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Inflamação Crônica

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como IL-10 e TGF-beta. 
A principal função dos macrófagos (M2) ativados de maneira alternativa consiste em atuar no 
reparo tecidual. Eles secretam fatores de crescimento que promovem a angiogênese, ativam os 
fibroblastos e estimulam a síntese de colágeno. Parece plausível que, em resposta à maioria dos 
estímulos lesivos, a primeira via de ativação seja a clássica, projetada para destruir os agentes 
agressores, seguindo-se, então, a ativação alternativa, que dá início ao reparo tecidual. No 
entanto, essa sequência tão precisa não é bem documentada na maioria das reações 
inflamatórias. 
 4 Inflamação Crônica | Larissa Gomes de Oliveira. 
Os produtos dos macrófagos 
ativados eliminam os agentes 
lesivos da mesma forma que 
fazem os microrganismos e o 
início do processo de reparo, 
mas também são responsáveis 
por grande parte da lesão 
tecidual na inflamação crônica. 
Várias funções dos macrófagos 
são vitais para o 
desenvolvimento e a 
persistência da inflamação 
crônica e da lesão tecidual que 
a acompanha. 
▪ Os macrófagos, como o outro tipo 
de fagócito, os neutrófilos, ingerem e eliminam os microrganismos e os tecidos mortos. 
▪ Os macrófagos iniciam o processo de reparo tecidual e estão envolvidos na formação de 
cicatrizes e fibrose. 
▪ Os macrófagos secretam mediadores da inflamação, tais como as citocinas (TNF, IL-1, 
quimiocinas e outras, e eicosanoides). Dessa forma, os macrófagos são essenciais para a 
iniciação e a propagação das reações inflamatórias. 
Os macrófagos apresentam antígenos para os linfócitos T e respondem a sinais das células T, 
configurando, dessa forma, uma cadeia de retroalimentação que é essencial para a defesa 
contra muitos microrganismos por respostas imunológicas mediadas por células. 
FUNÇÃO DOS LINFÓCITOS 
Os linfócitos, que são células formadas na medula óssea, de núcleo volumoso e escasso 
citoplasma, estão presentes principalmente na inflamação crônica e também são responsáveis 
por produção de citocinas. Os linfócitos do tipo B, quando estimulados, se proliferam e se 
diferenciam em plasmócitos, células responsáveis pela produção de anticorpos. Já os linfócitos 
do tipo T, quando ativados, produzem citocinas como o interferon gama (IFN-γ), que ativam 
macrófagos, que por sua vez produzem mais citocinas, resultando em uma interação de modo 
bidirecional entre linfócitos e macrófagos, abastecendo e mantendo a inflamação crônica. 
A inflamação crônica é mediada por citocinas produzidas pelos linfócitos, principalmente 
linfócitos do tipo T, além disso, promovem mais apresentação do antígeno e mais secreção de 
citocinas. O resultado é um ciclo de reações celulares que abastece e tende a manter, ampliar e 
prolongar a inflamação crônica. 
Os linfócitos T e B (efetor e memória) estimulados pelos antígenos usam vários pares de 
moléculas de adesão (selectinas, integrinas e seus ligantes) e quimiocinas para migrar para os 
locais de inflamação. As citocinas dos macrófagos ativados, principalmente TNF, IL-1 e 
Disponível: <http://ortomolecular.comunidades.net/estudo-dirigido-1-imunologia-ufg> 
 5 Inflamação Crônica | Larissa Gomes de Oliveira. 
quimiocinas, promovem o recrutamento de leucócitos, preparando o campo para a persistência 
da resposta inflamatória. 
Em virtude de sua habilidade de secretar citocinas, os linfócitos T CD4+ promovem inflamação 
e influenciam a natureza da reação inflamatória. Essas células T aumentam de modo acentuado 
a reação inflamatória inicial que é induzida pelo reconhecimento de microrganismos e células 
mortas como parte da imunidade inata. Há três subtipos de células T CD4+ que secretam 
espécies diferentes de citocinas e produzem tipos de inflamação distintos. 
→ TH1: produzem a citocina IFN-γ, que ativa os macrófagos através da via clássica. 
→ TH2: secretam a IL-4, a IL-5 e a IL-13, que recrutam e ativam os eosinófilos e são 
responsáveis pela via alternativa da ativação dos macrófagos. 
→ TH17: secretam a IL-17 e outras citocinas, que induzem a secreção de quimiocinas 
responsáveis pelo recrutamento de neutrófilos (e monócitos) para reação. 
Tanto as células TH1 quanto as TH17 são envolvidas na defesa contra muitos tipos de bactérias 
e vírus, bem como nas doenças autoimunes. As células TH2 são importantes na defesa contra 
parasitas helmínticos e nas reações alérgicas. 
O que acontece é: Os linfócitos e macrófagos interagem de forma bidirecional, e essas 
interações desempenham importante papel na propagação da inflamação crônica. Os 
macrófagos apresentam antígenos a células T, expressam moléculas de membrana (chamadas 
coestimuladores) e produzem citocinas (IL-12 e outras) que estimulam as respostas de células 
T. Os linfócitos T ativados, por sua vez, produzem citocinas as quais recrutam e ativam 
macrófagos, promovendo mais apresentação antigênica e seleção de citocinas. O resultado é 
um ciclo de reações celulares que abastecem e sustentam a inflamação crônica. 
OUTRAS CÉLULAS NA INFLAMAÇÃO CRÔNICA 
Outros tipos celulares podem ser proeminentes na inflamação crônica induzida por estímulos 
específicos. Algumas delas são: 
→ Eosinófilos: são abundantes nas reações imunológicas mediadas por IgE e em infecções 
parasitárias. 
Seu recrutamento é acionado pelas moléculas de adesão, de modo similar àquele usado pelos 
neutrófilos e por quimiocinas específicas (p. ex., eotaxina) leucocitárias e células epiteliais. Os 
eosinófilos têm grânulos contendo a proteína básica principal, uma proteína altamente catiônica 
que é tóxica para parasitas, mas também causa lise das células epiteliais dos mamíferos. Por isso 
os eosinófilos são benéficos ao controle das infecções parasitárias, mas também contribuem 
para o dano tecidual nas reações imunológicas, como, por exemplo, alergias. 
→ Mastócitos: são amplamente distribuídos nos tecidos conjuntivos e participam de ambas as 
reações inflamatórias, aguda e crônica. Os mastócitos expressam em sua superfície o 
receptor (Fc RI) que liga a porção Fc do anticorpo IgE. Nas reações de hipersensibilidade 
imediata, os anticorpos IgE ligados aos receptores Fc das células reconhecem 
especificamente o antígeno, desencadeando, assim, a desgranulação e a liberação de 
mediadores como histamina e prostaglandinas. Esse tipo de resposta ocorre durante as 
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reações alérgicas aos alimentos, veneno de insetos ou fármacos, algumas vezes com 
resultados catastróficos (p. ex., choque anafilático). Os mastócitos também estão presentes 
nas reações inflamatórias crônicas e, pelo fato de secretarem um grande número de 
citocinas, podem promover reações inflamatórias em diferentes situações. 
 
→ Neutrófilos: embora sejam característicos da inflamação aguda, muitas formas de 
inflamação crônica que duram por meses continuam a mostrar grandes números de 
neutrófilos, induzidos tanto por microrganismos persistentes quanto por mediadores 
produzidos pelos macrófagos ativados e linfócitos T. Na infecção bacteriana crônica do osso 
(osteomielite), um exsudato neutrofílico pode persistir por muitos meses. Os neutrófilos 
também são importantes no caso da lesão crônica induzida nos pulmões por tabagismo e 
outros estímulos irritantes. Esse padrão de inflamação é chamado de agudo e crônico. 
INFLAMAÇÃO GRANULOMATOSA 
A inflamação granulomatosa é uma forma de inflamação crônica caracterizada por coleções de 
macrófagos ativos, frequentemente com linfócitos T, e, algumas vezes, associada à necrose 
central. 
A formação de granulomas é uma tentativa celular de conter um agente agressor difícil de 
eliminar. Nessa tentativa, comumente existe intensa ativação dos linfócitos T levando à ativação 
dos macrófagos, que pode causar lesão aos tecidos normais. Os macrófagos ativos podem 
desenvolver um citoplasma abundante e começar a se parecer com células epiteliais, sendo 
chamados de células epitelioides. Alguns macrófagos ativos podem fundir-se, formando