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04_Nocoes_de_Criminalistica

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apresenta uma subespécie, baseada em um ângulo com forma 
piramidal oriunda da bifurcação de uma linha simples ou pela brusca divergência de duas linhas paralelas. 
Tal ângulo é denominado na medicinal legal como “delta”. 
Ao examinar uma impressão digital, observam-se linhas pretas, que correspondem às cristas papilares 
e linhas brancas, que correspondem aos sulcos. Tais linhas desenvolvem-se paralelamente, criando, 
assim, a impressão digital, com desenhos imutáveis, que nascem com o indivíduo. 
O sistema criado por Vucetich é o utilizado até hoje. 
A cada tipo de impressão digital são atribuídos números e uma letra. É a partir daí que se compõe a 
fórmula datiloscópica, conhecida como “Sistema Datiloscópico de Vucetich”. 
No arquivamento de Vucetich são utilizados os dez dedos das mãos da pessoa para classificação e 
arquivamento. Todas as impressões são coletadas e distribuídas em uma ficha específica que contém a 
sequência polegar, indicador, médio, anular e mínimo. 
 
Identificação policial 
 
Nesse sentido, assim ocorre a identificação policial, a partir da comparação entre a impressão digital 
encontrada no “local do crime” ou no “objeto do crime” com a impressão digital do suspeito ou das 
impressões existente nos bancos de dados do Instituto de Identificação da Polícia. 
Os responsáveis pela tarefa de comparar e classificar as impressões digitais coletadas e elaborar um 
laudo são denominados de papiloscopistas. 
 
Identificação de Pessoas para Fins Civis 
 
Além da tomada de impressões em locais de crime, mais importante é a coleta de impressões da 
pessoa em momentos de realização de documentos civis. É nesse momento em que se dará origem aos 
 
11 BINA. Ricardo. Medicina Legal. Coleção Estudos Direcionados – Perguntas e Respostas; Editora Saraiva. 3ª edição. 2012. 
1374611 E-book gerado especialmente para PETRUCCIO TENORIO MEDEIROS
 
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arquivos do Instituto de Identificação e, no caso de ocorrência de um crime, posteriormente serão 
comparados com as impressões digitais colhidas no local do fato. 
A tomada de impressão digital de pessoa viva é realizada por um pesquisador/funcionário que porta 
uma série de instrumentos. Basicamente utiliza-se de: tinta apropriada, um rolo, um suporte e um 
impresso onde ficará marcado o entitamento dos dedos. Após a aplicação da tinta nos dedos, será retirado 
o excesso, posteriormente pressionando os dedos contra o impresso. 
Por primeiro é retirado a impressão digital do polegar e posteriormente dos demais dedos. Em seguida 
são coletadas impressões dos dedos em conjunto, o que propicia uma segurança maior, tendo em vista 
que haverá duas impressões de cada um dos dedos. 
 
Identificação de pessoa morta 
 
Quando é necessário realizar a tomada de impressões de pessoa morte, nesse caso, a identificação 
feita pelas impressões digitais é utilizada para estabelecer a identidade de um cadáver, ou confirmá-la, 
sendo fundamental à identificação de vítimas de homicídio para investigações criminais. Deve-se 
observar, por primeiro, quando a morte ocorreu. Se o óbito ocorreu recentemente, não há qualquer 
dificuldade na realização da retirada das impressões digitais, basta que seja realizada da mesma forma 
em que é feito com pessoas ainda com vida. 
Porém, com o passar dos tempos o corpo entra em decomposição, os cadáveres são encontrados em 
avançado estágio de putrefação, mumificados, ou carbonizados e, por conseguinte, são necessárias 
técnicas laboratoriais visando a recuperação do tecido degradado. O objetivo é acessar o padrão de 
cristas de fricção da epiderme, ou de papilas dérmicas da derme, ambos podendo ser utilizados para fins 
de identificação. Dependendo das condições em que se encontrar o corpo surgem três espécies de 
dificuldades: 
a) Rigidez cadavérica; 
b) Excessivo amolecimento dos tecidos; 
c) Inicio de putrefação; 
 
No caso da rigidez cadavérica, não há qualquer problema para que sejam retiradas as impressões 
digitais, o principal óbice seria sua execução, tendo em vista a “paralisia” em que o corpo se encontra. 
O amolecimento excessivo dos tecidos ocorre, por exemplo, nos corpos dos afogados. É necessário 
que o pesquisador tenha bastante cuidado em limpar os dedos do cadáver com um pouco de álcool e em 
seguida aplicar a tinta. Em alguns casos de emurchecimento mais avançado se faz necessário a injeção 
subdérmica de um líquido inerte, como parafina ou a glicerina, com finalidade de devolver a conformação 
da extremidade digital e permitir a coleta de impressões. 
Quando a coleta de impressões digitais tem que ser feita em corpos em estágio avançado de 
decomposição, é necessária a retirada da luva cadavérica, ou seja, a pele que recobre os dedos da mão 
do cadáver. Corta-se transversalmente a pele do dedo alcançando com o corte a área de um anel, depois, 
essa pele é arrancada como um preservativo; Após isso, o pesquisador veste esta pele do cadáver sobre 
sua própria mão, previamente protegida por uma luva de borracha, e, então, é feita a coleta das 
impressões digitais. 
 
Desenhos papilares 
 
A pele possui duas camadas, a primeira, denominada epiderme, encontra-se localizada na parte mais 
superficial, e a derme, mais profunda. 
As cristas papilares são as circunvoluções da epiderme que, conforme elucida Eduardo Roberto 
Alcantara Del-Campo, são circunvoluções da epiderme que se estendem sobre as cadeias paralelas de 
glândulas, terminais nervosos e vasculares existentes na derme. 
Quando se toca numa superfície são deixados resíduos de gordura, suor, aminoácidos e proteínas. 
São esses resíduos que permitem obter as impressões digitais. As impressões digitais são depositadas 
nas superfícies de uma forma mais ou menos contínua de acordo com a morfologia das cristas e contêm 
uma grande variedade de químicos. A espessura dos resíduos que são depositados nas superfícies é de 
apenas poucos micrómetros, e após um período de 1-2 meses ocorre secagem e evaporação dos 
químicos presentes. 
 
 
 
 
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Terminologia 
 
O desenho papilar é o desenho deixado pela impressão da crista papilar sobre um objeto, que dará 
origem à impressão digital. Tais impressões podem ser: visíveis, moldadas e latentes. 
Visíveis são as impressões papilares deixadas com tinta, graxa, óleo, sangue, ou qualquer outro 
produto que apresente certa pigmentação e seja facilmente visualizado a olho nu. 
Moldadas são as impressões deixadas sobre suportes que possuam consistência pastosa e acabe 
por “moldar” o formato da crista papilar tal como ela é, tais substancias podem ser o sabão, cera, pomada, 
etc. 
Latentes são as impressões que não podem ser visualizadas a olho nu, ou seja, é necessário que o 
pesquisador use aparatos para auxiliá-lo na descoberta de tal impressão deixada por dedos limpos. 
De entre os três tipos de impressões possíveis de encontrar em locais de crime, as marcas latentes 
são as mais comuns e as mais problemáticas. A aplicação de técnicas ópticas, químicas, físicas e físico-
químicas é necessária para a sua visualização. Os vestígios lofoscópicos são frequentemente 
encontrados fragmentados, distorcidos, manchados, o que dificulta a sua visualização. Tem de se ter em 
conta que são muitos os fatores que influenciam a qualidade da impressão digital latente (elasticidade da 
pele, pressão exercida, natureza da superfície, etc.), fazendo com que esta seja diferente da impressão 
digital padrão depositada sob condições controladas para efeitos comparativos. 
 
Identificação Datiloscópica 
 
Ao chegar ao local do crime, os técnicos procuram, inicialmente, impressões visíveis e moldadas, 
sendo, posteriormente, procuradas as impressões latentes. 
Não são todos os suportes/objetos que conseguem armazenar impressões papilares. 
Apesar de existirem muitos métodos usados pela polícia para detectar impressões digitais, existe um 
grande grupo de superfícies em que nenhum dos

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