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humano se constrói multiplicando suas ligações com o ecossistema, de 
tal forma que, quanto mais evoluído, mais aberto (complexo) ele será. 
Dentro dessa visão, o homem é o sistema mais aberto (complexo), o que se evidencia na interde-
pendência que ele mantém com a natureza, com o ecossistema técnico-social, social ou sociourbano.
Esse ecossistema sociourbano consiste na sociedade moderna entendida sob o ponto de 
vista ecológico, ou seja, a partir da visão de indivíduos, grupos, governos e organizações que fazem 
parte desse sistema aberto. Quanto mais evoluída for a sociedade, maior será a complexidade 
técnica do ecossistema social (BOEIRA, PEREIRA e TONON, 2013).
EXEMPLO
A visão de interdependência ecossistêmica pode ser exemplificada a partir da roti-
na de vida do ser humano da atualidade. Para construir nossa autonomia, precisa-
mos consumir produtos e energia extraídos do ecossistema (alimentos, vestuário, 
moradia, aprendizagem familiar, acadêmica, social etc.). Isso significa que quanto 
mais independentes nos tornamos, mais nos tornamos dependentes do mundo ex-
terior. Em outras palavras, a independência da sociedade moderna é relativa, pois 
formamos um ecossistema.
 
Figura 3 – Responsabilidade socioambiental por um mundo melhor.
Fonte: 9comeback/Shutterstock.com
FIQUE ATENTO!
A noção de ecossistema apoia-se em uma percepção holística da relação entre 
o ser humano, a sociedade e seus sistemas técnicos que são, no entendimento 
de Santos (2008), os elementos do espaço geográfico: os homens, as firmas, as 
instituições, o meio ecológico e as infraestruturas; todos intercambiáveis e redu-
tíveis entre si; elementos (variáveis) dotados de historicidade; e que interagem de 
forma interdependente.
Figura 4 – Formamos um ecossistema complexo. 
Fonte: martan/Shutterstock.com
Podemos concluir que, dentro da visão ecossistêmica da sociedade, a noção de responsabili-
dade social assume proporções que exigem um envolvimento efetivo dos indivíduos e das organi-
zações. Trata-se de uma postura profundamente comprometida com aspectos éticos de proteção 
à vida planetária.
Fechamento 
Nesta aula, você teve a oportunidade de discutir os seguintes tópicos: 
 • responsabilidade ambiental;
 • responsabilidade social;
 • responsabilidade socioambiental;
 • visão ecossistêmica da sociedade;
 • relação entre a responsabilidade social e a visão ecossistêmica da sociedade. 
Referências
ABDALLA-SANTOS, Niedjha L. Qualidade de vida das cidades: um roteiro para diagnóstico de ges-
tão a partir do caso da Galeria dos Estados. Brasília, DF: ACLUG, 2011.
BOEIRA, Sérgio Luís; PEREIRA, Alessandra Knoll; TONON, Ivan Luís. De Chanlat e Morin ao institu-
cionalismo organizacional: diversidade, ambiguidade e complexidade. III Colóquio Internacional 
de Epistemologia e Sociologia da Ciência da Administração. Florianópolis, 2013. Disponível em: 
<http://www.coloquioepistemologia.com.br/anais2013/ANE111.pdf>. Acesso em: 11 ago. 2016. 
BORATO, Amanda Fröhlich. A relação entre Responsabilidade Social, Sustentabilidade e Quali-
dade de Vida. UTFPR (2011). Disponível em: <http://pg.utfpr.edu.br/expout/2011/artigos/4.pdf>. 
Acesso em: 19 jul. 2016. 
BRASIL. Agenda 21 brasileira: ações prioritárias. Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sus-
tentável e da Agenda 21 Nacional. 2. ed. Brasília: Ministério do Meio Ambiente, 2004. 158 p. 
_______. Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988. Disponível em: <http://www.pla-
nalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm>. Acesso em: 08 ago. 2016. 
KARKOTLI, Gilson. Responsabilidade social empresarial. 2. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2007.
MILIOLI, Geraldo. O pensamento ecossistêmico para uma visão de sociedade e natureza e para o 
gerenciamento integrado de recursos. Desenvolvimento e Meio Ambiente, n. 15, p. 75-87, jan./jun. 
2007. Editora UFPR. Disponível em: <http://revistas.ufpr.br/made/article/viewFile/11899/8395>. 
Acesso em: 11 ago. 2016. 
SANTOS, Milton. Espaço e Método. 5. ed. São Paulo: USP. 2008.
SÓLIO, Marlene Branca. Responsabilidade social e sustentabilidade no contexto do século XXI. 
ALCEU, v. 13, n. 26, p. 176-192, jan./jun. 2013. Disponível em: <http://revistaalceu.com.puc-rio.br/
media/artigo12_26.pdf>. Acesso em: 19 jul. 2016.
Responsabilidade Social Corporativa
Rogerio Chaves
Introdução
Como você já deve saber, as empresas atuam junto a outros elementos da sociedade, como 
o governo e as entidades da sociedade civil. Algumas buscam expor suas práticas de responsa-
bilidade social à comunidade e ao mercado externo, porém elas também devem ser eticamente 
responsáveis em seus controles internos e em relação aos stakeholders (GOMES; MORETTI, 2007), 
que são os parceiros da corporação. 
Nesta aula, abordaremos a Responsabilidade Social Corporativa (RSC), que acontece quando 
a empresa demonstra comportamento ético, transparência, responsabilidade sobre seus atos e 
decisões e respeito às normas e leis vigentes. Assim, veremos que existem práticas que demons-
tram que a empresa tem responsabilidade para com o público externo, nos setores ambientais, 
sociais e econômicos (GOMES; MORETTI, 2007).
Objetivos de aprendizagem
Ao final desta aula, você será capaz de:
 • conhecer o conceito de Responsabilidade Social Corporativa (RSC);
 • entender o processo de evolução da RSC.
Bons estudos!
1 Conceito de Responsabilidade Social Corporativa
A Responsabilidade Social Corporativa ou Empresarial (RSC) é a definição das práti-
cas voltadas a atender interesses da comunidade por parte das empresas e corporações 
privadas e estatais. As políticas empregadas visam demonstrar que a empresa está atenta 
às demandas da sociedade civil, atuando de forma ética internamente e criando valores 
para sua organização.
Estas práticas podem ser tanto internas quanto externas, tendo como alvo o que chamamos 
de stakeholders, que são os acionistas, os colaboradores e o público interno da corporação. Um 
exemplo desta prática é a elaboração de um código de ética (GOMES; MORETTI, 2007). 
FIque AtentO!
Segundo SROUR (2008), uma empresa que não tem responsabilidade social arca 
com mais custos do que aquela que busca esta realidade. Isto ocorre, pois a em-
presa que age com ética não gasta valores adicionais com propinas, pagamentos 
irregulares ou subornos e compensações para seguir em seus negócios.
Figura 1 – Responsabilidade Social Corporativa (RSC).
Fonte: Aha-Soft/Shutterstock.com 
A empresa socialmente responsável precisa tomar ações internas no sentido de não dei-
xar dúvidas sobre seus negócios, pois são diversos os agentes que estão em contato com o 
meio empresarial.
FIque AtentO!
Segundo Gomes e Moretti (2007), devemos entender por stakeholders: os clientes; 
o governo; os fornecedores; os funcionários; os acionistas ou proprietários; e a so-
ciedade civil. Estes são agentes internos e externos que possuem alguma atividade 
ou interesse relacionado à corporação.
A empresa socialmente responsável deve ser sempre transparente em suas negociações, em 
seus controles internos, em suas práticas e contatos com órgãos governamentais. Seu código de 
ética interno deve ser conhecido e praticado por todos os colaboradores.
exemplO
Na fábrica de tênis da Nike, um funcionário divulgou um relatório interno sobre as 
condições de trabalho nas filiais do Vietnã, revelando um vazamento de produto 
cancerígeno presente no ar da fábrica 77 vezes maior que o permitido, e que 75% 
dos trabalhadores tinham problemas respiratórios, devido à utilização de produtos 
químicos. A história foi parar na página principal do The New York Times, obrigando 
a Nike a alterar suas práticas de fabricação (SROUR, 2009, p. 213-214).
Além disso, é necessário ter respeito pelo governo e pela sociedade civil, o que resulta em obri-
gações e deveres. As empresas devem respeitar