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Manual de Mexilhao

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para que
a atividade cresça mas não prejudique o meio ambiente
e as pessoas da comunidade. São regulamentos federais
e estaduais que a organizam e que devem ser seguidos
pelo produtor. No estado de Santa Catarina, por exem-
plo, o órgão responsável pela licença ambiental da ativi-
dade é a FATMA (Fundação Estadual do Meio Ambiente)
da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Urbano e
Meio Ambiente. Em outros estados deve-se procurar ori-
entação do órgão fiscalizador local.
Em Santa Catarina, para conseguir esta licença são
necessários vários documentos, mas o órgão que ajuda e
orienta o produtor é a Epagri. Antes de pagar por qual-
quer serviço de regularização de sua área consulte um
técnico da Epagri.
Cultivo de mexilhões – 11
3. Obtenção de sementes
A semente é o jovem mexilhão com mais
ou menos 2 cm de comprimento. Existem qua-
tro maneiras de conseguir sementes:
Produção em laboratório
A produção em laboratório poderá ser
obtida no futuro, mas é cara e deve ser utilizada em ca-
sos especiais.
Repicagem das sementes ou das pencas
Quando a corda de mexilhões fica muito cheia de
animais, deve-se fazer uma seleção, isto é, desmanchar
a corda, separar os indivíduos maiores dos menores e
formar novas cordas, utilizando as pequenas como se-
mente. Portanto a repicagem é uma seleção em função
da densidade.
Cultivo de mexilhões – 9
 Tenha água limpa e com boa produ-
tividade natural, quer dizer, com
bastante alimento para os mexilhões
(fitoplâncton)
 Possua uma profundidade, onde
serão colocados os cultivos de,
pelo menos, 2 metros, para que não toquem o
fundo (para Perna perna)
O que você precisa para começar
Depois de verificar se o local possui todas estas con-
dições, são necessários alguns materiais básicos, chama-
dos de infra-estrutura:
 Barco
 Rancho, balsa ou pequena construção para o manejo
 Estrutura para captação de sementes e engorda
 Diversos utensílios: redes, cabos, bóias, poitas,
bambus, caixas plásticas, cordas, bombonas plás-
ticas vazias de produtos não tó-
xicos, luvas, facas, penei-
ras para seleção, malha de
algodão, rede externa de
nylon ou seda.
Manejo: manuseio; cuidados constantes
do cultivo.
Produtividade natural: capacidade
natural de produção de alimento
básico.
12 – Manuais BMLP de maricultura
Dos estoques naturais (costões)
Estoques naturais são as sementes que já existem na
natureza e estão nos costões. Se a única maneira de conse-
guir sementes for de costões deve-se seguir rigorosamente
as técnicas para coleta e a legislação.
Cuidados ao retirar sementes dos costões:
 Retirar sementes sem controle e sem autorização
pode esgotar a fonte.
 Deve-se retirar apenas as de mesmo
tamanho.
 Retirando as sementes, também se re-
tiram predadores e competidores que são
levados para o cultivo.
 Junto aos costões há mais riscos de acidentes.
Coletores artificiais
São estruturas feitas a mão, colocadas na água para cap-
tar as sementes. Esta é a melhor opção. Quando as semen-
tes são coletadas desta maneira têm melhor qualidade.
Quando colocar os coletores
Para ter melhores resultados é importante conhe-
cer a época de reprodução do mexilhão e os picos de
eliminação de gametas (desova).Pico: período no qual a população de
mexilhões elimina a maior
quantidade de gametas.
Predadores: animais que matam os
outros para se alimentar
Cultivo de mexilhões – 13
No caso do mexilhão Perna perna a melhor épo-
ca para colocação dos coletores é de um a dois meses
antes da desova. Em Santa Catarina, os períodos de
pico de eliminação dos gametas são os meses de abril
e maio, em setembro e depois entre novembro e ja-
neiro. Em geral, os mexilhões eliminam gametas
durante todo o ano.
É necessário colocar os coletores antes para que
se forme uma espécie de limo, onde as larvas vão
se fixar.
Quando os coletores não são colocadas nas me-
lhores épocas, aparecem outros organismos que se
fixam e isto prejudica a captação de sementes.
Onde colocar os coletores
Os coletores devem ser colocados junto aos cul-
tivos já existentes, ou perto dos estoques ou bancos
naturais, próximos à superfície da água.
Existem outros locais onde as correntes favore-
cem a coleta de sementes, apesar de ser longe dos
bancos e dos cultivos.
Como fazer os coletores
Os coletores são muito simples de serem cons-
truídos. Usam-se cabos de polietileno ou nylon, ti-
ras de redes de pesca, bambus e outros materiais
disponíveis.
Limo: organismos que se fixam sobre
bóias, embarcações, estruturas e
outros tipos de substratos, que
servem de alimento ao cultivo de
organismos marinhos.
Estoques ou bancos naturais: locais
com grande concentração de
mexilhões no costão.
16 – Manuais BMLP de maricultura
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14 – Manuais BMLP de maricultura
Os coletores podem ser construídos com redes
e cordas de polipropileno, presos nas estruturas de
cultivo.
Tipos de coletores
 Balsas de bambu ou madeira
 Cabos amarrados a espinhéis duplos
Primeiro modelo: Colocam-se dois cabos gros-
sos, paralelos, na superfície da água, com uma dis-
tância de 1 metro e meio entre cada um. Amarram-
se as cordas, que podem ser de nylon desfiado ou
rede torcida, entre os dois cabos, bem próximas umas
das outras. E para garantir a flutuação prendem-se
duas bóias nas laterais.
Segundo modelo: Aproveitando a estrutura de
cultivo já existente, amarram-se alguns cabos, trans-
versalmente, na superfície. Assim, cultiva-se os me-
xilhões na vertical e pode-se captar sementes na ho-
rizontal.
Polipropileno: É utilizado para produzir
objetos moldados, fibras para roupas
e cordas. É altamente flexível; possui
excelente resistência

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