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Políticas educacionais e a reestruturação da profissão professor (Dalila Andrade Oliveira)

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Políticas educacionais e a reestruturação da profissão do educador
Dalila Andrade Oliveira, Luís Miguel Carvalho, Louis Le Vasseur, Liu Min, Romuald Normand (orgs.) 
SUMÁRIO
Apresentação
Prefácio
1. Infusão suave
apresentação
NOVA GESTÃO PÚBLICA
REGULAÇÃO 
ESTUDOS COMPARADOS e AS ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS
INTERNACIONAL RESEARCH NETWORK
apresentação
PREMISSA
A implementação de um repertório de tecnologias e políticas, sobre as quais as organizações internacionais jogam um papel importante em sua difusão no plano internacional, tem tido repercussão direta sobre os sistemas educacionais em diferentes países do mundo. 
A assimilação e interpretação desse repertório apresenta variações de acordo com os contextos de cada país, exigindo o conhecimento mais cuidadoso de cada realidade educacional. 
PROPÓSITO
Reúne um conjunto de estudos baseados em diferentes realidades nacionais em distintas partes do mundo com o propósito de fornecer um conjunto de contribuições que ajudam a entender amplo movimento de circulação de políticas internacionais que impactam sobre a profissão docente na atualidade, promovendo sua reestruturação. 
 Regulação, trabalho e a formação docente:
A relação entre o estado e a sociedade, de modo especial a que envolve o sistema educacional, têm permitido evidenciar a existência de elementos comuns, no que se pode designar como uma problemática emergente no domínio das políticas educativas ao nível internacional. (BARROSO, 2003, p. 24). 
Em face do processo de informatização e de globalização das relações, existe a possibilidade de as nações, aderirem às características das políticas educativas de determinados países ou blocos econômicos por meio de organizações tais como o Banco Mundial e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). 
 
Regulação, trabalho e a formação docente:
No Brasil, a regulação da formação do professor resulta de um mosaico de “[...] iniciativas e normas para porem em prática processos de desregulação e privatização”. (BARROSO, 2003, p. 32). 
 Reforço da autonomia das escolas, flexibilização das normas, contratualização (entrega da gestão à iniciativa privatizada) entre outras.
IDEB E SEUS EFEITOS NO trabalho e a formação docente
 O índice tornou-se a principal referência do trabalho docente na educação básica e irá impactar as diferentes políticas de formação continuada e o trabalho docente. 
 Importância: Organização de um comitê local com representantes de vários setores da sociedade – associações de empresários, trabalhadores, Ministério Público, Conselho Tutelar e dirigentes do campo educacional: mobilização da sociedade bem como o acompanhamento das metas de evolução do índice educacional. 
Regulação, trabalho e a formação docente: a avaliação em larga escala (CAMARGO, QUEIROZ E CARNEIRO, 2018) 
A principal referência dos resultados do ensino e aprendizagem são os resultados, e, não em avaliação de processo, que seria o ideal, do ponto de vista pedagógico. 
Priorizam a centralidade em ações concebidas com base em modelos gerenciais, no ranqueamento relativo ao rendimento escolar, os exames externos contribuem para consolidar a implementação de propostas de caráter sistêmico
Desconhecem a diversidade na realidade concreta das escolas e dos educandos das redes de ensino brasileiras, além de não reunir dados suficientes para captar aspectos gerais nem específicos que comprometem o trabalho administrativo nem pedagógico
Acabam por obscurecer, portanto, a escola como lócus importante de formação contínua e permanente
Regulação, trabalho e a formação docente: a avaliação em larga escala (CAMARGO, QUEIROZ E CARNEIRO, 2018) 
Contribui para invisibilidade da escola, porque oculta uma gama de problemas por ela enfrentados
Redimensiona significativamente o trabalho pedagógico e sua organização
Acaba por afetar a identidade docente, já que suas atividades são redimensionadas com vistas a melhoria dos índices educacionais, o que se constitui em um reducionismo. 
NOVA GESTÃO PÚBLICA 
Os processos de reforma do estado que tiveram início nos anos 1990 no contexto latino-americano, tendo a NGP como importante instrumento na relação entre os atores do Estado e a sociedade civil, foram determinando novas formas de regulação da educação baseadas em políticas de prestação de contas para as quais a avaliação passa a ter um papel essencial
Críticas aos sistemas educacionais pelo seu baixo desempenho verificado sobretudo nas provas Pisa, realizadas nos países da América Latina, em especial o Brasil, com resultados bem abaixo dos parâmetros de rendimento dos estudantes pertencentes aos países membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), tem contribuído para aumentar a desconfiança em relação às escolas e seus docentes. 
Os discursos dirigidos aos professores são no sentido de que se espera que eles compensem os fatores sociais que demandam investimento social, tanto mais em situação de contenção de recursos públicos e de desigualdade social dos países dessa região. 
NOVA GESTÃO PÚBLICA 
Nas últimas décadas, as políticas públicas em educação no Brasil vêm sofrendo importante mudança de paradigma que busca reorientar os objetivos, os processos de trabalho e as finalidades das escolas públicas. Essas políticas têm imposto uma regulação centrada na avaliação externa como parâmetro para medir a eficiência da gestão escolar, da qual depende seu financiamento. Essa regulação encontra seu fundamento na Nova Gestão Pública (NGP).(OLIVEIRA, DUARTE e CLEMENTINO, 2017). 
NOVA GESTÃO PÚBLICA / GERENCIALISMO
O marco histórico dessa mudança é a Constituição Federal de 1988, que, ao promover o fortalecimento dos governos locais como resultado das pressões de movimentos que demandavam maior descentralização e redemocratização da sociedade, acabou ensejando novos modelos de gestão das políticas públicas no país. 
O contexto é ainda influenciado por variáveis externas que se relacionam com a circulação de políticas e conhecimento em âmbito internacional aos quais o Brasil não está imune. Essas influências são absorvidas no plano interno como um movimento mais amplo que cobra do Estado e de suas instituições maior transparência e prestação de contas.
Apesar de a NGP ter ganhado maior força no mundo a partir das últimas décadas do século passado, as críticas ao Estado de Bem-Estar Social, utilizadas como principais argumentos para a defesa do gerencialismo no setor público, começaram no final dos anos 1970 e início dos 1980, impulsionadas pelas crises daquele momento e pela emergência da globalização 
Ngp como tendência hegemônica
Nas últimas décadas do século XX , o gerenciamento dos serviços públicos foi abandonando os sistemas baseados na hierarquia burocrática para adotar sistemas mais diversificados. (MENDES; TEIXEIRA, 2000). 
Na base dessas mudanças, encontra-se o Novo Gerencialismo como tendência hegemônica influenciando concepções e práticas organizacionais dos serviços públicos, incorporando, nesse setor, a lógica concorrencial, em que o ‘empreendedorismo’ é tomado como a força propulsora das mudanças. 
Tendo como paradigma o mercado, estimula-se a realização de parcerias entre agências públicas e privadas e se introduzem inovações gerenciais, como, por exemplo, programas de qualidade total.
O Contexto político atual, marcado por uma forte regressão no que se refere aos direitos humanos, pelo conservadorismo moral e pela austeridade em matéria financeira, tende a exarcebar as consequências acima referidas dos processos de regulação educacional.
ESTUDOS COMPARADOS e AS ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS
 
 As Organizações internacionais e a reforma do mundo da educação
Essas organizações tem participado na gestão da educação, na qualidade de fontes ou de legitimadoras de um universo de conhecimento que garante que as reformas pensadas por especialistas podem levar a que nações se tornem por meio da educação importantes atores na economia. (Lindblad & Popkewitz,