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04_Nocoes_de_Criminalistica

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(sulcos, equimoses) como pela própria vítima 
(marcas ungueais), ao tentar se libertar. 
 
Luxações e fraturas nas vértebras cervicais não aparecem muito nos casos de enforcamento, e são 
extremamente raras nos casos de estrangulamento e esganadura. Quando o estrangulamento se 
processa com a utilização do antebraço do homicida (golpe vulgarmente conhecido como “gravata”) 
podem ser constatadas escoriações e contusões no topo dos ombros da vítima. 
Em alguns casos, entretanto, os achados necroscópicos externos podem ser muito tênues, dificultando 
o diagnóstico das asfixias por constrição do pescoço. Em muitos casos as lesões não aparentes no dia 
da morte podem aparecer no dia posterior, quando a pele começa a ressecar e ganhar maior 
transparência. 
 
 
 
 
 
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Passamos a analisar os três tipos de asfixias: 
 
Enforcamento: via de regra, ocorre de cima para baixo, é único, oblíquo e se interrompe com o nível 
do nó, que se produz com concentração da força e mantém a constrição. Nos casos em que o instrumento 
constritor tem menor espessura, os sulcos se tornam mais profundos. 
Os enforcados estão no polo ativo, na grande parte dos casos, pois é considerado de etiologia suicida. 
Alguns caracteres são encontrados como, presença de fezes, urina e líquido semianal. Quando em 
fase de agonia, constata-se processos convulsivos. 
Os que se suicidam dessa forma, apresentam contusões nos cotovelos, joelhos e partes mais altas do 
rosto, como queixo, nariz, em virtude da sua localização, já que há uma irregularidade de localização. 
 
Esganadura: “nos casos de esganadura não aparecem sinais externos de compressão, como sulcos, 
mas são observadas no pescoço escoriações e esquimoses produzidas pela pressão violenta dos dedos 
e unhas, na face anterior e nas laterais. Nesses casos, o exame minucioso do cadáver é fundamental 
pois as lesões podem ser discretas.” 8 
Estrangulamento: o sulco pode ou não ser único, sendo na maioria das vezes feito de modo horizontal 
em relação ao pescoço ou oblíquo, não apresentando-se com interrupções. 
Ocorre em grande parte, nos casos de homicídio. 
 
Locais de morte por sufocação 
 
Diz respeito ao bloqueio da passagem de ar nas vias aéreas, tanto pela obstrução mecânica de 
segmentos da árvore respiratória, como pelo impedimento da expansão toráxica. 
 
A sufocação direta pode ocorrer da oclusão da boca e narinas da vítima ou obstrução da traqueia e 
brônquios. Em caso de bloqueio dos orifícios respiratórios com almofadas e travesseiros que é o caso da 
primeira oclusão citada, os sinais de agressão são pequenos, porém se o homicida utilizar de suas mãos 
para comprimir a boca e o nariz da vítima, poderão ser notadas contusões no nariz e lábios do cadáver. 
 
A sufocação indireta, por sua vez, ocorre quando há casos de acidentes em veículos, onde as 
pessoas ficam presas às ferragens ou em casos de quedas com posicionamento inadequado do corpo, o 
que impede os movimentos respiratórios. 
 
Asfixias por soterramento 
 
O soterramento pode ser definido como um particular de sufocação direta, causada pela inalação de 
sólidos pulverulentos como terra, farinha, trigo ou lama. 
Pode ser precipitada por traumatismos ou doenças subjacentes como epilepsia e diabetes mellitus. 
Apesar de incomum, o soterramento também pode ser a causa da morte em acidentes de veículos, 
quando as vítimas ficam presas no interior ou exterior do veículo, com suas faces cobertas por areia ou 
terra. Para que o diagnóstico de soterramento seja dado como positivo, devem ser excluídas as causas 
referentes a ferimentos ou traumas letais. 
 
Locais de morte por projeção 
 
No diferencial entre homicídio, suicídio e acidentes em locais de morte por projeção, é válido apontar: 
 
- a localização do ponto de impacto do corpo e a altura do ponto de projeção. 
- a distância horizontal percorrida pelo corpo, traz o seguinte apontamento: 
 
Em casos acidentais, a projeção é perpendicular ou quase perpendicular; 
Nos casos de projeção voluntária (quando ocorre suicídio) e criminosa (casos de homicídio), a projeção 
é oblíqua. Ocorre um afastamento horizontal, em virtude da vítima projetar-se ou ser projetada com um 
impulso inicial, geralmente mais acentuado no caso suicida do que no criminoso. 
 
 
8 Domingos Toccheto e Alberi Espindula, Criminalísitica: Procedimentos e Metodologias, 3ª edição, editora Millennium, 2015, página 25. 
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Através de um exame das vestes, busca-se distinguir as avarias relacionadas ao processo de impacto, 
daquelas que possam ser produzidas em momento anterior, que é o caso de luta, defesa, como em 
momento posterior, para o caso de ações de socorro à vítima. 
 
Locais de morte por afogamento 
 
Quando for deparado esse caso, deve-se destacar três pontos importantes, como: 
- qual seria o caso do afogamento: homicídio, suicídio ou morte acidental. 
 
Para esse caso constata-se mais mortes acidentais. Para que a morte seja constatada por afogamento, 
não se faz necessária a submersão completa do corpo, pois em pessoas que tenham ataques epiléticos, 
embriaguez, basta uma pequena quantidade de água para que seja constatada a morte. 
 
Para locais abertos, como rios, mares e lagos, é mais difícil precisar onde o afogamento aconteceu, 
pois o fato do corpo ser encontrado em determinado local, não implica que lá tenha ocorrido o ato final. 
Já em locais fechados, como piscinas, o local em que o corpo for encontrado será o local em que se deu 
a morte. 
 
Em locais fechados, o perito deve buscar caracterizar todos os elementos, sendo necessário descrever 
se há estruturas de proteção (grades, capas protetoras). 
Deve ser feita uma minuciosa análise das lesões, já que o afogamento traz lesões referentes a 
contusões e feridas contusas, produzidas pelo impacto contra o leito do corpo d’água. 
 
Vale destacar que o afogado branco ou falso, apresenta sinais diferentes, como por exemplo, ausência 
de sinais de água nas vias respiratórias. 
 
Locais de morte por envenenamento 
 
A primeira providência a ser tomada é verificar se há embalagens de venenos, medicamentos, 
substâncias tóxicas. Deve ser feito um cuidadoso exame do local, com a descrição de todos os elementos, 
como a busca por objetos utilizados para ingerir esses venenos (copos, xícaras) ou injetar substâncias, 
além de outras substâncias. 
 
Sinais externos como secreção ou vômitos junto às cavidades oral e nasal, lesões nos lábios e 
cavidades orais produzidas por substâncias cáusticas, rigidez muscular extrema, são características 
desse tipo de morte. 
 
Quando a suspeita de morte se der por envenenamento, deve-se buscar a fonte do gás, verificando a 
presença de aparelhos aquecedores, fornos, fogueiras. 
As vítimas de asfixia por monóxido de carbono, geralmente apresentam a pele com coloração rósea 
mais acentuada e livores de coloração avermelhada. 
 
Referência Bibliográfica 
Domingos Toccheto e Alberi Espindula, Criminalísitica: Procedimentos e Metodologias, 3ª edição, editora Millennium, 2015. 
 
Questões 
 
01. (FUNCAB - 2009 - PC-RO - Delegado de Polícia). Assinale a afirmativa INCORRETA com respeito 
às asfixias. 
(A) Por constrição do pescoço pelas mãos: estrangulamento. 
(B) Em ambientes por gases irrespiráveis: confinamento, asfixia por monóxido de carbono e asfixia por 
outros vícios de ambiente. 
(C) Por constrição passiva do pescoço, exercida pelo peso do corpo: enforcamento. 
(D) Por obstrução dos orifícios ou condutos respiratórios: sufocações diretas ou indiretas. 
(E) Por transformação do meio gasoso em meio líquido: afogamento. 
 
02. (FUNCAB - 2012 - PC-RO - Médico Legista). O sinal de Lichtenberg é uma característica que 
pode ser encontrada nas mortes por: 
(A) asfixia. 
(B) afogamento. 
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