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Apostila Direito do Consumidor - AV1 - COMPLETO

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Apostila Studium Legis por: 
@estudadireitosofia 
2021.1 
 
 
1 
Bases 
Constitucionais 
 
O Código Brasileiro de Defesa do Consumidor foi 
instituído pela Lei 8.078/1990 por determinação do 
Art. 48 da ADCT de 1988, afim de constituir uma 
norma típica que protegesse os mais vulneráveis. 
Tendo como base o direito constitucional, pois as 
relações de consumo não são equivalentes entre 
consumidor x fornecedor de serviço. 
É um direito fundamental previsto no Art. 5º da 
CF/88. 
 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção 
de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros 
e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade 
do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança 
e à propriedade, nos termos seguintes: (...) 
 
XXXII – o Estado promoverá, na forma da lei, a 
defesa do consumidor. 
 
Vale ressaltar dentro do Direito do Consumidor na 
visão da Constituição Brasileira: 
 
• Desigualdade nas relações; 
 
• Direito do Consumidor como direito 
fundamental; 
 
• Eficácia horizontal dos direitos 
fundamentais. 
 
CF/88: “Art. 170. A ordem econômica, fundada 
na valorização do trabalho humano e na livre 
iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência 
digna, conforme os ditames da justiça social, 
observados os seguintes princípios: (...) 
 
V – defesa do consumidor. 
 
ADCT: “Art. 48. O Congresso Nacional, dentro de 
cento e vinte dias da promulgação da Constituição, 
elaborará código de defesa do consumidor”. 
Características do Código 
de Defesa do 
Consumidor 
Microssistema 
multidisciplinar 
Código de Defesa do 
Consumidor 
Constitucional Dignidade da Pessoa 
Humana 
Administrativo Sanções administrativas 
Civil Responsabilidade civil 
Penal Crimes 
Processo Civil Inversão do ônus da prova 
 
O CDC é considerado um microssistema 
multidisciplinar porque trás regras de diversos 
outros códigos do nosso regimento afim de 
complementar-se e ser mais eficaz. A exemplo 
exposto acima o CDC bebe de normas legais inseridas 
em outros códigos como: sobre crimes do Código 
Penal e da responsabilidade civil do Código Civil. 
 
Além disso o CDC é uma lei principiológica, seus 
princípios buscam harmonizar as relações de 
consumo, esses são: 
 
1. Princípio do protecionismo do consumidor: 
está presente no Art. 1º da Lei 8.078/1990, 
segundo qual o CDC estabelece normas de ordem 
pública e interesse social. 
 
2. Princípio da vulnerabilidade do consumidor: 
pela leitura do Art. 4º, inc. I, do CDC é possível 
perceber a clara intenção do legislador em dotar o 
consumidor, em todas as situações, da condições 
de vulnerável na relação jurídica de consumo e 
diante disso surgiu a necessidade de uma lei 
protetiva própria, no nosso caso a Lei 8.078/1990. 
 
3. Princípio da hipossuficiência do consumidor: 
presente no Art. 6º, inc. VIII, do CDC. Ao contrário 
do que ocorre com a vulnerabilidade, a 
hipossuficiência é um conceito fático e não jurídico, 
 
 
2 
fundado em uma disparidade ou discrepância 
notada no caso concreto. Assim sendo, todo 
consumidor é vulnerável, mas nem todo consumidor 
é hipossuficiente. 
 
4. Princípio da boa-fé objetiva: lê-se no Art. 4º, 
inc. III, do CDC. Sendo um regramento vital do 
mesmo, nesse contexto nas relações 
consumeristas deve estar presente o justo 
equilíbrio, em uma correta harmonia entre as 
partes, em todos os momentos relacionados com a 
prestação e o fornecimento. 
 
5. Princípio da transparência ou da confiança: 
presente em dois artigos, no Art. 4º, caput e no 
Art. 6º, inc. III, do CDC. É a tutela da informação. No 
âmbito jurídico a informação tem duas faces: o 
dever de informar e o direito de ser informado, 
sendo o primeiro relacionado com quem oferece o 
seu produto ou serviço ao mercado, e o segundo, 
com o consumidor vulnerável. 
 
6. Princípio da função social do contrato: o CDC 
traz como princípio fundamental, embora implícito, 
a função social dos contratos, conceito básico para 
a própria concepção do negócio de consumo. O 
objetivo principal da função social dos contratos é 
tentar equilibrar uma situação que sempre foi 
díspar, em que o consumidor sempre foi vítima das 
abusividades da outra parte da relação de consumo. 
 
7. Princípio da equivalência negocial: exposto no 
Art. 6º, inc. II, do CDC tendo em vista garantir a 
igualdade de condições no momento da contratação 
ou de aperfeiçoamento da relação jurídica 
patrimonial. De acordo com o inciso citado acima 
fica estabelecido o compromisso de tratamento 
igual a todos os consumidores, consagrando a 
igualdade nas contratações. 
 
8. Princípio da reparação integral de danos: 
presente no Art. 6º, inc. VI, do CDC. Vem a tratar 
dos danos reparáveis nas relações de consumo. No 
que concerne à responsabilidade civil na ótica 
consumerista o regramento fundamental é a 
reparação integral dos danos, que assegura aos 
consumidores as efetivas prevenções e 
reparações de todos os danos suportados, sejam 
eles materiais ou morais, individuais, coletivos ou 
difusos. 
Embora já tenha sido apresentado acima nos 
princípios é valido ressaltar que o CDC é uma 
norma de ordem pública e de interesse 
social e o artigo 1º é quem trata disso, vejamos: 
 
Art. 1º O presente código estabelece normas de 
proteção e defesa do consumidor, de ordem pública 
e interesse social, nos termos dos arts. 5º, inciso 
XXXII, 170, inciso V, da Constituição Federal e art. 48 
de suas Disposições Transitórias. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
• As decisões decorrentes das relações 
de consumo se limitam às partes 
envolvidas em litígio? 
Não, pois o CDC estabelece que as normas de 
proteção e defesa do consumidor são de ordem 
PÚBLICA e de INTERESSE SOCIAL, logo não se 
limitam exclusivamente às partes envolvidas, uma 
decisão pode ser usufruída de maneira coletiva. 
• As partes poderão derrogar os direitos 
do consumidor? 
Admitem derrogação por vontade dos 
interessados em determinada relação de 
consumo, sofrendo para tanto a intervenção do 
Estado na sua regulamentação, sendo regra a 
inderrogabilidade das partes, admitindo, no 
entanto, algumas exceções expressamente 
autorizadas no texto legal. 
• O juiz pode reconhecer de ofício 
direitos do consumidor? 
O juiz pode e DEVE agir de ofício no âmbito do 
direito consumerista, salvo em relações 
contratuais bancárias como previsto na súmula 
n. 381, onde lê-se “Nos contratos bancários, é 
vedado ao julgador conhecer, de ofício, da 
abusividade das cláusulas”. 
 
 
 
3 
A relação jurídica de 
consumo 
 
De acordo com Maria Helena Diniz, usando uma 
citação de Del Vecchio, afirma: “a relação jurídica 
consiste num vínculo entre pessoas, em razão do 
qual uma pode pretender um bem a que outra é 
obrigada. Tal relação só existirá quando certas ações 
dos sujeitos, que constituem o âmbito pessoal de 
determinadas normas, forem relevantes no que 
atina ao caráter deôntico das normas aplicáveis à 
situação. Só haverá relação jurídica se o vínculo 
entre pessoas estiver normado, isto é, regulado por 
norma jurídica, que tem por escopo protege-lo”. 
 
A existência de uma relação entre sujeitos jurídicos, 
geralmente entre um sujeito ativo (titular de um 
direito e um sujeito passivo) que tem um dever 
jurídico. Na relação de consumo, tais elementos são 
o fornecedor e o prestador de serviço, de um lado, 
e o consumidor, do outro lado. Em grande parte dessas 
relações as partes são credoras e devedoras entre si. 
 
Para compreender as relações de consumo é 
preciso ter claro os 4 conceitos pilares da matéria, 
tais conceitos caso não se encaixem não há relações 
consumo, logo os 4 precisam coexistir nas relações 
consumeristas. 
 
Esses são: 
 
1. Conceito de Consumidor: 
 
O consumidor pode ser definido como o destinatário 
final do produto, esse elemento causa muita 
confusão, por isso existem teorias sobre tal questão. 
Vejamos: 
 
• Teoria Maximalista: a teoria maximalista ou 
objetiva procura ampliar o conceito de 
consumidor