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Apostila Direito do Consumidor - AV1 - COMPLETO

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todo seu conhecimento 
e esforço para obter a absolvição de seu 
cliente, mas não pode garantir o resultado. 
 
Então, nesse caso de celebração de contrato de 
meio, o profissional liberal só poderá ser 
responsabilizado com a demonstração de CULPA. 
Ex.: O cliente comprova que Sérgio agiu com 
negligência durante o curso da ação, por 
exemplo, perdeu prazo, não foi a audiências. 
Assim Sérgio poderá ser responsabilizado. 
 
Por outro lado, há o contrato de resultado, aquele 
em que o fornecedor da a garantia do resultado 
desejado pelo cliente. 
 
Ex.: Dr. Rodrigo, cirurgião plástico renomado 
celebra contrato de resultado com sua 
paciente Vitória, dando a garantia 
(assegurando!) de que irá (por meio de 
intervenção cirúrgica) deixá-la igual a Barbie. 
Algum tempo depois da cirurgia Vitória 
percebe que não obteve o resultado 
desejado, ela não está nada parecida com a 
boneca como almejava, ela NÃO obteve o 
resultado. Assim ela poderá responsabilizar 
Dr. Rodrigo por não ter obtido o resultado 
prometido. **Aqui NÃO haverá analise de 
culpa, será uma responsabilidade objetiva. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Pontua o autor Daniel Amorim: “O vício do PRODUTO 
se da quando existe um problema oculto ou aparente 
no bem de consumo, que o torna impróprio para uso 
ou diminui o seu valor, tido como um vício por 
inadequação. Em casos como esse vale frisar que 
Bizu: 
Cirurgia reparadora – obrigação de 
meio/subjetiva/necessário comprovar a culpa; 
Cirurgia embelezadora – obrigação de 
resultado/objetiva/não precisa provar culpa. 
 
 
 
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não há repercussões fora do produto, não se 
podendo falar em responsabilização por outros 
danos como materiais, morais ou estéticos, só será 
reparado o VALOR da coisa. 
 
Em suma lembre-se que no VÍCIO o problema 
PERMANECE NO PRODUTO, não rompendo seus 
limites O parágrafo 6º do artigo 18 ilustra algumas 
situações em que o vício do produto está presente, 
pois são bens impróprios para consumo. 
 
Deve ficar claro que o vício do produto NÃO se 
confunde com as deteriorações normais 
decorrentes do uso da coisa. Sendo assim, para a 
caracterização ou não do vício deve ser considerada 
a vida útil do produto que está sendo adquirido. 
Conforme extraído de trecho de publicação 
constante no Informativo n. 506 do STJ, “O 
fornecedor responde por vício oculto de produto 
durável decorrente da própria fabricação e não do 
desgaste natural gerado pela fruição ordinária, 
desde que haja reclamação dentro do prazo 
decadencial de noventa dias após evidenciado o 
defeito, ainda que o vício se manifeste somente após 
o término do prazo de garantia contratual, devendo 
ser observado como limite temporal para o 
surgimento do defeito o critério de vida útil do bem. 
O fornecedor não está, ad aeternum, responsável 
pelos produtos colocados em circulação, mas a sua 
responsabilidade não se limita pura e simplesmente 
ao prazo contratual de garantia, o qual é estipulado 
unilateralmente por ele próprio”. (STJ – Resp. 
984.106/SC – Rel. Min. Luis Felipe Salomão – j. 
04.10.2012) 
 
Exemplificando o exposto acima: não pode o 
comprador de um veículo alegar que o pneu está 
careca após cinco anos de uso, não havendo vício do 
produto em casos tais.” 
 
Art. 18. Os fornecedores de produtos de consumo 
duráveis ou não duráveis respondem 
SOLIDARIAMENTE pelos vícios de qualidade ou 
quantidade que os tornem impróprios ou inadequados 
ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o 
valor, assim como por aqueles decorrentes da 
disparidade, com a indicações constantes do 
recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem 
publicitária, respeitadas as variações decorrentes 
de sua natureza, PODENDO o consumidor exigir a 
substituição das partes viciadas. 
 
§ 1° Não sendo o vício sanado no prazo máximo de 
trinta dias, pode o consumidor exigir, 
alternativamente e à sua escolha: 
 
I. a substituição do produto por outro da 
mesma espécie, em perfeitas condições de 
uso; 
 
II. a restituição imediata da quantia paga, 
monetariamente atualizada, sem prejuízo de 
eventuais perdas e danos; 
 
III. o abatimento proporcional do preço. 
 
§ 2° Poderão as partes convencionar a redução ou 
ampliação do prazo previsto no parágrafo anterior, 
não podendo ser inferior a sete nem superior a 
cento e oitenta dias. Nos contratos de adesão, a 
cláusula de prazo deverá ser convencionada em 
separado, por meio de manifestação expressa do 
consumidor. 
 
§ 3° O consumidor poderá fazer uso imediato das 
alternativas do § 1° deste artigo sempre que, em 
razão da extensão do vício, a substituição das partes 
viciadas puder comprometer a qualidade ou 
características do produto, diminuir-lhe o valor ou se 
tratar de produto essencial. 
 
§ 4° Tendo o consumidor optado pela alternativa do 
inciso I do § 1° deste artigo, e não sendo possível a 
substituição do bem, poderá haver substituição por 
outro de espécie, marca ou modelo diversos, 
mediante complementação ou restituição de 
eventual diferença de preço, sem prejuízo do 
disposto nos incisos II e III do § 1° deste artigo. 
 
§ 5° No caso de fornecimento de produtos in natura, 
será responsável perante o consumidor o 
fornecedor imediato, exceto quando identificado 
claramente seu produtor. 
 
 
 
18 
§ 6° São impróprios ao uso e consumo: 
 
I. os produtos cujos prazos de validade 
estejam vencidos; 
 
II. os produtos deteriorados, alterados, 
adulterados, avariados, falsificados, 
corrompidos, fraudados, nocivos à vida ou à 
saúde, perigosos ou, ainda, aqueles em 
desacordo com as normas regulamentares 
de fabricação, distribuição ou apresentação; 
 
III. os produtos que, por qualquer motivo, se 
revelem inadequados ao fim a que se 
destinam. 
 
 
Características do Vício no PRODUTO: 
 
• Se subdivide em vícios de qualidade, onde o 
produto pode apresentar uma qualidade abaixo 
da esperada e vícios de quantidade, que tem 
problemas em relação a sua quantidade; 
 
• Responsabilidade OBJETIVA, por tanto, em via de 
regra não irá se analisar culpa; **existem exceções. 
 
• Além de objetiva a responsabilidade é solidária, o 
que quer dizer que todos na cadeira de 
fornecimento vão responder a eventuais vícios 
do produto. É preciso se atendar, pois existem 
EXCLUDENTES DA SOLIDARIEDADE, essas são: 
 Art. 18, §5º, CDC = Produtos “in natura”. 
Aqui será responsável perante ao 
consumidor o fornecedor imediato, salvo 
quando identificar o produtor; 
 Art. 19, §2º, CDC = pesagem ou medição 
por instrumento não oficiais (ex.: balança 
adulterada). Aqui será EXCLUSIVAMENTE 
responsável o fornecedor imediato. 
 
Vício do Produto por QUALIDADE: 
 
Exposto no caput do artigo 18 do CDC, o vício de 
qualidade é aquele que gera uma impropriedade ou 
diminuição do preço, uma disparidade em relação às 
características do produto e a informação no 
produto. 
 
 Se liga no exemplo: Manuel compra um carro 
zero, mas percebe que a porta está amassada, 
sendo esse um vício de qualidade que vai gerar 
a diminuição de preço do veículo. Ou ainda Fábia 
compra uma TV, mas está não emite som algum, 
aqui tem-se uma impropriedade do produto, ele 
não serve totalmente ao proposito a que ele se 
destina. Por último é possível expor a situação 
de Rogério que comprou um anel para 
namorada, acreditando que esse seria se ouro, 
mas houve impropriedade das informações e, na 
verdade, o anel comprado era apenas uma 
bijuteria 
 
OBS.: Em relação a pontas de estoque (promoções 
onde lojas vendem produtos com pequenas avarias), 
elas não são proibidas pelo CDC desde que o 
consumidor seja alertado sobre o que está 
comprando. Bem como o CDC não proíbe a venda de 
produtos usados desde que o consumidor seja 
avisado, ele precisa saber o que está adquirindo. 
Observações baseadas no princípio da informação e 
da boa-fé. 
 
• Prazo para sanar o Vício do Produto 
 
Exposto no §1º do art. 18 o prazo máximo de 30 dias 
para que o fornecedor venha a sanar o vício do 
produto. Esse prazo é relativizado (flexibilizado), onde 
vai ter

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