A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
2 pág.
TABELA - Espondilite Anquilosante

Pré-visualização | Página 1 de 1

KATARINA ALMEIDA Espondilite Anquilosante 
DEFINIÇÃO\EPIDEMIOLOGIA FISOPATOLOGIA QUADRO CLINICO DIAGNOSTICO 
A Espondilite Anquilosante (EA) é uma 
doença inflamatória soronegativa 
crônica que acomete basicamente as 
articulações do esqueleto axial, sendo 
considerada o protótipo das condições 
que levam a entesite. Seu 
comprometimento é 
ascendente,eventualmente cursando 
com ossificação das articulações 
(anquilose). 
EPIDEMIOLOGIA 
A EA é o distúrbio inflamatório mais 
comum do esqueleto axial. A seguir, 
uma regra útil de polegares: EA ocorre 
em 0,2% da população geral, em 2% da 
população B27-positiva e em 20% dos 
indivíduos B27-positivos com um 
membro da família afetado. Uma 
predominância pelo sexo masculino na 
doença é evidente, com uma relação 
homem:mulher variando de 2,5:1 a 5:1. 
 É uma doença classicamente de jovens, 
entre 20 e 40 anos. 
ETIOLOGIA 
Não se sabe sobre a etiologia dessa 
doença. A suscetibilidade genética é 
fortemente reconhecida; no entanto a 
expressão clínica da EA depende da 
existência de fatores ainda sob estudo, 
como infecções e interação com 
subtipos de HLA-B27. 
 
A lesão básica da EA é a entesite, caracterizada pelo acometimento 
das ênteses. É uma reação inflamatória crônica com erosão do 
osso adjacente, seguida por um processo também crônico de 
reparação tecidual, durante o qual costuma haver neoformação 
óssea e evolução para anquilose. 
A sacroiliíte com frequência é a manifestação mais precoce 
da EA. O conhecimento de sua patologia vem de estudos de biópsia 
e necropsia que cobrem uma faixa de durações da doença. Sinovite 
e medula mixoide representam as alterações mais iniciais, 
seguidas por pannus e 
tecido de granulação 
subcondral. Edema da 
medula, entesite e 
diferenciação condroide 
também são encontrados. 
Macrófagos, células T, plasmócitos e osteoclastos são 
prevalentes. Finalmente, as margens erodidas da 
articulação são substituídas, gradualmente, por regeneração 
fibrocartilaginosa e, então, por ossificação. A articulação pode 
tornar-se totalmente obliterada 
Na coluna, os espécimes estudados ou foram ressecados 
cirurgicamente a doença avançada ou foram tirados de autópsias. 
Há tecido inflamatório de granulação no tecido conectivo 
paravertebral na junção do anel fibroso com o osso vertebral e, em 
alguns casos, ao longo de todo o anel externo. As fibras anulares 
exteriores são erodidas e finalmente substituídas por osso, 
formando o começo de um sindesmófito, o qual cresce, então, por 
ossificação endocondral contínua, fazendo ponte com os corpos 
vertebrais adjacentes. A progressão ascendente desse processo leva 
à “coluna em bambu” 
Outras lesões na coluna incluem osteoporose difusa 
(perda de osso trabecular apesar do acréscimo de osso do 
periósteo), erosão de corpos vertebrais na margem do disco, 
formação de vértebras “quadradas” ou “em barril”, e inflamação e 
destruição da fronteira disco-osso. Artrite inflamatória das 
articulações apofisárias (facetas) é comum, com sinovite, 
O primeiro sintoma costuma ser a dor 
lombar, devido à sacroileíte, iniciando 
unilateral com evolução bilateral, 
insidiosa e profunda, acompanhada de 
rigidez matinal ou após longos períodos 
de inatividade. 
Como a dor tem caráter inflamatório, ela 
melhora com as atividades e 
retorna/piora com o repouso. No 
decorrer da doença, o paciente pode 
apresentar exacerbações da dor durante 
o repouso noturno, precisando se 
levantar para aliviá-la. 
A lombalgia da EA possui critérios que 
levantam as famosas “red flags”, como a 
persistência da dor. 
Artrite em grandes articulações, como 
quadril e ombro, é encontrada em uma 
boa parte dos casos, assim como a artrite 
periférica, geralmente assimétrica, pode 
ser evidenciada. 
O envolvimento da coluna cervical 
costuma ser tardio, 
levando anos para 
aparecer, sendo sua 
característica mais 
marcante a rigidez, 
levando a incapacidade 
de extensão cervical de alguns pacientes. 
 A manifestação extra-articular mais 
importante é a Uveíte 
Anterior Aguda , 
acometendo quase metade dos pacientes 
em algum ponto do curso da doença. 
Outros acometimentos comuns no curso 
da EA são a Fibrose Bolhosa dos Lobos 
 O diagnóstico de EA deve se basear nos 
critérios ASAS (Assessment of 
SpondyloArthritis international Society), 
aplicados em pacientes com lombalgia há 
mais de 3 meses e com menos de 45 anos no 
início das manifestações. A confirmação 
pode ser vinda da presença de sacroileíte em 
exames de imagens (RNM ou RX) + um 
comemorativo, OU HLA-B27 presente + dois 
comemorativos. 
 Comemorativos: lombalgia crônica de 
padrão inflamatório; artrite; entesite; uveíte 
anterior; psoríase; dactilite; doença 
inflamatória intestinal; boa resposta aos 
AINE’s; histórico familiar; HLA-B27; e PCR 
elevada. 
 
Exames laboratoriais 
Não há marcadores laboratoriais para EA. Os 
testes de HLA-B27 positivo e fator 
reumatoide negativo podem apenas 
reforçar a hipótese diagnóstica. A velocidade 
de sedimentação globular (VSG) e o teste da 
proteína C-reativa (PCR) podem indicar 
atividade inflamatória, auxiliando o 
acompanhamento da doença. 
Exames de imagem 
inflamação na ligação óssea da cápsula articular e tecido de 
granulação subcondral na medula óssea. Erosão da cartilagem 
articular por pannus com frequência é seguida por anquilose óssea. 
Isso pode preceder a formação de sindesmófitos fazendo pontes 
com discos adjacentes. A densidade mineral do osso está diminuída 
na coluna e na porção proximal do fêmur no começo da evolução da 
doença. 
Sinovite periférica na EA mostra vascularidade acentuada, 
que também é evidente como macrovascularidade tortuosa vista 
durante artroscopia. Hiperplasia da camada de revestimento, 
infiltração linfoide e formação de pannus também são encontradas. 
Erosões cartilaginosas centrais, causadas pela proliferação 
de tecido de granulação subcondral, são comuns. Deve ser 
enfatizado que as características da artrite periférica na EA e outras 
formas de EspA são similares, sendo distintas daquelas da artrite 
reumatoide. 
 
Superiores, Insuficiência Aórtica, 
Amiloidose Renal e Doença Inflamatória 
Intestinal. 
EXAME FISICO 
o exame físico, o comprometimento das 
sacroilíacas pode ser evidenciado por 
manobras que tensionam essas 
articulações, como o teste de Thomas e 
Faberer-Patrick. 
Já a limitação da mobilidade lombar, por 
sua vez, pode ser avaliada pelo teste de 
Schöber, em que se compara as medidas 
entre o ponto ao nível da junção 
lombossacra e o ponto 10 cm acima 
desse nível, feitas em dois momentos, 
primeiro em ortostase e depois em 
flexão. Considera-se alterado quando a 
diferença for inferior a 5 cm. Esse teste é 
geralmente utilizado para o 
acompanhamento da doença e o grau de 
limitação do paciente. 
Nos locais acometidos pelo processo 
inflamatório, a digitopressão costuma 
desencadear dor, devido à 
hipersensibilidade óssea subjacente. A 
procura por lesões psoriásicas na pele do 
paciente não deve ser esquecida, pela 
forte associação das duas entidades. 
 
 
Deve-se solicitar raio X de articulações 
sacroilíacas para avaliação adequada. 
Entretanto, nos estágios iniciais da doença, a 
radiografia pode não evidenciar alterações. A 
tomografia computadorizada (TC) de 
articulações sacroilíacas pode definir melhor 
os casos duvidosos. Considerando a 
importância do diagnóstico precoce, a 
ressonância magnética nuclear (RM) com 
STIR (supressão de gordura) é o exame mais 
sensível e específico para evidenciar a lesão 
inicial, apesar do alto custo.