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04_Nocoes_de_Criminalistica

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e marcas de solado de sapato ou pneumáticos; 
- embalagens plásticas, frascos e/ou recipientes portadores de etiqueta com o nome do órgão pericial 
responsável, além de campos para a devida identificação da amostra coletada; 
- lacres numerados para garantir a inviolabilidade das embalagens; esparadrapo de algodão para 
coleta de material necessário ao exame residuográfico ou qualquer outro vestígio; 
- lacres; 
- lupa; 
- trena de 5 e 100 metros; lanterna; 
- luvas de nitrila e luvas plásticas reforçadas; 
- material de proteção individual descartável (máscaras, aventais, macacões, toucas, Propé®, óculos). 
 
. Qualificação dos peritos para realizar perícias em locais e instrumentos de crimes contra o 
patrimônio 
 
O perito precisa de formação acadêmica (bacharelato) em qualquer área do conhecimento científico e 
especialização em perícia de local de crimes contra o patrimônio, compreendendo: 
- Curso de formação técnico-profissionalizante, quando do ingresso na carreira de perito criminal, 
com um mínimo de 60 horas-aula, para a disciplina de crimes contra o patrimônio; 
- Estágio supervisionado no Núcleo ou Seção de Perícias em Crimes Contra o Patrimônio, com 
duração mínima de seis meses e com a elaboração de laudos periciais; 
- Curso de qualificação e aperfeiçoamento em crimes contra o patrimônio, com um mínimo de 40 
horas-aula, voltado, especialmente, para o treinamento no uso de reveladores de impressão digital, 
moldes para coleta de marcas de pegadas e outros recursos disponíveis para a identificação e coleta de 
vestígios, tais como as luzes forenses e reagentes para manchas de sangue latente. 
 
. Outros dados técnicos 
 
O exame de local de crime contra o patrimônio deve ser totalmente realizado pelos peritos criminais, 
inclusive a pesquisa e coleta de impressões dígito papilares. O objetivo é garantir a idoneidade técnica 
do conjunto dos vestígios examinados, a fim de que seja possível fornecer um diagnóstico completo da 
perícia, a partir da análise interativa de todos os vestígios. 
O responsável pela perícia deve ter em mente as alterações decorrentes da Lei n? 11.690, de 9 de 
junho de 2008. 
 
. Roteiro básico para o levantamento de local de furto qualificado 
 
Este roteiro visa a facilitar o procedimento e a rotina pericial a serem desenvolvidos em locais de furto 
qualificado, mas pode também ser aplicado em qualquer local relacionado a crimes contra o patrimônio. 
Basicamente, os peritos criminais devem ter em mente os seguintes quesitos, ao realizarem o 
levantamento de local: 
a) natureza do local examinado 
- Em se tratando de um prédio, relacioná-lo com a natureza da ocorrência e dar o endereço; 
- Descrever sua utilização; 
- Mostrar o projeto de construção (número de pavimentos, seu nível com relação à via pública); 
- Destacar seu posicionamento junto aos vizinhos, ao terreno, ao alinhamento geral das construções; 
- Estabelecer a delimitação física nos limites do terreno e junto ao passeio público; 
- Descrever sua abrangência (área) e composição (dependências); 
 
b) meio usado para o acesso a esse local 
- Houve destruição ou rompimento de obstáculo, com escalada, uso de chave falsa ou outro 
instrumento? Constatada presença de violência contra as vias de acesso, responder às seguintes 
interrogações: 
- Em que via de acesso ocorreu? A via está voltada para onde? 
- Qual o tipo de vedação que apresenta? Com que sistema de segurança é guarnecido? 
- Que tipo de instrumento foi ali utilizado? 
- Especificamente, onde foi aplicado? Que vestígios deixou? 
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- Com a aplicação deste instrumento, o que se obteve? O que propiciou a desobstrução da via de 
acesso? 
- Com a desobstrução da via de acesso, que vão resultou? 
- Esse vão é mensurável? De que forma? 
- Possibilitaria a passagem de indivíduo? Qual é sua compleição física? c) vestígios de destruição ou 
rompimento de obstáculo 
- Durante o ocorrido teria havido escalada? Houve o uso de chave falsa ou de outro meio tendente à 
subtração da coisa? 
- O que foi violado internamente e de onde? 
- Aplicou-se instrumento? Qual? 
- Como se encontrava o mobiliário e o seu conteúdo? 
- A vítima já havia arrumado o local? 
 
d) época em que se presume tenha ocorrido o fato 
- Normalmente os elementos materiais constatados não são suficientes para precisar a data da 
ocorrência. No entanto, os peritos podem colher informações esclarecendo o período em que o local se 
encontrava sem a presença da vítima ou outros, bem como informar a data e hora do último indivíduo que 
saiu do local e o primeiro a chegar, antes e após o fato. 
 
e) emprego de instrumento(s) 
- Os vestígios indicavam o uso de instrumentos? 
- Ainda que os vestígios não indicassem o uso de instrumentos, haveria necessidade deles para 
realizar a abertura da via de acesso? 
- Onde e para que teriam sido utilizados? 
- Teriam sido utilizados à guisa de algum tipo de instrumento? 
 
O Foram identificados? Coletados? 
f) vestígios, objetos, documentos de identificação 
- A pesquisa de fragmentos dígito-papilares resultou positiva? 
- Onde foram colhidos? Por quem? 
- Outros vestígios poderiam ajudar na identificação? 
 
Os peritos criminais podem também se valer de um roteiro simplificado, assinalando as alternativas 
referentes ao caso em que está sendo examinado, para posterior feitura do laudo. Tal roteiro pode 
acompanhar facilmente o material utilizado no levantamento (na prancheta ou caderno), sendo que 
contém as anotações básicas, porém imprescindíveis para uma perícia deste tipo. 
Fornecemos a seguir uma sugestão de modelo de roteiro, que poderá ser perfeitamente adequado às 
necessidades e estilo de cada perito criminal. 
 
 Estrutura mínima do laudo pericial relacionado a crimes contra o patrimônio 
 
A investigação é válida e eficiente na medida que o laudo pericial é compreendido e assimilado, pois 
tão importante quanto esclarecer um fato é transmiti-10 com precisão e compreensão. Portanto, a 
credibilidade de um laudo está diretamente ligada ao seu desenvolvimento, clareza, precisão e coerência. 
Como um laudo vai muito além de um documento pessoal, temos que utilizar formas convencionadas 
de descrições, de palavras simples e eficientes, também se valendo de termos técnicos que possam 
indicar com precisão o fato descrito. Lembrar-se de que a riqueza de detalhes na descrição é importante, 
porém, sem tornar o relato rebuscado, prolixo ou cansativo. 
Num laudo, ainda que de maneira simples, devemos seguir a exposição que melhor relate o fato, sendo 
cada parte desenvolvida e fundamentada com a argumentação coerente, através dos dados fundamentais 
para sua compreensão. 
Poderíamos seguir a seguinte ordem: 
1. Preâmbulo ou histórico; 
2. Preliminares; 
3. Objetivo da perícia ou quesitos; 
4. Dos exames periciais; 
5.Considerações técnicas ou discussão; 
6. Conclusão e/ou respostas aos quesitos; 
7. Fecho ou encerramento; 
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8. Anexos. 
 
Preâmbulo ou histórico 
Discriminar a data, a hora e o local em que for elaborado o laudo pericial, o nome do instituto e órgãos 
superiores aos quais está subordinado, tipo de laudo, a data da requisição e/ou solicitação, nome da 
autoridade que requisitou e/ou solicitou a perícia, nome do diretor e dos peritos signatários do laudo, bem 
como o objetivo geral dos exames periciais. 
Fazer, neste tópico, um pequeno histórico da requisição, bem como uma síntese do fato que originou 
a requisição da perícia e as providências tomadas referentes ao fato, data da ocorrência. Informações 
fornecidas por autoridades, funcionários e proprietários devem ser relatados neste item. 
 
Preliminares 
Neste tópico, o relator vai consignar as informações referentes à preservação e ao isolamento do local 
e quaisquer outras alterações que forem relevantes ao caso, ou que

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