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cial, pois, ao mesmo tempo que é abrangente – como sobre os sistemas circulatório 
e linfático, digestório supra e infradiafragmático, a divisão autônoma do sistema ner-
voso e o olfato e a gustação –, consegue ser uma abordagem adequada e suficiente 
dos demais sistemas do organismo, não menos importantes que os citados, para a 
compreensão do funcionamento do corpo humano na saúde e na doença. Aliado a 
esse tratamento tão especial dos assuntos de maneira didática, tem-se ainda um texto 
claro e atualizado em sua terminologia anatômica. 
Sem dúvida, o conhecimento, o talento e a experiência do professor e pes-
quisador Josemberg da Silva Baptista, bem como de seus colaboradores, fazem com 
que a obra represente um poderoso instrumento de ensino-aprendizagem moderno, 
sem perder as influências e grandes contribuições das ferramentas tradicionais de 
ensino e estudo da área.
Flávia de Oliveira
Professora de Anatomia
Departamento de Biociências
Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)
11Manual de anatomia humana para estudantes de nutrição
APRESENTAÇÃO
Como utilizar o Manual?
Este Manual de anatomia humana para estudantes de nutrição foi desenvolvido para ser 
utilizado num curso regular de anatomia para estudantes de nutrição, tendo como 
média 70 % do tempo focado em aulas teóricas. Essa decisão foi tomada com base na 
prática clínica do nutricionista. Não obstante, as aulas práticas são imperiosas para 
a consolidação do conhecimento. 
Utilizando-o da forma que aqui se descreve, embora não se tenha a inten-
ção de estabelecer um protocolo, nossos alunos elevaram em 20 % o valor das suas 
notas nas avaliações e aprovaram 100 % a metodologia no primeiro ano do experi-
mento – as retenções foram levadas a apenas 5 % ao ano. Portanto, sugere-se utili-
zar o Manual do seguinte modo:
Aulas teóricas (70 % do tempo do cronograma):
a) Solicitação de leitura do assunto previamente à aula;
b) Exposição inicial do assunto com enfoque no curso de nutrição e descri-
ção do sumário ou objetivos da aula pelo professor – duração de cinco a 
dez minutos; 
c) Aula expositiva curta – de vinte a quarenta minutos;
12Apresentação · Manual de anatomia humana para estudantes de nutrição
d) Organização de grupos de trabalho para leitura do assunto no Manual, com 
direcionamento para resolução de exercícios e problemas em sala de aula 
– tutoria de monitores e professores;
e) Correção e arguição sobre os exercícios e problemas.
Aulas práticas (30 % do tempo do cronograma):
a) Em laboratório com peças cadavéricas e modelos; 
b) O apontamento das estruturas é realizado pelo professor, com base nos 
exercícios teóricos e práticos;
c) O gabarito desses apontamentos (prancheta com o nome das estruturas) é 
sempre confeccionado pelos alunos; 
d) Correção e arguição sobre as questões e problemas.
Em específicas ocasiões previstas no cronograma, também são realizados:
a) Desafios anatômicos (teóricos ou práticos) para os grupos de trabalho, como 
forma de estímulo;
b) Seminários em grupo sobre temas anatômicos direcionados à clínica;
c) Testes e avaliações teórico-práticos.
É importante destacar a necessidade de compromisso e trabalho em grupo 
entre os alunos, monitores e professores – isso exige disciplina de todos. A postura 
dedicada e a prontidão para que as várias etapas aqui sugeridas sejam cumpridas cul-
minam no bom andamento da disciplina.
13Manual de anatomia humana para estudantes de nutrição
CAPÍTULO I
Introdução ao estudo da 
anatomia humana
Josemberg da Silva Baptista
Introdução
A palavra Anatomia tem origem do grego: ANA = em partes; TOMEIN = cortar. Sig-
nifica o estudo por meio da dissecção/dissecação. Mediante o atual estado da arte, é 
possível propor um conceito mais amplo à ciência anatômica:
Anatomia é a ciência que estuda macro e mesoscopicamente as estruturas 
orgânicas que compõem o corpo humano, bem como as relações, o desenvol-
vimento e as funções dessas estruturas.
1. Métodos de estudos da anatomia humana
Os métodos mencionados a seguir são aplicados tanto ao estudo da anatomia quanto 
no meio clínico. São eles: 
14Capítulo I · Manual de anatomia humana para estudantes de nutrição
• Tradicional: em laboratórios, com uso de cadáveres doados para ensino 
ou materiais sintéticos adquiridos pela instituição. Utiliza a dissecação para 
expor estruturas de interesse para o estudo;
• Clínico: por meio de exame clínico de inspeção, palpação, ausculta e 
percussão. Pode ser realizado em pacientes em ambulatórios e hospitais 
(semiologia);
• Imaginologia: por imagens radiográficas, tomográficas, ressonância mag-
nética e ultrassonografia. Esse método é realizado em clínicas especializa-
das de acordo com a demanda clínica.
Esses dois últimos métodos são vastamente utilizados na clínica médica. 
O método tradicional, que lança mão da dissecação, é aplicado, em parte, 
nas cirurgias.
2. Organização do corpo humano
A organização geral do corpo humano difere de acordo com o critério estabelecido, 
conforme se verifica a seguir.
2.1. Microscopia/macroscopia
Ao estabelecer-se a organização partindo-se do nível microscópico para o nível 
macroscópico, tem-se esta sequência:
Células → Tecidos → Órgãos → Sistemas → Corpo humano
15Capítulo I · Manual de anatomia humana para estudantes de nutrição
Assim, as células são a menor unidade funcional em anatomia. Outras ciên-
cias no campo da biologia também as estudam. Cada célula possui características ine-
rentes à execução de suas funções, e o conjunto de células que desempenham uma 
mesma função forma um tecido. Os tecidos, por sua vez organizados, constituem 
um órgão. Os órgãos estão agrupados de maneira a formar um sistema. E a organi-
zação de sistemas compõe o corpo humano.
2.2. Divisão segmentar
Do ponto de vista segmentar, o corpo humano está organizado em:
a) Cabeça;
b) Pescoço;
c) Tronco: tórax, abdome, pelve1 e dorso;
d) Membros superiores: raiz (cíngulo do membro superior – ombro e axila) 
e parte livre (braço, cotovelo, antebraço e mão);
e) Membros inferiores: raiz (cíngulo do membro inferior – nádegas e qua-
dril) e parte livre (coxa, joelho, perna e pé).
A raiz é a região do membro que está fixada ao tronco; todo o restante 
do membro é livre. 
1 Entre os membros inferiores, na parte mais inferior da pelve, que aloja os genitais externos, 
está disposta a região perineal. Esta não é registrada pela terminologia anatômica atual como 
uma parte do corpo, mas, sim, como uma região da pelve.
16Capítulo I · Manual de anatomia humana para estudantes de nutrição
2.3. Divisão em sistemas
a) Esquelético;
b) Articular;
c) Muscular;
d) Tegumentar;
e) Circulatório (coração e vasos sanguíneos);
f) Linfático (órgãos linfáticos);
g) Respiratório;
h) Digestório;
i) Urinário;
j) Genital;
k) Nervoso;
l) Órgãos dos sentidos;
m) Endócrino.
3. Conceitos gerais em anatomia humana
São utilizados para determinar:
a) Normalidade: características comuns e frequentes nos indivíduos. 
Ex.: dois olhos, um nariz, um estômago, duas artérias mesentéricas, um 
fígado, etc.;
b) Variação anatômica: desvio da normalidade sem prejuízo da função. Ex.: 
dextrocardia (coração voltado para o hemitórax direito), situs inversus (todas 
as vísceras em posição invertida; direito-esquerdo), diferença no calibre, 
no número ou na disposição de um vaso em comparação com o lado con-
tralateral do corpo;
c) Anomalia: desvio da normalidade com prejuízo da função. Ex.: pé 
torto congênito (o indivíduo precisará de prótese para deambular), fenda 
17Capítulo I · Manual de anatomia humana para estudantes de nutrição
palatina (é necessária uma cirurgia reparadora para o indivíduo alimen-
tar-se e falar), hidrocefalia (encéfalo com líquido aumentado; será neces-
sário realizar cirurgia para drenar tal líquido);
d) Monstruosidade: desvio brusco da normalidade com perda da função 
de modo que, em geral, se torna incompatível com a vida.