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Paralisia do Nervo Facial

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PARALISIA DO NERVO FACIAL
RESUMO
A paralisia do nervo facial é uma condição em que o nervo facial ou nervo craniano VII é lesionado, resultando em paralisia ou paresia com incapacidade de movimentação dos músculos faciais. O animal passa a apresentar assimetria da face, em que o lado atingido apresenta ptose auricular, diminuição da fissura palpebral, ptose labial e desvio lateral da narina em direção ao lado afetado em consequência da contração muscular. Esse estado pode estar relacionado a fatores primários como a otite média ou interna, hipotireoidismo e botulismo, sendo a etiologia importante para o devido tratamento. O conhecimento da origem e dos ramos desse par craniano é necessário, portanto, esta revisão objetivou-se elucidar esses aspectos com a finalidade de proporcionar um entendimento claro e aplicado a respeito dessas estruturas. 
Palavras-chave: Nervo facial. Paralisia. 
FACIAL NERVE PARALYSIS
ABSTRACT
Facial nerve palsy is a condition in which the facial nerve or cranial nerve VII is injured, resulting in paralysis or paresis with inability to move facial muscles. The animal starts to present asymmetry of the face, in which the affected side presents atrial ptosis, decreased palpebral fissure, labial ptosis and lateral deviation of the nostril towards the affected side as a result of muscle contraction. This condition may be related to primary factors such as otitis media or internal, hypothyroidism and botulism, and the etiology is important for proper treatment. Knowledge of the origin and branches of this cranial pair is necessary, therefore, this review aimed to elucidate these aspects in order to provide a clear and applied understanding about these structures.
Keywords: Facial nerve. Paralisys. 
INTRODUÇÃO
O nervo facial ou nervo craniano VII é um nervo misto que provém inervação somática e visceral (GAROSI et al., 2012; apud NEVES, 2016) para os músculos da expressão facial (DE LAHUNTA & GLASS, 2009; apud NEVES, 2016). A porção motora inerva os músculos relativamente pequenos da orelha, pálpebras, nariz, bochecha e lábios, além da porção caudal do músculo digástrico, que pertence ao grupo de músculos da mastigação (DE LAHUNTA & GLASS, 2009; KERN & ERB, 1987; apud NEVES, 2016). A inervação sensorial, responsável pela sensação de paladar, emite ramos para os dois terços rostrais da língua e palato (GAROSI et al., 2012; KERN & ERB, 1987; apud NEVES, 2016).
A paralisia de nervo facial em cães é relativamente comum na neurologia veterinária (VAREJÃO et al., 2006; apud NEVES, 2016). Lesões no núcleo facial ou no ponto onde ele emerge, resultam em paralisia ou paresia com incapacidade de movimentação dos músculos faciais (DE LAHUNTA & GLASS, 2009; apud NEVES, 2016).
A paralisia pode ser facilmente reconhecida pela assimetria da face, onde o lado atingido apresenta ptose auricular, diminuição da fissura palpebral, ptose labial e desvio lateral da narina em direção ao lado afetado em consequência da contração muscular (DE LAHUNTA & GLASS, 2009; apud NEVES, 2016).
Enfermidades como otite média ou interna, hipotireoidismo e botulismo podem estar relacionadas com a paralisia do nervo facial, e o tratamento depende da etiopatogenia e dos sinais clínicos que o paciente apresenta (DE LAHUNTA & GLASS, 2009; apud NEVES, 2016). Essas condutas primárias podem incluir o uso de antibióticos, anti-inflamatórios e procedimentos fisioterápicos (ESCODRO et. al., 2011; apud NEVES, 2016).
DESENVOLVIMENTO
Nervo Facial
O nervo facial (n. facialis, n. intermediofacialis) ou sétimo nervo craniano é um nervo com componentes motores e sensitivos. Pode ser denominado em algumas literaturas como nervo intermédio-facial, um termo que indica sua natureza composta. A denominação “intermediária” refere-se à porção do nervo que apresenta funções sensoriais (inclusive gustativas) e motoras (parassimpáticas); o componente facial refere-se ao nervo do segundo arco faríngeo, cuja distribuição principal é a musculatura mimética (DYCE et al., 2010; apud NEVES, 2016).
O nervo facial emerge da extremidade lateral do corpo trapezoide, que delimita a parte anterior da ponte (CARNEIRO, 2004; apud NEVES, 2016), muito próximo ao nervo vestibulococlear. Ambos percorrem juntos em direção ao meato acústico interno localizado na porção petrosa do osso temporal (FIGURA 1). Após uma curta distância no interior do meato, os nervos se separam e o nervo facial entra no canal facial do osso temporal e percorre próximo ao músculo tensor timpânico, que leva por uma convexidade caudal acentuada, ao forame estilomastóideo, onde o nervo emerge na superfície do crânio para inervar os músculos faciais (FIGURA 2) (VAREJÃO et al., 2006; DE LAHUNTA & GLASS, 2009; DYCE et al., 2010; KERN & ERB, 1987; apud NEVES, 2016).
FIGURA 1 – Entrada do nervo facial no meato acústico interno.
Fonte: Adaptado de DE LAHUNTA & GLASS, 2009; apud NEVES, 2016; 
FIGURA 2 - de um crânio de equino, vista ventrolateral.
Fonte: König, Horst Erich. Anatomia dos animais domésticos: texto e atlas colorido, – 6. ed. – Porto Alegre: Artmed, 2016.
Os componentes eferentes viscerais parassimpáticos do nervo facial inervam as glândulas lacrimais, as glândulas da mucosa nasal e as glândulas salivares mandibulares e sublinguais. O nervo facial possui uma pequena quantidade de fibras aferentes somáticas que abrange a superfície côncava do pavilhão auricular. As fibras eferentes somáticas no nervo facial têm seu corpo celular localizados no núcleo facial na medula oblonga rostral (GAROSI et al., 2012; KERN & ERB, 1987; apud NEVES, 2016).
 Os nervos auriculares interno e caudal inervam os músculos da orelha externa e outros ramos de alguns músculos hioideos, incluindo o ventre caudal do digástrico (DYCE et al., 2010; apud NEVES 2016).
 O ramo auriculopalpebral passa entre o globo ocular e a orelha, aproximando-se pela região posterior das pálpebras. Ele se divide em ramos que inervam os músculos palpebrais (exceto o levantador da pálpebra superior), os músculos auriculares em frente à orelha externa e inerva o orbicular do olho (DYCE et al., 2010; apud NEVES, 2016).
 Juntos, os ramos bucais dorsal e ventral inervam os músculos da expressão facial, dos lábios e das narinas. Seus ramos periféricos se unem aos do nervo trigêmeo em vários níveis, e muitos dos troncos menores combinam fibras motoras (do nervo facial) e sensitivas (do nervo trigêmeo) (DYCE et al., 2010; apud NEVES, 2016).
 A distribuição do nervo facial está representada nas imagens a seguir (figuras 3, 4 e 5).
FIGURA 3 – Padrão de distribuição do nervo facial em cães. (1) nervo facial, (2) nervo auriculopalpebral, (3) ramo bucal dorsal, (4) ramo bucal ventral, (5) ramo cervical.
Fonte: DYCE et al., 2010; apud NEVES, 2016
FIGURA 4 - Distribuição do nervo facial em um cão.
Fonte: Done, Stanley H. et. al, Atlas colorido de anatomia veterinária do cão e do gato, Malone 2002; apud KODAMA, 2003.
FIGURA 5 – Distribuição do nervo facial em um cão, ilustração.
Fonte: Done, Stanley H. et. al, Atlas colorido de anatomia veterinária do cão e do gato, Malone 2002; apud KODAMA, 2003.
Paralisia do Nervo Facial
Lesões no núcleo facial ou no ponto onde ele emerge, resultam em paralisia ou paresia com incapacidade de movimentação dos músculos faciais (DE LAHUNTA & GLASS, 2009; apud NEVES, 2016).
A paralisia pode ser facilmente reconhecida pela assimetria da face, onde o lado atingido apresenta ptose auricular, diminuição da fissura palpebral, ptose labial e desvio lateral da narina em direção ao lado afetado em consequência da contração muscular (FIGURA 6). Ao exame neurológico pode ser observado que o animal não consegue piscar e não há movimento da narina do lado afetado no momento da inspiração (DE LAHUNTA & GLASS, 2009; apud NEVES, 2016). A paralisia pode ser uni ou bilateral, sendo facilmente notada a assimetria facial nos casos unilaterais (CHRISMAN, 1985; apud NEVES, 2016).
FIGURA 6 – Paralisia facial em um equino. 
Fonte: RAIA – Medicina Veterinária. 
Sintomas
A sintomatologia de