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FICHAMENTO introdução à edição brasileira (Arístoteles)

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FICHAMENTO N°03- FILOSOFIA DO DIREITO 1
Aluna: Maria Alice Ribeiro Serafim Correia
Introdução à Edição Brasileira (p.1-14)
Aristóteles: Ética a Nicômanco: tradução de Antônio de Castro Caeiro 1ª edição: Editora Atlas; São Paulo, 2009
Nuno Manoel M. dos Santos Coelho, da Universidade de São Paulo, narra como primorosa a tradução direto o grego do livro Ética a Nicômaco, por Antônio de Castro Caeiro e faz as seguintes considerações:
1-Recuperação da phronesis como guia para o aprofundamento da compreensão do direito como pensamento prático e do seu lugar na constituição do humano
	Segundo o autor do texto a phronesis é a excelência do pensar humano, pensando a respeito das coisas que encontram no homem e suas causas, este atinge a ética sobre a possibilidade do agir humano diante do mundo e de si mesmo. Dessa forma, a partir do estudo da phronesis, renova-se a teoria do direito e o próprio pensamento jurídico. Para além disso, a phronesis também guia o bem viver do ser humano, permitindo que este vá além e deixe de lado o aprisionamento da paixão e da sensibilidade, caminhando em direção ao autodomínio e à felicidade. Por meio desta o homem compreende que o valor da vida não está no simples viver, mas no viver bem.
	Esta descoberta marca o momento angular na filosofia e na auto-afirmação da Grécia como civilização fundada na ciência. Nesse contexto, de tomada da vida nas próprias mãos por parte do homem, faz dos poemas homéricos a pedra angular de toda Grécia e a peça inaugural da ética.
	Falar de phronesis é tomar todo o conjunto da ética Aristotélica, mas como todo pensamento ético de Aristóteles é ao mesmo tempo político e jurídico, retomam-se também a esses pensamentos quando se fala em phronesis.
	Ainda sobre esse tipo de pensamento, ele mobiliza todo o agir em todas as circunstâncias do horizonte prático. Como todas as virtudes éticas são formas de justiça e esta está no jogo do agir, A phronesis é uma forma de realizar a justiça, especialmente de realizar a justiça enquanto equidade, o que torna o agir sempre um desafio.
2- O horizonte da ética e o seu compromisso com a felicidade como consumação do humano
A ética que tem em seu principal objeto o desejo e o esforço por sua conformação pela razão, tendo em vista o viver bem e o estudo da alma é um dos principais pontos de partida da reflexão ético-política de Aristóteles.
	Esse filósofo compreende a alma através do horizonte socrático, sendo o problema do homem um problema da alma. Nesse âmbito, Aristóteles reelabora a tripartição acadêmica da alma, apontando a existência de três partes da alma humana: a vegetativa, a sensitiva e a intelectiva. As duas primeiras são compartilhadas pelos seres humanos e os outros animais.; a vegetativa é a parte responsável pela nutrição, reprodução e crescimento e a sensitiva é responsável pelas sensações, apetites e movimentos. A terceira parte, entretanto, è exclusiva ao ser humano; ela, intimamente ligada a razão, corresponde a parte racional da alma.
	Sob essa perspectiva, Aristóteles afirma que o agir humano se institui na relação entre razão e sentimento, através dessa dicotômica disputa no interior do ser o agir humano se fundamenta. Para mais, ele ainda argumenta que a parte racional humana é o que aproxima o ser hu8mano com deus, tomando tal característica como fator comum.
	Quanto à problemática da felicidade, o mesmo filosofo argumenta sobre a necessidade de descobrir o específico do humano, que se trata da vida própria do ente que tem razão. Esse, por sua vez, ao seguir o caminho da razão, aproxima-se da felicidade e da divindade, o que é, portanto, seu fim último.
	Ainda sob a ótica da razão, sua relação é bastante problemática quando se trata do desejo. Visto isso, o desejar é capaz da razão em sentido passivo, mas, ao mesmo tempo, é capaz também de incapacitá-la ao não dar ouvidos a parte superior da alma. Incapacitando o homem ao ponto de ele não discernir nem desejar o bem.
Na investigação sobre natureza da virtude, tal filósofo apresenta três tipos de fenômenos que acontecem com a alma: afecções (pathê), capacidades (dinamis) e disposições (hexis). No acontecimento do homem ser um animal irracional, ele seria levado cegamente por suas afecções e jamais seria investigado por ele o problema do agir e do viver bem, não fazendo sentido qualquer proposição de ética. Entretanto, se ele fosse deus determinar-se-ia apenas pelo que se dispõe a razão, bastando, portanto, apenas a sua proporia existência. Em ambas as situações a ética não se faz presente, uma fez que ela só aparece à medida que surge a tensão entre razão e sentimento.
3-Os horizontes da ética; a incompletude e a fragilidade do humano
	O que marca o ser humano enquanto ser incompleto está nos seguintes aspectos; a)incompletude como o não bastar a si mesmo do mundo isolado, sendo levado, por esta sua natureza, a associar-se; b)incompletude do humano como como ser inacabado; c)incompletude do universo no horizonte prático.
	No início da política, Aristóteles esclarece que o homem foi criado para bastar-se a si mesmo, ainda mais ele também desenvolve a máxima que afirma ser o homem um ser, naturalmente, sociável e político. Nessa sua naturalidade, ele estabelece-se enquanto ser humano, a pura medida entre ser animal e o deus. Só no ambiente da polis é que, para Aristóteles, o ser humano consegue alcançar o fim párea o qual ele foi criado. Alcançando, portanto, a famigerada autarquia grega- que consiste na noção de ética.
 Há uma grande relação ao se tratar da ligação interna entre a natureza carente/necessitada/incompleta do homem e sua ética. Sua carência lhe impõe ao encontro do outro, concretizando, a partir disso, o seu processo de caráter. A noção de comunidade já não se resume mais ao simples viver, mas ao viver bem e isso justifica a persistência da sociedade, pois, mesmo que não exista a visível necessidade do auxilio entre os semelhantes humanos, a cidade nasce do bem viver junto à felicidade. E é, portanto, essa a natureza humana que busca sempre sua felicidade e não encontra bens externos maiores que amigos, honra, poder e riqueza.