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Lei Penal no tempo e no espaço - Parte II

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Resumo 
Lei Penal no tempo e no espaço – Parte II 
 
Lugar do crime e territorialidade 
 
 Aplica-se, em regra, a lei penal brasileira no território brasileiro. Em virtude 
das exceções, a doutrina pátria entende que o Brasil adotou o princípio da territorialidade 
mitigada (temperada ou abrandada). 
 
Regra > entende-se como território brasileiro: 
1) Território físico, material, efetivo ou real > toda a superfície terrestre (solo e subsolo), 
águas interiores, mar territorial (12 milhas marítimas de largura, medidas a partir da linha 
de baixa-mar do litoral continente e insular) e espaço aéreo correspondente; 
2) Território por extensão, flutuante ou por equiparação > embarcações e aeronaves 
brasileiras, públicas ou privadas, desde que a serviço do governo brasileiro; embarcações 
e aeronaves brasileiras mercantes ou de propriedade privada no espaço aéreo 
correspondente ou em alto-mar; embarcações estrangeiras privadas em porto ou mar 
territorial brasileiro; aeronaves estrangeiras privadas em pouso no território brasileiro ou 
em voo no espaço aéreo correspondente. 
 
Extraterritorialidade > ocorre quando a lei penal brasileira alcança fatos praticados fora 
do Brasil. Ela pode ser (princípio da personalidade ou da nacionalidade): 
a) ativa > crime praticado fora do país por brasileiro; 
b) passiva > crime cometido contra vítima brasileira. 
 
Princípio do domicílio > o autor do crime deve ser julgado pela lei do país onde for 
domiciliado, independentemente de sua nacionalidade. No Brasil, aplica-se ao crime de 
genocídio. 
 
Princípio da defesa real ou da proteção > aplica-se a lei penal brasileira a crimes 
praticados no exterior que ofendam bens jurídicos pertencentes ao Brasil. 
 
Princípio da justiça universal > cooperação penal internacional. Ex.: tráfico de pessoas. 
 
 
Obs.: para contravenções penais aplica-se apenas o crime da territorialidade. 
 
A extraterritorialidade pode ser também (de acordo com o doutrinador Vinícius 
Assumpção, “Direito Penal – parte geral”, Resumos, 2020, p. 58): 
1) incondicionada > ocorre nos casos de: a) crime contra a vida ou a liberdade do 
Presidente da República; b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do DF, de 
Estado, de Território, de Município, de empresa pública, sociedade de economia mista, 
autarquia ou fundação instituída pelo Poder Público; c) contra a administração pública, 
por quem está a seu serviço; d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou 
domiciliado no Brasil; e) de tortura, sendo a vítima brasileira ou encontrando-se o agente 
em local sob jurisdição brasileira. 
2) condicionada > ocorre nos casos de: a) crimes que, por tratado ou convenção, o Brasil 
se obrigou a reprimir; b) praticados por brasileiro; c) praticados em aeronaves ou 
embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, quando em território 
estrangeiro e aí não sejam julgados. 
 
A extraterritorialidade condicionada exige que se observe as seguintes condições (ainda 
de acordo com Vinícius Assumpção): 
1) entrada do agente no território nacional; 
2) ser o fato punível também no país em que foi praticado; 
3) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição; 
4) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena; 
5) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar extinta a 
punibilidade, segundo a lei mais favorável. 
 
A eficácia da sentença penal estrangeira e suas características: 
• O novo CPC determinou que é requisito indispensável à sua homologação no 
Brasil, que a sentença penal estrangeira seja eficaz no país em que ela foi proferida 
(não se exige mais o trânsito em julgado). 
• Para que a sentença penal estrangeira caracterize reincidência no Brasil, não é 
necessária sua homologação. 
• É competência do STJ a homologação de sentença estrangeira. 
• Uma vez homologada, a sentença estrangeira torna-se título executivo judicial.