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UNIVERSIDADE PAULISTA – UNIP FICHAMENTO DE LEITURA TEXTO 13 - CYTRYNOWICZ, M. B., O mundo da criança in Revista da Associação Brasileira de Daseinsanalyses. n. 9. 2000 O texto aborda, baseando-se em pressupostos fenomenológicos, o mundo da criança enquanto descobertas de novas possibilidades e, suas próprias limitações como sujeito e como isso se aplica no seu significado de mundo. Esses conceitos estão interligados ao brincar e a fantasia onde a criança tem maiores possibilidades de explorar e de se descobrir no mundo. O conceito de tempo no texto é abordado não como algo concreto que pode ser medido em um relógio, mas sim como algo que é subjetivo há cada um e que para cada pessoa ele passa de uma maneira diferente. Intrincado a isso está o conceito de infância e a origem dessa palavra que significa sem fala ou na claridade, em tradução livre o tempo da infância seria uma claridade sem fala, ou seja, um período de descobertas da criança e suas relações com o outro onde aquele que cuida da criança é mais compreendido do que a própria criança. As metáforas que são tão utilizadas para melhor compreender algo, algumas vezes trazem dificuldades quando são entendidas como a realidade e não apenas uma expressão de algo como o mito de Édipo que se tornou uma estrutura da realidade humana, sobretudo da infância. O método fenomenológico busca compreender a criança e a infância a partir daquilo que aparece e, se situar após isso. Só podemos compreender a criança se buscarmos compreender seu mundo e a importância dele para a criança já que é no tempo da infância que as crianças irão explorar o desconhecido e este tempo é o hoje e, algo que agora é uma coisa, mais tarde não será mais. Podemos observar essas descobertas da criança durante a brincadeira e o enredo da mesma pois, conforme a história da brincadeira vai se formando ela vai descobrindo mais sobre o mundo e sobre si mesma. Desse modo criativo, a criança cresce. Entretanto, também é durante esse período de descobertas que a criança se aproxima do desamparo e a angústia que esse mundo traz e a criança experimenta sua própria impotência e é confrontada com a finitude humana. Por mais amparada que a criança seja ela terá que experimentar a angústia, porém, em sua fragilidade infantil ela ainda não se sente preparada para aceitar e suportar seu futuro humano. E isso pode se apresentar com maior ou menor intensidade na criança. A relação da criança com o adulto representa um cuidado tanto do presente quando do futuro, pois, quando o adulto cuida do bebê e do seu bem-estar ele também está visando o futuro, o vir a ser. O adulto possui um papel fundamental no cuidar da criança e com as condições de seu crescimento o que gera no adulto uma responsabilidade muito grande e, será ele que irá abrir o caminho para um crescimento sadio da criança o que, pode provocar uma angustia no adulto no momento em que isso ressalta suas próprias limitações. Dentre os maiores impedimentos do crescimento da criança e do adulto também, a maior delas é o próprio ser mortal e sua finitude. A ligação profunda entre o adulto e a criança é o que dificulta a compreensão do que se origina em um ou do que vem do outro. Essa dependência da criança é um traço característico dessa relação entre adultos e crianças. Em certos momentos é fundamental para a criança o reconhecimento de suas necessidades e como satisfazê-las e o encorajamento para descobrir o novo. O adulto nesse momento está representando a criança em suas escolhas que ainda não podem ser decididas por elas. Antecipação e representação se dão de diferentes modos de cuidado que pode ser: autoritário, indiferente, exibicionista, que mima, que estimula ou um cuidado paciente. As necessidades e solicitações são conceitos passiveis de observação. Sem esse referencial as crianças ficam perdidas sem conseguir decidir pra onde ir, nem o que podem ou não podem fazer. No envolvimento entre criança e adulto os dois encontram oportunidades de desenvolvimento. O brincar é uma forma de atuação e, o falar é uma forma de expressão, os dois são coisas diferentes que se completam no desenvolvimento da criança. Durante a terapia lúdica o brincar é um jogo de aparências e, na brincadeira os brinquedos parecem ser algo que na verdade não são. Criatividade, originalidade e diferenciação são condições fundamentais para a brincadeira e para a dinâmica da brincadeira. Na brincadeira há a valorização do presente e a descoberta de relações e enredos e surgem com o envolvimento da criança com o mundo. Os limites da brincadeira não são impostos por autoridades externas, mas no próprio brincar. O brincar possibilita a libertação dos significados do mundo e de um conhecimento mais amplo de si e do outro, não só para as crianças, mas também para os adultos. 2