUR frequentemente possui um tamanho 
diminuído, o que ocasiona uma função anormal, em decorrência da implantação deficiente. 
○ Porém outras alterações placentárias e do cordão umbilical, como a placenta circunvalada, os 
corioangiomas, a inserção velamentosa de cordão e a artéria umbilical única, também 
costumam ser relacionadas ao CIUR. 
 
Fatores Maternos → Ocorre quando as alterações maternas têm influência direta sobre a nutrição do 
feto, ocorrendo por: 
● Síndromes Hipertensivas (HAS ou DHEG) → Estão presentes em 30 a 40% dos casos de CIUR, 
sendo relacionadas ao comprometimento vascular placentário, com consequente queda do fluxo 
uteroplacentario que diminui o aporte nutricional. 
● Cardiopatias → A presença de cardiopatia materna predispõe o CIUR, sendo explicado pela 
presença de um baixo débito cardíaco fixo que ocasiona a diminuição da oxigenação materno-fetal. 
● Anemias → Todos os tipos de anemia materna podem comprometer o crescimento fetal por conta 
da diminuição da oxigenação fetal. 
● Trombofilias → Estão associadas à predisposição para tromboses e para várias complicações 
fetais e neonatais, entre elas o CIUR. 
● Desnutrição Materna → A desnutrição grave, quando presente no primeiro e segundo trimestre, 
acomete a fase de hiperplasia celular, resultando em lesão irreversível, especialmente na parte 
neurológica. 
○ Já quando presente no terceiro trimestre, em que ocorre o crescimento celular, a desnutrição 
compromete sobretudo o peso fetal. 
● Uso de Drogas → O tabagismo é uma das maiores causas de CIUR e uma das mais preveníveis. 
Isso ocorre devido à exposição ao monóxido de carbono que diminui a capacidade da Hb fetal de 
carrear oxigênio, além do efeito da nicotina de liberar catecolaminas que reduzem a perfusão 
placentária. 
○ Cocaína, heroína, álcool, anticonvulsivantes, varfarina, agentes antineoplásicos e antagonistas 
do ácido fólico também contribuem para a incidência de CIUR 
OBS: O consumo exagerado de cafeína durante a gestação pode ter relação com o CIUR. 
Feito por: Peterson Rech H. 191 3 
 
DIAGNÓSTICO E RASTREIO ⇒ O 
estabelecimento precoce da idade 
gestacional , atenção ao ganho de 
peso materno e medições de 
crescimento de fundo uterino ao 
longo da gravidez ajudam a identificar 
muitos possíveis casos de CIUR, 
entretanto a confirmação do 
diagnóstico só se dá após o 
nascimento . 
Mesmo assim, é importante identificar 
os fatores de risco com uma anamnese 
detalhada, buscando dados da história 
obstétrica prévia, além de doenças 
associadas (autoimune, HAS, diabetes), 
hábitos tóxicos (tabagismo e uso de 
drogas) e história nutricional. 
 
Em casos de suspeita de CIUR, deve ser realizada uma mensuração ultrassonográfica, para que seja 
possível avaliar a estimativa de peso fetal, além de diversas medidas biométricas fetais, como medida 
da cabeça, abdome e fêmur. 
OBS: A suspeita de CIUR inicia-se quando ocorre uma discrepância entre o tamanho uterino e a 
idade gestacional. 
 
MANEJO DO CIUR ⇒ Quando o USG sugere um crescimento intrauterino restrito, é necessário a 
realização de um pré-natal diferenciado, buscando determinar a causa e a gravidade do crescimento 
indevido, buscando uma melhoria do quadro, uma vez que não há tratamento específico , mas que há 
a possibilidade de realizar medidas que trazem benefícios ao feto. 
 
Feito por: Peterson Rech H. 191