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Manual de Mexilhao

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temporários.
Raramente é possível realmente curar doenças
numa grande população de moluscos no ambiente
marinho. Na ocorrência de doenças, o objetivo de-
verá ser o de estudar e aprender o suficiente sobre
sua ecologia, tornando possível o cultivo, minimi-
zando seus efeitos e prevenindo novos aparecimen-
tos. Para isso, é importante informar aos órgãos de
extensão e pesquisa no caso de mortalidades e/ou
sinais de doenças.
26 – Manuais BMLP de maricultura
 briozoários coloniais – são menores que 1 mi-
límetro de espessura, mas formam colônias que po-
dem cobrir completamente a concha.
 anelídeos poliquetas – formam tubos calcários
de areia ou de lama sobre a concha dos mexilhões.
Quando são muitos, perfuram as conchas de lado a
lado, obrigando os mexilhões a consumir muita ener-
gia para a produção de uma nova concha.
 tunicados ou ascídias – são solitárias ou colo-
niais. Todas se aderem a algum substrato, podendo
recobrir todo o mexilhão.
 algas – são competidores, mas também ser-
vem como alimento, quando microscópicas. As al-
gas maiores são um problema porque recobrem to-
talmente as conchas, aumentando o peso e diminu-
indo a circulação de água.
Doenças
A doença nos moluscos é provavelmente o pro-
blema mais difícil que os cultivadores têm que en-
frentar. Sinais de alerta podem aparecer, tais como fen-
das nas conchas, que podem ocorrer com o animal
ainda vivo, ou morto recentemente. Os predadores,
peixes ou siris, removem a carne por esta fenda.
Freqüentemente a mortalidade ocorre antes que
sinais de doença possam ser percebidos. A dificul-
Tunicados ou ascídias: animais de
corpo mole, quase transparente, que
se aderem ao cultivo.
Anelídeos poliquetas: têm o corpo
formado por uma série contínua de
anéis ou segmentos, delimitados
externamente por sulcos transversais
que dão a volta completa ao corpo
cilíndrico do animal. Apresentam
grandes tufos de cerdas implantadas
em expansões laterais do corpo. São
tipicamente marinhos, mas existem
algumas espécies de água doce.
Algumas espécies vivem dentro de
tubos construídos por elas mesmas.
Briozoários: são animais aquáticos
diminutos, em geral marinhos, que
formam colônias arborescentes,
incrustrantes ou gelatinosas, presas a
objetos em águas rasas.
Cultivo de mexilhões – 27
dade então, é determinar se a mortalidade ocorreu
devido a doenças ou outros fatores químicos ou oce-
anográficos temporários.
Raramente é possível realmente curar doenças
numa grande população de moluscos no ambiente
marinho. Na ocorrência de doenças, o objetivo de-
verá ser o de estudar e aprender o suficiente sobre
sua ecologia, tornando possível o cultivo, minimi-
zando seus efeitos e prevenindo novos aparecimen-
tos. Para isso, é importante informar aos órgãos de
extensão e pesquisa no caso de mortalidades e/ou
sinais de doenças.
Cultivo de mexilhões – 25
Competidores
Os competidores causam mortalidade
em sementes, reduzem as taxas de cresci-
mento, causam problemas de flutuação nas
estruturas e diminuem a captação de semen-
tes porque competem por espaço e prejudi-
cam o crescimento dos adultos.
Os mais comuns são:
 cracas – são os competidores mais im-
portantes porque podem formar agrupamen-
tos com alta densidade. Possuem uma concha calcá-
ria que se fixa, por exemplo, na concha dos mexi-
lhões, nos cascos dos navios e em outros substratos.
 outros moluscos que não os mexilhões – são
filtradores que competem por alimento, crescem
muito rapidamente e em grande quantidade.
 esponjas – podem se fixar às conchas, dificul-
tando sua abertura.
 anêmonas – possuem corpo mole e tentáculos
na região oral. Fixam-se e crescem nas conchas, au-
mentando o seu peso e dificultando a abertura das
valvas.
 hidrozoários – podem chegar a ter 30 centíme-
tros e possuem várias formas e tamanhos. Fixam-se
na concha e aumentam seu peso.
Esponjas: animais multicelulares
primitivos. Vivem exclusivamente no
mar, fixados a um substrato. A
maioria das espécies prefera águas
com maior salinidade.
Hidrozoários: classe de animais
celenterados, cnidários, que
compreende formas bastante
diversas, com saco digestivo
desprovido de septos. Seu ciclo
reprodutivo apresenta,
alternadamente, fase de pólipo fixo e
fase de medusa móvel.
28 – Manuais BMLP de maricultura
6. Colheita
Quando os mexilhões crescem e ficam com o tama-
nho de 7 a 8 centímetros, que é o chamado tamanho co-
mercial, realiza-se a colheita. Nesta fase eles estão gordos,
ou seja, com o tecido gonadal totalmente preenchido.
Retira-se as cordas de mexilhões da água e começa-se
a debulhar. Faz-se a limpeza para tirar os demais organis-
mos aderidos como cracas, algas, briozoários e ascídias.
Conforme as exigências do mercado, onde eles serão
vendidos, pode-se fazer uma separação por tamanho,
manualmente ou com a ajuda de peneiras de madeira, plás-
tico ou metal, com diferentes malhas.
Comercialização
É importante que o produto que vai ser vendido ao
consumidor seja de alta qualidade. Por isso alguns cui-
dados devem ser tomados quando se colhe os mexi-
lhões antes de vendê-los.
 Vender o produto somente quando estiver gordo.
 Lavar e selecionar os mexilhões, para poder ven-
der um produto uniforme.
Tecido gonadal: material reprodutivo.
No macho é esbranquiçado ou
creme, nas fêmeas é vermelho-
alaranjado.
Cultivo de mexilhões – 29
 Utilizar embalagens adequadas.
 Não deixar o mexilhão fora da água muito tempo,
enquanto espera pelo comprador.
 Sempre orientar o consumidor sobre a conservação
do produto.
 Nunca vender um produto sabendo que não está
em boas condições de consumo, as consequências po-
dem ser desastrosas.
 Os mexilhões desmariscados (sem concha)
sempre devem ser conservados em refrigerador
ou freezer.
Atenção: você estará vendendo um produto que é
um alimento, portanto é responsável pela sua
qualidade e apresentação. Quanto mais se cuida
disto, melhor será o retorno.
Manejo
A higiene é muito importante quando se lida com
mexilhões ou outro tipo de alimento. As regras básicas ao
manusear os mexilhões são:
 manusear rapidamente
 manter frio
 manter limpo
32 – Manuais BMLP de maricultura
DESCRIÇÃO QUANT. / VALOR
Produção estimada 1.500 Kg
Preço médio por Kg R$ 5,00
Ganhos 1.500 Kg x 5,00 R$ R$ 7.500,00
Gastos R$ 6.050,00
Lucro (ganhos – gastos) no ano R$ 1.450,00
Lucro no mês = 7.110 : 12 R$ 120,00
Não esqueça que os valores apresentados aqui
são simbólicos, apenas um exemplo para mostrar como se
monta um plano de gastos/ganhos.
MATERIAL QUANT.
VALOR
UNITÁRIO
EM REAIS
VALOR
TOTAL
EM REAIS
Bombonas plásticas 50 2,00 100,00
Corda nylon 22mm 120m 1,00 120,00
Corda nylon 6mm 600m 0,20 120,00
Raspadeira, caixa plástica,
luvas, sacos, malha, etc
– – 50,00
TOTAL – – 390,00
DESCRIÇÃO QUANT. / VALOR
Produção estimada 1.500 Kg
Preço médio por Kg R$ 5,00
Ganhos 1.500 Kg x 5,00 R$ R$ 7.500,00
Gastos R$ 390,00
Lucro (ganhos – gastos) no ano R$ 7.110,00
Lucro no mês = 7.110 : 12 R$ 592,50
Segundo ano
30 – Manuais BMLP de maricultura
As pessoas envolvidas no manejo dos mexilhões de-
vem observar sempre:
 Lavar as mãos antes e depois de cada interrupção
do trabalho, depois de usar o banheiro e depois de mexer
em materiais contaminados.
 Usar aventais limpos, botas e proteção
para os cabelos.
 Manter as unhas curtas, limpas e sem
esmalte.
 Manter os cabelos limpos e presos.
 Evitar o uso de objetos de adorno, como pul-
seiras, anéis, aliança, relógios e colares.
 Evitar atos não higiênicos como:
– tossir sobre alimentos,
– secar o suor com as mãos,
– coçar a cabeça,
– introduzir dedos na orelha, nariz e boca.
Transporte
O transporte do produto deve ser rápido, mantendo o
mexilhão ao abrigo do sol e evitando o contato com o óleo
do barco e outros contaminantes.
Cultivo de mexilhões – 31
7. Desenvolvimento de um
plano de negócio
O maricultor não precisa de um curso de administra-
ção para cuidar do seu negócio. Mas precisa saber quanto
gasta com seu cultivo para,

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