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Feridas Crônicas - Semiotécnica

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PREVENÇÃO E MANEJO DA LESÃO POR
PRESSÃO: MANEJO DA LESÃO POR
PRESSÃO
MANEJO DA LESÃO POR PRESSÃO
I D E N T I F I C A Ç Ã O E C A T E G O R I Z A Ç Ã O D A S L E S Õ E S
P O R P R E S S Ã O
A V A L I A Ç Ã O D A S L E S Õ E S P O R P R E S S Ã O E D A
C I C A T R I Z A Ç Ã O
A V A L I A Ç Ã O E T R A T A M E N T O D A D O R R E L A C I O N A D A
C O M L E S Õ E S P O R P R E S S Ã O : A V A L I A Ç Ã O D A D O R
P R E P A R O D O L E I T O D A F E R I D A
A V A L I A Ç Ã O E T R A T A M E N T O D A I N F E C Ç Ã O E
B I O F I L M E S
A G E N T E S B I O F Í S I C O S N O T R A T A M E N T O D A S
L E S Õ E S P O R P R E S S Ã O
R E F E R Ê N C I A S
PREPARO DO LEITO DA FERIDA
O preparo do leito da ferida exige conhecimento e o
profissional deve investir tempo na avaliação da
melhor conduta.
 
O Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) reconhece a autonomia do enfermeiro para desempenhar e
supervisionar os cuidados com a ferida como avaliar, prescrever e executar intervenções (curativos)
(CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM, 2018).
O “preparo do leito da ferida” é um conceito clínico que envolve uma abordagem sistemática e holística para a
sua avaliação e tratamento promovendo um ambiente fisiológico nos tecidos da ferida que permitirá um progresso
normal para a cicatrização. Abrange quatro princípios básicos do cuidado, representados pelo acrômio TIME, que
podem ser utilizados para realizar intervenções locais com o objetivo de promover a cicatrização das feridas
http://eerp.usp.br/feridascronicas/recurso_educacional_lp_4_1.html
http://eerp.usp.br/feridascronicas/recurso_educacional_lp_4_2.html
http://eerp.usp.br/feridascronicas/recurso_educacional_lp_4_3.html
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http://eerp.usp.br/feridascronicas/recurso_educacional_lp_4_6.html
http://eerp.usp.br/feridascronicas/recurso_educacional_lp_4_7.html
crônicas. Foi desenvolvido por um grupo internacional de pesquisadores, médicos e enfermeiros para fornecer uma
abordagem estrutural para otimizar o manejo da cicatrização por segunda intenção de feridas crônicas (LEAPER et
al., 2012).
 
 
Os quatro princípios do TIME (ARON; GAMBA, 2009; LEAPER et al., 2012) são utilizados como guia prático para a
avaliação e manejo de feridas crônicas:
T (tissue): Tecido inviável – Avaliação da presença de tecido necrótico e esfacelo que proporcionam
crescimento de bactérias que promoverão inflamação e infecção. Esse acúmulo na ferida crônica prolonga a fase
inflamatória, obstrui mecanicamente a contração da ferida e impede a re-epitelização. O desbridamento do tecido
inviável deve ser realizado, para remoção da obstrução física, visando à contração e redução do número de
microrganismos, biofilmes, toxinas e outras substâncias, que reduzem as defesas do hospedeiro.
I: Infecção/Inflamação – Inflamação é uma resposta fisiológica necessária para a progressão da cicatrização.
Entretanto, inflamação excessiva ou não apropriada, muitas vezes com presença de infecção, pode ter sérias
consequências para o paciente (LEAPER et al., 2012) A avaliação dos níveis de bactérias na ferida auxilia na
definição de contaminação, colonização, infecção local ou colonização crítica e infecção sistêmica.
Contaminação é a presença de microrganismos não replicantes, porém não impede a cicatrização.
Colonização refere-se à presença de microrganismos replicantes que aderem na superfície da ferida, não
causam prejuízo celular e também não impedem a cicatrização.
Colonização crítica é quando a carga bacteriana na ferida está entre colonização e infecção. Nesse caso, a
ferida não cicatriza ou esse processo ocorre de forma muito lenta, embora não sejam observados os sinais
clássicos de infecção, como eritema, edema, calor, dor e perda de função (sinais flogísticos).
Fatores que afetam a carga bacteriana incluem o número e o tipo do microrganismo presente, sua virulência e
fatores associados ao hospedeiro e à presença de biofilmes.
Os sinais clínicos e sintomas locais das feridas infectadas são:
Retardo da cicatrização;
Dor;
Aumento do exsudato seroso;
Mudança na cor do leito da ferida;
Tecido friável;
Tecido de granulação ausente ou anormal;
Pus;
Odor.
O tratamento inclui agentes antissépticos tópicos. Quando a infecção sistêmica se estende além da margem da
ferida como, por exemplo, no caso das celulites e linfangites, são necessários antibióticos sistêmicos,
frequentemente associados aos antissépticos tópicos.
Biofilme é uma comunidade microbiana complexa que consiste em bactérias e uma matriz protetora de
açucares e proteínas, que aderem à superfície de uma estrutura, que pode ser orgânica ou inorgânica. Ocorrem em
uma grande quantidade de ambientes e dispositivos médicos e produzem um efeito protetor para os
microrganismos sendo um fator importante para a inflamação crônica e persistente do leito da ferida (LEAPER et
al., 2012).
M (moisture): Desequilíbrio da Umidade – Avaliação da etiologia e manejo do exsudato. Embora um meio úmido
seja necessário para a cicatrização, o excesso de fluido pode causar maceração na margem da ferida e na pele ao
redor, o que a dificulta a cicatrização. Por outro lado, o ressecamento do leito da ferida leva à lenta migração das
células epidérmicas e limita a regeneração dérmica.
E (epitelial edge): Margem epitelial/borda que não avança - algumas feridas crônicas mostram hiperproliferação
das células nas suas margens. A margem saudável apresenta uma cor rósea, porém pode não ter uma definição
clara, única e uniforme. Uma margem que não avança pode estar apresentando espaço morto (descolamento) ou
hipertrofia ao mesmo tempo e o tecido de granulação poderá estar friável e com coloração rosa escuro. O
desbridamento, o controle da inflamação e da umidade são componentes essenciais no tratamento da ferida, uma
vez que tais manejos podem favorecer a migração celular e a formação da matriz epitelial.
L I M P E Z A
Os objetivos da limpeza são remover tecidos desvitalizados, a carga bacteriana e exsudato, remover resíduos de
curativos anteriores e permitir maior visualização da ferida para avaliação.
A LP deve ser limpa sempre que for substituir os curativos/coberturas. Em ambiente hospitalar utiliza-se
solução salina isotônica, muito embora em outras situações a água potável, própria para o consumo, possa ser
utilizada.
A limpeza da LP pode ser realizada por meio da irrigação, com pressão suficiente para limpar a ferida, porém
sem causar trauma em seu leito. Para obter um jato com pressão suficiente para a limpeza, recomenda-se utilizar
uma seringa de 20ml conectada a uma agulha de calibre 12 ou frasco de solução salina isotônica (0,9%) de 250ml
ou 125ml perfurados com agulhas de diversos calibres (BORGES, 2008). Nessa perspectiva, destaca-se a
necessidade de seguir as precauções padrão para os procedimentos de cuidados com as feridas, como higienizar
as mãos, uso de óculos de proteção, máscara descartável, avental e luvas (AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA
SANITÁRIA, 2014; BORGES, 2008).
Quando o paciente, a ferida ou o ambiente de cicatrização da ferida estiverem comprometidos (por exemplo,
paciente imunocomprometido, ferida que invade alguma cavidade estéril do corpo, condições de cicatrização
comprometidas), a limpeza deve ser realizada com técnica asséptica. As LPs sem confirmação de infecção podem
ser limpas com água potável.
As LPs que apresentam resíduos, infecções confirmadas ou com suspeita de níveis elevados de colonização
bacteriana podem ser limpas com solução com surfactante e/ou agente antimicrobiano (antibiótico ou
antisséptico) apropriado para a ferida e condizente com as recomendações atuais de toxicidade/eficácia. As lesões
que apresentam túneis/cavidades devem ser limpas com cuidado para não deixar resíduos da solução dentro
dessas estruturas (TABARI et al., 2018).
Nesse sentido, importante mencionar finalmente