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ATIVIDADE INDIVIDUAL 
 
 
 
Matriz de atividade individual 
Disciplina: Direito do Trabalho Módulo: Atividade Individual 
Aluno: Monique Caroline Simões da Silva Turma: 11/20 
Tarefa: Atividade Individual 
Tema: Orientação Jurídica 
Orientação jurídica 
Parecer Jurídico Trabalhista com Prognóstico de êxito referente ao Requerente Daniel 
 
Requerente: ​Daniel 
Requerida: ​Lojas Ratazana 
Ementa: Vendedor. Gerente Comercia​l. Comissões. Prêmios. Horas Extras habituais. 
Cargo de Confiança. Intervalo intrajornada Suprimido. D​emissão por motivo discriminatório. 
 
Cuida-se de parecer jurídico que visa o esclarecimento de dúvidas e análise de possíveis 
direitos trabalhistas desrespeitados pela requerida, quando o requerente laborava como 
vendedor e, depois, como gerente. 
 
I - Dos Fatos 
Inicialmente, em 2015, o Requerente foi contratado como vendedor pela Requerida, 
com salário contratual inicial no valor de R$ 2.000,00 (dois mil reais). A remuneração de 
Daniel também incluía adicionais referentes à comissão de 1% (um por cento) sobre o valor da 
mercadoria vendida, e havia previsão de prêmio de produtividade, onde quem atingisse a quota 
mensal de vendas teria direito ao prêmio adicional correspondente a 5% (cinco por cento) de 
seu salário. 
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Como Daniel sempre foi excelente funcionário, dedicado às suas funções, 
responsabilidades, e profissional exemplar, ele sempre atingiu a meta mensal estipulada, de 
modo que sempre foi contemplado com a premiação correspondente a 5% (cinco por cento) de 
seu salário. 
Cabe destacar que, tanto a comissão quanto o prêmio eram pagos como se fossem 
indenizações para fins fiscais, ou seja, não havia sua contabilização na folha de pagamento de 
Daniel, e consequentemente não eram pagos os reflexos sobre os valores. 
Neste passo, Daniel trabalhava em regime de sobrejornada habitual de duas horas extras 
por dia, desde sua contratação. Contudo, a empregadora nunca procedeu com o pagamento das 
horas extras habituais sob a alegação de que, Daniel exercia atividade laboral externa sem 
indicação de ponto de entrada ou saída, ida e volta do almoço, nos termos do artigo 62, inciso I 
da Consolidação das Leis Trabalhistas - CLT. No entanto, destaca-se o fato de que era exigido 
de Daniel o seu comparecimento diário na empresa, tanto no horário de início da jornada de 
trabalho, como também ao fim da jornada laboral, ou seja verdadeiro controle de jornada. 
Para além, Daniel ainda era privado de desfrutar de seu intervalo intrajornada de uma 
hora, em razão do alto volume de trabalho e demanda para cumprir as metas estabelecidas pelo 
empregador, em média, Daniel desfrutava, apenas, de 30 minutos de intervalo de almoço e 
descanso. 
Outrossim, em 2018 Daniel foi promovido para o cargo de gerente, com salário 
contratual estipulado em R$ 9.000,00 (nove mil reais). Com a promoção, Daniel passou a 
laborar internamente, mas continuou em regime de sobrejornada habitual de duas horas 
extraordinárias diária, e não recebendo pela sobrejornada habitual sob a alegação de que ele 
estava exercendo cargo de confiança, e que nos termos do art. 62, inciso II, da CLT. 
Outrossim, em janeiro de 2020 Daniel teve grande perda de peso corpóreo, chegando a 
passar mal nas dependências do labor. Ao procurar auxílio médico, Daniel descobriu-se 
portador do vírus da HIV, e decidiu que inicialmente não iria comunicar seu empregador 
quanto a existência da doença vez que esta não era suficiente a impedir seu desempenho no 
trabalho. 
Porém, em fevereiro de 2020 Daniel teve um mal estar e desmaiou nas dependências da 
empresa, foi socorrido e internado no hospital, pois encontrava-se com baixa imunidade. Em 
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razão disto, Daniel achou por melhor proceder com a comunicação do RH da empresa quanto 
às suas condições médicas. 
Após ter sido hospitalizado, por quinze dias, Daniel voltou ao trabalho normalmente, 
contudo, os seus colegas de trabalho e seu superior adotaram postura diversa da de costume, 
passaram a tratá-lo de forma fria e distante, de maneira verdadeiramente segregatória, evitando 
qualquer tipo de diálogo ou contato físico com ele. 
E como se tudo isso não bastasse, em 11 de março de 2020, foi requisita a presença de 
Daniel aos seus superiores para informar o seu desligamento da empresa de imediato e sem 
justa causa. Daniel ficou surpreso, pois, sempre desempenhou trabalho excepcional que era 
reconhecido pelos seus superiores, indagou a razão de seu desligamento, mas não lhe fora 
informada. 
O requerente nos procurou para emissão de parecer jurídico quanto o desenvolvido 
acima, em razão de acreditar ter sido vítima de demissão discriminatória por sua doença, e 
supressão de direitos trabalhistas essenciais. 
 
II - Do direito 
a) Atividade como vendedor e comissões 
De proêmio, cumpre destacar que, nos termos do que dispõe o artigo 1º, da lei nº 
3.207/57, que regulamenta as atividades dos empregados vendedores, eles terão suas atividades 
reguladas pela própria lei nº 3.207/57, sem prejuízo da aplicação das normas descritas na 
Consolidação das Leis do Trabalho - CLT. Desta forma, analisaremos a situação do requerente 
de acordo com o que dispõe a CLT quando da omissão da lei especial. 
Assim, ao analisarmos a situação de Daniel, em que ele informa que recebia 
pagamentos referentes a comissões, necessário se faz relembrarmos os ensinamentos da autora 
Alice Monteiro de Barros, em seu livro “Curso de direito do trabalho”, que as comissões são 
modalidades de salário variável que, em regra, é constituído por um percentual sobre o valor do 
trabalho desenvolvido pelo empregado. 
Deste modo, podemos concluir que a requerida Lojas Ratazana, em princípio, 
realmente atribuía adicional referente a comissão, isso porque, mensalmente eram pagos 1% 
(um por cento) sobre o valor da mercadoria vendida por Daniel. 
 
 
 
 
 
 
 
1 ​CLT http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm 
 
 
No entanto, há de ser analisado o que a legislação dispõe no tocante da classificação da 
verba comissária, se seria uma verba salarial ou indenizatória. Para tanto, podemos olhar para o 
que dispõe o artigo 457, §1º, da CLT: 
§1º Integram o salário a importância fixa estipulada, as gratificações legais e as 
comissões pagas pelo empregador.​1 
O que nos leva a concluir que, as comissões são salários variáveis pagos pelo 
empregador ao funcionário. 
Desta maneira, verifica-se que a requerida falhou em cumprir com todas as exigências 
legais quando do pagamento das comissões, vez que, não contabilizou tal benefício como 
salário, tampouco recolheu quaisquer reflexos sob o salário variável. 
O salário, ainda que variável, possui natureza salarial, logo incidente todas verbas 
reflexas de natureza salarial, como férias acrescida do ⅓ (terço) constitucional; décimo terceiro 
salário e aviso prévio, (art. 142, §3º, da CLT); incidência no FGTS acrescido dos 40% 
(quarenta por cento) e no descanso semanal remunerado - DSR (súmula nº 27 do Tribunal 
Superior do Trabalho - TST). E também, as comissões refletem no adicional de horas extras 
(súmula