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peitoral maior; h) m. reto do abdome; i) m. oblíquo externo do abdome; j) m. quadríceps 
femoral; k) m. tibial anterior; l) grupo de músculos extensores dos dedos; m) m. latíssimo do dorso; 
n) m. glúteo máximo; o) m. bíceps femoral; p) m. semitendíneo e m. semimembranáceo; q) m. trí-
ceps braquial; r) grupo dos músculos extensores dos dedos; s) m. tríceps sural.
Note-se que em alguns desses exemplos os músculos receberam nomes 
de acordo com mais de uma característica. Ex.: m. reto do abdome 
(forma e localização), m. bíceps braquial (número de origens e localiza-
ção), m. peitoral maior (localização e forma), m. levantador do ângulo 
54Capítulo III · Manual de anatomia humana para estudantes de nutrição
da boca (ação e localização). Isso é muito comum em anatomia e faci-
lita o entendimento acerca de cada estrutura.
O Quadro A, disposto no final deste capítulo, expõe os grupos musculares de 
interesse para o estudante do curso de nutrição, bem como as ações de cada mús-
culo que os compõe.
1.6. Irrigação/nutrição e inervação muscular
Os músculos estriados esqueléticos são extremamente dependentes de irrigação san-
guínea para entrega de nutrientes e retirada dos restos do metabolismo, bem como 
o são de sua inervação. 
A ausência da irrigação acarreta perda da nutrição e morte muscular (infarto 
muscular), e a ausência da inervação leva o músculo à atrofia (perda do seu trofismo 
e tônus normal) pela perda do controle neural.
Tanto a irrigação quanto a inervação ocorrem pela face profunda do mús-
culo. Isso protege essa estrutura e evita que acidentes cortantes na superfície cor-
poral acometam a irrigação e a inervação.
A perda de massa e força muscular é denominada sarcopenia. Estudos 
atuais relacionam o declínio do estado geral de saúde à quantidade de 
músculos do indivíduo e apontam, principalmente, para a associação 
entre sarcopenia, obesidade e osteopenia.
Em indivíduos adultos prevalece a associação entre sarcopenia e obe-
sidade, o que, muitas vezes, pode gerar um mascaramento dos casos de 
sarcopenia em indivíduos magros, devido à visão estética que se tem do 
corpo magro; contudo, este também pode apresentar um índice entre 
massa muscular e gordura desequilibrado. 
55Capítulo III · Manual de anatomia humana para estudantes de nutrição
Em indivíduos idosos prevalece a associação entre sarcopenia e osteo-
penia, o que traz um impacto grande à saúde do sistema musculoesque-
lético e constitui a principal fonte de gastos em saúde nessa população.
Ambos os casos podem ser prevenidos com dieta balanceada e exer-
cícios físicos moderados.
2. Sistema tegumentar
Tegumento comum é o termo designado para um conjunto de estruturas (pele, seus 
anexos e a tela subcutânea) que revestem e protegem a superfície externa do corpo. 
Em conjunto essas estruturas possuem como principais funções:
• Proteção do corpo contra a ação de agentes agressivos provenientes do 
meio ambiente, como substâncias químicas, radiações e micro-organismos, 
e proteção mecânica contra escoriações; 
• Regulação da temperatura corpórea, por meio do suor e dos vasos 
sanguíneos, e isolamento do meio corporal interno contra o calor e frio;
• Armazenamento de energia (tela subcutânea);
• Captação de estímulos sensoriais por meio das terminações nervosas 
periféricas (Capítulo XI);
• Contenção dos líquidos extracelulares, evitando a desidratação (que 
ocorre em casos de queimaduras extensas); 
• Secreção de hormônios, citocinas e fatores de crescimento;
• Excreção de sebo e suor;
• Absorção de substâncias lipossolúveis (como no uso de adesivos de 
nicotina e alguns hormônios e medicamentos);
• Síntese e armazenamento de vitamina D.
Ademais, esse sistema desempenha um importante papel psicossocial, uma vez 
que alterações em sua morfologia, textura ou coloração (como cicatrizes extensas, 
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manchas ou perda de continuidade) podem provocar profundos distúrbios psicoló-
gicos que dificultam o convívio social do indivíduo. 
Fica evidente que tais características desempenham papel importante no meta-
bolismo e na homeostase do indivíduo e que, portanto, o estudo do tegumento 
comum constitui rotina no exame clínico nutricional. 
De todos os órgãos do corpo, a pele e seus anexos são os mais alterados 
pelos indivíduos por fatores estéticos, culturais ou religiosos.
2.1. Pele
A pele é o maior órgão do corpo humano e é responsável por aproximadamente 
15 % do peso corporal. Formada por diferentes tipos de células, a pele possui dis-
posição em duas camadas distintas: uma superficial, a epiderme, e uma profunda, 
a derme (Fig. 3.3). Sua espessura varia em diferentes regiões do corpo (entre 0,5 
e 3 mm de espessura), mas na infância e na velhice esse órgão é mais delgado. Ela 
é composta de 80 % de água. Desse modo, em indivíduos desidratados, é possível 
observar uma série de alterações em sua textura e elasticidade. 
Carências nutricionais, como deficiência de vitaminas do complexo B, 
também podem provocar alterações na conformação cutânea, devendo 
o nutricionista ficar atento a possíveis modificações na pele de seus 
pacientes. 
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2.1.1. Epiderme
A epiderme é formada por um epitélio queratinizado, desempenhando assim uma 
função protetora das camadas profundas (Fig. 3.3). É mais espessa nas palmas das 
mãos e nas plantas dos pés. Não possui vasos sanguíneos, sendo sua nutrição rea-
lizada pelos vasos sanguíneos da derme. As terminações nervosas localizam-se em 
sua maioria na derme, porém algumas adentram a epiderme. 
2.1.2. Derme
Camada formada por diferentes tipos de células e pelo entrelaçamento de fibras colá-
genas e elásticas que proporcionam resistência e firmeza à pele (Fig. 3.3). Com 
o envelhecimento a quantidade dessas fibras vai diminuindo, o que contribui para 
tornar a pele flácida, enrugada e pouco elástica. 
Indivíduos que ganham ou perdem peso muito rápido podem ter uma 
distensão excessiva dessas fibras, as quais, ao exame da superfície da 
pele, passam a ser notadas como linhas irregulares avermelhadas, deno-
minadas estrias. 
Na derme estão localizadas as glândulas sebáceas e sudoríferas, os folícu-
los pilosos e a maior parte dos receptores sensitivos. A cor da pele é dada por 
células (melanócitos) que se localizam nessa camada, assim como pelos corantes 
utilizados em tatuagens, micropigmentações e maquiagens permanentes, que ficam 
retidos na derme. 
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2.2. Tela subcutânea
Antigamente denominada hipoderme ou fáscia superficial, a tela subcutânea situa-
-se entre a pele e a fáscia muscular. Formada por tecido conjuntivo frouxo 
e células adiposas, nessa camada se encontram as glândulas sudoríferas, os vasos 
sanguíneos e linfáticos e os nervos (Fig. 3.3). A tela subcutânea atua como um iso-
lante térmico, auxilia na mobilidade da pele e proporciona um acolchoa-
mento para as proeminências ósseas (como na palma das mãos e na planta dos 
pés). É responsável ainda pela maior parte da reserva de gordura do corpo. Sua 
espessura varia muito, de acordo com a região e com o estado nutricional do indi-
víduo. Em indivíduos com peso normal a tela subcutânea geralmente é delgada em 
regiões como a cabeça, o pescoço e os membros. Já em indivíduos obesos ela pode 
apresentar-se espessada até nessas áreas. Em alguns locais, mesmo em indivíduos com 
o índice de massa corporal (IMC) dentro do normal, a tela subcutânea pode apresen-
tar-se mais espessada. Sua distribuição varia de acordo com o sexo: nas mulheres se 
acumula principalmente nas mamas e nas coxas; nos homens, na região abdominal. 
Nos recém-nascidos prematuros ainda não existe uma tela subcutânea 
completamente formada, ficando a criança mais suscetível à hipotermia. 
Na tela subcutânea existem numerosas faixas fibrosas, os