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TUMORESEABCESSOSCEREBRAIS-200415-102808-1588873288

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provocam alterações
na visão (hemianopsia); tumores no
cerebelo causam distúrbios de coor
denação; tumores no tronco cerebral
podem gerar alterações de consciên
cia, alterações cardiorrespiratórias e
comprometimento de vários nervos
cranianos; e tumores no lobo tem
poral podem gerar defeitos nas fun
ções de linguagem e memória. As
queixas cognitivas nos tumores ce
rebrais podem ser diversas,
gerando, por exemplo, distúrbios de
lingua gem, disfunção de memória
recente e/ou alterações
comportamentais. É importante
salientar que esses sin tomas focais
não são específicos dos tumores e
sim de qualquer problema
neurológico que provoque efeito de
massa, como abscessos e hidrocefa
lia, por exemplo.
TUMORES E ABCESSOS CEREBRAIS 11
Área motora
Movimentação
ocular e orientação
Funções cerebrais
superiores
Concentração,
planejamento,
expressão emocional
Área de Broca
Músculos da fala
Área auditiva
Área sensorial
Área motora
Músculos voluntários
Área de Wernicke
Compreensão da
linguagem
Área visual
Funções motoras
Coordenação do
movimento, equilíbrio
e postura
Figura 2: Áreas funcionais do cérebro. Fonte: www.sciencesource.com
Lesões focais no córtex cerebral
tam bém podem gerar uma
atividade irri tativa, a qual pode se
manifestar com crises convulsivas
(epilepsia focal por lesão cerebral),
que ocorrem em 50 a 80% dos
pacientes. A crise convulsiva pode
ser focal, apresentando-se com um
movimento involuntário paroxís tico
de um dos membros por exem plo,
ou se manifestar como uma para da
comportamental, ou com déficits
sensitivos ou visuais, a depender da
localização do tumor. As convulsões
ocorrem em cerca de um terço dos
pacientes com tumores cerebrais, e
são mais comuns como a apresenta
ção e o sintoma único de um tumor
de baixo grau.
Abaixo, uma tabela mostrando
alguns dos sintomas neurológicos
focais re lacionados com tumores
em determi nadas áreas cerebrais:
TUMORES E ABCESSOS CEREBRAIS 12
Lobo frontal Convulsões generalizadas
Convulsões motoras focais
(contralaterais)
Afasia expressiva (lado
dominante) Mudanças
comportamentais Demência
Distúrbios da marcha,
incontinência Hemiparesia
(contralateral)
Lobo parietal Hemiparestesia
(contralateral) Agnosias
Afasia receptiva (labo
dominante) Desorientação
espacial (lado não dominante)
Disfunção sensorial cortical
Lobo occipital Hemianopsia (contralateral)
Distúrbios visuais
Lobo
temporal
Mudanças comportamentais
Auras visuais e olfativas
complexas Distúrbio de
linguagem (lado dominante)
Defeito do campo visual
Ponte/medula Disfunção de nervos
cranianos Ataxia
Nistagmo
Fraqueza
Perda sensorial
Espasticidade
Cerebelo Ataxia (ipsilateral)
Nistagmo
Mesencéfa
lo/ Pineal
Paresia do movimento ocular
vertical
Anormalidades pupilares
Puberdade precoce (meninos)
Os tumores cerebrais podem estar
associados a edema (perilesional) e
eventos tromboembólicos, devido à
obstrução do fluxo sanguíneo que o
tumor pode causar. A maioria dos pa
cientes apresenta sintomas que evo
luem em um intervalo de semanas
até meses. Uma intensificação
súbita dos sintomas pode levar à
consulta mé dica, porém com a
história clínica se pode revelar
sintomas anteriores e o
agravamento progressivo da
doença. As exceções são o
aparecimento de uma nova
convulsão em um indivíduo
previamente assintomático ou uma
hemorragia súbita do tumor.
SAIBA MAIS!
O edema associado ao tumor cerebral é gerado pelo aumento da PIC, que causa
obstrução do fluxo do líquido cefalorraquidiano (LCR), gerada diretamente pelo tumor ou
pelo desvio do tronco cerebral e herniação também gerados pelo aumento da PIC, e isso
se relaciona com eventos tromboembólicos, devido principalmente à estase sanguínea
estabelecida – Lem
brando: tromboembolismo são gerados normalmente pela tríade de Virchow: estase
sanguí nea, hipercoagulabilidade e lesão endotelial.
TUMORES E ABCESSOS CEREBRAIS 13 FLUXOGRAMA – MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DE
Diagnóstico
Quando suspeitadas doenças neu
rológicas, deve-se sempre solicitar
exames de neuroimagem, preferen
cialmente ressonância magnética
(RM), que apresenta maior resolução
espacial para ajudar no diagnóstico
diferencial e fornece achados suges
tivos do tipo de tumor. No entanto,
pode ser realizadas tomografias tam
bém, especialmente em serviços de
emergência e em pacientes que apre
sentam contraindicações para resso
nância magnética (Ex: marcapasso e
próteses metálicas).
As impressões diagnósticas forne
cidas pela RM afetam a abordagem
cirúrgica da lesão. A ressonância
TUMORES E ABCESSOS CEREBRAIS 14
magnética deve ser feita com e sem
administração de gadolíneo, que é o
tipo de contraste utilizado nesse exa
me de imagem. A RM devidamente
realizada identifica qualquer tumor
intracraniano. A RM de alguns tu
mores extra-axiais, como neuromas
acústicos ou meningiomas, é tão ca
racterística que dispensa a confirma
ção histológica.
Uma lesão sem reforço de contraste
que é visível primariamente nas ima
gens ponderadas em T2 ou com in
versão-recuperação atenuada por lí
quido (FLAIR) não é consistente com
um glioma de baixo grau, enquanto
uma lesão com reforço de contras te
com uma área de necrose central e
edema adjacente é mais provavel
mente um glioblastoma ou
metástase cerebral. As metástases
devem ser suspeitadas quando há
lesões múl tiplas nos exames de
imagem, locali zadas na transição
corticosubcortical e associadas a
edema significativo. Além disso, a
imagem da RM com perfusão
depois de uma infusão rápi da de
gadolíneo pode medir o volume
sanguíneo cerebral relativo e a neo
vascularização associada ao tumor,
com isso, uma perfusão elevada re
presenta maior grau de malignidade.
Figura 3. RM de tumor cerebral intra-axial na
sequ ência FLAIR. Fonte:
https://radiopaedia.org/cases/
solitary-fibrous-tumour-of-brain
Também pode ser realizada a espec
troscopia pela RM, que avalia de
modo não invasivo a composição
tecidual. Isso auxilia diagnóstico de
tumores cerebrais porque os
tumores de alto grau estão
associados à uma redução de
N-acetil aspartato e um aumento de
colina. Os tumores mais malignos
estão associados a uma maior rela
ção entre colina/N-acetil aspartato e
costumam conter áreas com
elevação de lactato e lipídios.
Na tomografia com emissão de pó
sitrons (PET- TC), os tumores de alto
grau são normalmente hipermetabó
licos, enquanto os de baixo grau são
hipometabólicos. Novas tecnologias
que utilizam C-metionina na PET-TC
permitem diferenciar gliomas de
baixo
TUMORES E ABCESSOS CEREBRAIS 15
e alto grau com mais eficiência do
que a PET com desoxiglicose (PET
– FDG). Porém, vale lembrar que a
tomogra fia só deve ser realizada
nos pacien tes que não podem ser
submetidos à RM, pois TC, mesmo
com contraste, pode não identificar
tumores de baixo grau e/ou tumores
na fossa superior.
Figura 4. RM de metástase cerebral na
sequência FLAIR. Fonte:
https://prod-images-static.radiopa
edia.org/images/13363/02b6e6c5581fcef2b
098d7508a8841_big_gallery.jpeg
Outros exames como eletroencefa
lograma (EEG) normalmente não
são necessários no diagnóstico ou
trata mento dos tumores cerebrais,
mas o EEG pode ser útil em
paciente com estupor prolongado
ou inexplicado e naquelas com
diagnóstico de esta do epiléptico
não convulsivo. A monitorização
intraoperatória também é
frequentemente usada para ajudar
na orientação na ressecção do
córtex
epileptogênico adjacente ou dentro
do tecido do tumor cerebral.
A punção lombar para coleta e análi
se do líquido cefalorraquidiano
(LCR) não fornece informações
diagnósti cas úteis para a maioria
dos tumores cerebrais primários, a
menos que a presença de suspeita
de semeadura leptomeníngea. O
papel principal da punção lombar é
explorar etiologias infecciosas ou
inflamatórias em pa cientes com
achados de neuroima gem atípicos
ou incomuns.
O diagnóstico definitivo de qualquer
câncer é histopatológico, através da
obtenção de uma parte do conteúdo
do tumor. A retirada de material
para análise patológica pode ser
feita por biópsia estereotáxica ou
ressecção cirúrgica. A biópsia
estereotáxica