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04_Nocoes_de_Criminalistica

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O perito para este caso com instrumentos, precisa se colocar na posição do autor, como se ele 
estivesse cometendo a ação. Um arrombamento, por exemplo, pode ser simulado para esconder um 
crime de furto praticado, confundindo a perícia. 
 
A marca deve ser examinada para que se identifique genericamente a ferramenta que foi utilizada e 
depois fazer a sua individualização. 
 
É permitido que ocorra ainda a perícia nos sinais de fragmentos deixados pelos instrumentos. 
 
Técnicas e Metodologias Empregadas nos Exames5 
 
A finalidade das técnicas é em verificar se houve, ou não, infração penal, qualificá-la, colher vestígios 
materiais, perenizar o estado dos locais e as posições relativas entre a vítima e os vestígios. 
 
A metodologia de levantamento de locais de crime engloba várias etapas, que vai desde 
procedimentos estabelecidos e ordenados de maneira lógica, até o conhecimento em diversas áreas. 
Abaixo, listaremos as etapas compreendidas no levantamento pericial, passando a posterior 
explicação destas: 
 
1. Procedimentos anteriores ao exame; 
2. Procedimentos Preliminares; 
3. Levantamento Descritivo do Local; 
4. Levantamento Topográfico e confecção do croqui; 
5. Levantamento fotográfico completo; 
6. Coleta, identificação e preservação dos vestígios; 
7. Exame completo do cadáver e das vestes; 
8. Procedimentos finais e liberação do local; 
9. Acompanhamento da necropsia no IML. 
 
1. Procedimentos anteriores ao exame: 
- faz-se a anotação correta do endereço onde o fato aconteceu, evitando que aconteçam erros e 
atrasos no atendimento das ocorrências; 
- preparação do material usado nos exames. No início das atividades de cada plantão, sugere-se a 
realização de um checklist, visando à certeza que todo material esteja pronto para ser utilizado; 
- reconhecimento do tipo de solicitação, ou seja, a natureza do exame; 
- anotação da hora em que o exame foi solicitado. 
 
 
 
 
5 Toccheto, Domingos. Espindula, Alberi. Criminalística: Procedimentos e Metodologias. 3ª edição, São Paulo: Millenium, 2015. 
1374611 E-book gerado especialmente para PETRUCCIO TENORIO MEDEIROS
 
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2. Procedimentos preliminares no local: 
- será feita uma entrevista com o agente de segurança, que poderá ou não, ser um policial, que esteja 
presente no local do fato, buscando à tomada de informações referentes ao histórico, além do isolamento 
e preservação; 
- visualização de forma geral da cena do crime, com a verificação adequada do isolamento, permitindo, 
se for o caso, a alteração da delimitação do perímetro da área isolada; 
- formulação dos objetivos do exame; 
- escolha do tipo de padrão que será utilizado na busca de vestígios; 
- a busca de vestígios deve prever atenção às evidências que possam ser facilmente deterioradas, 
como as marcas de solado, impressões que fiquem em poeiras... 
- marcação de vestígios com o uso de marcadores, podendo citar como exemplo o uso do giz, em 
paredes, pisos. 
 
3. Levantamento descritivo do local: 
Serão produzidas as anotações gerais do local, que incluem: 
- data e hora que os exames estão começando; 
- local exato do evento; 
- condições atmosféricas, são aquelas encontradas no início dos exames, quanto as anteriores; 
- condições de iluminação, pois os exames são feitos em fases do dia distintas, exigindo uma 
caracterização completa dessas condições; 
- condições de visibilidade, que irão depender das condições de visibilidade existentes na hora do fato, 
como também a presença de depressões no terreno, que possam dificultar a visualização da vítima em 
relação ao seu agressor. 
Além disso, deve ser feita uma minuciosa análise das vias de acesso, nos locais fechados, como o 
caso das janelas e portas e se forem observadas irregularidades, estas precisam ser escritas e 
documentadas. Quanto as entradas forçadas, arrombamentos, a atenção deve ser redobrada. Os locais 
abertos, como as vias públicas, também precisam estar explicitados na descrição, como possíveis locais 
para acesso ao local. 
 
4. Levantamento topográfico e confecção do croqui de local 
O levantamento topográfico consiste na "amarração" dos vestígios. Nesse processo, são utilizadas 
trenas (que podem ser convencionais ou digitais), o perito deverá medir e anotar todas as distâncias que 
se fizerem necessárias. A escolha do ponto de amarração e do sistema a ser utilizado (se cartesiano, em 
linha, etc.) será feito de acordo com as características do local. 
 
O croqui deverá sempre ser feito, independente da complexidade do local. Por mais facilidade que um 
perito possa ter em relação ao seu próprio estilo de redação, a utilização de um ou mais croquis de local 
representará uma facilitação na compreensão dos usuários do laudo pericial. 
 
O croqui deve incluir: 
 
- Dimensões obtidas durante o processo de amarração dos vestígios; 
Medidas que forneçam a exata posição dos vestígios encontrados na cena. Cada objeto deverá ser 
localizado por duas medidas feitas a partir de pontos fixos, como portas, paredes etc., 
- Dimensões de portas, móveis e janelas, quando necessário; 
- Distâncias entre objetos, quando necessário; 
- Coordenadas geográficas para locais abertos (obtidas por mapas ou GPS). 
 
Vale a pena destacar que o croqui produzido durante os exames servirá como base para o laudo 
apresentado, que provavelmente estará menos carregado com relação à quantidade de informações 
apresentadas. Na apresentação final, deve-se conceder privilégios a uma imagem clara e fácil de ser 
compreendida. 
 
O perito utiliza outros meios, além do croqui, pois pode se utilizar de imagens via satélite, caso em que 
podemos citar o Google Earth, pois são preciosos principalmente nos locais isolados e abertos. 
 
 
 
 
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5. Levantamento Fotográfico 
 
a. Fotografias em locais externos 
 
Nestes tipos de fotografias é preciso: 
- Ilustrar vistas gerais da cena do fato, incluindo pontos de referência, como lotes, construções, placas, 
marcos, vias públicas etc., 
- Ilustrar as reais condições de isolamento do local, no momento exato da chegada da equipe pericial, 
sobretudo quando se percebe o descumprimento das regras para o isolamento e preservação, muitas 
vezes manifestadas pela inadequabilidade do perímetro utilizado, ou mesmo pela violação da regra de 
limitação ao acesso de pessoas estranhas ao desenvolvimento da atividade pericial; 
-Tomar distância intermediária, visando ao registro de posições relativas entre diferentes vestígios; 
-Registrar detalhes de cada vestígio encontrado (fotografias de detalhe). Esse tipo de foto inclui uma 
escala e também placas com números ou letras que identifiquem o vestígio. 
 
b. Fotografias em locais internos 
 
Nestes tipos de fotografias é preciso: 
- Registrar obrigatoriamente todos os cômodos e ambientes, independente de se constatarem vestígios 
ou em cada um deles; 
- Usar, para registrar ambientes restritos, como quartos e banheiros, o emprego de objetivas do tipo 
grande-angular, capazes de ampliar o campo de visão; 
- Tomar distância intermediária, visando ao registro de posições relativas entre diferentes vestígios da 
cena do fato. 
 
Fotografias do cadáver 
 
Nestes tipos de fotografias é preciso: 
- Obter fotografia para cada detalhe, para cada vestígio. Esse tipo de foto inclui uma escala e também 
placas com números ou letras que identifiquem o vestígio; 
- Tirar, em relação à posição do corpo, pelo menos duas fotografias em ângulos opostos, de modo que 
elas possam ilustrar a posição exata em que o corpo se encontrava. O próprio Código de Processo Penal, 
em seu art, 164, apresenta a exigência de que a posição em que a vítima foi encontrada seja 
documentada por fotografia. 
- Realizar fotografias de detalhes, mostrando manchas diversas encontradas no corpo (por exemplo 
sangue, resíduos de disparos etc.) e ou vestígios cujo suporte seja o corpo; 
- Retratar

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